Riddare Drakar

7 Capítulo 6 - Os Dragões SEMPRE Atacam Para Matar?


Notas iniciais
E ai carinhas que moram logo ali! Turu baum? Cá estamos com mais um capítulo! Queremos agradecer muito a todos que estão acompanhado, comentando e favoritando a finc, isso nos incentiva muito, saber que a nossa história os cativou. Acho que não há melhor sensação no mundo do que saber que estamos fazendo algo que amamos e estamos fazendo bem, e que podemos melhorar ainda mais! Enfim! Chega de lenga lenga!! Aproveitem o capítulo! ~Bellatrix♡

Capítulo 6 – Os Dragões SEMPRE Atacam Para Matar?

Sasuke

—Meus caros caçadores, bem-vindos ao primeiro dia no Treino Hunter! – Kakashi acionou uma alavanca que levantou as portas de pedra da Arena. Aquilo era gigantesco, para dizer o mínimo, grades de titânio cobriam toda a superfície e suas laterais eram feitas de uma rocha muito expeça e resistente, os melhores ferreiros e construtores trabalharam arduamente na edificação da Arena para que ela se tornasse o melhor lugar para os Treinamentos dos Hunters.

Resumidamente, ela era totalmente a prova de Dragões. Tanto seu interior quanto o exterior foram revestidos com uma proteção altamente potente contra o fogo avassalador das bestas. Estamos começando a disponibilizar para a população de Konoha aos poucos, já que é um material muito difícil de ser fabricado, mas acreditamos que quando conseguirmos que todas as casas o recebam, poderemos nos tranquilizar com as destruições por um bom tempo.

—É... Agora, é pra valer – Pude ouvir Sakura suspirar. Ela estava um pouco mais a frente na fila e olhava maravilhada todo o local. Delicadamente ela passou uma de suas mãos por sobre sua franja, a colocando atrás da orelha, a fim de vislumbrar melhor cada detalhe. Suspirei, ela estava linda, como sempre.

—Estou doido para ficar com umas queimaduras alucinantes! – Naruto parecia estar vibrando de ansiedade – E umas dentadas! No ombro, nas costas...

—Claro, porque só tem graça se rolar cicatriz – Interrompeu Temari revirando os olhos enquanto olhava para o Uzumaki – Não se esqueça, Naruto, que o que realmente importa é não morrer.

—Nem ficar invalido – Completou Ino, gêmea de Temari – A não ser que seu sonho de ser um Hunter seja tão insignificante assim.

—Pesado, Ino – O loiro fez um bico e cruzou os braços emburrado.

Ri minimamente, tenho certeza que de todos ali, eu era o mais provável de morrer, não o Naruto.

—Bem, Vamos começar! – Kakashi anunciou – Vejo que temos muitos recrutas esse ano. Tenho os nomes aqui. Quero que todos levantem as mãos assim que eu os chamar. Preciso ter a contagem de quantos vão conseguir ir até o fim.

Senti muitos estremecerem ao meu lado, não soube o que Kakashi quis dizer exatamente com “ir até o fim”, mas acredito que em qualquer um dos sentidos não seria nada bom.

—Não vou seguir nenhuma ordem especifica, apenas respondam – Ele encarou o pedaço de pergaminho a sua frente e começou a chamar um por um – Hinata.

—A-aqui – Uma garota baixinha, de cabelos curtos e olhos extremamente claros levantou a mão apreensiva. Ela não parecia muito animada, assim como eu. Estava encolhida no meio das pessoas, como se não quisesse ser percebida. Tinha certeza que ela pertencia ao clã Hyuga, era um dos mais importantes dentro de Konoha e todos os membros tinha a peculiaridade de ter esses olhos raros, o nome dela não me era estranho, mas não saberia dizer a qual linhagem ela pertencia.

—Sakura – A rosada levantou a mão prontamente. Ela estava usando seu traje de batalha, mas seus cabelos estavam presos em uma longa trança, deixando somente sua franja solta. As íris cor de esmeralda pareciam brilhar. Ela verdadeiramente estava muito animada.

—Shikamaru.

—Aqui – Bocejou. Já tinha ouvido sobre ele por meio de Naruto, ele pertencia ao Clã Nara, um dos mais inteligentes. O cara tinha um cérebro invejável, mas era terrivelmente preguiçoso.

—Ino e Temari – Ambas levantaram juntas. Clã Yamanaka. Inteligentes e fortes, mas tinham o péssimo habito de discutir em momentos inoportunos.

—Naruto.

—Aqui, chefe! – O mesmo de sempre, ele parecia tão animado quanto Sakura.

—Karin.

—Pronto. – A Ruiva levantou a mão, o que me surpreendeu. Não tinha a percebido, e também não imaginei que ela participaria esse ano. Karin é um ano mais velha que nós, mas se recusou a participar do Hunter no ano anterior. Sei que várias vezes ela obrigou o Naruto a treinarem juntos nesses últimos meses, mas não cheguei a cogitar que ela seguiria por esse caminho, não parecia fazer muito o estilo dela, mas parece que me enganei. Talvez seja por isso que o loiro estava tão contente.

—E por último Sasuke.

Limitei-me a apenas levantar a mão, afinal, eu não precisaria falar para que todos os olhares se voltassem para mim.

—Enfim, como todos estão aqui, vamos começar! – O homem guardou o pedaço de pergaminho dentro de um dos bolsos e continuou – Ao fim desse treinamento, o melhor recruta terá a Honra de matar o seu primeiro Dragão na frente de toda Konoha!

—Mas, isso seria injusto! – Ino interrompeu, rindo divertida – O Sasuke já matou um Fúria da Noite, não?

—Ino, pare de ser infantil – Ralhou Temari enquanto seguia a irmã para o meio da arena.

—Não esquenta – Sussurrou Naruto próximo do meu ouvido – Você é fraco e pequeno, vai ser um alvo bem menos apetitoso – Ele me arrastava pelo pescoço enquanto seguia os outros até o centro também – Vão achar que você está doentinho e – Apoutou para todos que iam a nossa frente – irão atrás dos que tem mais cara de Viking.

—Dobe – disse o encarando irritado – Só cala a boca.

—Eu só queria ajudar, Teme – Riu, mas prontamente se posicionou ao meu lado na fila.

—Atrás desses portões – prosseguiu Kakashi – Estão algumas das espécies que vocês vão aprender a combater! – A perna de madeira do grisalho tilintava toda vez que ele dava um novo passo, era engraçado – Temos o Nadder Mortal.

—Velocidade 8. Força 13 – Shikamaru disse, como alguém que estava comentando sobre o tempo.

—O Ziperarrepiante.

—Invencibilidade 11 mais 12 com a outra cabeça.

—O Pesadelo Monstruoso.

—Poder de fogo 15 – Bocejou mais uma vez.

—O Terror Terrível.

—Ataque 8, veneno 12.

—Cala boca garoto! – O Homem se irritou e fuzilou o Nara com seu único olho, ele fingiu que não era com ele e simplesmente deu de ombros – E por último, o Gronkle.

—Cof cof, mandíbula força 8.

Preferi ignorar, mas meus olhos se arregalaram instantaneamente quando vi Kakashi se preparar para abaixar a trava que estava prendendo a fera ali dentro.

—Hey hey velhote! – Naruto gritou já se afastando, assim como a maioria de nós – Você não deveria nos treinar primeiro?!

—Eu acredito que só se aprende fazendo – Sorriu por de baixo da máscara e abaixou a alavanca. Imediatamente o dragão saiu de lá esbaforido e completamente perdido, o que o deixava ainda mais violento – Hoje teremos uma aula de sobrevivência! Quem for atingido, morre – Juro que a cara de tranquilidade dele dizendo aquilo só tornava tudo pior.

Todos saíram em disparada, espalhando-se pela arena. O Animal finalmente estava se acostumando com o ambiente externo, mas isso não era uma boa noticia para nós.

—Rápido, qual a primeira coisa que vocês precisam pegar? – O grisalho gritou, nos observando de longe.

—Um escudo! – Sakura respondeu gritando.

—Muito bem! Atrás de um escudo! – Fomos todos ao mesmo tempo até a área de equipamentos – O escudo é a parte mais importante do seu equipamento! Se tiverem que escolher entre uma espada e um escudo, escolham o escudo!

—Solta Temari! Eu peguei primeiro! – Ino puxava ferozmente o escudo das mãos da irmã.

—Sério que você vai brigar por causa disso?! Numa hora dessas?!!

Elas não tiveram tempo de decidir quem ficaria com o equipamento, o dragão lançou uma bola de fogo bem no meio do escudo, as surpreendendo e as jogando para longe. O som dos seus corpos se batendo contra a parede rochosa pareceu bem dolorido

—Ino e Temari, fora!

Os outros aparentemente já estavam protegidos. Mesmo todos usando armaduras resistentes, a minha inclusive terminei de fazer pouco antes de vir, elas só serviriam para nos proteger de mordidas, não totalmente do fogo. O que nos deixava ainda mais atentos, não poderíamos levar um tiro certeiro, pois como o próprio Kakashi disse, poderia ser mortal.

—O escudo também serve para fazerem barulho, batam nele! Isso confunde o dragão!

Percebi que Hinata estava tendo dificuldades de segurar o equipamento, ele era muito maior que ela, desengonçadamente a menina tentava bater no metal, mas não estava tendo sorte. O animal percebeu e logo foi em sua direção, a Hyuga parecia aterrorizada, estava pronto para correr até ela, mas Karin foi mais rápida se pondo a frente da menina e recebendo o tiro em seu escudo. O impacto as derrubou, mas não aparentavam estar feridas.

—Boa defesa, Karin. Mas, você e a Hinata estão fora!

—Certo chefe! – Ela respondeu, mas não parecia chateada. Ajudou Hinata a se levantar e foram juntas para onde Kakashi, Ino e Temari estavam.

Ainda permaneciam em combate: Eu, Sakura, Naruto e Shikamaru. O Gronkel voava atrás de nós tentando mirar no alvo mais fácil. Percebi o Nara começar a correr em zigue-zague e logo entendi a estratégia dele, começando a fazer o mesmo. Sakura era ágil e estava longe do alcance do dragão, o que deixou Naruto como último alvo.

—Naruto! Cuidado! – Gritei. Ele virou-se a tempo de se defender de outro tiro, mas também foi lançado longe.

—Era desse tipo de cicatriz que você estava querendo? – Ouvi Temari o perguntar.

—Hahaha muito engraçado, Yamanaka! – Retrucou enquanto se levantava com dificuldade.

—Respondam! – Gritou novamente Kakashi – Os dragões podem soltar fogo o quanto quiserem, mas só podem atirar num limite de vezes. Qual o limite de um Gronkle?!

—5?! – Arrisquei.

—Não, 6! – Corrigiu Shikamaru. Mas, ele se desatentou e quando percebeu o dragão já estava muito perto, só teve tempo de proteger o rosto antes de ser atingido brutalmente.

—Acertou! Mas está fora – Sorriu presunçoso, tenho a sensação de que ele ficou muito feliz com isso – Agora só restam mais dois tiros!

Ainda não podia acreditar que eu tinha conseguido chegar até ali. Eu e Sakura nos esforçávamos para desviar das investidas do animal, mas estava ficando cada vez mais difícil. Por um momento ele pareceu encurralar a garota e estava pronto para disparar mais um tiro, no entanto, sem que eu tivesse consciência das minhas próprias ações, comecei a chamar a atenção da besta, batendo em meu escudo. Ele rapidamente se voltou para mim.

Percebi Sakura acenar com a cabeça em agradecimento, mas tão rápido quanto percebi, o dragão voou na minha direção, tentei novamente correr em zigue-zague, mas tropecei e acabei soltando o escudo. Não conseguiria voltar para pega-lo.

Corri o quanto pude até me ver encurralado pela parede de arena e o dragão. Ele estava praticamente colado ao meu rosto. O pavor subiu pelas minhas veias, mas minha mente logo associou isso ao que aconteceu com o Fúria da Noite, o que me fez encarar os olhos do animal em busca de algum resquício de dúvida como aconteceu com o outro. Estava concentrado, mas ele não retrocedeu. Quando estava prestes a lançar o tiro Kakashi o puxou pela mandíbula e desviou a bola de fogo que estava destinada para mim, indo alguns centímetros de distância.

O homem grisalho puxou abruptamente o dragão, o imobilizando no chão. Pressionou uma determinada região abaixo da boca dele e o fez soltar o último tiro.

—Com esse, 6. Agora de volta para a jaula, sua besta rechonchuda – O jogou para dentro e trancou a porta mais uma vez – Vocês foram bem, mas não se preocupem. Terão outra chance.

Todos se reunirão outra vez no centro. Percebi Sakura me encarar, como se perguntasse se eu estava bem. Fiz que sim com a cabeça somente para tranquiliza-la, mas minha mente estava pensando fervorosamente.

—E antes de irem, quero lhes deixar algo bem claro. Os dragões sempre – Olhou para mim e me encarou irritado – SEMPRE atacam para matar.

}|*|{

—Então, por que você não me matou? – Questionei a mim mesmo enquanto segurava a estaca que eu havia usado para acertar o Fúria naquela noite.

Havia voltado à floresta. Já passava do meio dia. Queria um lugar calmo para pensar, mas não importava quantas vezes eu tentasse, não parava de reproduzir a frase de Kakashi na minha mente e, claro, a dúvida vinha logo em seguida: Por que ele não me matou?

Olhei em derredor buscando qualquer pista do animal. Eu sei, era inocente da minha parte acreditar que ele ainda estaria por ali, mas algo dentro de mim dizia que eu deveria tentar, e eu iria tentar. Andei um pouco mais para dentro da floresta, não conhecia muito bem aquela parte, mas estava atento a qualquer coisa que surgisse de diferente.

As arvores ali pareciam mais altas, se olhasse por muito tempo para cima as minhas vistas começavam a se embaraçar, tudo estava verde, nem mesmo o céu eu conseguia ver direito. Caminhei, desbravando aquela área desconhecida por algumas horas, porém mais parecia que estava andando em círculos.

A ideia de simplesmente desistir e voltar para a cidade se tornava cada vez mais tentadora a cada passo que a tarde começava a se findar.

—No que eu estava pensando? – praguejei comigo mesmo. Quanto mais eu olhava ao redor, mas desesperançoso eu me sentia. Estava pronto para voltar, mas algo brilhou no chão com o reflexo dos raios de sol e chamou a minha atenção.

Aproximei-me de uma encosta de pedras, elas se fendiam abrindo espaço para uma clareira e ali, bem na beira do pequeno penhasco, encontrei algo lacônico, redondo e duro. Achei a principio que se tratava de uma pedra, mas a constatação não tardou em vir. Aquilo era uma escama. Uma escama de dragão.

Entretanto, não tive tempo de raciocinar, surpreendendo-me, um vulto negro voou bem a minha frente, tapando completamente a passagem das rochas, para logo cair novamente, em direção à clareira. Corri a fim de não perde-lo de vista, olhando para baixo vi o animal tentando voar, mas era em vão. Por algum motivo ele não conseguia se estabilizar o que o levava repetidas vezes ao chão.

A luz do sol do zênite refletia na pele negra dele e o seu reflexo brilhava sobre as águas de um pequeno lago que se estendia por toda a clareira. Mesmo que desde pequeno eu tenha aprendido que dragões eram seres mortais e sanguinários, ali naquele momento, eu só consegui ver um animal, um lindo animal, que precisava de ajuda.

Peguei um pequeno caderno que sempre carregava comigo e comecei a rabiscar um rascunho do dragão. Depois de cumprir meu horário na ferraria ontem, decidi ir pesquisar mais a respeito dessas feras e encontrei na Biblioteca da Cidade Central um livro que reunia ilustrações e informações sobre todos os dragões conhecidos.

Fiquei boas horas da noite com ele, inclusive, por isso acabei atrasando para terminar de montar minha armadura. Enfim, busquei determinadamente qualquer informação que fosse a respeito dos Fúrias da Noite, mas a única coisa que encontrei só me trouxe mais confusões.

“Velocidade => Desconhecida

Tamanho=> Desconhecido

Esse dragão é a cria profana do relâmpago e da própria morte. Não se atreva a enfrentar esse dragão.

Só há uma chance: esconda-se e reze aos deuses para que ele não te encontre.”

Mas, não fazia sentido.

Assim que terminei o desenho, percebi que uma parte de sua calda estava faltando. Imediatamente associei a queda a isso e me senti culpado, por minha causa ele não conseguia voltar para seja lá onde ele queria ir.

Disfarçadamente, comecei a descer a encosta me utilizando das grandes rochas, chegando cada vez mais perto do chão da clareira. Tentava ao máximo não fazer nenhum barulho estridente, porém, no momento em que eu estava prestes a alcançar o solo, me desequilibrei e fui direto ao chão.

A fera voltou-se prontamente em minha direção, encarando-me com aqueles olhos vermelhos vivos. Com movimentos curtos e desconfiados, o animal se aproximava. Levantei-me desengonçadamente, colocando meu caderno de volta ao meu bolso e me atentando a cada passo que o dragão dava até mim.

Ele chegou perto, não tanto quanto da outra vez, e de repente entrou em estado de alerta. Não entendi a mudança drástica até que o vi encarando um punhal que eu carregava no meu sinto. Aproximei cuidadosamente minha mão e o retirei, afastei-o do meu corpo e o joguei na direção do pequeno lago. Depois disso, o animal pareceu ficar mais calmo, encarando-me como se estivesse curioso.

Não sabia dizer, mas me sentia estranhamente próximo dele. Tentei dar um passo, mas ele recuou, voltando-se para margem do lago e ficando o mais longe de mim. O observei abocanhar várias vezes a água, provavelmente estava com fome e em busca de peixes.

Não pensei muito e logo fui até a margem também. Sentia os olhos dele me encarando, mas preferi fingir que não o tinha percebido. Não era tão bom naquilo, mas há um tempo atrás Itachi tirou um dia para me ensinar a como pegar peixes, um tipo de aula de sobrevivência. É claro, me molhei pelo menos umas três vezes até pegar o primeiro, mas peguei. E era isso que estava tentando fazer naquele momento.

Esperei paciente, quando percebi a movimentação na água me lancei e agarrei o primeiro que consegui, mas ele se balançou de mais, escapuliu das minhas mãos e caiu novamente na água, consequentemente me molhando no processo.

O dragão pareceu achar graça, mas preferi não o olhar. A que ponto eu cheguei para me sentir envergonhado por causa de um dragão?!

Concentrei-me novamente e esperei o momento certo. Dessa vez, segurei o animal firme e me afastei rapidamente da água. Coloquei-o no chão e esperei alguns segundos até ele parar de se debater. O Fúria, por outro lado continuava a me observar atentamente. Quando percebi que o peixe finalmente tinha morrido, peguei-o novamente e lentamente fui na direção do dragão e ele também começou a se aproximar de mim, quando tínhamos um espaço de, aproximadamente, dois metros de distância, joguei o peixe para dele.

O animal o olhou e logo em seguida incendiou-o até que o peixe ficasse completamente tostado. Eu não imaginava que os dragões gostavam de cozinhar sua comida, depois ele abriu a boca perto do pedaço de carne e me surpreendi ao perceber que ele não tinha dentes, mas rapidamente eles surgiram em sua mandíbula e somente aí ele o comeu.

Dentes retrateis... Essa era nova para mim.

Quando terminou, o Fúria foi em minha direção, fiquei receoso mais uma vez, mas preferi não me mexer, quando ele chegou perto o suficiente, começou a esfregar sua grande cabeça em mim, como um gato quando pede por mais comida. O olhava atônito sem acreditar no que estava acontecendo. Seria possível aquilo ser um sonho?

Preferi fazer a vontade dele e peguei mais peixes, não sei dizer quantos peguei ( nem quantos perdi) mas ele pareceu satisfeito depois de um tempo. Quando terminou de comer olhou uma última vez para mim, tentei me aproximar mais, queria ao menos toca-lo com minha própria mão, mas não tive chance, o dragão se afastou rápido, incendiou uma pequena parte da grama próximo a uma grande árvore e deitou ali na sombra.

Logo iria escurecer e eu não demorei a entender que aquela era a deixa para que eu fosse embora. Subi novamente o caminho das pedras com o sol de pondo ao longe, no entanto, antes de passar pela fissura do rochedo, virei-me para o Fúria da Noite e vi os grandes olhos vermelhos me encararem.

Aquele seria um convite para uma próxima vez?

Não sei, mas gostei da ideia de considerar como um sim.

}|*|{

Tinha acabado de deixar a segunda clareira, onde eu havia derrubado o Fúria da Noite na madrugada do ataque, faltava pouco para alcançar a estrada principal e finalmente voltar para Konoha, porém fui surpreendido antes de chegar lá.

—Hey, Sasuke! O que está fazendo aqui? – Sakura questionou assim que me avistou, ela saia por entre algumas árvores e me olhava verdadeiramente surpresa, não tardando em ir em minha direção.

—É eu.. eu – Gaguejei, estava em pânico. Aquela era a pior hora para a garota aparecer – E-eu estava procurando mais pistas sobre o caso do traidor – Disfarcei, torcendo para ela acreditar como na outra vez.

—Oh você também? Eu vim justamente por causa disso! – Sorriu surpresa – Conseguiu encontrar alguma coisa?

—Ainda não, mas Naruto me disse algo interessante e... Por isso vim até aqui.

—O que ele disse?! Ahh, mas você vai me contar agora! Venha, vamos nos sentar ali naquele tronco.

Fui sem pestanejar, e assim que já tínhamos nos acomodado expliquei tudo, desde o momento do almoço até a minha conversa com o loiro, ela prestava atenção em cada uma das minhas palavras, concordando vez ou outra para eu saber que ela estava entendendo.

—Então, você acha que alguém pegou uma das capas do Naruto só para macular o nome do Clã Uzumaki?

—Tenho quase certeza disso. Mas, não faço ideia de quem faria algo do tipo.

—Hum... – Sakura colocou os dedos por cima dos lábios enquanto raciocinava – Talvez alguém do Clã Hyuga? Eles são rivais há muito tempo.

—Você realmente acha possível? – A imagem de Hinata veio a minha mente e eu simplesmente não conseguia ver aquela menina envolvida com alguma coisa – E principalmente, trair toda Konoha?

—Não sei, mas é uma hipótese. Vou ficar mais atenta quando voltarmos e ver se noto algum comportamento estranho, meus pais são próximos dos matriarcas Hyugas, com certeza posso descobrir mais!

—Certo, vou fazer o mesmo.

—Ah, e Sasuke – Virei-me para ela mais uma vez – Eu não pude te agradecer por hoje mais cedo. Obrigada pela ajuda na Arena.

Senti minhas bochechas se avermelharem na hora, voltei meus olhos para o chão terroso tentando não demonstrar todo a minha timidez e falta de jeito – N-não foi nada. Era o mínimo que eu poderia fazer.

—Mesmo assim, obrigada. E além do mais, você se saiu muito bem hoje! Estou surpresa de verdade! Se não fosse por mim, você não teria quase sido acertado por aquele Gronkle.

Lembrar novamente daquela situação me fez pensar no Fúria. Tudo o que tinha acabado de acontecer entre mim e ele era surreal. Quebrava todas as regras e crenças impostas por todos... Parecia impossível, mas era verdade. Eu estive diante de um Fúria da Noite... E sobrevivi. E não somente sobrevivi como consegui me aproximar dele e receber um tipo de carinho também.

Parecia loucura. Talvez tudo não passasse de um sonho.

Mas, a pior parte de tudo isso era que eu não tinha ninguém para dividir todas essas minhas dúvidas.

Foi ai que me virei novamente para Sakura, e uma ideia insana passou pela minha cabeça.

—Sakura...

—Sim?

—O que... O que você... Acha dos dragões? – Mudei abruptamente de assunto? Sim. Mas, por algum motivo me parecia certo tentar dividir isso com ela.

—Como assim? – Questionou – Eles são bestas irracionais e perigosas.

—Mas... V-você nunca parou para pensar que... bem... Eles podem ser mais do que somente isso? Mais do que aquilo que conhecemos?

Ela mudou sua expressão, agora me encarava com um olhar cheio de dúvidas e questionamentos – Sasuke, você está bem? Não estou entendendo onde você quer chegar. Olhe o que aconteceu hoje! Se não fosse por Kakashi você poderia ter morrido – Fez uma pequena pausa, mas logo continuou – Tudo o que os dragões já fizeram com Konoha, nossas famílias. A sua família principalm... – E se calou, pois sabia que tinha ido longe de mais.

Senti minhas feições mudarem drasticamente, como se um peso fosse depositado por cima de mim. Fazia algum tempo que não pensava sobre isso, mas não importa o tempo que passou, eu acho que nunca conseguiria superar.

—Desculpa, Sasuke... Eu não devia... Não queria...

—Por favor – A Interrompi – Não quero falar sobre isso.

E ela se calou. Estava envergonhada por toda a situação, é claro, provavelmente se sentia culpada, mas eu estava irritado de mais para pensar em sentimentos agora.

Sei que ela não tem responsabilidade de nada, mas era mais forte do que eu.

É triste, mas minha mãe morreu há 11 anos, em um ataque de dragões.

Eu era muito pequeno na época, talvez nem chegasse a ter 4 anos, mas não me lembro do que aconteceu, só sei o que meu pai e Itachi sempre me disseram. Ela correu até o meu quarto naquela noite quando percebeu que os dragões estavam atacando novamente. Chegando lá, um monstro enorme estava sobre mim, pronto para me atacar, ela foi me defender e o animal lançou-se para cima dela. Quando meu pai chegou, só conseguiu atingir uma das asas da fera e, infelizmente, já era tarde de mais, o dragão a pegou pela boca e a levou para longe.

Depois disso, nunca mais conseguimos encontra-la, então a consideramos como morta.

E... Bem, nenhum de nós nunca se recuperou depois disso.

Mesmo hoje, ainda posso ouvir meu pai chamando o nome dela enquanto dorme.

Mikoto.

Senti meus olhos encherem d’água, mas nenhuma lágrima caiu. Eu não queria chorar ali, na frente de Sakura, e mostrar o quanto eu estava quebrado. O quanto mencionar aquilo tinha me deixado pior. Ela se sentiria mal e eu não quero isso.

Ela continuava a me encarar apreensiva, com medo de qual seria minha reação.

Mas, acabei escolhendo a frieza.

Vesti minha máscara e levantei-me. Não disse si quer uma palavra e me pus a afastar-me dali. Não queria palavras de consolo, ou de pena, não dela, nem de ninguém.

Elas não trariam minha mãe de volta.

}|*|{

Notas finais
E então o que acharam do capitulo de hoje? Comentem kkkkkk Eu sinceramente to apaixonada por tudo. Primeiramente esse treinamento que eu diria, TENSO!!! Sasuke salvando a Sakura Mostramos mais os demais personagens do convívio do Sasuke Nossa, eu amei muito essa nova interação com o Fúria da Noite, ambos tão fofosss Essa conversa com a Sakura me fez ficar meio triste, Sasuke sofre tanto, mas decide vestir uma máscara para cobrir essa dor. Eu sinceramente acho que esse foi um dos melhores capítulos e vocês? Até o próximo ;3 ~Heiel✩