Reviravoltas
22 Novas amizades?!
No dia seguinte eu não queria sair de casa, não queria ver a cara de ninguém. Também não queria encarar meu pai.
Era domingo, umas duas e pouco da tarde, o clima estava abafado.
– Tyler, abra essa porta.
Não respondi e ele insistiu:
– Tyler, por favor abra essa porta! Eu sei que está acordado.
Abri relutante.
– Você tem que comer alguma coisa.
– Estou sem fome.
– Você não sai desse quarto desde ontem — disse, enquanto pegava algumas roupas no chão e colocava no cesto.
Ele estava abatido, barba por fazer como usava na sua adolescência, olheiras fundas. Sei que estava sofrendo muito, mas meu pai é aquele tipo que não demonstra muito suas emoções quando se trata de tristeza ou fraqueza. Ele estava sempre alegre e via solução para tudo. Sei que ele estava se esforçava o máximo para ser forte na minha frente, para tê-lo como exemplo.
– O almoço está na mesa — Disse com a voz embargada.
Tomei um banho e troquei de roupa, calcei os chinelos e fui à cozinha.
– Fiz espaguete, que você adora!
Forcei um sorriso quase imperceptível.
Coloquei a comida no prato e me sentei à mesa, revirei a comida no prato mas não conseguia engolir era como se tivesse um nó na minha garganta. Quando coloquei na boca senti um enjoo subitamente.
Meu celular tocava a cada cinco minutos, o identificador de chamadas indicava que era minha mãe, era a última coisa que iria fazer, atendê-la.
Era umas oito e pouco da noite, eu estava entediado, resolvi ir até a pista de skate a dois quarteirões de casa, quando era mais novo, não saia de lá. Disse ao meu pai que voltava rápido.
Assim que cheguei lá, me surpreendi ao ver bastante jovens na pista, geralmente é no sábado que os grupos de amigos se encontram lá.
Fiquei sentado no banco ouvindo música no fone de ouvido, enquanto observava alguns jovens andando de skate, outros apenas conversando, e tinha até alguns paquerando.
Era um clima descontraído, ótimo para que queria espairecer, esquecer dos problemas, como eu!
As horas foi passando, a pista já estava esvaziando, restando somente eu e um grupo com duas garotas e um casal.
Todos tinham estilo de skatista, mas só as duas garotas estavam com skate na mão, apoiando-o no chão. Uma delas era loira, usava um boné, uma camiseta com um boneco sorrindo escrito "smile" em baixo, e shorts. A outra era morena, tinha cabelos pretos longos e lisos, batia na cintura, usava uma regata estampada com a bandeira dos Estados Unidos. Ambas eram estilosas.
Já o casal, estavam abraçados encostados na pista. Ele estava com uma calça jeans, sem camiseta exibindo sua barriga musculosa e segurava uma garrafa de bebida alcoólica. A camisa xadrez que eu acredito que era dele estava amarrada na cintura da sua namorada.
Eles me encarava de longe e se aproximaram em seguida, ficaram em pé na minha frente.
– Está perdido? — A garota loira perguntou irônica.
– Não.
– Ta a fim de beber? — disse, esticando a garrafa de Vodka para mim.
– Não, obrigado.
– Qual é? Somos gente boa. Você parece um pouco abatido — Insistiu — Ah, já ia me esquecendo de nos apresentar. Sou Teddy, essa é minha namorada Mariah, a loirinha ali se chama Hayley e a morena é a Ariana.
Ao vê-los mais perto percebi que estavam um pouco alegres por conta da bebida, a lua iluminava a face da garota morena intensificando seus olhos azuis vibrantes.
Pensei porquê não, afinal acho que minha vida não podia piorar.
– Ta bom! — Falei, pegando a garrafa da mão dele, virando na minha boca.
Ficamos longas horas conversando, eles eram divertidos.
– Estou morrendo de fome! Vamos comer? — Propus.
– Tem um Mc Donalds aqui perto.
Hayley e Ariana seguraram no meu braço uma de cada lado, em menos de dez minutos chegamos lá.
Pedimos os lanches e quando chegamos no caixa Teddy anunciou, colocando as mãos no bolso:
– Puts cara, esqueci minha carteira. Pode cancelar meu pedido.
– Relaxa cara, eu pago para vocês! Da próxima vez fica por sua conta.
– Valeu, pode deixar!
Depois de comermos, passamos a madrugada bebendo e conversando no banco da praça.
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