Reviravoltas

8 Queria dormir o dia inteiro


Notas iniciais
Hi baby's

Tomei café e não dirigi a palavra a ela durante toda a manhã.

– Finalmente sexta-feira — Disse tentando puxar assunto — Tchau filho até mais tarde.

Não respondi, em seguida o telefone tocou. Corri para atendê-lo.

– Alô

– Oi Tyler.

– Oi pai.

– Perdão por não ter ligado antes, é que isso aqui está uma loucura quase não tenho tempo nem para descansar. Mas, como estão as coisas por aí? Você e sua mãe estão bem?

Demorei alguns minutos para responder, milhares de lembranças invadiram minha mente.

– Sim, está tudo bem pai — Me forcei a dizer com a voz embargada.

– Que voz é essa?

– Nada não, só estou um pouco cansado, a rotina escolar está bem puxada.

– Então tá! Tenho que desligar, manda um beijo para sua mãe. Amo muito vocês, estou com saudade.

– Eu também pai.

Aquela ligação acabou comigo, eu estava péssimo.

Me troquei, peguei minha mochila e entrei no elevador, Kate entrou junto comigo, mas não falou comigo e nem eu com ela.

Lucy já estava me esperando na portaria.

– Oi — Disse sorridente.

– Oi.

– Melhorou?

– Sim, estou bem melhor.

Assim que chegamos na escola, Derick e John vieram falar comigo.

– Irmão, tem uma balada sensacional para irmos hoje a noite — Disse Derick super animado.

Lucy tinha ido falar com suas amigas, líderes de torcida.

– Estou precisando! — Comentei.

Vi Kate sentada solitária em um banco no refeitório, ela realmente não tinha nenhum um amigo.

O sinal tocou e subimos para sala.

Como de costume sentei na última carteira ao lado da janela, Derick na minha frente e John sentou em cima da minha carteira enquanto o professor não tinha chegado.

– Vamos passar na sua casa às 22:00 horas, sua mãe não vai implicar na sua não né? — Perguntou John rodando o caderno com o dedo.

– Relaxa, pode deixar que eu sei como lidar com ela.

– Qual é a sua com a lindinha da Lucy? Que sorte a sua hein... — Perguntou Derick dando um tapinha na minhas costas.

O professor entrou na sala nesse momento, interrompendo nossa conversa.

– John vai para o seu lugar.

– Qual é professor? Nem chegou na sala já está implicando comigo...?!

– Sem reclamações ou você vai fazer uma visitinha para diretora. Que tal?

– Estou saindo já — Respondeu com a cara fechada.

Uma coisa que John odeia é receber ordens, ele se acha inferior quando isso acontece, a não ser que a ordem seja de Derick ele faz tudo que ele pede.

Depois da escola, quando cheguei em casa minha mãe já havia chegado também. É incrível como ela age como se nada tivesse acontecendo.

Fui até o escritório e sentei-me na cadeira em frente a sua mesa.

– O papai ligou hoje.

– É mesmo?

– É, e ele disse que ama muito a gente, eu disse que a gente também.

– Que bom filho — Ela falou sem olhar nos meus olhos, observando as dezenas de papéis que estavam em sua mesa.

– Eu comprei comida japonesa, a sua preferida está uma delícia. Está em cima da mesa — Mudou rapidamente de assunto.

Me levantei bruscamente e fui até a cozinha.

Peguei meu prato de comida e sentei no sofá, minha mãe odeia que eu coma assistindo TV.

Assim que terminei de comer, me encaminhei para o meu quarto para fazer aquela porcaria de trabalho, na verdade eu não sabia nem por onde começar.

– Tyler já falei para não deixar sua mochila jogada no chão — Gritou da sala.

Meu celular começou a tocar no meu bolso.

– Oi Lucy.

– Oi, liguei para perguntar se você quer sair hoje?

– Não vai dar, tenho trabalho para fazer.

– Posso te ajudar? Não estou fazendo nada mesmo.

– Claro, vem aqui.

Alguns minutos depois, Lucy bateu na porta. Assim que abri, vi Kate entrando em sua casa, ela me encarou por alguns longos minutos com um olhar de decepção e raiva ao mesmo tempo.

Fomos para o meu quarto, minha mãe não nos viu entrar.

Ela sentou-se na minha cama e eu sentei na escrivaninha em frente ao notebook.

– Por que tem que fazer esse trabalho?

– Porque estou com péssimas notas na matéria dela.

– Ah entendi.

Depois de aproximadamente uma hora, consegui terminar o trabalho, passar o slide para o Pen-drive e imprimi a parte teórica.

Lucy me ajudou bastante.

– Vamos comer alguma coisa?!

– Vamos. Estou com fome — Comentou dando um sorriso.

Abri a geladeira, ela sentou-se na cadeira diante do balcão, típica cozinha americana.

– Tem pasta de amendoim, pão, bolo de chocolate, torta... O que você quer? — Perguntei com a cabeça praticamente dentro da geladeira.

– Pode ser bolo e suco de laranja.

– Ta bom.

Peguei dois pratos, dois copos no armário e me sentei ao seu lado.

– Ta muito bom — Elogiou enquanto comia — Foi você que fez?

Gargalhei.

– Não, a última vez que tentei fazer alguma coisa para mim comer, não deu muito certo...

– Também não sou muito boa na cozinha, mas sei fazer o mínimo para sobrevivência. Quem me salva todos os dias é a nossa empregada, se não fosse ela...nem sei o que seria de mim — Disse sorrindo.

Sorri, percebi com o canto dos olhos que ela me observava.

– Adora seu sorriso! — Comentou.

– Obrigado — Disse desviando o olhar para o prato, um pouco sem graça.

Minha mãe foi até a cozinha pegar um copo d'água.

– Oi.

– Olá! — Respondeu Lucy sorridente.

– Mãe essa é Lucy e Lucy, essa é Clair minha mãe.

– Tudo bem Lucy? — Perguntou cumprimentando-a com um beijo no rosto.

– Tudo sim e a senhora?

– Estou ótima. Pode me chamar de "você" — Falou minha mãe vaidosa.

Assim que ela voltou para o escritório Lucy se despediu.

– Ta ficando tarde, tchau Tyler.

– Tchau, obrigado pela ajuda — Falei acompanhando-a a té a porta.

– Tyler Collins o que eu te falei sobre trazer garotas aqui em casa...? — Esbravejou.

– Vê se não me enche mãe — Fui para o meu quarto.

Tomei banho, me troquei , já estava quase na hora combinada.

Fui até a sala pegar meu tênis.

– Aonde o senhor pensa que vai?

– Eu não penso, eu vou sair com Derick e John.

– Não, você não vai.

Olhei pela janela da sala e vi o carro de Derick estacionado na outra calçada.

– Já estou indo — Falei fechando a porta em seguida.

Dei uma ajeitada no meu cabelo no espelho do elevador.

Quando chegamos lá, já estava cheio, tocava músicas eletrônicas e tinha jogos de luzes coloridas.

Fui logo para o balcão do bar e pedi alguma bebida.

– Tyler e John vão devagar...não vou carregar nenhum bêbado para casa — Derick chamou atenção.

– Relaxa aí cara, curta o momento — Falei enrolando um pouco as palavras.

– É deixa a gente ser feliz — Gritou John, gargalhando — Só porque você está dirigindo e não pode beber, está enchendo o saco.

Notas finais
O comentário de vocês é importante! *--*