Rhaegar e Lyanna: Paixão de Inverno
9 Tempo se esgotando
Rhaegar Targaryen
Nono dia do torneio. Após minha declaração, Lyanna e eu passamos a nos ver em segredo e a conversar. Elia não tem falado comigo e eu briguei com Robert no sétimo dia. As pessoas não me olham mais com a mesma admiração de antes e todos esperam que eu tenha um grande plano e um motivo realmente bom para explicar meus motivos. A única razão é a mais simples e óbvia de todos: estou apaixonado.
O lado direito do meu rosto ainda tem um hematoma do soco que o cervo desferiu no meu rosto. Não podia culpa-lo por me ferir, mas também não podia admitir esse tipo de violência com naturalidade. Havia uma hierarquia neste mundo e ela deveria ser respeitada.
— Deveriamos ser mais cautelosos. Robert e Bran estão cada vez mais desconfiados quanto as minhas caminhadas. Meu pai até mesmo cogitou colocar guardas ao meu redor, mas o convenci de que não seria necessário – afirma Lyanan trazendo a atenção de Rhaegar de volta a ela. Ele sentiu aquele conhecido sentimento de alegria ao olhar para ela. O rosto se abrindo num sorriso apenas por olhá-la.
— Há mais perigo nos seus olhos do que em vinte espadas, milady – afirmou galanteador e as faces de Lyanna se ruborizaram. Ela desviou o olhar porque dentre todas as emoções habituais que sentia, a garota valente dificilmente se sentia constrangida.
A verdade é que a garota Stark quis diversas vezes apagar as palavras que ouviu ao receber a coroa de flores, mas era impossível. Assim como Rhaegar, a cada vez que o via a inevitabilidade daquele sentimento se tornava mais palpável. Não poderia evita-lo, mesmo se houvesse uma ligeira possibilidade, não mais a desejava para si. Amá-lo, mesmo que em segredo, era o sentimento mais grandioso que um dia sonhara viver. De um jeito estranho, a dificuldade e os obstáculos que se interpunham entre os dois, tornava-os ainda mais corajosos e fortes para enfrenta-los. Mais convictos da veracidade daquele amor.
Os escassos momentos que podiam viver juntos era um contraste frente a intensidade de seus sentimentos. A novidade da afeição e o inusitado da situação faziam deles incrivelmente honestos sobre as próprias emoções. Não havia espaço ou tempo entre eles para as elaboradas maneiras e dissimulações da Corte. Não haviam os jogos comuns entre damas e cavaleiros porque sequer se encontravam em público para se fazer necessário o pudor.
Rhaegar segurava suas mãos agora. Um lento roçar de dedos enquanto se encaravam e ela sentiu o próprio sorriso. Um repuxar de lábios fechados que era pouco perto da imensidão da felicidade em seu coração.
— Eu o amo, sabia disso? – questionou em tom aflito antes de voltar a encarar as mãos juntas – Sei que dado o tempo que nós conhecemos, deveria vê-lo apenas como um desconhecido, mas... o sentimento que sinto é real. Provarei a você com o tempo que sou mais verdadeira do que aquelas cuja prudência é dissimulada e cuja modéstia é um artificio
— Que raios caiam sobre minha cabeça se algum dia duvidar de sua honra, milady – disse ele em tom eloquente e beijou-lhe as mãos com infinito cuidado. Estavam próximos e desejosos o suficiente para se beijaram, mas logo ouviram uma voz masculina chamar ao príncipe pelo nome. Se afastaram um do outro com ela se escondendo entre as folhagens da floresta.
— Vossa Alteza, o rei está ao seu aguardo no Grande Salão
— Irei em alguns momentos, sir Jon – disse breve e logo viu o semblante do amigo adotar uma expressão contrariada
— Devo insistir, Rhaegar. Está tarde e as florestas não são seguras. Há muitos ladrões soltos e tem mantido os guardas a distância por tempo demais
— Dê-me um momento – pediu ele e logo viu o homem de cabelos avermelhados franzir o cenho antes de se curvar, voltando a se afastar.
— As festividades terminam amanhã – disse Lyanna tão logo voltaram a entrelaçar as mãos com o intuito de se despedirem – Esses últimos dias tem sido mágicos, mas passaram rápido demais. Estou um pouco assustada por ter que voltar a realidade
— Mas não temos que viver em uma realidade em que não estejamos juntos – rebateu ele em tom suave enquanto encarava os olhos dilatados da garota – Se seu amor é de fato tão honrado quanto o meu e se concorda comigo de que estes encontros tem por propósito o casamento... – começou Rhaegar de certo modo hesitante – Me encaminharei pessoalmente de voltar o quanto antes a Porto Real e a encontrar um Alto Septão que possa nos unir. Preciso de um pouco de tempo e provisões necessárias para viajar a algum lugar onde meus cavaleiros ou minha esposa possam interferir. Algum lugar longe o suficiente ou escondido o suficiente para que seu noivo não possa pedir vingança pelo dano que lhe terei feito – explicou em tom ávido e ela sorriu, envolvendo os ombros dele com seus braços
— Nada me deixaria mais feliz do que me casar com você
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