Reviravoltas do amor
1 Primeiro dia de aula
* Lucas:
Acordo antes do meu celular despertar. Vejo que horas são torcendo pra ser 3 da manhã. Que nada, são 5: 45, quase hora de levantar. Fico deitado até ele despertar, mas minha mãe aparece.
—Levanta Lucas, não vai querer se atrasar pro seu primeiro dia.
—Só mais vinte minutos mãe.
Tarde demais. Ela já abriu a janela fazendo o sol me segar, então coloco o travesseiro no meu rosto.
—Lucas para de preguiça!
Ela senta na minha cama, tira o travesseiro do meu rosto, passa as mãos em meus cabelos e diz:
—Esse ano eu só quero notas boas, afinal, agora você vai estudar no melhor colégio da cidade. Eu sei que você é capaz filho! – Ela beija a minha testa – Agora levanta!
Levanto desanimado, vou pro banheiro e quase durmo no banho. Ano passado eu estudava de tarde, vai ser difícil me acostumar.
Coloco a camisa do uniforme, uma calça jeans, tênis, pego minha mochila e desço as escadas.
Chego na cozinha e encontro meu pai lendo um jornal e tomando seu café, e minha mãe preparando o meu toddy.
—Bom dia filhão, pronto pra escola nova?
—Bom dia pai, estou sim. –Digo sentando na cadeira.
Na verdade eu estou é com medo dessa tal “melhor escola do universo “, parece que além das matérias serem 3 x mais difíceis, meus pais vão me cobrar 100 x mais do que cobravam. Modo nerd ativado.
Termino meu café e vou para o carro. Meu pai pergunta onde estão as chaves como sempre e eu digo:
—Estão comigo pai.
Minha mãe fica no portão olhando a gente sair, como se eu fosse um garotinho de 7 anos indo pra primeira série.
—Chegamos filhão!
A escola é enorme, saio do carro e fico alguns minutos olhando pra fachada do colégio e depois entro. No pátio tem um mural com as listas dos alunos. Minha mãe me disse em que sala eu cai ontem, mas eu já esqueci, então resolvo olhar. No meio do caminho esbarro em uma menina baixinha e derrubo os óculos e os livros dela.
— Me desculpe, eu não vi você – Digo recolhendo as coisas do chão – Tudo bem?
— Sim, não tem problema. – Ela diz sem jeito e corada. Ela olha para as minhas mãos e percebo que ainda estou segurando seus óculos.
—Ah, seus óculos – Digo colocando-os nela. Essa garota deve ser cega, pois esses óculos são enormes !!
—Obrigada. – Ela diz, suas bochechas estão vermelhas e ela sai com muita pressa.
Depois de um bom tempo procurando meu nome na lista, finalmente acho, estou na sala 11, segundo andar. O sinal toca, e eu subo para a minha sala. Procuro um lugar nos fundos, mas me lembro que esse ano eu ativei o modo nerd, então sento na primeira carteira, por acaso, do lado da garotinha dos óculos. Ótimo, assim posso me concentrar na aula. Tiro meus cadernos da mochila, e quando volto olho pra trás, meus planos de me concentrar na aula vão por água abaixo. Uma garota linda, loira de olhos castanhos está sentada bem atrás de mim, e o pior, ela puxa conversa:
—Oi, você é novo?
—Sim, prazer, Lucas!
—Muito prazer Lucas, meu nome é Amanda!
Ela começa a falar um monte de coisas que eu não presto atenção, acho que fiquei igual um bobão olhando pra ela, melhor eu dizer alguma coisa senão ela vai perceber que eu não estou nem ouvindo ...
* Amanda:
Meu celular desperta e me dá um susto. Coloco no modo soneca pois estou morrendo de sono, mas parece que minha mãe tinha um plano B pra me acordar, ela abre a porta e o Kurt pula em mim e começa a lamber meu rosto.
—Sai daqui Kurt seu nojento, eu já estou acordada!
Tomo banho, me troco, e enquanto amarro meus all star, escuto o barulho de secador de cabelo no quarto ao lado. Minha irmã já deve estar acordada á 3 horas se arrumando. Ela vai pra escola, mas pensa que vai no desfile da revista Vogue.
Na cozinha o café está na mesa e minha mãe está no celular com meu pai. Ele vive viajando. Acabo de comer quando a Isabella chega parecendo uma Barbie com 10 quilos de maquiagem. Eu não acredito que uma coisa tão parecida comigo seja tão diferente de mim.
—Bom dia familly!
—Bom dia Paris Hilton.
—Ai cala boca Amanda, porque ao invés de me criticar, você não cuida das suas unhas que parecem que nunca viram esmaltes?
Ignoro ela, levantando e pego minha mochila.
—Isa querida, você vai ter que tomar seu café no carro, estamos atrasadas, quem mandou você demorar tanto? –Diz mamãe pegando as chaves
—Mãe, eu tenho que ficar perfeita, é o primeiro dia, o colégio vai estar cheio de gente nova e agora que estou no colegial estou no mesmo andar que o gato do Gabriel Carvalho.
Ela tinha que falar do Gabriel, o garoto mais popular da escola e o amor da vida dela. Mais uma coisa que temos em comum além da aparência: Gostamos do mesmo garoto. Eu odeio admitir estar apaixonada pelo garoto mais popular da escola, porque isso é muito clichê, por isso que nem a Isa e nem ninguém sabe que eu gosto dele.
Chegamos na escola, Isabella corre pra falar com as amigas patricinhas, e eu corro pra falar com meus amigos: Iago, Otávio e Sérgio, também conhecidos como Guinho , Tavis e Orelha ( é você pode imaginar o tamanho da orelha do Sérgio ). Eu só tenho amigos meninos porque sabe, não tem muitas meninas na pista de skate a não ser aquelas que vão lá pra ficar olhando os meninos, o que não é o tipo de amiga que eu quero.
—Ai Mandy (meu apelido) nós não estamos na mesma sala esse ano. – Diz Guinho. Nós estudamos juntos desde a sétima série. O Tavis e o Orelha já estão no terceiro, então o Guinho é o que passa mais tempo comigo, meu melhor amigo.
—Não pode ser, eu só vou ter duas opções: ficar sozinha ou ficar com a minha irmã e as escravinhas dela !
O sinal tocou e eu subi as escadas desanimada, Poxa porque o destino aprontou uma dessas comigo?
Entro na sala e vejo um garoto desconhecido. É isso, vou fazer amizade com o menino novo.
—Oi, você é novo?
—Sim, prazer, Lucas!
—Muito prazer Lucas, meu nome é Amanda! Olha qualquer coisa que você precisar pode me falar, eu estudo aqui desde o prezinho, conheço cada canto dessa escola , então de que escola você veio?
—É ... ahã ...
Que garoto estranho, ele parece meio nervoso. Decido perguntar de novo.
—De que escola você veio?
— Semep.
—Ah aquela escola no centro da cidade, já ouvi falar.
—Bom dia alunos.
A professora de português entra na sala.
—Essa é a Dona Aurora, a professora de português, acho que ela já deu aula até pro Adão e pra Eva de tão velha que ela é.
Ele começa a rir.
—Bom turma, temos um aluno novo, e vejo que ele já está bem sorridente. Como é seu nome?
—Lucas.
—Bem vindo Lucas, eu sou a professora de português, Aurora.
Ela começou a falar um monte de bobeiras e não deu matéria nenhuma. É sempre assim no primeiro dia.
No recreio eu decidi sentar com o Lucas pra não deixar ele sozinho. Ele é bem legal, falamos sobre um monte de coisas. Já ia levar ele pra conhecer a turma mas o sinal tocou. Subindo as escadas, encontrei Isabella falando com o Gabriel. Olhei para o Lucas que estava do meu lado e surgiu logo uma ideia louca na minha cabeça: Se eu juntar o Lucas e a Isabella, posso ficar com o Gabriel, é brilhante!!
* Gabriel:
Acordo depois de mais uma péssima noite de sono. Tomo banho, me troco e vou para o quarto da minha irmã tentar acorda-la. Desde que meu pai morreu minha vida se tornou terrível. Minha mãe ficou depressiva tendo que tomar remédios fortíssimos, e não podendo mais cuidar da minha irmã mais nova, Gabriela, de 14 anos. Ela arranjou um namorado de 18 que usa drogas e começou a se drogar também.
Na escola parece que tudo é diferente, eu sou o cara mais popular, tenho muitos amigos, mas nenhum deles sabe o que eu passo dentro de casa.
—Gabi, acorda você tem que ir pro colégio.
Fico sacudindo ela várias vezes mas ela não acorda.
Percebo manchas de sangue em seu lençol e olho pra seus pulsos cheios de corte. Tento segurar as lágrimas nos meus olhos quando percebo que ela está acordando.
—O que significa isso Gabriela? – Digo segurando seu pulso.
—Nada. –Ela se solta, entra no banheiro e bate a porta.
Abro o guarda roupa dela e encontro drogas escondidas no meio de suas coisas. Pego um lençol limpo e troco sua roupa de cama. Vou pra cozinha e faço uma tigela de cereais pra mim e pra ela. Ela aparece, senta-se enquanto eu como em pé. Ficamos em silêncio.
No elevador eu tento voltar a perguntar:
—Porque você está se cortando Gabriela?
—Não é da sua conta.
—É da minha conta sim, você está namorando um idiota que te fez ficar viciada naquela porcaria ...
—VOCÊ NÃO É O PAPAI! –Ela grita.
O elevador para no térreo, vamos para o ponto de ônibus e eu penso em tentar voltar a falar alguma coisa mas prefiro evitar que ela faça escândalo.
Entramos no ônibus e no meio do caminho percebo que ela está chorando. Não falo nada, engulo o choro até chegar no colégio.
Descemos do ônibus e eu vejo meus amigos. Tenho que mudar minha expressão. Gabriela anda de pressa e eu a perco de vista.
Começo a sorrir e contar piada com os meus amigos, mas por dentro preocupado com a Gabi. Tenho que fazer alguma coisa, ela só está piorando. Só o que me faz esquecer tudo é avistar a Rosa, que está sentada na escada com duas amigas. Eu não sei porque, mas essa garota mexe comigo desde o ano passado. Eu nunca tinha reparado nela até a festa de fim de ano. Ela usava um vestido vermelho e uma flor gigante no cabelo, e quando eu tentei tirá-la para dançar ela simplesmente me ignorou. Nenhuma garota havia me ignorado antes, deve ser por isso que desde então eu não consigo tirar ela da cabeça.
—Oi Rosa, você está linda hoje.
—Obrigada.- Ela diz com indiferença .
Continuo subindo as escadas pensando no porque ela não gosta de mim.
* Rosa:
Acordo animada. Isso só acontece quando é o primeiro dia de aula. Tomo banho, penteio o cabelo e vou tomar o café da manhã.
Eu moro aqui no Brasil desde que tinha 10 anos. Eu nasci no México e minha mãe e meu pai se separam quando eu tinha 1 ano. Anos depois, minha mãe conheceu o Edgar, um brasileiro que passava as férias lá , e todo ano nas férias eles se viam, até que minha mãe ficou grávida dos gêmeos e o Ed pediu minha mãe em casamento e nos trouxe pra morar aqui no Brasil, mas todo ano eu vou pra lá visitar meu pai biológico.
—Tchau mãe, tchau Ed , tchau meninos !
—Tchau princesa, tenha um bom dia na escola. –Respondeu minha mãe.
Igor me esperava no portão. Ele é meu vizinho e meu melhor amigo desde que eu mudei pra cá. Ao longo do tempo eu fui ficando cada vez mais próxima dele e agora estou completamente apaixonada, mas tenho medo de me declarar e estragar nossa amizade.
—Bom dia flor! –É assim que ele me chama.
—Bom dia DJ, pronto pra voltar pra escola?
—Olha, eu já estou querendo férias!
Toda manhã nós vamos andando e conversando para a escola, que fica bem pertinho de casa.
Quando chegamos na escola ele foi se encontrar com os amigos dele e eu com minha amigas Yara e Letícia. Sentamos na escada quando o Gabriel se aproximou:
—Oi Rosa, você está linda hoje.
—Obrigada.
Ele continua subindo enquanto as meninas me olham com um olhar de reprovação:
—Como é que você deixa escapar o cara mais gato e mais popular da escola? – Pergunta Letícia indignada.
—Eu já disse que eu gosto do Igor!
—Você é uma boba mesmo Rosa, o Igor só te vê como amiga , já o Gabriel , o menino que todas as meninas querem , está caidinho por você ! –Diz Yara.
Talvez eu seja boba mesmo, mas não é só por causa do Igor que eu rejeito o Gabriel. Ele se acha que porque deram o título de mais popular da escola. Ele acha todas as garotas tem que cair a seus pés. Comigo não é assim, não é só a beleza que conta, o Igor é tão carinhoso, tão legal e simpático, tão amigo, eu sempre posso contar com ele pra tudo, ele tem todas as qualidades que eu gosto em um garoto!
* Igor:
—Igor você está atrasado meu filho, seu despertador não tocou! — Diz minha mãe me sacudindo.
Levanto correndo me arrumo, nem dá tempo de tomar café porque a Rosa já deve estar me esperando.
Já estou no portão da casa da Rosa. Fico impressionado com o tempo que levei pra me arrumar, justo no primeiro dia eu tenho que me atrasar!
A Rosa chega sorridente como sempre. Ela é minha amiga desde que tínhamos 10 anos. Ela veio do México, e não sabia falar português, então eu curioso pra conhecer uma pessoa estrangeira fui logo entrando na casa dela no meio da mudança. Foi assim que começou uma grande amizade. Todos os dias nós vamos pra escola juntos, falando de tudo, agora que ela sabe falar português graças a mim. Chegando na escola fui encontrar os Brothers, inclusive tem um que é louquinho pela Rosa, o Gabriel. Ele diz que tem inveja de mim com ela mas eu deixo bem claro que entre nós só existe amizade, ela é como uma irmã pra mim.
No recreio, como sempre eu não pego fila na cantina, vou logo entrando na frente de uma nerd que parecia distraída, só parecia, porque quando ela me viu entrar em sua frente armou um escândalo e a inspetora me levou pro fim da fila. E eu que pensei que ela era bobinha, mas ela não vai ganhar de mim, amanhã eu vou jogar meu charme e ela vai até deixar eu passar na frente!
* Celina:
Acordo com a luz do sol nos meus olhos. Vou para o banheiro, tomo banho, escovo os dentes, me troco, faço um coque no cabelo e coloco meus óculos. Desço as escadas e fico feliz por encontrar meu pai em casa. Ele está sempre trabalhando e eu fico sozinha. A minha mãe era muito nova quando me teve, por isso me deixou com o meu pai e foi embora. Nunca a conheci, só por foto.
Tomo café com o papai e ele me deixa no colégio. Vou andando para a minha sala quando um garoto esbarra em mim derrubando meus livros e meus óculos.
— Me desculpe, eu não vi você. Está tudo bem? – Ele diz, olhando em meus olhos. Mesmo sem os óculos dá pra ver o quanto ele é lindo. Tem olhos verdes, cabelos loiros ... ele falou comigo, tenho que responder:
— Sim, não tem problema. – Digo sem jeito. Devo estar vermelha. Olho para as suas mãos que ainda seguram meus óculos.
—Ah, seus óculos – Ele diz colocando os óculos em mim. Senti um friozinho na barriga que nunca havia sentindo antes. Ele colocou os óculos em mim, ele podia ter só me devolvido mas não , ele os colocou em mim e foi a melhor sensação do mundo !!
—Obrigada. – Eu estava mais sem jeito ainda, então sai apressada. Até esqueci qual sala eu era, tive que olhar na minha agenda .
Entro na sala, sento na primeira carteira, tiro minhas coisas da bolsa e quando olho pra porta e o vejo entrando. Ele passa direto e vai para o fundo da sala, mas depois volta e se senta ao meu lado. Me sinto a garota mais sortuda do mundo !!
Eu percebo que ele está me olhando então abaixo a cabeça. Está tudo perfeito até a hora que as gêmeas entram na sala e uma delas se senta atrás dele e começa a conversar. Como eu posso competir com ela? eu sou só uma boba que tem vergonha de todo mundo.
Ouvindo a conversa dos dois descubro que ele se chama Lucas. Escrevo o nome dele na última folha do caderno.
Na hora do recreio, vou para a fila comprar meu lanche e fico com raiva ao ver que eles estão sentados juntos. Perdi o garoto que colocou os óculos em mim e me fez sentir em outro mundo, e como se não bastasse, um folgado tenta entrar na minha frente. Ele mexeu comigo no dia errado.
—Quem você pensa que é para furar a fila desse jeito? você não é melhor que ninguém, ouviu garoto! -Gritei. Todo mundo que estava na fila me olhou e eu fiquei vermelha de raiva e de vergonha ao mesmo tempo. A inspetora vem e manda ele para o fim da fila, e eu só quero achar um buraco para me esconder.

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