Revolution
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O chocolate quente na verdade estava frio. Não sabia ao certo o nome a se dar para isso. Chocolate quente frio? Não, muito sem graça.
Minha mãe abriu uma prateleira que ficava ao lado da pia e retirou de lá de dentro um saco plástico com alguns marshmallows que haviam sobrado de ontem a noite.
–Dakota, você vai querer de qual cor?
–Brancos. -respondi.
Estava sentada na mesa de madeira que havia em nossa pequena cozinha.
Moravamos na Seleção 5. Mais conhecida como "Seleção dos Bonitos". Eu, minha mãe Lucy e minha pequena irmã, Lauren.
Achava estranho eu morar na Seleção onde todos eram bonitos. Eu tinha cabelos loiros, ondulados e um pouco compridos. Meus olhos eram verdes. Mesmo assim, não me achava bonita e nem era bonita.
Clam era o nome do país na qual vivíamos. Se localizava em Detorious e, segundo o que vimos na aula de Histórias Passadas, Presentes e Futuras, Detorious era um mundo paralelo a uma tal de Terra. Porém, nosso mundo com certeza era diferente.
Cada país era divido em Seleções. Clam tinha 5 Seleções, separadas devido a nossas características.
Seleção 1 — Audáciosos
Seleção 2 — Inteligentes
Seleção 3 — Amigáveis
Seleção 4 — Trabalhadores
Seleção 5 — Bonitos
Provavelmente, a Seleção em que eu morava era uma das mais ricas, mas nossa família não continha lá muito dinheiro. Eramos apenas em 3 mulheres. Nunca havia conhecido meu pai, mas minha mãe chegou a me contar que ele era um homem muito inteligente. Também nunca soube dizer se o pai de Lauren, minha irmã ou talvez meia-irmã, era o mesmo que o meu; "mamãe" simplesmente apareceu grávida de um dia para o outro.
Minha mãe pousou um potinho azul com 6 marshmallows (3 brancos e 3 verdes) e se sentou na cadeira ao lado da minha.
A porta se abriu. Quem entrou foi uma garotinha de cabelos castanhos e de olhos azuis, usando um vestido florido e uma faixa na cabeça. Era Lauren, minha pequena irmã de 11 anos, procurando por seu estojo.
Apontei para a sala, pois no caminho até a cozinha, o vi lá. Lauren gostava muito de desenhar e, devo admitir que ela era boa para isso.
Terminei de tomar meu chocolate quente gelado e de comer e subi para o meu quarto.
Nossa casa não era lá muito grande, acomodava no máximo 8 pessoas. Tinha 3 quartos , não muito maiores que a cozinha, um banheiro e uma sala de estar. Porém, havia um quintal maravilhoso nos fundos; plantava meus morangos lá;
Deitei na cama, colocando as mãos na barriga e fiquei parada observando o lindo e tedioso teto branco.
O dia estava super bonito, mas na Seleção 5 não tinha lá muitas coisas para se fazer sozinha. Se Ashley ou Peter aparecessem, eu até poderia dar uma volta..
A campainha tocou.
Ouvi o grito de minha mãe vindo do andar de baixo, pedindo para que eu abrisse a porta. Lauren provavelmente estava muito ocupada desenhando e minha mãe lavando louça. Mas tentei convencer Lauren a descer.
–LAUREN VAI ABRIR A PORTA CARAMBA! -falei delicadamente alto.
–NÃO! VAI VOCÊ! -gritou ela de volta.
Levantei lentamente da cama, abrindo um pouco mais as cortinas para a luz do dia entrar.
Calcei a primeira coisa que eu vi pela frente, que no caso era minha pantufa de elefante rosa. Agora estava usando um legging preto com uma blusa verde, um casaquinho e pantufas cor de rosa. Não ligava muito para o que vestia em casa, ao contrário de toda Seleção 5, que se vestia bem em casa, na rua, para ir a escola, para dar uma volta em um mangue, etc.
Já deveriam ter se passado aproximadamente 10 minutos desde que a campainha tocou pela primeira vez. Tocou de novo.
Abri a porta do meu quarto e fui andando pelo corredor até chegar as escadas. Prendi meu cabelo loiro em um coque alto mal feito.
Minhas pantufas se arrastavam pelo chão, fazendo barulho.
Desci as escadas de madeira e finalmente abri a porta. Olhei para os lados mas não havia ninguém.
–Ei, aqui embaixo, inteligência! -disse alguma coisa.
Meus olhos seguiram em direção de onde a voz surgiu. Um homenzinho de menos de um metro estava parado com algumas correspondências na mão. Ele vestia uma blusa com o símbolo do Correio, o que significava que era um Carteiro. Tinha as orelhas pontudas e algumas rugas no rosto.
Eu estava tão cansada que até demorei para reconhece-lo. Era Landuff, o gnomo que sempre nos entregava cartas e alimento.
Peter e eu tínhamos o costume de nos falar por cartas, já Ashley preferia falar por Aguinix-Correio.
Aguinix-Correiro era um meio de comunicação feito através de Aguinix's. Aguinix's eram aves que foram criadas na Seleção 2, porém se adaptaram melhor na Seleção 5.
Eram pássaros que surgiram através de Fênix's e Águias, aves do mundo paralelo ao nosso, Terra. Continham pelagem marrom até a metade do corpo, mas a partir daí, as penas adquiriam um tom avermelhado. Elas tinham um bico e umas garras compridas. Porém, a Seleção 2 incluiu algumas coisas na ave, tipo um gravador localizado em seu bico, que podia gravar o que dizíamos e reproduzir o som assim que o "play" fosse apertado. Também tinham a capacidade de encontrar uma pessoa apenas ouvindo o nome dela.
Foi aí que surgiu o Aguinix-Correio. As aves migraram para a Seleção 5 e assim que o povo descobriu que era possível gravar mensagens, enviá-las para alguém apenas dizendo o nome da pessoa e que era possível responder, adotaram esse novo meio de comunicação.
Eu e Ashley demos o nome a nossa Aguinix de Flash.
A cada dia o pássaro ficava na casa de uma de nós. Hoje, ela estava na minha. No momento, repousava no meu jardim, comendo alguns morangos de minha plantação. Deixava-o comer, pois não tínhamos comida suficiente para oferece-lo.
Voltei a prestar atenção no gnomo que se encontrava parado na minha porta. Gnomos eram muito comuns na Seleção 5, assim como unicórnios eram muito presentes na Seleção 3.
–Ah, desculpa Landuff, estou tão cansada que o mundo está girando -disse.
–Não tem problema! E ai garota, como vai sua família? -perguntou ele, tirando um pacote grande de sua bolsa mágica e mais 3 cartas.
–Bem, eu suponho.
O gnomo sorriu e me entregou os envelopes. Ele também carregava uma caixa com leites e pães envolvidos em saquinhos. Apenas um leite e dois pães em cada saquinho.
–Infelizmente, o governo só mandou entregar isso para cada família. Eles estão com pouco alimento armazenado, mas pelo visto amanhã a cota de comida já vai ser maior. Vão dar chocolate!
–Spoilers e mais spoilers -disse.
Nós dois rimos.
–Bom querida, é só isso por hoje! Tenha um bom dia!
–Tenha uma bom dia também!
O gnomo saiu andando em direção a próxima casa da rua.
A prefeitura entregava um pouco de alimento para cada família, pois a 50 anos atrás, proibiram a venda de alimentos por alguns motivos na qual eu não me lembrava. Apenas algumas coisas podiam ser comercializadas.
Ultimamente, as pessoas começaram a fazer suas próprias plantações de vegetais e criações de gado, porque o alimento sempre estava em falta.
As únicas coisas que eram vendidas no mercado eram temperos, alguns doces (que eram encontrados em docerias, mas sem muita variedade) e ingredientes como farinha, molhos, etc. Mas nenhuma massa, nem arroz, nem feijão, muito menos carnes, eram vendidas. Ou o governo fornecia ou você próprio fazia ou você ficava sem.
Era assim em todas as Seleções. Até na em que eu vivia, onde as pessoas eram vaidosas até demais. Era um sacrifício para elas cuidarem de gados, plantarem coisas e mais.
Mas era isso ou a fome.
Eu tinha minha plantação de morangos, Lauren sabia fazer umas sopas com o molho que adquiríamos e com alguns legumes da plantação de mamãe.
Entrei em casa e fechei a porta. Sentei no sofá de couro que se encontrava no meio da sala, de frente para a TV e comecei a olhar as cartas.
Uma era para mamãe. O pacote grande veio de Peter, para mim. Outro era para Lauren, de sua amiga Kath. E o último envelope era para mim de..
Diana Primosin.
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