Reviravoltas
2 Vizinha nova
Notas iniciais
Algumas horas mais tarde, minha mãe foi até meu quarto como de costume.
– Levanta dessa cama Tyler, não é possível que você não consiga levantar na hora.
Nada me fazia acordar, eu estava atravessado na minha cama de casal. Até ela me acordar dando uns tapas ardidos nas minhas costas.
– Ai mãe, o que é isso? Isso é jeito de me acordar?! — Perguntei assustado.
– Isso é para você aprender a não chegar em casa de madrugada, da próxima vez vou te deixar para fora! Estou te avisando Tyler.
– Ta bom, já chega desse assunto! — Esbravejei.
– Eu tenho uma audiência de um caso muito importante daqui a pouco, mas o que eu estou fazendo? Estou aqui te acordando! — Disse ela passando batom em frente ao espelho, alguns raios de sol passava pela janela e iluminava sua face e seu cabelo assumiu um tom dourado preso em um rabo de cavalo bem penteado.
Algumas linhas de expressões, quase imperceptíveis começavam a surgir no canto de seus olhos, revelando seus 38 anos.
Levantei-me, estava um bagaço. Estava morrendo de dor de cabeça o que fez com que eu ficasse tonto ao levantar, tudo girava ao meu redor. Fechei os olhos e aos poucos tudo ia voltando ao normal.
Calcei meus chinelos e fui ao banheiro ainda sem camisa, lavei meu rosto, me olhei no espelho, eu estava horrível, minhas olheiras estavam escuras e profundas parecia que eu não havia pregado os olhos a noite inteira.
– Tchau filho! Juízo, não sei que horas vou chegar em casa hoje.
– Sempre mãe! Ok — Falei sorrindo.
Escovei os dentes, estava um pouco enjoado, tomei um comprimido para dor de cabeça que tinha na última gaveta no armário da cozinha.
Desci correndo e atrasado como sempre, para piorar a situação Derick não passou em casa hoje. Minha mãe dizia que não confiava em mim com um carro na mão, por isso ainda não consegui convence-la a comprar um, eu já tinha a carta em mãos, só faltava o carro.
Peguei um ônibus na esquina de casa, e cheguei atrasado no colégio. Que novidade!
Desci até a diretoria para pegar a autorização.
Bati algumas vezes na porta da sala da diretora.
– Pode entrar!
– Quero a autorização — Falei em pé, diante de sua mesa de madeira escura.
Ela me encarou por alguns minutos, com um coque alto na cabeça, óculos de grau e algumas rugas que revelava a idade um pouco avançada.
– Está aqui, espero que isso não se repita! — Disse esticando a mão com um papel.
Desviei o olhar, dando de ombros para seu comentário.
Assim que entrei na sala, todos me olhavam, o professor me lançou um olhar de reprovação.
– Por que você não passou em casa hoje? — Sussurrei para Derick que estava sentado na minha frente.
– Acordei com uma baita dor de cabeça.
– Eu também, mas ontem foi demais! — Comentou abrindo um sorriso.
– Senhor Collins, chega atrasado e ainda atrapalha a aula! — Esbravejou ele.
– Foi mal professor.
Me afundei na cadeira, coloquei meus fones de ouvido e encostei a cabeça na parede.
Kate pediu permissão para ir ao banheiro, logo John teve mais uma de suas ideias.
– Professor não estou enxergando direito daqui, posso sentar aí na frente?
– Pode sim John!
Ele sentou-se na carteira de Kate, e deu um nó na mochila junto a cadeira, em seguida voltou para o seu lugar sorridente.
No fim da aula, após todos saírem da sala. Kate tentou tirar sua mochila da cadeira, sem sucesso, teve que cortá-la. O professor a observava com dó.
Eu e os meninos gargalhávamos, ele lançou um olhar furioso para nós, contraindo as sobrancelhas.
Cheguei em casa morrendo de fome, joguei a mochila no sofá e fui direto para geladeira, só tinha frango frito. Quando minha mãe não estava em casa, eu vivia comendo porcarias, me negava a cozinhar, na verdade eu tinha preguiça.
No dia seguinte, acordei cedo para ir à academia, que milagre!
Assim que abri a porta de casa, vi uma movimentação no apartamento ao lado que estava vazio até o momento.
Vi algumas pessoas carregando móveis para lá. Assim que o elevador parou e abriu-se, Kate saiu de lá.
Com um sorriso no rosto ironizou:
– Bom dia Collins!
Ai meu Deus, eu não acredito que "a esquisita" assim que apelidamos ela, vai ser minha vizinha, minha vizinha!!! Só pode ser uma brincadeira.
Minha surpresa foi tão grande que eu nem consegui dar uma resposta a altura.
Fui rapidamente até a casa de Derick, que ficava na avenida abaixo da minha rua, apertei a campainha incessantemente.
Ele apareceu na janela com o rosto levemente avermelhado, os olhos quase que totalmente fechados e cabelos esvoaçados.
– Tá louco? Quer o que aqui Collins? — Perguntou irritado. — Ainda é madrugada cara, vai dormir.
– Abre esse portão logo, se não eu vou pular — Ameacei. — Ah, já são 09:30 da manhã!
– Para mim ainda é madrugada! — Disse ele andando até o portão com as chaves na mão, ainda sem camiseta e descalço.
Sentei-me no sofá, ao lado havia um piano preto que a mãe de Derick gostava de tocar em seu tempo livre, em cima tinha algumas fotos de família inclusive algumas minha, Derick e John juntos, somos amigos desde o jardim de infância.
– Você não sabe quem é minha nova vizinha! — Fiz suspense.
– Megan Fox? — Perguntou sem o menor interesse.
– Não, idiota!
– Então não me interessa — Disse bocejando.
– Kate Parker.
Ele arregalou os olhos na hora.
– Kate Parker?? — Em seguida começou a gargalhar sem parar.
– Não tem graça — Falei entediado, colocando o pé em cima da mesinha que ficava no centro da sala.
– Se ferrou! — Falou gargalhando ainda mais estava perdendo o fôlego de tanto rir.
– Tem uma vantagem... — Completou.
– Qual? — Perguntei curioso.
– Ela é gata, só é estranha!
– Não exagera! — Falei virando os olhos com uma cara de reprovação — Tchau, você não leva nada a sério!
– Boa sorte irmão — Disse me dando um tapinha amigável nas costas, enquanto caminhávamos até a porta.
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