Riddare Drakar
17 Capítulo 16 – Entre Punhos e Liberdade
Notas iniciais
Capítulo 16 – Entre Punhos e Liberdade
“O sábio teme o céu sereno.
Em compensação, quando vem a tempestade, ele caminha sobre as ondas e desafia o vento.”
Confúcio.

Punhos cerrados.
Olhar vazio.
Uma necessidade desesperada por ar, mas que lhe custava a atravessar seus pulmões.
Estranhamente o mundo parecia cinza, desprovido de qualquer outra cor ou sentimento ao seu redor.
A sensação de vazio era estranha... Mesmo que ele já devesse estar preparado para quando o anúncio enfim viesse a ser feito.
Era óbvio que aconteceria. Óbvio que não havia nada que ele pudesse fazer.
Mas, então por quê? Por que esse sentimento maldito o estava quase consumindo por dentro?
Após Fugaku lançar a bomba e anunciar o tão “aguardado” casamento, ele deixou o local, transferindo a responsabilidade de Anfitrião para os outros líderes. Eles conseguiram controlar a euforia da multidão e passaram a fazer os comprimentos oficial para os noivos, Itachi e Sakura respondiam a todos com sorrisos e acenos de gracejos, quase como se soubesse desde o início que isso aconteceria, mas era claro o quanto eles desejavam internamente apenas sair dali o mais rápido possível.
Flores eram jogadas sobre eles, cânticos românticos entoados pelos cidadãos, era até mesmo estranho ver tanta alegria por causa de um casamento, mas provavelmente o fato dos noivos serem quem são seja a grande diferença para tanto entusiasmo.
Mas, o que para muitos era motivo de festa, para Sasuke só conseguia lhe causar náuseas, seu desconforto era notório. Ele acabou sendo jogado para o extremo oposto do palco improvisado com o alvoroço dos líderes se deslocando de um lado para o outro, sendo ofuscado e cercado por todos os lados, o que fazia a sensação de sufocamento só piorar.
Desvencilhou-se daquela gente até enfim conseguir descer do palanque, não aguentaria ficar ali por mais tempo do que já havia se obrigado a ficar, empurrou alguns outros dos que estavam em baixo até abrir caminho na direção do portão principal da fortaleza Uchiha, o único lugar que seria capaz de o tirar daquela realidade dolorosa naquele momento, ao menos até que a multidão se dispersasse e ele pudesse voltar para floresta.
Com passos largos e apressados foi até o portão, quem o visse certamente acharia que estava correndo, atrasado para algo ou apenas fugindo de alguém. Porém, mal poderiam imaginar que se tratava de algo muito mais profundo e complexo...
Sasuke, de fato, estava fugindo.
Uma fuga interna...
De algo que ele, definitivamente, se recusava a ter que lidar.
Ao menos naquele momento.
Mas então parou, quase como se espinhos na sola de seus pés o estivessem prendendo, seu corpo enrijeceu, claramente não querendo ceder aos impulsos da sua própria mente, mas nada pode fazer ao se virar e olhar mais uma vez na direção dos noivos, amaldiçoe-se de todos os nomes malditos por não ser capaz de apenas seguir em frente sem se permitir olhar para trás, era mesmo um tolo fraco que não conseguia controlar os próprios sentimentos.
Mas tudo só ficou pior quando encarou os olhos desamparados de Sakura pedindo por ajuda.
Sua ajuda.
Em uma fração de segundos imaginou-se rompendo a multidão, a agarrando pelo braço e a levando embora dali, gritando aos quatro ventos, aos deuses e ao mundo que aquilo era injusto e que ninguém deveria se casar sem seu próprio consentimento. Que eles eram livres para viver seus próprios destinos e nada nem ninguém os impediria de assim o fazer.
Mas, só durou isso.
Uma fração de segundos.
Até que Sasuke se virasse e adentrasse a fortaleza, lutando teimosamente para não derramar as lagrimas que queriam manchar seu maldito orgulho.
Mas, infelizmente, aquele era só o início...
O início do seu inferno pessoal.
}|*|{
Os dias que se seguiram após o anúncio foram dias de grande agitação. As principais perguntas sempre eram as mesmas: Quando o casamento aconteceria? O evento seria tão grandioso quanto o Festival de verão? Os reinos dos países ao sul também viriam? A quanto tempo ele vinha sendo planejado?
Sakura já não estava aguentando mais, Ino e Temari a estavam deixando louca com toda aquela conversa sobre festa, vestido e cerimonia. Se já não bastasse o estado catastrófico que sua mente se encontrava, ainda tinha que ouvir sobre o maldito casamente onde quer que ela fosse, seja nos treinos, seja nas ruas ou até mesmo dentro do distrito Haruno, não havia um único lugar onde pudesse ter um pouco de paz.
Ah, e claro, não podiam faltar seus sorrisos!
Os sorrisos falsos malditos que era obrigada a dar para manter as aparências da união feliz e próspera que Konoha logo viria a celebrar.
Até mesmo a floresta estava fechada para si, seu único ponto de fuga que poderia salvá-la daquele caos, lhe estava proibido e não havia nada que ela pudesse fazer.
Afinal, quanto mais sua vida teria que ficar escancarada aos quatro cantos daquele lugar até que encontrasse um pouco de paz?
Mas, é claro, não era só a vida dela que estava caótica.
Os irmãos Uchiha mal haviam se falado depois daquele dia, mas claro, não foi por falta de tentativas da parte de Itachi. Sasuke apenas se fechou para tudo e todos, mal o viam fora do horário de treinos na arena, e se antes a floresta já estava quase virando uma segunda casa, agora ela realmente havia se tornado uma. Tinha dias que ele nem se preocupava em voltar para Konoha, ocupando seu tempo treinando com Aoda e cuidando do novo amigo dragão, que por sinal já estava bem melhor. Sua ausência era sentida pelo irmão, e até mesmo por Naruto que não sabia o que poderia fazer para tentar segurar o amigo o mais próximo que fosse possível, ele definitivamente não queria voltar aos dias negros em que Sasuke parecia constantemente rodeado por uma aura de escuridão, mas ambos compreendiam que não adiantaria força-lo a nada agora, Sasuke precisava de tempo.
A questão é: quanto tempo?
Os próprios treinos pareciam uma tortura psicológica, se já não bastasse ter que ver Sakura todos os dias, ainda tinha que ouvir todos comentarem algo relacionado ao casamento. Já fazia tempo que o menino não ficava tão distraído, era quase como se houvesse perdido o propósito de estar ali, afinal, por que continuar treinando para matar dragões?
Reconhecimento de seu pai?
Ele já estava desencantado desse sonho infantil.
A atenção da menina Haruno?
Ela, agora, está oficialmente noiva de seu irmão e logo fara parte da “família”.
Sem contar o motivo mais óbvio para ele, definitivamente, não querer matar dragões: Aoda.
Ou seja, sem proposito: sem motivação.
Mas, a mudança drástica de Sasuke vinha chamando a atenção de mais gente do que ele imaginava. O próprio Kakashi não sabia realmente como lidar com o garoto, o fato dele não estar aparecendo tantas vezes na oficina como fazia antes os afastou consideravelmente, suas conversas eram rasas, diretas e estranhas de mais, mesmo sabendo os motivos para que o Uchiha estivesse assim, não podia deixar de se preocupar com a aura gélida que vinha o acompanhado desde aquele fatídico dia.
“- Por que tão cruel, Fugaku?” – pensava consigo mesmo enquanto o observava apático em mais um dia de treino. O grisalho de mãos intercambiadas viu aquele menino crescer sob seus cuidados e se preocupava com ele como se preocuparia com um filho, caso tivesse tido algum, mas mesmo agora, bem diante de Sasuke, sentia-se a quilômetros de distância.
E assim, os dias foram passando, um mês se findou e outro começou, mantendo a rotina estranhamente calma que o império vinha adotado desde o anuncio do casamento.
O mês de Solmanour talvez seja o mês mais quente do verão, o ápice da estação em toda sua formosura, as árvores estão completamente folhadas, e muitas floridas, o tempo agradável permitia a todos vestir menos camadas de peles e libertarem-se daqueles pesos constantes, a brisa quente do sul parecia os fazer flutuar e, além disso, as colheitas numerosas, a pesca abundante e a fartura de animais eram só mais alguns motivos para tornar Solmanour o mês mais aguardado pelo povo nórdico.
O dia iniciou mais agradável que todos os outros e, após terminar o treinamento daquela manhã, Sasuke saiu rapidamente para aproveitar o máximo de tempo que poderia ter com Aoda e, quem sabe, até pudesse encontrar o dragão raposa-escorpião! Mesmo já tendo se recuperado completamente, o réptil vez ou outra aparecia para visita-los e passava boas horas atormentando Aoda enquanto Sasuke apenas os assistia se divertindo um pouco mais longe para não acabar sendo atingido naquela brincadeira bruta e perigosa.
Infelizmente, assim que alcançou a clareira apenas encontrou o Fúria da Noite a seu aguardo, Sasuke então o alimentou e logo preparou a montaria nas costas do dragão, Aoda já parecia muito mais acostumado em usar a cela e a prótese, coisa que antes ele não via a horar de tirar todas as vezes que eles voltavam de algum passeio. Agora a prótese quase já fazia parte de si, mas certamente concordaria se o perguntassem se ele preferia ficar com ela só para ter mais tempo com o amigo.
Óbvio, o inicio do relacionamento entre ele e o garoto humano não foi lá o melhor, mas a aproximação que vinham trabalhando desde então estava mudando ambos, o dragão nunca antes tinha se sentido tão confortável na presença de qualquer humano que fosse, isso ao menos do que ele se lembrava, mas estar com Sasuke o fascinava, pois via no menino um verdadeiro amigo em quem poderia confiar sua vida se necessário, entretanto, mesmo ele não podia negar a diferença cada vez maior na maneira do garoto agir nos últimos tempos, mesmo que ele em sua ingenuidade não fizesse ideia do que poderia ser.
Curiosamente, eles não voaram muito naquele dia, logo Sasuke os fez pousar numa tranquila ravina no lado oeste da ilha, ela terminava na praia e dava bem de frente para a bela visão dos Penhascos de Delling. Assim que desceu do animal, o Uchiha jogou-se de costas sobre a grama macia e em silencio apenas se pôs a observar o céu azul acima de si.
Naquele momento permitiu-se fechar os olhos, talvez em busca da paz que vinha procurando a muito tempo, no mesmo instante Aoda foi até ele, deitou-se ao seu lado e apenas esperou, num tipo de acordo mudo que somente os dois conseguiriam entender, o garoto colocou seu braço em cima da cabeça do dragão fazendo um leve carinho em suas escamas enquanto que ambos suspiravam profundamente em sincronia.
— Queria que isso pudesse durar muito mais tempo, Aoda – disse baixinho, como se falasse apenas consigo mesmo – Não ter que voltar para aquele lugar, nem para aquelas pessoas... Nem para aquela vida. Acha que conseguiríamos? Só eu e você, viajando para bem longe daqui? Deixar que os ventos fossem nossos guias e vivermos livres desse caos? – Não era como se esperasse alguma resposta, mas aquela fantasia era boa ao seu próprio coração, fazia-lhe bem pensar que poderia ir embora na hora que desejasse, que não havia nada nem ninguém que o prendia ali.
Mas, estaria mentindo se tentasse.
E acabou rindo de sua própria ingenuidade.
— Hey, Aoda... Quer ouvir uma canção? – Perguntou de repente. Óbvio que o dragão não iria responde-lo, muito menos entendia o que significava “canção”, porém Sasuke não se atentou a esse pequeno detalhe e apenas começou a balbuciar uma melodia suave, que tão bem combinava com todo aquele lugar.
"Bem longe no campo, por de baixo do Carvalho.
Em uma cama de grama, que espera o guerreiro cansado.
Venha! Assente a cabeça e feche os olhos em paz
E quando se abrirem, o Sol já terá voltado.
Aqui é seguro, aqui é abrigo.
Aqui as dryas lhe protegem de todo o perigo.
Aqui seus sonhos são doces e amanhã serão lei.
Aqui é o local onde sempre lhe amarei."
“- Gostou da música, meu pequeno? – Mikoto balançava suavemente um embrulho de peles em seus braços. O rostinho ali escondido era extremamente pálido, com os cabelos negros e rebeldes em abundância, mas sua expressão era suave, muito parecida com a dela mesma – Ainda não pode conhecer os campos verdes, mas te levarei lá um dia. Quando o verão chegar você já será um menino crescido com seus quatro aninhos e Itachi e seu pai irão conosco também. Será um dia muito feliz! Você verá, Sasuke! Você verá...”
A memória antiga materializou-se diante de si, mas Sasuke não lutou contra ela como teria feito em outras vezes, buscou absorver tudo o que podia daquilo e tentar de alguma forma usar para acalentar seu fraco coração. A lembrança logo puxou outra o levando de volta para a clareira, mais especificamente, de volta para o dia que se encontrou com Orochimaru pela primeira vez.
“- Não sei o que quer dizer, mas saiba que vir aqui foi um erro! Posso te levar amordaçado até Konoha e te fazer pagar por todos os seus crimes!
— Não sabe? Fugaku e Itachi são guerreiros, nasceram para a guerra, mas você puxou totalmente sua mãe com essa mente brilhante! Sei que ela estaria orgulhosa se pudesse te ver agora, domando um Dragão... Mas duvido que saiba como ir até ela... Aquela mulher soube como escapar facilmente por entre meus dedos...
— Pare de dizer besteiras! ELA ESTÁ MORTA! MORTA!
— Será?”
Tantas coisas aconteceram depois daquele encontro que o garoto mal teve tempo de processar tudo o que o homem cobra lhe disse naquele dia.
Viva?
“- Não ganharia nada remexendo na morte de sua mãe apenas para te fazer sofrer, criança.”
Ela poderia estar viva?
A memória de Mikoto cantando para si fez emergir um desejo estranho em seu peito, não teve tanto tempo assim para criar muitas memórias com ela como gostaria, e as poucas que tinha esmaeciam com o passar do tempo, entretanto, ali, naquele exato momento, nunca desejou tanto que o que Orochimaru havia lhe dito fosse verdade.
Que ela estivesse viva, em algum lugar, esperando por ele.
— Se você estivesse aqui agora... Conseguiria me ajudar, mãe? – Questionou-se – Sei que é infantilidade minha, que não deveria estar assim por algo que eu sabia que viria a acontecer cedo ou tarde... Mas como devo fazer então? O que devo fazer para me livrar disso? Dessa raiva... Desse sentimento de incompetência... De fraqueza... De que eu jamais serei o suficiente para nada?
Aoda apenas encarava o amigo ao seu lado, notando o exato momento que as lágrimas começaram a manchar o rosto do garoto. Seu próprio peito se apertava em vê-lo assim, sabia que ele estava sofrendo, mas o que ele poderia fazer? Nada além do que estava ao seu alcance, aceitando silenciosamente as lágrimas do jovem Uchiha como sua confissão de dor.
O que Sasuke não podia prever, entretanto, era que ali, naquele momento, mais um pouco de sua essência começava a despertar, refletindo em seus olhos tudo o que tentava expelir com as lágrimas, mas que mesmo assim não parecia ser o suficiente.
O vermelho carmesim...
Ele estava traçando seu destino.
}|*|{
Já estava ficando tarde, então, mesmo a contragosto, voltou com Aoda para a clareira, tirou a cela do dragão, despediu-se e foi-se pelo caminho de volta para Konoha. Caminhou tranquilamente pela densa floresta até alcançar os grandes portões da cidade e, ao adentrá-los, seguiu o caminho costumeiro até a fortaleza Uchiha.
Estava totalmente perdido dentro de si mesmo, não conseguindo se concentrar si quer no caminho que estava fazendo, se havia esbarrado em alguém ou não o garoto jamais conseguiria dizer, porém, no meio de todo esse turbilhão de labirintos e dúvidas que o cercavam, Sasuke foi puxado por uma força maior de volta para a realidade assim que encontrou seu melhor amigo. Naruto vinha na direção contrária da sua, trajava ainda as mesmas roupas do treinamento de mais cedo, mas carregava no rosto uma face cansada e exaurida, talvez estivesse tão perdido nos próprios pensamentos quanto o jovem Uchiha, mas assim que seus olhos se cruzaram ambos foram despertados de seu transe interno. A troca de olhares silenciosa entre eles durou apenas um instante, mas foi o suficiente para que chegassem ao mesmo consenso.
Mudando completamente a trajetória de ambos, os dois amigos seguiram na direção das docas, justamente na área que era de domínio do clã Uzumaki, deixando o ponto onde ficava a maior parte dos navios e pessoas, eles continuaram caminhando até chegar num lugar recluso da praia, com um grande paredão de pedra imponente que erguia-se sobre a pequena baia. Algum tempo atrás eles tinham subido até o topo para fazer a fogueira com Kakashi e os outros, mas o motivo para estarem ali definitivamente nada tinha a ver com jogar conversa fora ou comer dessa vez.
— Naruto – Sasuke começou a dizer assim que pararam de caminhar – Está tudo bem, não precisamos fazer iss-
Mas antes que pudesse prever qualquer movimento, Naruto diferiu um soco certeiro na mandíbula do amigo. O movimento foi tão inesperado que Sasuke até cambaleou alguns passos para trás, tentando reestabelecer o equilíbrio do próprio corpo enquanto processava o que tinha acabado de acontecer.
— Você tem merda na cabeça seu idiota?! – Exaltou-se enquanto massageava o lado da face atingido.
— Talvez, quem sabe? – Mesmo que a resposta parecesse cômica a expressão no rosto do Uzumaki nada condizia com ela – Olha, eu sinto muito por não poder fazer mais que isso, mas você se lembra, não é? Do que prometemos um ao outro quando ainda éramos pequenos?
“Estavam no meio do inverno, o clima frio fazia subir calafrios mesmo pelo corpo do viking mais bem acostumado com o tempo, a neve misturava-se a areia e a maresia do mar parecia tornar a sensação cortante do vento ainda mais afiada e dolorida, mas, curiosamente, não parecia incomodar um jovem garotinho com seus oito anos que passava seu tempo lançando pedras na direção do grande paredão.
— Precisa de ajuda para treinar, amigo? – Disse outro que acabará de chegar apenas para chamar sua atenção.
Sasuke, porém, nada disse e continuou fazendo o mesmo que estava a fazer antes da chegada do intruso.
— Ei! É surdo?! Tô falando com você, idiota!
— Olha, Uzumaki – Virou-se enfim para responder o outro garoto – Eu realmente não tô afim de conversar, então só me deixa em paz e vá procurar algo para fazer com seus outros amigos, sim?
— Eu sei que eles não foram legais com você... Só porque você trabalha na ferraria com o Kakashi... – Comentou um pouco sem jeito enquanto coçava a parte de trás da cabeça – Mas, se quiser descontar, pode descontar em mim! Eu assumo toda a culpa deles se quiser!
— Pare de dizer besteiras – O jovem Uchiha se virou e voltou a se concentrar em jogar as pedras no paredão – Apenas vá embora e me deixe aqui sozinho.
Sem dizer mais nada, o menino loiro, num movimento rápido e inusitado, jogou-se por cima de Sasuke, o derrubando de cara diretamente na areia da praia.
— PARE DE SER A DROGA DE UM CACHORRO MEDROSO, SEU TEME DE MERDA! Coloca para fora o que você ta sentindo! – O garoto gritava em plenos pulmões enquanto diferia vários socos nas costas do Uchiha.
—PARA COM ISSO SEU DOBE MALDITO! – O menino revidou tirando Naruto de suas costas e caindo por cima dele.
Ficaram ali por um bom tempo trocando socos e xingamentos, suas roupas pesadas para lidar com o frio agora estavam cheias de areia e certamente teriam que passar um bom tempo nas Kildenes se quisessem se livrar de toda aquela sujeira, sem contar que teriam que enfrentar o frio invernal congelante para tal, mas seus corpos estavam tão quentes de adrenalina que mal notaram o momento em que o frio se foi e a única preocupação que restava era acertar o próximo golpe na cara do outro.
— Já cansou, Teme? – Naruto perguntou ofegante enquanto jogava-se sobre a areia, de barriga para cima e com os braços largados de qualquer jeito sobre ela.
— Eu poderia te socar o dia todo se eu quisesse, Dobe – Sasuke respondeu estando na mesma posição que o amigo se encontrava.
Ambos riram, sentindo que o peso da situação enfim tinha se esvanecido.
— Hey, você sabia que dizem que os Vikings parceiros de vida conseguem entender o sofrimento um do outro com alguns socos? – O Uzumaki mudou de assunto – Dizem que nascemos com diversas ligações, que jamais poderão ser desfeitas mesmo se quisermos, como se fossemos uma pequena Ygdrasil em nós mesmos, e as pessoas ligadas a nós sempre poderão nos compreender, seja através de olhares, gestos e principalmente através de uma troca insana de socos! Isso não é muito legal?!
— Tsc, só você para achar legal sair todo ferrado de uma luta só para tentar me entender.
— Mas, deu certo! Isso é o que importa!
Sasuke apenas limitou-se a dar um sorriso de lado e se calar, oferecendo seu silencio como a resposta que Naruto queria ouvir.
Após esse breve momento, o Uzumaki com um salto se sentou, assustando o Uchiha no processo, mas logo virou-se para ele e voltou a falar.
— Então vamos fazer uma promessa, toda vez que sentirmos que o outro está precisando de ajuda vamos vir aqui e socar a cara um do outro até melhorar, certo? – Disse estendendo a mão direita para Sasuke com o punho fechado, ele também se sentou e, com um pequeno sorriso, retribuiu o gesto do amigo.
— Certo.”
A memória logo foi interrompida por outro soco de Naruto, o Uzumaki não parecia estar com tanta paciência assim para esperar uma resposta verbal da parte de Sasuke, mas bem no momento que estava se preparando para dar seu terceiro soco consecutivo, ele o faria lutar na marra se fosse necessário, o Uchiha o parou, segurando sua mão direita e diferindo um chute bem dado no meio do estomago do amigo.
— Não se esqueça que foi você que pediu por isso, Dobe!
O loiro sorriu satisfeito, afastou-se o suficiente para tirar sua armadura de torso e depois sua camisa também, se iriam lutar para extravasar, nenhuma proteção poderia aparar o danos que estavam por vir, Sasuke já ia seguindo seus movimentos quando percebeu a grande cicatriz nas costas de Naruto, lembrando-o do incidente com o dragão raposa-escorpião de algumas semanas atrás, o corte parecia bem fechado, provavelmente foi a própria Tsunade que fez os curativos e passou as pomadas especificas, mas ainda sim parecia muito vermelho e inchado para a luta que ambos estavam pretendendo ter e isso o preocupou consideravelmente.
— Naruto... Você não acha melhor usar sua armadura? O corte ainda parece bem feio e...
— Puf! Acho que deveria me sentir honrado pela sua preocupação, Teme! – Naruto o interrompeu. Assim que terminou de colocar suas coisas sobre uma rocha da praia voltou-se para o amigo e se colocou em posição de luta – Eu e minha cicatriz INCRÍVEL estamos muito bem, obrigado! Pode vir com tudo!
— Depois não adianta choramingar para a Hinata vir cuidar de você! – O provocou, sentindo-se consideravelmente bem por poder deixá-lo, mesmo que apenas levemente, sem jeito só por mencionar o nome da garota Hyuga.
Não querendo perder mais tempo, Sasuke fez o mesmo que o loiro, tirou seu torso protetor, sua camisa e imitou a posição de luta de Naruto, em uma contagem regressiva mental, ambos foram para cima um do outro, iniciando aquela luta que não tinha tempo certo para acabar.
Os movimentos do Uzumaki eram rápidos e precisos, ele sempre teve uma vantagem considerável em lutas como aquela, onde o improviso podia ser a chave de virada para a vitória, mas mesmo ciente disso, Sasuke conseguia manter o ritmo evitando os golpes que poderiam causar mais estrago enquanto procurava acertar os pontos fracos de Naruto, estes sempre apareciam após um movimento ou golpe mais forte, o que ajudava o Uchiha a não se sair tão por baixo, ele podia não ser o melhor guerreiro, certamente não saberia o que fazer se fosse cercado por muitos inimigos num campo de batalha, mas ele era uma pessoa muito observadora, conhecia Naruto à anos e sabia seu tipo de luta, seus vícios e manias. Toda vez que lutavam ele aprendia um pouco mais, e mesmo que não conseguisse sair com tantas vitórias, não era tão horrível assim. E isso era algo do qual ele podia se orgulhar.
Naruto, por outro lado, sempre soube que o amigo tinha potencial, mesmo que ele negasse ou dissesse que não havia esperanças de um dia ele realmente alcançar o mesmo patamar seu ou dos guerreiros mais experientes, mas ali, com toda aquela raiva e sentimento negativo acumulado, Sasuke se transformava, todo seu jeito retraído e franzino sumia, restando apenas o resquício do que ele poderia vir a se tornar se ele se permitisse alcançar isso, se tivesse alguém para motiva-lo para tal. Um guerreiro forte e respeitável.
A luta se seguiu com vários socos, rasteiras e chutes, os hematomas iam surgindo com o tempo, cada queda também rendia novos arranhões, causados pela aspereza da areia ou por pedras escondidas em baixo dela, porém, o que com o tempo deveria reduzir a intensidade e velocidade dos socos, só foi se tornando mais forte e intenso, pelo menos da parte de Sasuke. Talvez fosse a raiva acumulada, talvez fosse o conglomerado de coisas que aconteceram uma seguida da outra, nem ele saberia dizer, a única certeza era que quanto mais o tempo passava mais ele sentia aquela adrenalina estranha subir pelas suas veias, lembrava muito o que sentiu no dia que ele e Aoda despencaram dos Penhascos de Delling, a eletricidade assemelhava-se a faíscas através dos formigamentos nas pontas de seus dedos, levando-o a movimentar-se sem que ele mesmo tivesse consciência de tal, apenas seguindo o que seu instinto inconsciente lhe levava a fazer.
No mesmo instante, o céu claro e azul de verão se tornou cinza e escuro, a mudança abrupta chamou a atenção de Naruto, mas si quer pareceu fazer diferença para Sasuke, ele estava envolvido de mais para perceber qualquer variação que acontecesse ao seu redor. As nuvens formavam-se aos montes, encobrindo totalmente o sol, as ondas se tornaram revoltas, o vento passou a soprar em fúria e pequenos indícios de eletricidade começaram a atravessar o céu.
No momento que Naruto ia dizer que o tempo estava muito estranho, Sasuke acertou um soco forte no seu rosto, o Uzumaki cambaleou pelo menos uns três passos para trás, mas assim que botou o os olhos no amigo novamente assustou-se ao encontrar as irises carmesins, nunca havia visto os famosos olhos Uchiha pessoalmente e em cores, o choque foi tão grande que mal percebeu quando Sasuke avançou novamente lhe dando uma rasteira, a queda foi dolorosa, principalmente por causa da cicatriz ainda não curada completamente, mas, mesmo assim, ele conseguiu se erguer e revidar, no entanto tudo parecia estar ficando ainda mais difícil do que antes.
— Hey, Sasuke!
Outro soco veio, e então outro e mais outro e mais outro. Naruto defendia-se como podia, pois atacar propriamente falando ele já não estava conseguindo mais, seu folego esvaia-se a cada novo golpe e suas forças igualmente pareciam estar por um tris, mas não conseguia parar graças aos movimentos brutos e desesperados do Uchiha que vinham ainda mais fortes. Isso já o estava deixando terrivelmente preocupado com o amigo, sem contar o mal pressentimento sobre o temporal avassalador que só parecia piorar ao redor deles.
Sasuke, por outro lado, continuava preso em sua própria tempestade, era tanta coisa misturada, tantas emoções e sentimentos confusos, tantas dúvidas, ressentimentos, medos e fraquezas... Porque não conseguia colocar para fora? Porque não conseguia se libertar daquelas correntes malditas que continuavam a prende-lo não importando o que ele fizesse para quebra-las? Ele só queria se libertar! Ver-se livre de tudo aquilo que o tem feito tanto mal! Não só por causa dos acontecimentos recentes, mas por tudo! Desde sua infância até agora, desde seu relacionamento com seu pai e com as pessoas daquele lugar!
Ele só queria ser livre...
Livre de si mesmo.
No mesmo instante em que chegou a essa constatação, um trovão poderoso reverberou no céu, iluminando sua figura com um relâmpago brilhante e fazendo Naruto desviar no susto.
Outro golpe veio, e com ele outro estalar de luz e barulho.
E então um chute, e mais relâmpagos e trovões.
Enfim tinham chegado ao ápice daquele momento. Sasuke levantou seu braço esquerdo para diferir o soco que definiria aquela luta, não iria acabar até um finalmente viesse a cair, impulsionou seus pés e voou na direção do Uzumaki, porém no instante que iria o atingir...
Um raio rompeu os céus.
Acertou a mão de Sasuke.
E o acordou de seu delírio enevoado.
O impacto foi tão forte que ambos voaram longe, tendo seus corpos amortecidos pela macies áspera da areia. Por sorte, Naruto não chegou a ser atingido pela descarga elétrica e ainda conseguiu usar ambos os braços para proteger seu rosto, mas não foi o suficiente para impedir que os reflexos do raio o deixassem mortificado. Seu corpo todo doía, o corte em suas costas certamente tinha sofrido algum dano pois a dor irradiava por todo o resto do corpo, a cabeça parecia uma bomba prestes a explodir e não conseguia explicar o motivo de ainda não ter colocado tudo que havia em seu estomago para fora.
Esforçou-se para se reerguer, tentando colocar a cabeça e os pensamentos no lugar, levou ainda alguns instantes até processar tudo o que havia acontecido, mas assim que a consciência lhe veio levantou-se às pressas, cambaleando e sentindo todo seu corpo doer enquanto procurava desesperadamente por todo seu campo de visão onde Sasuke poderia estar.
Depois de segundos aterradores, avistou o corpo do amigo a pelo menos quinze metros de distância de onde ele mesmo estava. Foi até o Uchiha aos trancos e tropeços, já imaginando o pior do pior, mas, para sua total surpresa, ao encontrar o corpo de Sasuke, não se deparou com um amontoado de carne chamuscada e irreconhecível, mas sim com apenas ele, Sasuke.
O garoto estava desacordado, mas seu rosto parecia sereno. Os machucados e hematomas da luta mostrava-se espalhados por todo o corpo, mas não havia qualquer sinal de queimadura, nem mesmo em sua mão que foi a principal atingida, a única coisa estranha era as marcas assustadoras que se elevaram sobre sua pele pálida, como grandes ramificações cinzentas, mas que lembravam muito o corpo de um relâmpago.
— Sasuke! Por todos os deuses! Não ouse morrer por causa de um raio maldito! – Ele dizia desesperado enquanto o sacodia tentando o acordar de qualquer maneira que fosse.
— SAI DE CIMA DELE, NARUTO! – Sentiu seu corpo ser empurrado com força para o lado, e o que antes era o corpo desacordado do amigo que ocupava sua visão, foi substituído pela figura da última pessoa que ele esperaria ver ali naquele momento.
— Sa-Sakura? – Ele questionou embasbacado – Ma-mas o-o que você...?
— Eu segui vocês desde que se encontraram lá no centro da cidade! – Ela começou a se explicar, mas jamais deixando de dar prosseguimento com a averiguação sobre o corpo desacordado do Uchiha – E sim, eu sei que não deveria! Mas, eu precisava saber o que vocês estavam fazendo! Eu queria conversar com o Sasuke, mas não conseguia chegar até ele de maneira nenhuma desde o anúncio do casamento! – A menina examinou a mão atingida pelo raio, mas não sabia dizer se o que mais lhe preocupava era o fato de não haver nenhuma queimadura ou as ramificações que se espalharam até as omoplatas dele – Agora, por todos os deuses, nós temos que levá-lo até Tsunade! Eu não sei quanto tempo ele ainda tem!
Naruto a encarava mas não tinha qualquer reação, estava praticamente paralisado e se quer conseguiu responde-la, mas Sakura não poderia o culpar, principalmente porque ele também foi atingido pela onda de eletricidade, sinceramente não sabia com qual dos dois se preocupava mais. Entretanto, até mesmo ela estava começando a perder as noções, já tinha visto casos parecidos na época em que era aprendiz de Tsunade, marinheiros chegavam aos montes na casa dos curandeiros em dias de tempestade, paralisias, paradas cardíacas, corpos torrados até o último fio de cabelo, Sakura não sabia dizer como Sasuke parecia estar tão pleno depois de ser atingido diretamente pelo raio, no mínimo ele teria perdido o braço por causa da força da eletricidade!
Porém, ali estava o garoto, tranquilo e em um sono pacífico.
Mas, estranhamente, aquilo não trazia a paz que Sakura gostaria de estar sentindo agora.
— Pelos deuses! O que eu faço?! – Sua mente tentava de todas as formas encontrar alguma maneira de conseguir o levar até a mestra, mas demoraria demais se o fizesse sem a ajuda de Naruto, também cogitou ir e buscá-la, mas talvez não teriam tempo suficiente.
Os pensamentos fervilhavam e a preocupação contorcia suas entranhas.
Afinal, o que ela poderia fazer?
— Sa-Sakura vo-você tem que fazer isso! – Naruto esforçou-se para falar, ainda sentia tudo que havia em seu estomago revirar e as dores por todo corpo só tendiam a ficar pior, mas alguém precisava fazer alguma coisa, mesmo que seja trazer luz para a mente conturbada da amiga.
— Eu nunca fiz um procedimento assim sozinha antes, Naruto!
— Mas você viu os curandeiros fazendo! – Retrucou – Eu não sinto nem minhas pernas direito, Sakura! Não da para levarmos ele até Tsunade agora! Você tem que fazer isso ou ele vai morrer! Merda!
— Mas e se eu errar? Ou piorar a situação dele?!
— Vai ser pior se não fizer nada!
Alternou seu olhar entre o garoto Uchiha desacordado e o amigo que lhe encarava de volta em súplica. Seus próprios olhos já estavam marejados e um bolo ameaçava formar-se em sua garganta, mas era como ele disse, não tinha outro jeito.
Ela teria que fazer isso.
Procurou no pulso dele o ponto correto afim de sentir seus batimentos, para seu alívio eles ainda estavam ali, fracos e com um pouco de espaçamento entre si, mas estavam funcionando. Seu medo veio justo no momento em que se abaixou próximo aos lábios do rapaz e não conseguiu sentir sua respiração.
Assim, Sakura ajoelhou-se ao seu lado, na altura de seus ombros, e com os dedos procurou o centro de seu tórax, depois posicionou seus braços esticados sobre ele, entrelaçando os dedos com as mãos uma por cima da outra, com o peso do seu próprio corpo, iniciou as compressões, fazia cinco seguidas, esperava três segundos e fazia mais cinco, fez o mesmo procedimento várias vezes, tentando ao máximo copiar minuciosamente o que via os curandeiros fazendo.
Mesmo após fazer seis sequencias, não havia tido qualquer resposta, Sasuke ainda não respirava, então ela precisaria apelar. Repetiu a sequência mais seis vezes, depois ergueu a cabeça dele e tapou seu nariz, pedia internamente a todos os deuses que ela conseguisse fazer aquilo certo, pois se não funcionasse a garota não saberia o que mais poderia fazer para evitar o pior.
E então, no instante em que seus lábios estavam prestes a se unir, Sasuke abriu os olhos.
Acordou assustado e completamente desorientado, levantando-se de uma vez enquanto puxava angustiosamente o ar para dentro de seus pulmões, Sakura quase caiu de costas com tudo pelo movimento brusco, Naruto igualmente se assustou, mas nada poderia descrever o quão aliviados os dois estavam.
— MAS QUE DROGA SEU TEME MALDITO! EU ACHEI QUE VOCÊ IA MORRER! – o Uzumaki se lançou em cima do amigo, quase o desequilibrando no processo, mas não abriu mão de o abraçar bem apertado.
— SAI DE CIMA DELE, IDIOTA! ELE ACABOU DE VOLTAR DE UMA PARADA RESPIRATÓRIA! – Sakura já o repreendia enquanto o puxava para libertar Sasuke do abraço de urso – Deixe-o voltar aos poucos! Ele pode piorar de novo com tantos movimentos bruscos, imbecil!
— Mas o que...? – A cabeça de Sasuke doía horrores e demorou um pouco para conseguir associar o que estava acontecendo ali. Tanto Sakura quanto Naruto estavam com os rostos banhados em lágrimas, pareciam abatidos e nervosos, mas ele mesmo não conseguia entender o motivo. Toda a conversa sobre “parada respiratória”, “quase ter morrido” e afins não faziam sentido. Tentou buscar em suas memórias o que aconteceu antes de seu apagão, mas os fragmentos eram muito confusos e espaçados, não faziam sentido, por isso ele mesmo tentou conecta-los.
Lembrava-se do treino do dia na arena, e também que saiu de lá e foi direto para a clareira para ficar com Aoda, lembra-se da ravina e também da cantiga que cantou para o dragão.
Mas, e depois?
Naruto estava ali, então eles haviam se encontrado? Depois de ter voltado a Konoha?
Olhou ao redor e reconheceu o grande paredão de pedra daquela praia, sim, sim, eles foram ali e Naruto o socou porque queria lutar. Assim, mais flashes da luta começaram a aparecer, as quedas, os socos, as rasteiras... Depois... Sim! O céu ficou escuro de repente e então...
A compreensão alcançou sua mente.
Conseguiu lembrar exatamente do momento em que viu o raio atingindo seu punho. A sensação da eletricidade entrando por cada pequena parte de seu corpo arrepiava-lhe a pele, olhou temeroso para sua mão esquerda, mas suspirou aliviado ao constatar que não havia acontecido nada de grave com ela, as ramificações cinza também estavam clareando agora que o Uchiha enfim havia voltado, restando apenas uma dor de cabeça terrível e um corpo completamente dolorido.
Porém, uma coisa ainda não se encaixava naquela história toda.
Afinal, o que Sakura estava fazendo ali?
— Sakura o que você...?
Voltando-se para Sasuke, lembrou-se que ele não fazia ideia que ela esteve os vigiando desde o começo da luta, o que inevitavelmente fez suas bochechas corarem de vergonha e a obrigar a desviar o olhar para o mais longe possível de sua figura com ares questionadores.
— E-eu, be-bem – Mesmo que tenha sido fácil se explicar para Naruto, agora ela não estava mais na adrenalina de antes, definitivamente não esperava acabar sendo pega pelos dois. E MUITO MENOS que a droga de um RAIO cairia justo em cima de Sasuke quase causando uma tragédia! – Eu segui... Vocês... Po-porque eu... Eu... Queria falar com vo-você... Só que ai o raio caiu! E eu achei que você tinha morrido e...
Sem deixa-la terminar, a puxou para perto de si e a enlaçou em um abraço apertado.
— Shiiu... Está tudo bem agora – Acariciou levemente os cabelos bagunçados da Haruno – Obrigado por ter me salvado, Sakura – No ato a menina desatou a chorar novamente, mas agora de alívio por ter feito a coisa certa.
Naruto logo se juntou aos dois amigos, e Sasuke precisou consola-lo também enquanto o mesmo se lamuriava dizendo que o mataria se ele tivesse morrido.
Mas, definitivamente, os três não se esqueceriam tão cedo do que aconteceu ali, naquela praia.
O céu se escurecendo de repente em um dia de sol.
Uma tempestade sem chuva.
Nuvens carregadas de eletricidade.
E então, o raio.
Que deveria ter matado Sasuke no ato, mas não o fez.
Seria isso um livramento dos deuses?
Sorte?
Ou talvez seja...
Algo maior?
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