Revivendo

4 Capítulo 3.


Notas iniciais
Finalmente eu postei!! :D Gente, por favor, quem estiver lendo comente! É muito importante mesmo saber o que acham da fanfic. Um super beijo e boa leitura! :D

– Que estranho, duas semanas já – Mione comentou deitando-se no colo de Rony. – Será que aconteceu algo?

– Não sei, ela não deixou nenhum recado nem respondeu nossa coruja ainda – Harry comentou dando de ombros. – Talvez ela quisesse ficar com o namorado, Mione.

Harry e Rony deram de ombros, mas Hermione não se contentou. Sabia que havia algo de errado. Por isso subiu até o quarto de Jorge batendo a porta com força atrás de si. O garoto a olhou assustado porque estava penteando seu cabelo molhado e provavelmente estava distraído por ter saído do banho há pouco tempo.

– Lívia te mandou algum sinal de vida? – perguntou rapidamente. – Ela não aparece há duas semanas e eu estou começando a ficar preocupada. Liv não é do tipo de se abrir muito.

Jorge franziu o cenho.

– Ela não disse nada. Eu mandei umas três corujas perguntando por que ela não veio e por que ela não respondia. Não obtive resposta, Mione.

A castanha passou a mão pelo cabelo nervosa.

– Eu acho que aconteceu alguma coisa para ela não querer vir. Vou visita-la hoje, quando fui à sorveteria com ela acabamos passando em seu apartamento e eu, por sorte, sei onde é o lugar.

O ruivo se mexeu desconfortável.

– Eu posso ir com você? Estou devendo isso e muito mais para ela.

Hermione brincou com um sorriso malicioso em seus lábios.

– Tive uma ótima ideia, como tenho que resolver algumas coisas do trabalho, te deixo lá e vocês terão algum tempinho a sós. Magnífico e esplêndido! Hermione Granger, você é um gênio!

Jorge revirou os olhos.

– Já estou descendo, me espera lá fora.

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A loira estava penteando seus cabelos molhados com cuidado. Colocou os óculos e observou que ainda eram oito horas da noite. Como ela queria que o tempo de sábado passasse logo em sua própria casa, pois quando estava nos Weasley tudo era tão legal e rápido que acabara se acostumando.

Na verdade, ela não tinha condições de ficar em uma casa tão abarrotada de gente fingindo estar bem quando não estava. Lívia precisava de um tempo sozinha para colocar seus próprios pensamentos em dia.

Nesse tempo de duas semanas recebeu várias corujas de Harry, Jorge, Hermione, Gina e até mesmo de Molly, mas não se sentia confortável em abrir o jogo. Não ainda.

Por isso que quando a campainha tocou se assustou, afinal, não receberia visita de ninguém. Ela estava de pijamas e meias, cabelo molhado e óculos de grau, ficou meio envergonhada por ser vista assim, mas abriu a porta e lá estava um ruivo bem mais encorpado do que o de meses atrás e com um sorriso no rosto, também trazia cappuccinos na mão.

– Oi, Jorge, tudo bem? – cumprimentou a menina. – Por favor, entre.

– Obrigado, Liv – ele deu um beijo em seu rosto. Jorge teve que respirar fundo ao sentir o perfume da loira e não perder o foco da conversa. – Como você está? Por que sumiu? Todos lá n’A Toca estão preocupados, sabia?

Ela riu sem graça e colocou os copos com a bebida quente na mesa, puxou uma cadeira e pediu para Jorge se sentar.

– Ahn, dias difíceis, conhece? – perguntou sorrindo. – Mas não se preocupe, era só uma fase que precisava ficar um pouco sozinha, Jorge. Obrigada por se importar!

Jorge franziu o cenho e pegou um cappuccino. Tomou um gole e aproveitou para observar o apartamento ao seu redor: era bem arrumado, com cores pastéis combinando e todos os móveis conversando entre si. Ao contrário d’A Toca que parecia ser um amontoado de cores que nem imaginava que pudessem existir, vários lugares desorganizados e cheios de gente. Sentiu um pouco de vergonha por Lívia ter entrado em seu quarto totalmente desorganizado.

– Todos os seus amigos acreditam nisso? – Jorge perguntou após um tempo. – Por que eu tenho certeza que você não estaria sozinha aqui sem fazer nada enquanto podia passar uma noite bem agradável rodeada por seus amigos. E eu também tenho certeza que não você teria ignorado todas as cartas por uma mera fase difícil.

Lívia suspirou, não estava preparada para falar sobre isso. Não ainda.

– Jorge, é um assunto muito delicado mesmo.

– Lívia, eu só queria te dizer uma coisinha: você não precisa ficar sozinha nessa guerra.

A garota se assustou ao constatar que ele repetira a mesma frase que ela dissera quando Jorge estava numa “fase difícil”. Agora os papéis estavam invertidos e havia uma Lívia muito surpresa de olhos arregalados sentada ao lado de um ruivo com olhos reconfortantes.

– Jorge...

– Lívia...

A garota então deixou rolar uma lágrima e o ruivo teve a certeza que não era apenas uma “fase difícil”. Era muito mais do que isso.

– Eu fui traída, Jorge, por uma pessoa que confiei muito. E olha, não é fácil – a garota deixou outra lágrima, somente, cair.

Jorge entendeu tudo com aquela frase. Não precisava de mais nada para ter certeza que Derek merecia um soco na cara por ter perdido uma garota tão incrível quanto Lívia.

– Liv...

Então a garota contou tudo a Jorge, e desta vez não derramara nenhuma lágrima. Entre uma frase e outra tomava um gole da bebida quente que o ruivo trouxera; já Jorge batia o pé freneticamente no chão borbulhando de raiva do garoto.

– Ele poderia ter terminado comigo antes, Jorge...

– Derek não é homem o suficiente nem para lavar as próprias roupas, quanto mais para terminar com você!

Foi a vez de Lívia rir com vontade, como não tinha feito desde exatos catorze dias atrás. Ela percebeu que não havia motivos para se privar de tudo que a fazia bem por uma única pessoa que a fizera mal, afinal, havia vários amigos dispostos a ajuda-la.

– É realmente um conforto ouvir isso, Jorge – ela respondeu sorrindo verdadeiramente.

– Mas é sério, Liv, sabia que existem certas coisas ruins que acontecem na nossa vida para a gente valorizar as boas? É uma frase bem clichê, sim, mas infelizmente nenhum de nós realmente dá valor para as coisas boas até as ruins acontecerem. Então, encare isso como uma oportunidade. Veja todas as pessoas ao seu redor que querem o seu bem – e dizendo isso pegou na mão de Liv. – E agora eu não quero mais que você pare sua vida para viver em função de alguém que não se importou nem um pouco com você, estamos combinados?

Lívia sorriu.

– Claro, Jorge.

Ela levantou-se e o abraçou. Jorge se espantou com o gesto repentino, mas retribuiu o abraço fazendo carinho em seus cabelos loiros e ambos fecharam os olhos com força para eternizar aquele momento em suas lembranças.

Ao se separarem Jorge sugeriu sorrindo:

– Que tal você ir almoçar com a gente amanhã?

Lívia arregalou os olhos.

– De jeito nenhum, Jorge. Almoço de domingo é muito familiar, eu não quero me tornar uma intrusa lá e muito menos causar ciúmes na Angelina!

– Liv, eu já conversei com a Angelina – Jorge pareceu um pouco desconcertado. – Bom, o que importa é que eu sei que ela vai melhorar. E seria ótimo para se distrair ir almoçar com a gente. Minha mãe te adora, ela não ia ligar nenhum um pouquinho em colocar a mesa para mais um!

Lívia olhou para o chão um pouco envergonhada. Não queria se sentir desconfortável já que não fazia parte da família. Ao contrário de Hermione que apesar de não ser filha dos Weasley conviveu desde sempre naquela casa.

– Jorge, eu acho que não seria adequado...

– Por favor, Liv, será legal! – pediu Jorge sorrindo. – Olha, todos lá estão com saudades de você! Mione ficou super preocupada, ela queria vir comigo hoje, mas – ele pigarreou — tinha uns assuntos para resolver. E Gina não para de falar que te adora. Para você ter ideia até o Rony precisa falar com você, Liv. Ele diz que você o ajudou muito e precisa conversar com a tal “milagrosa”. Ah, e meu pai também! Segundo ele você é “uma gracinha”. Sem contar que semana que vem está muito longe e nós dois trabalhamos de segunda a sexta e eu gosto quando você vai lá, Liv – Jorge disse isso tudo muito rápido e se levantou e parando bem na frente da loira.

– Tem certeza? – mordeu o lábio inferior.

– Claro.

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– Resolveu tomar um chá de sumiço, né? Sua danadinha! – Mione brincou e abraçou a amiga que acabara de chegar n’A Toca.

– Desculpe, Mione! – ela retribuiu o abraço. – Senti saudades, viu?

Logo se seguiu uma série de abraços apertados na loira. Jorge teve que explicar a situação da menina assim que chegou da casa dela no dia anterior, com sua permissão logicamente. Todos estavam muito preocupados, por isso concordaram em não tocar no assunto.

– Lívia, querida! – Molly apressou-se em dar um abraço apertado nela. – Que bom que veio hoje! Fiz um almoço especial!

– Muito obrigada, sra. Weasley.

A ruiva então arregalou os olhos e falou:

– Molly, querida. Molly!

A loira riu e se juntou aos outros na sala, mas nem teve tempo de se sentar porque Hermione a puxou para um canto e a abraçou.

– Muito obrigada por ter aberto a cabeça do Ronald, Liv! Deve ter sido difícil, eu sei, ele é um cabeça-dura. Olha, muito obrigada – as duas riram. – E desculpa se eu fui fria com você, eu senti um pouco de ciúmes por vocês terem ido conversar sozinhos. Eu sou muito insegura mesmo, nem imaginei que estivesse falando pro Rony tomar uma atitude. Sério, Liv, você é um anjinho mesmo.

A garota riu.

– Olha, Mione, eu só me meti porque estava demorando demais, não? Mais de seis meses nesse “chove e não molha”? Não rola.

Elas riram novamente e foram com os outros para a sala e se debruçou no corrimão da escada para falar com Rony.

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– Você fez de propósito, Jorge! – Angelina exclamou alto. – Sabe que eu não gosto do seu relacionamento com a Lívia e ainda a chama para almoçar em família? Como você quer que eu melhore? Diga-me!

Jorge revirou os olhos e se sentou na cama para se preparar para outra briga que estava por vir.

– Ela está passando por um momento difícil, Angelina! Eu sou amigo dela e quero ser solidário. Qual o seu problema? Aliás, por que você não tem empatia pelas pessoas? Quando eu estava em um momento difícil – ele respirou fundo antes de continuar – você não ligou! Enquanto todos da minha família estavam tristes pela morte do Fred você só queria ficar presa em meu pescoço o dia inteiro! Angelina, a gente não namora para se satisfazer, e sim para fazer o outro feliz.

Angelina mudou totalmente o seu semblante: de nervosa passou para perplexa.

– O quê? – perguntou irritada. – Eu sempre te ajudei! Sempre quis o melhor para você, mas desculpa se eu não tenho paciência para ficar chorando do seu lado durante quatro meses. Quatro meses, Jorge!

Jorge se levantou muito nervoso. Teve que se segurar para não soltar um palavrão.

– Fred era meu irmão, Angelina! – ele se controlou para não gritar. – Meu irmão. Você sempre achou um exagero eu chorar por perder uma parte essencial da minha vida?

Angelina tentou se justificar:

– Claro que não achei exagero, Jorge, mas viver em função de um sofrimento não valia a pena e você sabia disso. Eu sou mulher, ok? Eu tenho as minhas necessidades, eu queria que você demonstrasse o mínimo de afeto por mim, ok? Tudo que você faz parece ser um esforço tremendo, e ultimamente até me beijar parece ser um fardo.

O ruivo suspirou, mais uma vez, cansado. Angelina nunca entenderia que não precisava de mil palavras bonitas sobre Fred, ele só queria que a própria namorada tomasse atitude que sua amiga tivera. Lívia não acompanhou seu processo de recuperação, mas só dela falar que ele não estava sozinho foi um reconforto enorme.

Angelina nunca fizera isso.

Ela sempre quisera arrancar-lhe beijos e abraços em momentos que ele estava deprimido.

– Você fez tudo ser um fardo, Angelina! – Jorge explodiu. – Desde muito antes de Lívia nos visitar você arranjava briga por qualquer motivo. Uma vez até implicou com a Hermione! Angelina, você nunca soube respeitar o meu espaço e o meu tempo de ficar sozinho com os meus pensamentos. Você tornou nosso namoro um sufoco!

– Agora a culpa é minha? – a garota caiu no choro. – Eu só queria ficar perto de você.

– Não dá mais, Angelina – Jorge falou sério. – Estou cansado e esgotado deste relacionamento.

Angelina arregalou os olhos como se dissesse: “Você não pode terminar comigo!”.

– Como assim, Jorge? Eu pensei que você me amasse!

– Eu te amei. Agora não dá mais, Angelina.

Ela então entrou em prantos. Olhou para Jorge com raiva e depois saiu do quarto batendo a porta com força. Desceu as escadas como um trovão e quando chegou ao final viu Lívia apoiada no corrimão. Passou com força por ela fazendo-a cair no chão e por fim bateu a porta de entrada d’A Toca.

– Você está bem, Liv? – Rony perguntou ajudando-a a se levantar.

– Claro – respondeu a menina franzindo o cenho. – O que deu nela?

Hermione riu se aproximando.

– Nem liga, Lívia. Ela é descontrolada assim mesmo – a castanha disse. – Está tudo bem?

– Sim – a loira respondeu. – Acho que aconteceu alguma coisa entre ela e o Jorge, não acham? Alguém deveria ir lá perguntar o que houve.

– Eu vou – Rony se prontificou.

Mas não foi preciso, pois no momento que ia subir a escadaria Jorge desceu bagunçando o cabelo. Todos olharam para o ruivo que parou de despentear a cabeleira.

– Algum problema? – perguntou surpreso.

– Sua namorada saiu revoltada daqui de casa – Hermione disse ironicamente.

– Ex-namorada – corrigiu Jorge, sério.

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– Tchau, Liv! Obrigada por vir, querida! – Molly cumprimentou-a quando estava prestes a sair d’A Toca. – E desculpa a confusão que Angelina provocou. Volte mais vezes!

A loira sorriu e abriu a porta de entrada, porém quando iria fechar deparou-se com Jorge no batente.

– Posso pedir conselhos, Liv? – o ruivo perguntou com um sorriso no canto da boca.

– Claro, Jorge.

Ele fechou a porta atrás de si e começou a caminhar ao lado de Lívia.

– Eu queria me mudar – Jorge começou. – Acho que a morte de Fred me fez estagnar no tempo, Liv. Eu só quero sair daquele quarto que passei os últimos seis meses com a pior dor existente. – Ele se virou para a loira. – E eu gostei muito dos bairros perto da sua casa. Você pode me acompanhar amanhã a procurar um apartamento por lá?

Lívia notou, com a proximidade de Jorge, o quanto ele havia mudado. Agora seus cabelos ruivos tinham um brilho e seus olhos não estavam mais opacos, tinha engordado alguns quilos então parecia muito mais saudável do que há alguns meses.

– Claro – ela respondeu. – Vou dar aulas e ensaiar minha dança do recital até às 17hrs. Aparece na academia “Expressão e Garra” lá por volta desse horário, fica um quarteirão depois do meu apartamento, Jorge. – Ela arqueou as sobrancelhas e deu um sorriso verdadeiro. – Adorei saber que realmente está seguindo em frente, viu?

Jorge suspirou, mas também sorriu.

– Você faz parte dessa conquista – Jorge bagunçou seu cabelo e ela riu. — E você, Liv? Como está? – o ruivo acariciou seu rosto de leve, lançando um olhar preocupado em sua direção.

– Estou bem – respondeu Liv, mas nem ela tinha certeza disso. – Adorei almoçar com vocês, mas ainda preciso passar na casa dos meus pais, ver meus irmãos e tudo o mais porque faz tempo que não os visito.

Jorge sorriu.

– Ok, Liv, nos vemos amanhã então.

O ruivo se abaixou um pouco e deu um beijo na bochecha de Liv, fazendo-a corar imediatamente. Ela sorriu, acenou e desaparatou.

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– Ela estava pouco se importando com a morte do Fred e a minha superação, Ron – Jorge explicou depois de um interrogatório de Ron, Harry, Gina e Hermione. – Angelina demonstrou ser extremamente infantil e egoísta, não quero isso para mim.

Hermione colocou a mão na perna do ruivo em um gesto de entendimento.

– Seu coração não pertence a ela, Jorge. Não adianta você dar subterfúgios.

– Eu realmente gostava da Angelina, Mione – respondeu o ruivo. – Confesso que nunca me doei cem por cento nesse namoro, mas ela é bonita, inteligente e eu sinto atração por ela, mas depois desses últimos dois meses ela vem se tornando chata, possessiva, briguenta e birrenta.

Rony, Harry, Gina e Hermione se entreolharam como se já entendessem o que estava havendo. Na verdade, até Angelina já tinha percebido, menos Jorge que insistia em mentir para si mesmo.

– Dois meses? – Harry perguntou só para confirmar.

– Por aí – Jorge falou de cabeça a baixa, visivelmente chateado com as palavras que Angelina dissera mais cedo.

– Você já parou para pensar que foram nesses dois meses que você se aproximou da Lívia, Jorge? – Gina disse sutilmente e o garoto levantou a cabeça assustado. – Você também já parou para pensar que só por ela aparecer todo sábado nesses últimos meses você também começou a participar das nossas reuniões?

Hermione o olhou com esmero e o garoto ficou sem fala.

– Não precisa falar nada, Jorge – a castanha disse. – Você, aos poucos, começou a substituir o espaço que antes era só da Angelina pela Lívia.

– Não tem nada a ver – ele se pronunciou. – Angelina vem me chateando há bem mais tempo! A única diferença é que antes eu não saía de casa, então não tinha contato com as outras pessoas que poderiam ser legais. Eu só tinha a ela e me acostumei com esse jeito. Só que então a Liv apareceu e me mostrou que o mundo não girava apenas n’A Toca e nos meus problemas, e que apesar da vida ser cruel também existia uma parte boa.

Gina sorriu com a sinceridade do garoto. Era a primeira vez que Jorge desabafava sobre algum assunto com seus amigos e familiares, por isso até Ron, o desligado, percebera e estava feliz por tentar ajuda-lo de alguma maneira.

– Essa parte boa é a Liv – respondeu Harry. – Depois que ela te visitou pela primeira vez você mudou totalmente seu comportamento, Jorge. Passou a sorrir, a brincar, a se divertir com a gente sábado à noite. Isso é amor, amigo, porque com Angelina eu duvido que você conseguisse ser tão espontâneo igual com a nossa querida amiga Lívia.

– E atencioso – completou Ron. – Já percebi que toda a vez que ela abre a boca você presta o mínimo de atenção.

Jorge arregalou os olhos. Nem ele percebera o quanto Liv fizera a diferença em sua vida nos últimos tempos. Sabia que ela era responsável por boa parte de seus momentos felizes, mas não tinha parado para pensar que ela realmente fazia a diferença.

– E agora vocês dois estão solteiros – Harry falou com um sorriso malicioso. – Vai fundo, garoto, porque ela é uma menina de ouro e merece alguém a sua altura.

– Mas nós mal nos conhecemos. Quer dizer, eu sei boa parte da vida dela e ela da minha, mas eu digo nos pequenos detalhes: eu não sei suas manias, seus gostos, preferências, não sei sua cor favorita, nem a sua comida predileta, não sei o que ela gosta de fazer para passar o tempo e eu também não s...

– Não importa, Jorge – Hermione disse um pouco mais alto. – O que verdadeiramente importa é que ela sabe do seu sofrimento e você sabe do dela. Imagine só: onde você estaria agora se Liv não tivesse atendido ao pedido de Molly e não tivesse vindo até aqui te ajudar? E onde ela estaria se você não tivesse ido ajuda-la ontem? Só vocês dois não percebem que apesar de que não saberem muito um sobre o outro são essenciais para a superação de cada momento difícil dos dois.

Quando Hermione acabou sua narrativa todos a olharam admirados. Harry, Gina e Rony, para descontraírem, começaram a aplaudir fingindo que ela era alguém de cargo elevado que tinha se pronunciado em rede nacional. Depois de uma série de risos Gina disse:

– Mas a Mione tem razão, Jorge. Não deixe sua felicidade e suas chances de realmente ser feliz esvaírem em fumaça.

Harry e Ron assentiram.

– Elas têm razão, cara – Ron murmurou.

Jorge riu.

– Vocês são os piores!

Notas finais
♥♥ até o próximo ♥♥