Reviravoltas
12 Primeiro dia de aula - Prévia
Notas iniciais
MEU DEUS QUE HORAS SÃO??? Levantei desesperada e quando olhei a hora no meu relógio eram seis e meia da manhã, a aula começa oito da manhã e acaba três e quarenta e cinco aqui, resolvi levantar e ir logo me arrumando, já que estou sem sono, um milagre!
Lavei meu cabelo, escovei os dentes, passei hidratante no corpo e me perfumei. Fiz uma maquiagem simples, pra não parecer exagerada, nem ficar com cara de sono. Coloquei a roupa que ontem já tinha escolhido, peguei a mochila, que também arrumei ontem, coloquei meu celular dentro e desci pra tomar café da manhã.
— Bom dia, Helena.
— Bom dia, querida! Muito ansiosa para o primeiro dia de aula?
Eu estava tentando afastar esses pensamentos. Só tive “dois primeiros dias de aula”, no jardim, quando eu entrei no colégio pela primeira vez e no ensino fundamental (sexto ano). Claro que eu tive outros primeiros dias de aula, mas, nesses, eu não conhecia ninguém. Quer dizer, no ensino fundamental eu conhecia, mas achava que não, porque não sabia que meus amigos iriam para a mesma escola que eu, enfim...
— Ãhn.. É, claro! Suuper animada... – Respondi meio sarcástica, mas não o suficiente para ela perceber.
— Acho melhor você acordar o Mitchel, senão ele não vai levantar tão cedo. – Aconselhou-me.
Aproveitei a deixa e subi as escadas correndo. Bati na porta uma, duas, três vezes! E nada daquele folgado acordar!
— Mitchel! Bora! Levanta essa bunda gorda da cama e abre essa porta agora!
— Iiiiih! Acho que alguém acordou mal humorada hoje! – Respondeu abrindo a porta.
Ele estava com uma calça de moletom velha e sem camisa, os cabelos bagunçados (novidade!!) e com cara de sono.
— Ô seu Lesmão! Vai se arrumar logo porque eu não quero me atrasar por sua causa!
— Se ficar reclamando eu não vou te dar carona, Madame. – Disse bocejando, na minha cara!
— Que bafo horrível, Mitchel! Toma logo um banho e escova esses dentes! Eca! – Mandei saindo de lá.
Tomei um suco de laranja e comi meio pão, não gosto muito de comer pela manhã... Michael desceu as escadas, pegou uma maçã na geladeira fomos embora.
— Esse carro é seu? – Perguntei surpresa.
— Carro não, essa é a Blue. Blue conheça a Bruna, Bruna essa é a Blue. E sim, ela é toda minha.
Não era um carro, era O carro, um Volvo v40 azul cintilante!
— Depois diz que não é mimado. – Falei enquanto ele saía da garagem.
— Pode parando por aí, Bruna. Não quer perder a carona, né?
— Ninguém disse que eu estava falando de você, mas se a carapuça servir...
Falei o resto baixinho e ele fingiu não ouvir, que saco esse garoto! Uma hora é um amorzinho, outras, é super metido, do nada tá todo grosso! Odeio gente bipolar, exceto eu, claro! Esse fim de semana eu consegui levar numa boa, mas meus amigos agora fazem faltar, minha rotina normal, Maria me bajulando, meu antigo quarto... Acho que afastar os sentimentos nesses dias não adiantou muita coisa.
De repente Michael para o carro e vejo que chegamos, abro a porta, saio do carro e olho pra minha nova escola, tudo era novo agora, é enorme! Bato a porta com mais força do que o costume e aquele mala reclama.
— Mais devagar, Bruna! Assim você machuca a Blue!
— Ai, garoto! Não me enche, tá?!
— Tá nervosinha, é? Então se vira pra conhecer o colégio! Só sabe reclamar!
Ai que droga! E agora?
Fui andando na mesma direção que “meu querido irmão” saiu e entrei por um portão azul marinho enorme. Decidi procurar a secretaria para pegar um armário e o horário.
Enquanto andava pelos corredores percebi o quão grande era a escola, muitas salas, laboratório, multimídia, banheiros, sala de aula... Tudo, menos a porcaria da secretaria. As pessoas me olhavam dos pés à cabeça e eu faltava cavar um buraco e me enterrar. De repente encontro a biblioteca, resolvi entrar para ver se a bibliotecária pode me ajudar.
A biblioteca, como tudo ali, era gigantesca. Várias estantes de madeira escura repletas de livros, mesas ao centro com algumas cadeiras e, por fim, uma recepção, porém, com meu costumeiro azar, a moça não estava lá, as mesas também estavam vazias (também, né, quem fica na biblioteca no primeiro dia de aula?).
Andei dentre as prateleiras à procura de alguém, estava lendo os títulos dos livros quando alguém pigarreou atrás de mim, me virei devagar e dei de cara com uma assombração! Era uma mulher magra, com a pele clara, olhos azuis tão claros que pareciam transparentes, corcunda e um nariz que cobria a cara toda com uma verruga na ponta.
— Você deseja alguma coisa? Senão, vá embora! — gritou com uma voz aguda estridente.
Sem pensar duas vezes corri em direção à porta e quase nem tinha saído direito quando dei de cara, ou melhor, de corpo todo, com alguém.
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