Reviravoltas do amor
23 Prêmio de consolação
*Rosa:
Na festa o Igor estava muito estranho.
—Aconteceu alguma coisa com você essa tarde? — Perguntei na volta.
—Aconteceu. -Descemos do carro quando ele disse -Mãe ja vou entrar, deixa só eu acompanhar a Rosa até em casa.
Então paramos em frente ao meu portão.
—Desembucha — Eu disse.
Então ele do nada me beijou. Eu definitivamente não estava esperando por isso, eu ja estava quase esquecendo meus sentimentos por ele e da última vez que quase nos beijamos foi bem estranho, mas dessa vez era um beijo real e foi muito mais estranho do que eu poderia imaginar. Afastei ele.
—O que foi isso?
—Eu decidi te dar uma chance Rosa. Você gosta de mim, você me da valor e é com você que eu quero ficar.
—Como você decidiu isso de repente? Primeiro você fala que me quer só como amiga e depois você me beija?
—Rositta acho que eu nunca enxerguei a possibilidade de sermos namorados mas no fundo eu também sentia o mesmo. Tive ciúmes quando você ficou com o Gabriel no carnaval quando eu deveria estar feliz por meu amigo finalmente beijar a garota que ele gosta. Dai apareceu a Celina e eu meio que inconsciente transferi o afeto que eu tenho por você pra ela.
—Parece que você está tentando mais se convencer disso do que a mim.
—Rosa ... Eu pensei que você gostasse de mim? Você não vai me rejeitar também vai?
—Também? Então você ja foi rejeitado, pela Celina é claro, como eu não percebi antes?
—Mas isso não tem nada a ver ...
—Igor você não pode me usar desse jeito. Só vir correndo pra mim porque a Celina te deu um fora. Não é isso que os amigos fazem e acima de tudo você é meu amigo. Eu to tentando te enxergar só assim daqui pra frente. É claro que eu queria ficar com você, Deus sabe o quanto eu esperei por esse momento, por esse beijo, pela sua declaração, mas eu queria que eu fosse a unica menina no seu coração e não um prêmio de consolação pra você provar pra si mesmo que esqueceu a Celina.
Igor tinha a expressão séria ouvindo atentamente minhas palavras. Um silêncio constrangedor se estendeu por alguns minutos até ele se pronunciar.
—Tem razão, me desculpa Rosa. — Se virou e foi pra casa. Eu fiquei mais alguns minutos no portão estarrecida com o que tinha acontecido até ver a luz da sala acender a meu padastro aparecer na janelo.
—Rosinha, você não vai entrar, está tarde.
* Igor:
Rosa estava absolutamente certa em tudo o que me disse e eu fui um idiota. Tinha levado um fora da Celina de tarde e magoado a minha melhor amiga na mesma noite. Eu estava péssimo e não pude ir pra escola na segunda feira mas é claro que meus pais me obrigaram.
—O que foi cara? — Disse Gabriel se sentando atrás de mim na sala. Me virei pra ele.
—Tudo cara, as garotas, porque ela são tão complicadas?
—Tem a ver com a Celina?
—Eu não quero falar dela.
—Tudo bem mas quando estiver melhor nos precisamos conversar justamente sobre ela.
Confesso que fiquei curioso pra saber o que o Ga tinha pra me dizer sobre a Celina mas depois pensei que talvez ele só fosse me dizer que ela escolheu o Lucas.
No recreio confirmei minha suspeita. Ela estava sentada com ele. Fingi uma dor de estômago e me deixaram ligar pra minha mãe me buscar.
—Igor o que você tem, brigou com a Rosa outra vez? A Paola me disse que ela ficou tristinha pelos cantos da casa o dia inteiro depois daquela festa. -Disse minha mãe no caminho pra casa.
—É.
—Dessa vez a briga foi feia pra você não querer ficar na escola não é?
—Foi. E eu também não vou querer ir ao acampamento.
—Mas você adora esse acampamento meu filho. Faça as pazes com a Rosa. Vocês tem brigado muito ultimamente, a amizade de vocês não pode acabar.
Não pode mesmo.
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