Reviravoltas
1 Uma nova vida.
Notas iniciais
As ondas do mar tem um ritmo acelerado, como se seguissem uma cadência. E cada passo na areia é uma batida que meu coração dá e uma onda que se choca entres as rochas rígidas. Esse barulho, barulho não, som... Agora vejo a diferença. Entre o som e o barulho, o dia e a manhã, o coração e o miocárdio, a grama e a mata, a dor e o sofrimento, a alegria e a felicidade, a bondade e a pena, o vento e o sopro de ar...
A brisa movimenta meus cabelos que fazem cócegas em meu pescoço. O sol se põe enquanto guardo meus bagulhos jogados na areia da praia deserta, e, quando termino, o sol já se foi e sinto agora meu corpo se arrepiar com a primeira lufada da noite. Caminho sem pressa observando a noite avançar pelo céu e as nuvens dando lugar às estrelas.
Finalmente, chego em meu ponto final. Relutante, aperto o botão da campanhia e, quando a porta se abre, me deparo com o par de olhos mais perfeitos que já vi. O azul céu mais lindo do mundo, com o sorriso mais travesso do século.
Calma, se você não está entendendo coisa alguma, eu posso te explicar:
Meu nome é Bruna mas meus amigos me chamam de Bú, nasci no Rio de Janeiro e fiz 16 anos essa semana. Aí que o problema começou…
Lá estava eu toda inocente mexendo no meu celular, jogada na minha cama bagunçada, com o ventilador na cara, no calor de 40 graus do Rio de Janeiro. Acabava eu de completar 16 anos, no dia anterior, e respondia cada “Parabéns, muitas felicidades!” nas redes sociais quando, subitamente, meu pai abre a porta e diz:
— Precisamos conversar, Bruna!
Eu fiquei tipo “Hãn? VOCÊ quer falar COMIGO?”. Simplesmente porque meus não falam NUNCA, comigo, a não ser quando eu peço minha mesada. Eles são grandes empresários do Rio de Janeiro e nunca estão em casa, passo o dia todo com Maria, a moça que cuida da casa, ela é bem prestativa, mas nunca mantemos uma relação muito forte. Continuando…
— O que aconteceu, pai?
— Vem pra sala porque eu e sua mãe temos algo pra te contar — disse, dando-me as costas.
Eu achei aquilo beeeeem estranho, o único mês que eles falam comigo mais de uma vez é o do meu aniversário, onde eles também me dão parabéns, o que foi ontem, então o limite de palavras já estava excedido. Além do que meu pai estava sério demais e nos últimos dias ele até parecia “alegre”, se é que ele tenha essa capacidade.
— Gente, o que aconteceu? Alguém morreu? – perguntei logo que cheguei na sala.
— Na verdade é bem o contrário, Bruna. – minha mãe respondeu séria e continuou – Eu estou grávida.
Eu dei um pulo e a abracei (percebeu que eu os chamava de “pai, mãe” e eles me chamavam de Bruna com uma cara de bunda enorme?). Enquanto eu abraçava Manuela (minha mãe) uma lágrima caiu de seus olhos, mesmo com nossas (MUITAS) diferenças eu até que gostava daqueles dois, e fiquei pensando: “Cara, eu vou ganhar um irmãozinho! Vai ser demais!”, até que fui interrompida por uma tossida forçada do Gustavo (meu pai). Aí caiu a ficha de que tinha alguma coisa errada. Por que eles não ficariam felizes com um bebê??
— Mas temos uma notícia ainda maior pra você, Bruna.- Disse Gustavo.
— Maior? O quê? – Eu fiquei tipo: “ Maior que uma nova vida a caminho? Uma vida que vai atrapalhar e alegrar nossas vidas?”, tá foi mais ou menos isso, pra falar a verdade eu fiquei meio que desesperada…
— É melhor você falar, Manuela…
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