Reviravoltas do amor

8 Anjos nessa terra


Notas iniciais
Esse capítulo vai ser um puco diferente, resolvi dividir os pontos de vista então vão ser 3 hoje e os outros 3 no próximo capítulo pois tinha ficado muito grande e pensei que pudesse ficar uma leitura cansativa, mas como eu sei que vocês vão ficar curiosos pelos próximos pontos de vista eu não demorarei pra postar o próximo. Boa leitura !

* Lucas:

Cheguei da festa, fui dormir mas fiquei a noite toda me revirando no travesseiro até chegar a uma conclusão: eu não gosto de uma Amanda bêbada, e se ela for uma dessas meninas que bebem eu vou acabar desistindo dela.

Acordei 1 da tarde e fui pra cozinha. Minha mãe estava lavando a louça do almoço.

—Perdi o café da manhã né? –Eu disse me encostando no vão da porta.

— Resolveu acordar Bela adormecida?

—Que horas são?

—1:40 da tarde.

—Posso almoçar pelo menos?

—Não, vai ter que esperar pelo café da tarde.

Abri o micro-ondas onde tinha um prato com lasanha esperando por mim.

—Bela tentativa dona Dóris, mas eu te conheço e sei que você não ia deixar seu bebê passar fome! –Eu disse pegando a coca na geladeira.

—Eu ia te acordar mais cedo mas quando entrei no seu quarto fiquei com dó e você ficou até tarde naquela festa ontem!

—Nem me fala dessa festa. – Eu disse dando uma garfada na lasanha.

—Por que? não se divertiu?

—Sim me diverti ... – mas nem tanto por causa da Mandy.

—Então o que há de errado?

—Mãe, sabia que a senhora deveria sentir orgulho de mim? Eu sou um bom filho, eu nem bebo álcool!

—É tem razão, você é um bom menino, tenho muitos pacientes adolescentes problemáticos e agradeço a Deus por você não ser como eles!

—Ótimo! então devolve minha Tv, Computador e Videogame?

—Bela tentativa mocinho, mas vai ter que esperar até segunda, quando completar uma semana de castigo.

—Posso ir na pista de skate então? Você vive falando que eu só fico trancado dentro de casa na frente do PC o dia inteiro e que devia respirar ar puro e bla bla bla .

—Ta bom pode ir ...

—Valeu mãezoca – Disse me levantando e abraçando ela

—Depois que secar essa louça!

...

Na segunda, quando entrei na sala, Amanda me olhava mas quando olhei pra ela, ela desviou o olhar. Ela não tinha ido a pista de skate no sábado então não tínhamos nos falado desde a festa.

Sentei no meu lugar e ela nem se quer me disse “oi”, então fui falar com Celina que estava mexendo no celular.

—Bom dia Celi!

—Bom dia Lucas! – Ela disse sorrindo.

—Me passa seu número. – Eu disse pegando o meu.

Ela me passou o número e o professor de matemática entrou na sala.

—Agora guarda isso e preste atenção na aula mocinha! –Eu disse imitando a voz dele.

Ela riu.

Na hora do recreio, eu estava descendo as escadas, quando uma Amanda apareceu do meu lado. Ela continuava em silêncio.

—Oi Mandy. – Quebrei o gelo.

—Oi Lucas ... Você está bravo comigo? – Ela disse finalmente olhando nos meus olhos. Já havíamos chegado no pátio.

—Não, por que?

—Porque tipo, eu não lembro de muita coisa da festa, mas lembro do seu olhar de reprovação pra mim!

—Eu fiquei um pouco assustado ao te ver naquele estado, não sabia que você bebia.

—Eu não bebo, só bebi aquele dia porque...-Ela olhou pro chão -porque eu vi o cara que eu gosto ficando com outra, e não tinha com quem me consolar, só com a minha irmã e eu não podia me consolar com ela porque...

—Eae Lucas, e ae Amanda. – Disse Iago colocando os braços envolta da gente e ficando no meio.

—Oi Guinho. – Ela disse.

Iago nos levou pra mesa onde estavam os outros meninos mas eu só conseguia pensar no que a Mandy havia dito.

Sentamos e os meninos começaram a conversar sobre como a Amanda estava bêbada enquanto eu raciocinava: Ela viu um cara que ela gosta com outra. A Isabella me beijou no meio da pista de dança onde todos claramente podiam nos ver. Ela não podia se consolar com irmã provavelmente porque a Isa era essa outra e o cara era eu.

—Esse cara sou eu! – Não era pra eu ter dito isso em voz alta.

—O especial do Roberto Carlos é só no fim do ano cara – Disse Otávio.

Olhei pra Amanda que estava rindo de mim. Ela gosta de mim cara, é isso mesmo, sou correspondido! Eu tinha que falar com ela, falar que eu não queria ficar com a Bella e sim com ela, que era dela que eu gostava. Mas isso não poderia ser aqui e agora.

Cheguei em casa, coloquei minha mochila na cama e vi que minha televisão, computador e videogame estavam instalados em seus lugares. Liguei o videogame, peguei meu celular e mandei um whatsapp.

—Quer vir aqui em casa jogar GTA?

* Amanda:

Era sábado de manhã. Eu estava sentada no sofá com as mãos entre as pernas olhando pra minha mãe que estava em pé na minha frente com a melhor cara de cachorro que caiu da mudança que eu conseguia fazer. Isabella estava do outro lado do sofá assistindo tudo de camarote. Ela não era obrigada a ouvir o discurso de 2 horas da minha mãe mas estava lá mesmo assim porque adorava me levar levando bronca.

Depois da palestra veio a pergunta que eu mesma não sabia a resposta:

—Por que você bebeu Amanda?

—Porque todos os outros adolescentes bebem e eu não queria ser diferente.

—Conta outra, Amanda Duarte querendo ser igual aos outros adolescentes? Essa não é minha irmã! –Disse Isa.

—Quieta Isabella. Você deveria ter vigiado sua irmã! – Gritou mamãe.

—Acontece que eu estava muito triste pra vigiar alguém.

Antes que ela começasse a falar sobre o Gabriel falei:

—Podemos voltar pra mim?

Mamãe olhou pra mim, suspirou e se sentou na poltrona do papai.

—Eu e seu pai vamos decidir seu castigo juntos. Ele chega da França hoje.

—Não mãe por favor não conte pro papai!

Eu adorava meu pai, ele era meu melhor amigo mas estava sempre viajando a negócios e eu sei que ele iria ficar extremamente decepcionado quando soubesse e eu não queria isso.

—Tá bom, mas só porque ele vai chegar muito feliz em ver vocês depois de ter ficado um mês fora e não queremos estragar isso, mas você está de castigo sem sair de casa até fazer 18 anos!

—O que? 18 anos?

—Ai você vai poder beber legalmente!

—Mãe eu fiz uma burrice sem tamanho e prometo nunca mais colocar uma gota de álcool sequer na boca mas por favor não me faça ficar 4 anos sem ir a pista de skate!

—Chega Amanda, e não se fala mais nisso, e se você me desobedecer eu conto tudo pro seu pai. Agora vai por comida pro Kurt, o coitado deve tá morrendo de fome.

Fui até a cozinha, peguei o saco de ração do Kurt que era mais pesado que eu e despejei um montão na tigela dele. Sentei na grama e fiquei olhando ele comer. Isa apareceu sentando do meu lado.

—Você sabe que seu castigo não vai durar até os 18, a mamãe só está estressada agora porque é muito triste ver sua filha no estado que você estava ontem, mas logo logo ela esquece isso.

—Eu dei muito trabalho?

—Só fez eu procurar seus sapatos pelo salão inteiro, e depois ouvir a gritaria da mamãe no carro, e ainda por cima segurar ela pra não te bater quando chegamos em casa e você começou a pular no sofá!

—Eu fiz isso mesmo?

—Mandy, me prometa que nunca mais vai ficar bêbada?

—Prometo, nunca nunca nunca nunca nunca.

Nesse momento Kurt acabou de comer sua ração e se sentou do nosso lado. Passei a mão nele.

—AAAAAH QUESE IA ME ESQUECENDO! –Disse Bella se levantando e pulando na minha frente. Eu não estava entendendo nada.

—O Lucas gosta de você! Eu sabia!

—O que?

Kurt vendo ela pular resolveu entrar na dança e pulou nela. Ela segurou a pata dele e começou a dançar e cantarolar com uma vozinha irritante:

—O Lucas gosta da Amanda, o Lucas gosta da Amanda ...

—Que história é essa Isabella?

—Ele me disse ontem ! – Disse enquanto continuava a dançar com o Kurt.

—Quem quer ir ao aeroporto buscar o papai ? –Disse a mamãe com o telefone na mão.

...

No Aeroporto, papai saiu do portão de desembarque e veio correndo abraçar agente:

—Oii Control C e Control V !! – Esses eram os apelidos que ele havia nos dado. Eu era a Control C porque nasci primeiro. 2 minutos e 37 segundos. Fazia questão de lembrar disso toda vez que tentava usar minha autoridade de irmã mais velha contra a Isa.

Passamos o fim de semana todo matando a saudade, ele nos contou tudo sobre Paris e trouxe presentes incríveis pra nós. O assunto do Lucas acabou sendo deixado de lado.

Segunda na escola eu tentei perguntar pra ele mas na hora não tive coragem, e eu precisava conversar com a Bella direito antes de falar com ele.

* Gabriel:

Sábado a noite, enquanto eu estava deitado no sofá vendo um filme, Gabriela passou pela sala indo pra porta.

—Onde pensa que vai mocinha?

—Dar uma volta –Ela disse abrindo a porta.

Levantei rapidamente e fechei a porta antes que ela pudesse sair.

—Vai atrás de droga, ou do seu ex? Os dois dá no mesmo ...

—Me deixa passar Gabriel?

—Não senhora. – Tranquei a porta e coloquei a chave no bolso.

Gabi começou a fazer um escândalo, caída no chão fazendo birra como uma criança.

—O que está acontecendo? – Disse minha mãe no corredor.

—Nada, é só a Gabriela fazendo birra pra poder sair de casa.

—Gabi pare com isso por favor? Eu estou com dor de cabeça!

Gabriela se levantou, foi para o seu quarto e bateu a porta do banheiro.

—Deixa que eu resolvo, volte a dormir. –Eu disse guiando ela até seu quarto.

Fui no quarto da Gabi, encostei na porta do banheiro e disse:

—Pelo jeito vou ter que arrancar essa também.

Ela não respondeu. Sentei na cama e esperei que ela saísse ao pensar que eu não estava mais ali. Depois de quase meia hora ela abriu a porta e vi que estava ajoelhada no chão. Seu pulso sangrava e ela dizia baixinho:

—Ga me ajuda ... – Ela desmaiou entre o banheiro e o quarto. Liguei pra uma ambulância, peguei ela no colo e coloquei na cama. Decidi que não ia acordar a minha mãe e preocupa-la, então peguei uma caneta e escrevi um bilhete caso ela acordasse e percebesse que não estávamos em casa.

“Mamãe, fui dar uma volta com a Gabriela pra ela se acalmar, com amor Gabriel.”

Peguei a Gabi novamente e desci até o térreo onde os paramédicos conversavam com o porteiro e com o Síndico. Eles insistiram que eu chamasse um responsável então subi, busquei minha mãe e fomos para o hospital.

...

Na sala de espera, mamãe chorava enquanto eu contava tudo sobre Gabi usar drogas e se cortar. A enfermeira nos chamou e entramos na sala em que Gabriela dormia tomando soro na veia. Seus cortes tinham curativos e o médico fazia anotações.

—Boa noite, você é a mãe, certo? –Ele disse se dirigindo a minha mãe.

—Sou sim.

—Bom você já sabe que sua filha é usuária de drogas?

Mamãe não respondeu, ao invés disso voltou a chorar e se sentou.

—Enfermeira, pegue um copo de água pra essa senhora por favor? –Disse o médico

—Ela sabe doutor, só se sente muito culpada! –Eu disse.

—Bom, você sabe me informar quanto tempo faz desde de a ultima vez que ela fez uso? -Ele disse se voltando pra mim.

—Eu não sei ao certo, mas ela se drogava quando estava com o namorado e já faz 2 dias que eles terminaram. Desde então ela tem ficado só em casa.

A enfermeira voltou com a água.

—Escute meu jovem, o que acontece com a sua irmã é abstinência. Quando um usuário passa muito tempo sem usar a droga, o corpo começa a sentir necessidade daquilo, e como ela não conseguiu, passou mal.

—E agora doutor? – Perguntou minha mãe.

—Ela tem que continuar a não usar droga e com o tempo o seu organismo volte ao normal e ela para de sentir essa abstinência. Até lá, quando ela se sentir mal, dê esse remédio. – Ele me entregou uma receita – E mantenha ela longe de objetos cortantes – Ele disse segurando o pulso dela. – Se tudo correr bem, ela terá alta amanhã de manhã. Boa noite.

—Muito Obrigada Doutor, Boa noite –Apertei sua mão.

Assim que o médico saiu, a enfermeira me disse:

—O senhor não vai poder ficar aqui, somente a mãe. Sinto muito.

Dei um beijo na mamãe e na Gabi e fui pra sala de espera. Eram 23:20 da noite. Peguei meu celular e vi que tinham algumas chamadas perdidas do síndico do prédio. Liguei pra ele e informei que estava tudo bem. Ele se ofereceu pra me buscar mas eu recusei, então ele disse pra eu ligar assim que a Gabriela tivesse alta pra ele ir nos buscar e que não aceitaria não como resposta. Agradeci e desliguei.

Adormeci umas 23:40 e acordei no meio da noite com alguém me enrolando em uma coberta. Era a enfermeira. Ela deixou também um travesseiro na cadeira ao lado. Fiji que ainda estava dormindo e quando ela saiu, juntei 3 cadeiras e deitei.

Na manhã seguinte descobri através de uma conversa entre duas outras enfermeiras que após o turno dela, ela tinha ido em sua casa pra buscar um cobertor pra mim pois ela havia notado que eu estava bastante encolhido de frio. Ao pensar nela e no síndico que acabara de chegar pra nos buscar eu percebi como existem anjos nessa terra.

Notas finais
(O gif é da Gabi) O que acharam desse capítulo gente? Beeeijos!!!!!!!