Ribelle Amato
31 Capítulo 28 – Viciada
Notas iniciais
Capítulo 28 – Viciada
FOI A PRIMEIRA NOITE EM QUE EU NÃO tive um pesadelo. Jamie me fazia bem de um jeito que eu jamais saberia como explicar. Acho que nem mesmo sei explicar a mim mesma, mas sei que menos de uma semana depois eu já não aguentava ficar muito tempo sem ele. Não era mais uma situação, uma condição. Depois de um tempo, antes mesmo de encontrarmos Matt, antes mesmo de nos beijarmos pela primeira vez, tornara-se uma necessidade. Antes mesmo que eu me desse conta, Jamie tornara-se meu vício, minha droga.
Eu estava tão viciada que já não podia ficar muito tempo longe dele, fazendo algum trabalho diferente do dele, que já ficava claro o quanto ele me fazia falta. Ficava claro em meu olhar melancólico, em meus ombros ora tensos, ora caídos, em minha mania de precisar estar mexendo em alguma coisa apenas para não ficar parada. Lily, Melanie, Peg — e agora Cristal — percebiam bem quando eu estava abatida o suficiente para que me liberassem para que eu procurasse-o. Achei que Matt também fosse capaz de perceber, mas se percebe, nem comenta. Mas quando estou muito próxima de Jamie, ele dá alguns ataques de irmão mais velho. E ele passa tanto tempo com Lily quanto comigo.
Larkin se aproximou bastante de mim também, sendo quase meu melhor amigo. Quase, pois esse posto sempre foi ocupado por Jamie e não é só porque eu estou apaixonada por ele — odeio ter que admitir, mas não posso fazer nada se essa é a verdade — que ele vai deixar de ser. Mesmo que às vezes Jamie tem seu ataque de super proteção. A única vez que comentei sobre isso com Peg, ela me disse que ele estava com ciúmes. Posso nunca mais ter tocado nesse assunto com ela, mas essa hipótese abriu um sorriso tão grande no meu rosto que até o próprio Jamie ficou desconfiado.
E depois da noite em que eu cantara Remembering Sunday para Jamie, ele pede para que eu cante outras músicas para ele quase todos os dias. Como eu adorava ouvir música antes da invasão, ainda tenho algumas na memória, mas todas elas não passam do refrão. Ou às vezes eu nem lembro o nome. Então nós meio que dizemos que Remembering Sunday é a nossa música.
– Rocker, o que aconteceu? — ouvi a voz de Cristal ao meu lado, enquanto amassávamos a massa de pão.
Hoje era mais um daqueles dias em que eu não podia fazer o mesmo trabalho que Jamie. Ou seja, minha depressão melancólica estava quase insuportável. Levantei meu olhar confuso para Cristal. Eu estava fazendo o possível para não demonstrar o quanto Jamie estava me fazendo falta, como podia estar tão aparente assim?!
– Como assim, Cris? — perguntei.
– O que você estava cantando? — ela perguntou e percebi que cantarolava Remembering Sunday inconscientemente.
Eu sorri. — Uma música que eu gostava antes da invasão.
– É bonita. — ela disse, voltando ao trabalho, e meu sorriso se abriu.
– Rocker, minha linda, acho que deu, não é?! — Lily entrou empolgada na cozinha.
Eu nunca a vi tão feliz como nos últimos dias. Acho que talvez sua amizade com Matt a estivesse fazendo bem.
– O que foi, Lils? — perguntei, desconfiada.
Quando Lily era alegre assim, ao menos antes, algo estava errado ou ela estava preparando uma boa zoação.
– Acho que você já pode buscar seu namoradinho. — ela disse, rindo. Acho que a segunda opção.
Ouvi a risada alta de Heidi e Trudy mesclada com a risada leve de Cristal e Peg, mas ignorei todas as quatro enquanto eu reagia da forma mais normal do mundo. Mandando língua para Lily.
– Credo, Rocker! — ela disse, fingindo brava, mas não aguentando segurar o riso. — Guarda essa língua para enfiar na boca de Jamie!
Eu corei violentamente. Sempre esperava uma brincadeira dessa de Lily e de Melanie, mas ainda assim eu ficava muito envergonhada. Era cada coisa que elas falavam! Enquanto as duas viviam fazendo brincadeiras comigo, Peg e Cristal se encarregavam de dizer o quão fofo eu e Jamie ficávamos juntos. O que era tão vergonhoso quanto as zoações das outras duas.
– Eu... Bem... A-acho que eu vou... — e eu gaguejo. De novo.
– Fica envergonhada não, porque eu soube que os garotos pegam mais pesado com Jamie. — Heidi disse, apertando minha bochecha.
Fiz uma careta antes de correr para o túnel, ouvindo elas rindo atrás de mim. Até que me lembrei de que havia esquecido alguma coisa. Quando voltei para a cozinha, encontrei-as ainda rindo. Olhei ao redor, procurando onde eu havia deixado. Até que Peg me olha, arqueando uma sobrancelha.
– Procurando isso? — ela pergunta, pegando uma garrafa d'água atrás de si e a estendendo para mim.
Eu corei, enquanto as outras seguravam o riso. — É, eu acho que sim.
E saí correndo de lá novamente, enquanto ouvia as risadas ainda mais altas do que antes. Tentei chegar o mais rapidamente possível nos campos de milho. Quanto menos vergonha eu passar perto das minhas amigas, melhor. Até imagino como Jamie estaria, coitado! Jared não pega leve nem um pouco. E agora que Ian estava em incursão com Matt, Paige e Aaron, eu apostava que Jared estava caçoando com o coitado pelo dois. Como se já não bastasse o quanto eles zoavam antes mesmo de nós termos alguma coisa.
– Andy! — chamei-o. Era quem mais estava próximo a mim.
Ele soltou a enxada e me olhou questionador. Hoje os homens estavam arando a terra dos campos de milho para a nova colheita.
– Fala, Rocker. — ele disse.
Tentei evitar corar. — Ahn... Você viu o Jamie?
Ele sorriu maliciosamente. Esqueci que agora todos sabem sobre eu e Jamie. Seja lá o que nós temos, já que não tem nada oficial. Nos beijamos algumas vezes, mas nunca conversamos mesmo sobre isso.
– Ele está na penúltima fileira. — ele disse, apontando para o garoto alto e razoavelmente musculoso um pouco distante dali. Praticamente todos os mais de sessenta pessoas que trabalhavam ali hoje. Os que não estavam trabalhando com a aração de terra, estava nas construções de novos túneis.
– Obrigada, Andy. — agradeci e ele assentiu.
Andei calmamente por meio de alguns homens que me olhavam como se soubessem exatamente o que eu faria ali. Claro, eu fiz a mesma coisa nos últimos seis dias, desde que Cristal acordara novamente no corpo de Lindsay. Jamie estava remexendo em um pequeno pedaço desse campo, mas já não havia mais nada para se fazer. Ele gostava de ser minucioso, principalmente quando se era sobrinho do velho Jebediah. Parei à sua frente e ele encarou minhas pernas descobertas pelo short não tão curto, como se tentasse me reconhecer. Mas eu soube no momento em que abaixei a garrafa à sua frente que ele já havia me reconhecido apenas com minha aproximação.
– Obrigado, Rach. — ele agradeceu, se levantando e tomando um grande gole da garrafa d'água.
Eu sorri verdadeiramente pela primeira no dia. Bem, talvez não a primeira, pois apenas de ver Jamie ao meu lado sempre que acordo já é o suficiente para abrir um sorriso enorme no meu rosto.
– Não cansa de trabalhar, não?! — brinquei, enquanto ele jogava um pouco de água sobre seus cabelos negros.
– E você não cansa de ser chata, não?! — eu sabia que Jamie estava brincando porque era o que sempre dizíamos quando eu ia encontrá-lo onde ele trabalhava.
– Nem um pouco. — eu respondi, já sabendo o que vinha por aí.
– Nem um pouco. — ele repetiu, me segurando pela cintura e por trás.
Jamie me girou no ar, enquanto eu ria e ele beijava meu pescoço. E quem estivesse ao redor escolhia entre rir também ou dizer para termos mais respeito porque havia crianças em volta, quando na verdade os mais novos éramos nós.
– Pessoal! — ouvimos a voz de Jeb e nos viramos na direção de seu som. Jamie continuou me abraçando por trás, enquanto apoiava o queixo sobre minha cabeça e eu depositava minhas mãos sobre as suas. Outra parte da rotina. — A terra já está bem arada. Como só semearemos, hoje o resto de dia de folga será para uma partida de futebol.
Isso era uma quebra da rotina.
Virei-me para Jamie, sorrindo de um jeito falsamente angelical. — Hora de aquecer.
Ele sorriu para mim. — E começa a disputa.
Eu o olhei confusa. Até que alguém parou na minha frente e eu vi Jared sorrindo para mim.
– Você é do meu time e sem mais discussões. — ele disse, enquanto ouvíamos a barulheira de empolgação dos trabalhadores.
Olhei para Jamie pelo canto do olho.
– Era algo assim que queria dizer? — perguntei a Jamie.
– Era exatamente isso que eu queria dizer. — ele disse, seu sorriso abrindo ainda mais. Depois ele se virou para Jared. — Mas só se eu ficar no mesmo time que minha baixinha.
Eu revirei os olhos para a palavra baixinha, mas meu coração deu uma enorme cambalhota com a parte minha. Tentei não deixar o sorriso muito transparente, mas foi meio impossível.
– Vamos, cambada, precisamos separar os times! — exclamou Jeb novamente. — Garoto! — ele sempre chamava Jamie de garoto. — Agora que não temos Ian para tirar time com Jared, você tira com Larkin.
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