Revivendo
9 Capítulo bônus.
Notas iniciais
Lívia tinha acabado de lavar a louça quando a campainha tocou. Mal abriu a porta quando um ruivo a abraçou tão forte que a tirou do chão. Ambos riram pelo gesto repentino e por estarem se encontrando. A felicidade ao se verem podia ser notada de longe.
– O que está fazendo aqui? – Lívia perguntou sorrindo por ter acontecido uma surpresa tão boa quanto aquela.
Jorge deu um beijo na sua testa e se apoiou na mesa.
– Estava com saudades – ele respondeu também sorrindo.
– A gente se viu ontem – Liv brincou.
Jorge passou a mão pelos cabelos da loira com delicadeza antes de falar:
– E daí?
Ambos riram e Liv se jogou nos braços de Jorge novamente. Com seu abraço a loira se sentia tão segura e protegida que não queria sair de lá nunca. Jamais.
Os dois se sentaram no sofá da casa de Liv e começaram a conversar sobre o dia de cada um. Quanto mais a conversa se prolongava, ela podia perceber que havia algo errado com Jorge. Ele parecia um pouco desanimado, mas não deixava de trata-la como uma princesa deveria ser.
Até que chegou um ponto que Liv realmente ficou intrigada.
– O que houve, Jorge? – ela perguntou passando a mão pelos seus cabelos ruivos.
Ele a olhou semicerrando os olhos.
– O quê?
– Você está mal – ela afirmou.
Jorge arregalou os olhos com a perspicácia da namorada. Como ela podia sempre deduzir o que ele sentia e o que pensava? Lívia realmente era uma espécie de anjo que o ajudava sempre que havia dificuldades.
– Por que você acha isso? – ele desconversou.
– Porque você não está bem, Jorge. Fale! Não quero meu namorado triste sem eu nem poder ajudar um pouquinho.
Jorge ponderou se deveria contar e importuná-la com assuntos que talvez não coubessem a ela o ajudar. Mas, considerando que ela tinha uma empatia muito grande pelas pessoas, decidiu contar o que estava acontecendo.
– Eu fiquei em casa pela parte da manhã, Rony e eu dividimos o horário hoje – ele começou se remexendo no assento. – E isso só serviu para eu ter uma recaída, Liv. É difícil quando algo está controlado em seu peito, então só de entrar no meu quarto e ficar lá a manhã inteira sem Fred ao meu lado parece que a ferida se abriu muito maior que antes. Eu o amava tanto, Liv – seus olhos marejaram, mas ele limpou as lágrimas rapidamente. – E eu queria que ele estivesse comigo, nem que fosse para uma despedida decente.
Lívia rapidamente colocou as duas mãos no rosto de Jorge para que a fitasse.
– É inegável que você o amava – ela disse e sorriu. – Jorge, você e Fred eram tão incríveis juntos! Lembro-me do dia em que vocês armaram para cima da Umbrigde. Eu nunca ri tanto na minha vida – Jorge soltou um riso baixo. – E do baile de inverno? Tenho certeza que não iria me divertir daquele modo se vocês não estivessem lá. – Os dois sorriram. – Ei, amor, eu não vou te deixar chorar. Quer que eu dance para você?
Ele assentiu fazendo com que o sorriso voltasse em seu rosto.
Lívia foi até o meio da sala e empurrou a mesinha de centro para o canto. Colocou no pequeno rádio trouxa uma música bem agitada. Ela dançou sem a menor técnica e fazendo passos bem estranhos para diverti-lo. Ele ria da menina que parecia uma criança ao ouvir música pela primeira vez. Lívia, no meio da música, puxou o ruivo para dançar com ela. Meio relutante ele foi.
– Seguinte: você vai se mexer o máximo que puder. Essa é a regra da felicidade ao dançar – ela disse se movimento bem rapidamente. Jorge a seguiu. – Isso aí! Solte mais o quadril.
Jorge tentou se soltar mais, mas ao fazer o movimento os dois não se aguentaram de tanto rir. Liv já estava com a mão na barriga de tanto rir e Jorge se apoiou na parede. O sentimento que invadira Jorge era de pura felicidade e adrenalina. Aquela loira tinha o poder de alegrá-lo sem esforços.
Quando finalmente conseguiram ficar sérios Liv correu para os braços de Jorge e deu um abraço bem aperto no menino que retribuiu da mesma forma.
– Ei, ruivinho, pode contar comigo. Eu te amo – ela sussurrou.
Jorge foi contagiado por uma alegria sem tamanho ao ouvir aquilo na doce e suave voz da menina. Era inexplicável a sintonia dos dois. Incomparável.
Então Lívia despertou do breve e nostálgico transe e voltou a ler o livro. Infelizmente, agora Jorge não estava ao seu lado e tudo ficou triste e sem cor. Lembrou-se de que agora nada seria como antes. Agora tinha tudo mudado. Agora.
Ela fechou o livro e se deitou no sofá encolhida, conjurou um edredom para si e chorou silenciosamente durante boa parte da noite. Ela sentia falta do abraço apertado, dos beijos apaixonados, da amizade formada, do companheirismo e do amor tão grande que transbordava.
Mas ela não sabia que um certo ruivo fazia a mesma coisa em sua casa. Lembrava-se dos momentos, das brincadeiras, dos sentimentos e emoções. Era impossível descrever a face de dor de Jorge ao lembrar, uma por uma, das cenas que mais pareciam um filme em sua mente.
Era Lívia, sempre seria.
Era Jorge, sempre seria.
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