Revolution

1 Seque suas lágrimas


Notas iniciais
Olá, galera! Trago à vocês a minha primeira fanfiction (nesta conta, já que tive uma outra). Pretendo fazer fanfics apenas de TMJ, e realmente espero que gostem. Esta fanfiction é narrada pela protagonista Magali, mas alguns capítulos poderão ter uma narrativa feita pelo ponto de vista de outros personagens. Enfim, aproveitem!

Nada é por acidente. Tudo que acontece tem um propósito, por mais simples que ele seja. Principalmente, se for conduzido por algum ser humano. Porque, como sabemos, a raça humana é a mais perigosa e a que faz de tudo para conseguir o que quer. E eu pretendo mudar isso.

— Tá muito lindo, amiga! — Mônica dizia, com o maior orgulho. — Não sei nem como reagir!

Admito que corei no momento. Mesmo ao lado de minha melhor amiga não é fácil me abrir tanto assim, sabendo que tudo o que eu disser agora pode influenciar no meu futuro. Aliás, muitos não aguentam mais essa influência, e é essa visão que eu defendo. Ninguém deve ser controlado da maneira que nós somos.

— Mônica, você já está se preparando pra seleção? — Ela não foi capaz de olhar pra mim. Estava segurando seu pingente de coelho do colar que havia ganhado de seu pai, um mês antes da morte dele. Foi difícil para ela acordar todos os dias sozinha sem o beijo na testa que seu pai lhe dava; estar sozinha sem o apoio dele nas decisões que ela tomava; até mesmo sem o momento em que eles se encaravam sem dizerem uma palavra sequer. Eu e alguns amigos demos todo o apoio possível que pudemos na época, mas a Mônica provou ser mais forte do que pensávamos. Com apenas duas semanas ela já parecia a mesma pessoa de antes, e nós nunca mais a vimos chorar pela morte do pai desde esses três anos.

Porém, esse ano seria diferente. Porque todos os jovens que completam dezoito anos passam por uma seleção, que inicia-se apenas com um sorteio. Cinquenta jovens são sorteados no início, e apenas um deles sai vivo. Sem excessões. Essa única pessoa toma o cargo do presidente da seleção e prepara o próximo jogo, que acontece de ano em ano. Ao fim da seleção, essa pessoa ganha um cheque de cinquenta milhões de reais, juntamente com uma casa que pode ser fixada em qualquer lugar escolhido pelo vencedor. Entretanto, essa seleção não é nada justa. As pessoas “sorteadas” são escolhidas pela total vontade do presidente. O resto da seleção, as fases que se passam lá dentro e como as mortes acontecem nunca foram divulgados. Todos que fossem escolhidos corriam o risco.

Eu, Mônica, Cascão e Cebola poderíamos ser escolhidos esse ano. A decisão caberia ao presidente que comandaria a seleção desse ano. A seleção acontecerá em quatro dias, e precisamos estar devidamente preparados.

Por fim, Mônica quebrou o silêncio.

— Eu… não sei se quero participar da seleção…

— Eu entendo, Mônica, mas você não tem escolha. Nenhum de nós tem.

— Eu tenho uma escolha sim, Magali! — Pude seguir o olhar dela à janela, e por fim entendi. Mas ela não seria capaz de fazer isso… seria? Em um abraço recíproco, cedi meu ombro para as lágrimas dela.

— Mônica, eu entendo o que você está passando. Você não precisa ser durona na frente das pessoas. Principalmente, na frente de sua melhor amiga. — Ela apertou a cabeça sobre meu ombro, o que fez a gola de minha camisa abaixar. Ela deu uma risada, e dei a missão como concluída. Vê-la triste era algo que eu não desejava de modo algum.

Mônica saiu de meu colo e sentou-se no sofá. Olhou profundamente nos meus olhos, e pude ver que as lágrimas dela já haviam ido embora. Havia apenas uma em sua bochecha, escorregando lentamente. Por fim, disse.

— Sabe aquele seu discurso? Eu vou aderir. Ninguém merece ser controlado desse jeito. — Ela secou a última lágrima que havia em seu rosto e não pude evitar um sorriso. — Vamos formar uma sociedade contra a seleção. Agruparemos todos aqueles que a acham injusta porque, juntos, seremos capazes de deter o presidente e fazer a Casa Dos Seletores cair.

Dei mais um abraço nela e a levei para fora de casa. Ela precisava tomar um pouco de ar fresco. Logo após a morte do seu pai, Mônica resolveu terminar o namoro com Cebola por não se sentir tão confortável. Ele fez de tudo para deixá-la feliz novamente, e ela não o culpava pelo rompimento do namoro. Ela apenas não se sentia bem, e interrompeu-o de vez. Os dois ficaram abalados, porém, a amizade entre eles permaneceu. E lá estava ele, vindo em nossa direção.

— Oi, Mônica! — Cebola deu um beijo em seu rosto. Naquela época, a Mônica se sentiria desconfortável. Porém, ela amadureceu, e ele também. Depois, deu um sorriso e me abraçou. — Oi também, Magali.

Pude reparar o sorriso forçado dele. Com toda certeza, ele estava tenso pra seleção. Enquanto jovens de todo o mundo desejam completar os dezoito anos, nós daqui tememos essa idade. Tudo bem, o número de pessoas selecionadas é pequeno, mas qual sentido tem em quarenta e nove pessoas morrerem pra uma ter uma vida melhor? Seria esse um passatempo? Uma diversão para os políticos de lá, que se sentem entediados com a mesmice do dia-a-dia?

— Mônica, eu sei que o assunto é delicado, mas… Você… Você seguiu em frente? — Cebola olhava fixamente para ela, sem demonstrar quaisquer tipos de ciúmes ou algo do tipo. Ele realmente queria apenas saber se ela estava feliz. — Se não quiser me responder, Mônica, eu entendo totalmente. Você sabe que eu me preocupo com você.

Ela deu um abraço forte nele e murmurou algo como um “obrigada”. Porém, a resposta à pergunta dele não veio.

Não pude evitar de pensar no Quim. Quando ele foi selecionado, no último ano, eu torci por ele. Dei todo o meu apoio no dia de preparação aos jogos. Acreditei no potencial dele. E então, após os 7 dias de jogos… Não o vi voltar para cá. Descobri que eles não noticiam a morte dos que perdem a vida durante a seleção da pior maneira possível. Me senti, por muito tempo, culpada pela morte dele. Pensei que tinha falhado no apoio ou algo do tipo. Agora sei que a minha parte eu fiz, mas que o único que poderia ter ganhado os jogos por ele era ele mesmo.

— Magali? — Mônica tentou me acordar do transe. Estava viajando em meus pensamentos, me lembrando de quão burra fui de acreditar que ele voltaria.

— Ah, me desculpem! Estava… Me lembrando de alguns momentos…

— Do Joaquim? — Cebola perguntou, e fiz que sim com a cabeça. Em alguns segundos, os dois estavam me abraçando ao mesmo tempo. Com certeza, eu não aguentaria a perda deles somada à perda do Quim.

Senti mais um braço me envolvendo, dessa vez com um relógio na mão. O maldito relógio agarrou em meu cabelo e depois de algumas tentativas de desenroscá-lo — e uma cotovelada também, mas que não vem ao caso —, pude reconhecer a voz. Era o Cascão.

— Nossa! Nunca mais abraço também, agressiva. — Cascão colocou a mão como se estivesse acariciando seu próprio braço. Nós rimos, porém as risadas continham um forte medo de um perder o outro.

— Galera, eu tava pensando numa coisa… E se nós nos juntássemos contra o presidente? E se nós conseguíssemos a liberdade desse processo de seleção?

— Sim, Cascão, a gente tava pensando exatamente nisso. — Respondi. Afinal de contas, os revolucionistas poderiam sair vitoriosos. Assim como, na cadeia alimentar, o mais fraco pode ser o mais forte. Basta dar o melhor golpe por último.

Notas finais
Gostou? Dê sua opinião sobre o que pode melhorar e o que foi bom para você, para que eu possa estar melhorando esta história cada vez mais!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.