Reviravoltas do amor
10 Jogo Inapropriado
Notas iniciais
* Lucas:
Ás 4 da tarde, Celina chegou na minha casa. Minha mãe que atendeu a porta.
Eu estava no meu quarto jogando quando ela bateu na porta.
—Entra Celina, tá aberta.
—Licença. –Ela disse entrando no quarto. Trazia livros e cadernos.
—Pelo visto vamos ter que estudar hoje né? –Eu disse desanimado.
—Não é por isso que estou aqui?
—Não, lembra que eu te chamei pra jogar GTA?
—Achei que era só brincadeira e que na verdade você queria me lembrar que hoje tínhamos que estudar.
Pausei o jogo.
—Tá bom, estudamos um pouco e depois jogamos.
Depois de estudar, dei o controle pra ela.
— Você anda com esse carinha até a rua e rouba um carro.
— Que?
—Ou pode ir com essa bike ai mesmo.
—A bicicleta é minha?
—Sim.
—Então vou com ela, não quero roubar um carro de outra pessoa.
Depois de ser atropelada 5 vezes ela desistiu e roubou um carro. Ensinei pra ela o caminho da boate onde tem as tais prostitutas.
— Ela parece familiar pra você? –Ela perguntou e foi ai que eu percebi que a roupa dela era igual a fantasia de estudante da Isabella.
—Onde você quer chegar com isso Celi? –Perguntei confuso.
—Nada. Tá eu te falo. – Ela disse pausando o jogo e virando pra mim. – Minha amiga disse que a fantasia da sua amiga parecia a dessas ... personagens desse jogo inapropriado que eu desconhecia.
Comecei a rir.
—Quem é sua amiga?
—Gabriela Carvalho.
—E porque a Isa era o assunto de vocês?
Ela pensou um pouco antes de responder:
—Admito: falávamos mau de quase todos ali, era o nosso entretenimento já que a festa não agradava nenhuma das duas.
—Celina você não tem cara de ser uma dessas meninas que fofocam da vida dos outros!
—Isso porque eu ainda não tinha ninguém com quem fofocar.
Ri um pouco mas depois percebi que ela acabara de dizer que não tinha amigas antes dessa Gabriela. Mudei de assunto perguntando:
—Quer roubar uma moto agora?
—Claro, por que não?
* Amanda:
Já que eu estava de castigo e sem nada melhor pra fazer, fui pro quarto da Isabella. Me dá até arrepios entrar naquele lugar cor-de-rosa.
—O que você está fazendo aqui? — Ela estava sentada em um puf rosa mexendo no notebook. Me joguei na cama dela.
—To de castigo, e nada melhor pra me castigar do que ficar no seu quarto te fazendo companhia!
—O papai não sabe que você tá de castigo e se você estivesse na sala assistindo jornal com ele e com a mamãe ele com certeza iria suspeitar de alguma coisa!
—Exato.
— E a mamãe confiscou seu notebook e celular e você não encontra ele em lugar nenhum.
—Acertou de novo.
Reparei que Isa curtiu uma foto do Lucas.
—Eu não tive coragem de perguntar pra ele se ele gosta de mim.
—Uhm alerta de Amanda apaixonada!- Ela disse colocando o notebook no chão e se sentando na cama comigo.
—Não eu não gosto do Lucas desse jeito. Ele é meu amigo.
—Tá vendo qual é o seu problema Mandy: Todo garoto que se aproximar de você vai virar seu amigo porque você se entende com eles, mas a partir do momento que em que eles se tornam seus amigos, estão restritos a serem só isso, e ai querida, você nunca vai ter um namorado!
—Sabe que você pode estar certa pela primeira vez na vida?
—Eu sempre estou certa.
—Mas mesmo assim, não é do Lucas que eu gosto. É de outra pessoa ... –Quando percebi o que tinha falado já era tarde demais, felizmente eu não disse o nome dele.
—Quem?
—Eu não posso te contar.
— O Iago? depois de você ter dado um fora nele, se deu conta que no fundo você gosta daquele cabelo ensebado que precisa urgentemente de um corte!
—Não é do Guinho! E para de tentar adivinhar!
—Então é o outro lá, o menos feio dos 3 ... Otávio! É ele?
—Nãaaaao, e quer saber, eu me arrisco a assistir jornal com o papai e a mamãe. – Eu disse me levantando mas ela continuava falando.
—Então é o orelhudo! só pode ser ele! Nossa Amanda ainda bem que entrou o Lucas nessa turminha pra salvar a pátria porque ó amiguinhos feios ... –Fechei a porta do quarto dela e segui pra sala.
Ao invés de prestar atenção na Televisão, fiquei pensando nisso tudo: se eu deveria dar uma chance pro Lucas e esquecer de vez o Gabriel ou se deveria esperar a Bella esquecer ele já que fazia 3 dias que ela não falava dele, o que era um recorde pra ela.
* Gabriel:
Depois que Gabriela recebeu alta do hospital, chegamos em casa, Gabi mandou mamãe e eu nos sentarmos no sofá e fez um discurso:
—Mãe e Ga: Eu quero me desculpar com vocês por tudo de ruim que causei em suas vidas. Por ter me envolvido com um cara que não presta e com coisas que não prestam. Por ser esse fardo que eu venho sendo. O papai morreu e isso doeu muito e abriu uma ferida muito grande e profunda no meu coração, mas drogas, auto mutilação e depressão não são a cura para essa ferida. Viu mamãe? aposto que a sua está aberta também, porque remédios e dias inteiros passados em uma cama também não vão curá-la. Quanto a sua Gabriel: não duvido que seja maior que a nossa, pois nós fomos o sal grosso jogado nela, mas o seu diferencial foi que você se manteve forte e fez o que deveríamos ter feito: Seguiu sua vida, mas que vida é essa de um garoto de 16 anos que tem que passar por tanta coisa como você passa? Não acha que você merece uma vida normal, uma irmã normal e uma mãe normal como qualquer outro garoto da sua idade? Bom eu acho! Por isso que a partir de agora eu me proponho a mudar! Por você e pelo papai. Acho que a mamãe também deveria se propor a mudar, mas não sei se ela vai, só sei que eu vou!
A cada palavra que ela dizia eu chorava e mamãe mais ainda. Nos abraçamos e mamãe também se propôs a mudar.
De noite, deitado na minha cama com o corpo todo dolorido por ter passado a noite nas cadeiras no hospital, comecei a repensar em cada palavra do discurso de Gabriela nesta manhã e cheguei a 3 conclusões: Finalmente a mudança vai acontecer, Gabi é muito mais inteligente do que eu poderia imaginar e eu tenho que buscar a porta do quarto dela amanhã. Depois disso adormeci. A melhor noite de sono que eu já tive desde que o papai morreu.
É hora da nossa vida continuar.
* Rosa:
—Rositta você tem que me ajudar a conquistar a Celi.
Aquilo foi como receber uma facada no coração.
—Rosa? Planeta terra chamando!
—Desculpa é que fiquei chocada com seu pedido!
—Meninas, podem nos deixar a sós por um segundo? –Ele disse pras minhas amigas.
Elas saíram e ele se sentou do meu lado.
—Por que ficou chocada se ontem mesmo eu tinha te contado que gosto da Celina?
—Porque eu nunca pensei que Igor Lima precisaria da ajuda de alguém pra conquistar uma garota!
—Mas essa é diferente! Ela tem carinha de anjo mas é osso duro de roer!
—Que expressão mais ultrapassada, você é meu avô?
—Para de zuar Rositta! Me ajuda ou não?
—Posse pensar no seu caso?
—Pode.
—Então quando eu pensar eu te falo. –Disse e sai.
“Pensar no seu caso” significava que eu tinha que pensar em uma maneira de dizer “Nem em um milhão de anos”.
—Ajuda ele com ela! – Disse Yara na sala.
—Você ficou maluca
—Não Rosa, você nunca assistiu um seriado da Disney?
—Que seriado?
—Qualquer um! Isso é tão clichê que você vai encontrar essa cena em qualquer seriado, filme ou novela de adolescentes!
—Que cena minha filha?
— O garoto que pede ajuda pra amiga pra conquistar outra garota e que acaba se apaixonando pela garota que está ajudando!
— Você colocou muito açúcar no seu cereal hoje de manhã?
—Essa frase também pode ser encontrada em séries da Disney.
—Olha Rositta, eu tenho que admitir que essa ideia doida da Yara pode dar certo! — Disse Leticia.
—Como isso pode dar certo? Eu vou lá e ajudo ele com a garota ai eles se apaixonam e vivem felizes para sempre e ainda me chamam pra ser madrinha do casamento.
— Não, você vai fazer com que dê tudo errado e ele não vai poder te culpar por nada pois você está supostamente ajudando ele! –Disse Yara.
—Enquanto isso vocês podem se aproximar aos poucos. –Completou Letícia.
Na hora da saída, enquanto Igor e eu voltávamos pra casa eu disse:
—Já pensei no seu caso.
—E?
—Te ajudo com a Celina.
—Valeu Rosa! – Ele disse me abraçando.
Minhas amigas tem que parar de assistir Disney.
* Igor:
A Rositta hesitou em me ajudar com a Celi no começo mas por fim concordou e marcamos pra eu ir de tarde na casa dela pra ter uma aula de como conquistar a Celina.
—Tá legal, vamos começar logo com isso. –Ele dizia em frente a uma lousinha de brinquedo pendurada na parede do quintal da casa dela. Eu sentado em uma cadeirinha de brinquedo dos irmãozinhos dela que apareceram pra atormentar:
—Vocês estão brincando de escolinha? –Perguntou Alex.
—Posso brincar também? — Perguntou Theo.
—Não é escolinha, é um curso de como conquistar garotas! –Disse Rosa.
—Eca! –Os dois exclamaram.
—Daqui 6 anos vocês não vão pensar assim, pode crer – Eu disse.
Eles voltaram pra dentro correndo.
—Não vejo a hora desses 6 anos passarem logo e eles deixarem de ser esses pirralhos chatos.
—É ai eles vão ser adolescentes chatos.
—Mas até lá eu já vou ter saído de casa.
—Tá podemos voltar pro nosso cursinho ?
— Ok senhor Igor. Você já tentou ser romântico com ela?
—Sim.
—Então para! Regra numero 1: Seja um badboy.
—O que? Eu que sempre achei que as garotas gostavam de romantismo, você mesmo diz isso!
— Tudo que garotas falam, elas estão tentando dizer o contrário. Tipo quando chamamos alguém que odiamos de queridinha ou quando dizemos que está tudo bem mas não tá nada bem.
Isso faz muito sentido. Comecei a anotar tudo.
—Por isso quando dizemos que preferimos os românticos aos badboys, isso quer dizer que ...
—Vocês preferem os badboys – Respondi!
—Muito bem, vai ganhar uma estrelinha na testa!
—Não sou a Mia Colucci.
—Caramba minhas amigas assistindo Disney e você assistindo Rebelde, onde esse mundo vai parar?
—É uma novela da sua terra.
— Eu sei e eu assisto pra matar a saudade de casa.
Passei a tarde inteira ali aprendendo sobre o universo das mulheres e descobri que elas são completamente loucas pois gostam de badboys, que não demonstram afeto e que quanto mais elas dizem que odeiam o cara mais elas gostam. Pelo menos eu sei que Celina gosta de mim!
Amanhã começo a por em prática as aulas da Rositta!
* Celina:
Quando cheguei na casa do Lucas, a mãe dele atendeu a porta.
—Oi você deve ser a amiguinha que ajuda o Lucas a estudar! Entre querida!
—Olá . –Eu disse entrando.
— Ele está lá no quarto dele. É só subir e virar a esquerda.
—Obrigada.
—E mais uma coisa ...
—Sim?
—Obrigada por ajudar meu filho a estudar, você tem sido uma ótima influência pra ele.
Sorri, agradeci e subi. Estudamos um pouco e depois fomos jogar o tal do GTA. A venda desse jogo deveria ser proibida para menores de 18 anos e eu me senti uma verdadeira criminosa roubando aqueles carros virtuais, mas depois de um tempo dirigindo igual uma doida e atropelando pessoas virtuais que sangravam bastante, até que achei divertido. Chegamos na boate e lá estava a Amanda. Não pude evitar perguntar:
— Ela parece familiar pra você?
Ele demorou um pouco pra responder.
—Onde você quer chegar com isso Celi?
—Nada. Tá eu te falo. –Pausei o jogo e virei pra ele. Ia contar tudo, afinal já tinha roubado um carro, matado pessoas e ido á uma boate de stripers, podia muito bem contar pra um garoto sobre meu interesse por ele.
— Minha amiga disse que a fantasia da sua amiga parecia a dessas ... personagens desse jogo inapropriado que eu desconhecia.
Ele riu.
—Quem é sua amiga?
—Gabriela Carvalho.
—E porque a Isa era o assunto de vocês?
Era agora que eu ia falar que eu estava me lamentando com ela por ciúmes dele ficando com a ... pera ai era a Isabella e não a Amanda? Que seja, isso não me impediria de falar o que eu sinto, o que me impediu mesmo foi a timidez do primeiro dia em que conversei com ele voltando novamente. Não tive coragem de falar e acabei passando por fofoqueira dizendo que Gabriela e eu falávamos mau de todo mundo até o assunto voltar para o jogo e eu perder a timidez de novo enquanto estava em uma moto a velocidade máxima no videogame.

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