Reviravoltas
6 Sorria você está sendo filmada!
Mesmo desconfiado ele acabou acreditando.
Assim que saiu da sala, me levantei rapidamente.
Kate começou a rir de mim.
– O que foi?
– Olha o seu cabelo, está cheio de pó
– Não tem graça — Falei levando a mão até o cabelo a fim de limpá-lo.
– Tchau — Completei, enquanto abria a porta.
– Tchau.
Assim que entrei em casa, minha mãe começou com o seu interrogatório. Ela estava sentada no sofá com dezenas de livros ao seu lado.
– Aonde você estava?
– Por aí... — Falei sem mais explicações.
– Por aí aonde?
– Ah mãe, me deixa! — Explodi indo para o meu quarto.
Joguei videogame no meu quarto até meus olhos começarem a pesar e eu pegar no sono.
No dia seguinte, depois da aula, fui rapidamente para casa, para começar aquela droga de trabalho, não quero ficar com problemas na escola se não minha mãe vai falar o resto da vida sobre isso!
Cheguei em casa, joguei minha mochila no chão, peguei um pedaço de pizza que ainda tinha na geladeira e me joguei no sofá para assistir um pouco.
Mais tarde, bati na porta de Kate segurando meu estojo e um caderno nas mãos, olhando ao redor para me certificar que ninguém iria me ver entrando lá.
– Oi — Ela falou ao abrir a porta.
– Oi.
Ela estava com o cabelo solto, uma calça jeans, regata azul e chinelos.
– Entra!
Entrei um pouco tímido.
– Seu pai, não vai chegar cedo hoje não né?!
Ela sorriu e negou com a cabeça.
Fomos até seu quarto. Era tudo muito bem organizado, sentei em sua cama que ficava ao lado de sua escrivaninha. Ela sentou-se na cadeira e ligou seu notebook.
Na prateleira ao lado de sua cama havia muitos livros, as paredes eram lilás, dava um ar bem tranquilo para o ambiente, tinha uma TV bem grande na parede.
Peguei um cubo mágico, aquele negócio não é de Deus.
– Quer fazer o favor de me ajudar? — Falou arqueando as sobrancelhas.
– Eu sei que você é inteligente, não precisa da minha ajuda.
Ela me encarou por alguns minutos, e voltou a concentrar-se no trabalho.
Depois de um tempo já estava entediado.
– Já vou indo! Valeu.
– Ta bom, tchau — Falou com uma pontada de decepção em sua voz.
Entrei em casa Derick e John estavam lá sentados no sofá, com os pés na mesinha e um balde de pipoca na mão.
Tomei um susto, arregalei os olhos e senti meu rosto se corar, com medo que eles pudessem descobrir que eu estava na casa de Kate.
– Como vocês entram aqui?
– Sua mãe abriu. Mas, diz aí aonde você tava hein? — Perguntou Derick sorrindo.
– E-eu estava, fazendo caminhada no parque.
– Sei... Não está suando e com um caderno na mão — Disse John com um olhar desconfiado.
Joguei o caderno para trás de mim.
– Caderno? Que caderno? — Falei esticando as mãos para eles certificarem-se.
Minhas mãos estavam suando.
– Vou tomar um banho, já volto.
Tomei um banho longo e relaxante, eu estava muito tenso ultimamente.
Troquei de roupa, coloquei uma bermuda e fiquei sem camisa, fui até a sala com cabelo ainda úmido.
– O que vocês querem? — Falei deitando no sofá, pegando o controle da mão de Derick.
– A gente veio te chamar pra sair, você está mofando aqui nessa casa.
– Hoje não estou a fim de sair.
– A gente esperou esse tempo todo pra você falar que não quer sair? Nosso tempo é precioso, vamos John.
Levantaram-se bruscamente do sofá e saíram.
Fui até o jardim do prédio, estava uma noite quente, fortemente iluminada pelas estrelas.
Me sentei no banco próximo a umas árvores, em frente a pista de skate, que estava cheia como sempre. Eu estava conversando com algumas pessoas pelo celular. Quando uma garota sentou-se ao meu lado sem que eu percebesse, pois estava muito distraído.
– Oi.
Olhei para o lado.
– Oi!
– Somos vizinhos e eu nem sabia. Você nem me ligou...
Era Lucy. Não tinha reparado como ela era linda, ela estava com uma regata verde que realçava seu longo cabelo loiro e seus olhos verdes.
– Desculpa, eu realmente esqueci, mas sei como reparar isso — Falei aproximando e beijando-a.
Ela sorriu e completou.
– Está desculpado!
Entrei sorridente em casa.
– O que aconteceu pra você ficar assim? — Perguntou minha mãe, em seu escritório com uma xícara de café na mão.
– Nada não.
No dia seguinte na escola, na aula de química Lucy estava na minha sala, a gente trocou olhares durante a aula inteira.
No intervalo ela se aproximou, estava eu, Derick e John na mesa.
– Oi meninos!
– Oi — Falamos juntos.
Ela sentou-se no meu colo.
– Você vai lá hoje né?
– Vou sim — Falei passando a mão em seus cabelos.
Percebi que Kate olhava decepcionada de longe.
– Então tá, tchau! Te espero — Ela disse me dando um beijo na bochecha, deixando marca de batom.
Fomos até o armário, pegar alguns livros, Kate se aproximou.
– Tyler você vai....
– Quem você pensa que é pra falar com a gente? — Falei interrompendo-a com desprezo na voz.
Derick e John tocaram na minha mão, eles estavam gargalhando.
– Já entendi! — Ela disse saindo de cabeça baixa.
– Essa foi boa! — Disse Derick sorrindo.
Por fora eu estava sorrindo, mas por dentro eu estava me sentindo um lixo, minha vontade era sair correndo dali, eu não sou esse tipo de pessoa, eu sei que eu não sou.
Assim que acabou a aula, fui rapidamente para casa.
Almocei e bati na porta de Kate, para pedir desculpa. Bati algumas vezes, mas ela não atendeu, virei a maçaneta e a porta estava aberta. Caminhei até o quarto, ela estava com um creme verde no rosto e dançando loucamente com fones no ouvido no último volume, com os olhos fechados.
Peguei rapidamente o celular no bolso e comecei a gravar. Assim que ela me viu arregalou os olhos.
– Tyler?! Eu não acredito!
– Sorria você está sendo filmada! — Falei rindo, com o celular na mão gravando tudo.
– Apaga isso agora! — Ela falou tentando pegar o celular da minha mão.
Eu não conseguia parar de rir, minha barriga já estava começando a doer.
– O que você está fazendo aqui?
Ela correu para o banheiro para lavar o rosto.
– Sai daqui! — Gritou do banheiro.
– Não!
Ela voltou para o quarto, com uma expressão muito séria, e suas bochechas estavam coradas.
– Eu já entendi tudo, você quer que eu faça seus trabalhos, mesmo assim ninguém pode saber que você fala comigo, pois isso sujaria sua reputação — Ela disse me encarando.
– Desculpa, mas você sabe como meus amigos são...
– Não quero saber, sai da minha casa! — Ela falou me empurrando, estava muito furiosa.
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