Reviravoltas Do Amor (hiato)
6 Capítulo 6
- Reatar. – repetiu ele, concordei com a cabeça – E você...?
- Eu o que?
- O que você respondeu?
- Eu disse que não, né!
Começamos a discutir, mas como todo casal nós fizemos as pazes quando chegamos em casa.
~***~
No dia seguinte eu acordei com o insistente toque do celular. Seis horas da manhã, quem liga a essa hora?!
- Alô? – sussurrei pra não acordar o Júlio que ainda dormia
- Bom dia, Anninha. – falou com ironia na voz
Levei um susto, como ele sabia o número do meu celular?! Olhei para o lado pra me certificar de que Júlio ainda estava dormindo e com o cuidado de não acordá-lo eu saí da cama e caminhei em direção à cozinha, que era o cômodo mais afastado do quarto.
- O que você quer? – falei baixo
- Ehhh! Eu já falei Anninha. Eu quero você.
Eu corei com essa ultima frase e desliguei o telefone. Ele tentou ligar de novo, mas eu não atendi mais. Caminhei até a sala e sentei no sofá abraçando os joelhos e escondendo o rosto, comecei a chorar. Alguns minutos depois eu recebi uma mensagem do Felipe.
“Você tem duas semanas.”
Ainda chorando eu comecei a me lembrar de todos os momentos em que passei ao lado de Júlio. Ele vivia me mandando mensagens de texto pelo celular dizendo que estava com saudades e que queria me ver, ou simplesmente dizendo que me amava. Um dia quando eu estava saindo do trabalho ele me surpreendeu com um lindo buquê de lírios do vale, que são as minhas flores prediletas, e me pediu em namoro. Compramos esse apartamento e desde então moramos juntos, estávamos felizes até que o Felipe apareceu e a gora está acabando com o meu conto de fadas.
Hoje eu me pergunto como é que eu fui me apaixonar por aquele cara? Simples. Naquele tempo ele era diferente. Ele era mais gentil. No começo o Felipe sempre me mandava flores com bilhetinhos românticos, sempre que nos encontrávamos ele me dava algum presentinho, nada muito caro. Mas depois, conforme o tempo ia passando, ele ficou mais distante. Quando ele me pediu em casamento eu quase não acreditei, era bom de mais pra ser verdade, ele me deu carta branca pra organizar a festa do casamento, a lista de convidados, e tudo o que eu tinha direito. Mas aí, duas semanas antes do casamento ele sumiu. Me largou sem nenhum aviso prévio ou alguma chance de eu argumentar, ele simplesmente sumiu do mapa, ninguém mais o viu desde então. Eu voltei para a minha cidade natal e arranjei um emprego na doceria, esqueci que ele sequer existiu e segui em frente de cabeça erguida. Afinal eu não iria ficar chorando por alguém que não merece nem o meu desprezo.
Levantei do sofá e sequei as lágrimas. Eu estava muito confusa e não sabia mais o que fazer. Depois de alguns minutos ainda pensando no que fazer eu tomei uma decisão que com certeza foi a mais difícil de toda a minha vida. Rumei para o quarto e peguei uma bolsa grande o suficiente para colocar somente o necessário, sempre tomando cuidado pra não acordar o Júlio. Quando estava saindo do quarto eu decidi deixar pelo menos um bilhete para o meu amado. Assim que abri a gaveta da escrivaninha e peguei de lá um bloquinho de anotações e uma caneta ele se mexeu na cama, provavelmente procurando alguém pra abraçar, achei que ele ia acordar, mas por sorte o mesmo tinha um sono pesado. Escrevi o bilhete com pressa e o coloquei em cima do meu travesseiro, saí do apartamento com um nó na garganta só de imaginar a reação dele ao ler o que estava escrito no papel.
~***~
Há três dias Giovanna deixou o apartamento e foi embora sem dar explicações. Naquele dia Júlio acordou e não a viu em lugar algum do pequeno apartamento que eles alugaram juntos, a única coisa que encontrou foi um bilhete em cima do travesseiro da namorada. Preocupado ele foi até o trabalho da garota pra ver se ela estava lá. O chefe da Giovanna disse que ela havia tirado férias e foi aí que Júlio ficou mais preocupado ainda.
“Como assim? Ela tira férias e então some sem dar explicações?” Pensou ele. Júlio ainda tentou ligar, mas o celular dela estava desligado e não tinha como entrar em contato, voltou pra casa e ficou esperando algum sinal de vida da parte dela.
Júlio caminhou de volta para o apartamento, ele estava muito preocupado, mas não tinha nada que ele poderia fazer por enquanto. Ele estava quase chegando ao prédio quando viu algo que o magoou profundamente. Uma cena que o deixou sem chão, desolado. E então, sem nem pensar direito, ele andou a passos rápidos em direção ao casal.
- O QUE VOCÊ ESTA FAZENDO GIOVANNA?! – gritou furioso
~ alguns minutos antes...
Eu estava indo, voltando na verdade, pra explicar tudo, do começo ao fim, para o Júlio e depois eu ia ligar para o Felipe. Mas não foi bem assim que aconteceu...
Quando eu estava chegando ao prédio alguém me puxou pelo pulso.
- Ai! – exclamei
- Aonde você pensa que vai? –falou ele me soltando
- Eu vou falar com o Júlio, Felipe. –falei enquanto esfregava o pulso machucado
- Falar o que? –perguntou com os braços cruzados
- Eu vou explicar pra ele tudo o que aconteceu e me desculpar. – falei – Ah, eu também ia te ligar depois pra dizer que eu não vou voltar com você. Isso nunca vai acontecer.
- Hahaha! – riu com ironia – E quem disse que você tem escolha?
- Você mesmo... Não? – perguntei confusa
- Eu? Eu não! Eu disse que você tinha duas semanas pra se despedir dele e vir embora comigo.
- E quem disse que eu vou voltar com você?
Ele deu um sorriso... Malicioso
- Bom, se você não vir comigo, eu mato o Júlio. E você sabe que eu faço, ou melhor dizendo, mato.
E antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa ele, com toda a gentileza que ele não tinha, enroscou os dedos em meus cabelos me impossibilitando de recuar e sem nenhum aviso forçou a boca contra a minha, a invadindo violentamente com a língua.
- O QUE VOCÊ ESTA FAZENDO GIOVANNA?!
Júlio. Júlio. E agora, o que eu vou fazer?
- E então? – perguntou Felipe
Júlio estava prestes a chorar, ao contrario de mim que já estava chorando e soluçando.
- Vamos... – falei com a voz quase sumindo
- Muito bem, boa garota. – ele estava com um sorriso vitorioso nos lábios
- Giovanna!! – Júlio gritou desesperadamente
Por que ela fez isso? Por quê?! Eu não entendo, se ela não estava feliz então por que voltou? Pra me mostrar que tinha voltado com o ex dela?
Depois disso Júlio foi pra casa e tentou esquecer tudo que tinha acontecido e tudo o que tinha visto, e principalmente, ele tentou esquecer ela.
- Pra onde você vai me levar?
Felipe levou Giovanna até um quarto de hotel e amarrou os pulsos dela, depois ele simplesmente disse que eles iriam sair, fazer uma viagem.
Algumas horas depois Giovanna acordou e não reconheceu nada. Absolutamente nada. Onde eu estou? Ela se perguntou. Giovanna estava em um lugar totalmente desconhecido. Um quarto que era iluminado somente por uma fresta na janela de madeira. Ela tentou se mover, levantar e ir ver aonde estava, mas quando tentou mexer as mãos percebeu que elas estavam amarradas e então ela se lembrou que o Felipe tinha amarrado ela no quarto de hotel. Mas aquele lugar definitivamente não era um quarto de hotel.
-Vejo que já acordou Anninha.
- Pra onde você me levou? Que lugar é esse?
- Calma; calma! Mas que pressa.
- Que lugar é esse?
- É o seguinte, agora que nós estamos finalmente juntos eu quero que você saiba que vai ter que jogar conforme as minhas regras. Entendeu?
- E quem disse que nós estamos juntos?
- Regras essas que se você desobedecer... Vai ter grandes consequências. – ele ignorou totalmente a minha pergunta – A começar pelo seu querido Júlio. Você não iria gostar nada, nada se ele acidentalmente se machucasse.
Ele foi falando as regras e na maioria delas, caso eu desobedecesse alguma, a consequência seria um Júlio morto e enterrado.
Ele me soltou, mas eu continuei trancada naquele quarto e durante o dia ele ia sair para resolver alguns problemas. Sempre que eu estava sozinha a única coisa na qual eu pensava era como estaria o Júlio. Será que ele esta bem? Eu perguntava pra mim mesma. Ele devia estar com muita raiva de mim, e com razão.
Passaram-se dias, horas, semanas. Eu sempre pensava que deveria fugir, mas aí eu me lembrava das fotos que eu recebia. Fotos do Júlio indo trabalhar, dele fazendo compras, coisas assim. O Felipe fazia questão de dizer que estava de olho e que qualquer coisa errada que eu fizesse causaria a morte do Júlio.
Depois de várias semanas eu comecei a suspeitar de várias coisas. Até que deu um mês e eu decidi fugir.
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