Reviravoltas
17 I think you should go to the hospital
Notas iniciais
— Bruna?! — disse o de olhos âmbar.
— Você não se lembra de mim? — o de negros cabelos perguntou alarmado.
Os cinco pareciam em pânico.
— É claro que lembro seus bobões. — disse caindo na gargalhada, tadinhos, acreditaram. — Gente, — eu não aguentava de tanto rir. — foi mal, mas a cara de vocês! — continuei a rir.
— Você tem algum problema, garota? — Mitchel estava realmente bravo.
— Não sei, fizeram algum exame? – continuei risonha.
— Eu não acredito que você teve coragem de fazer isso comigo. — ele disse me abraçando.
— Eu também te amo, lerdão. – falei me sentando melhor na cama.
— Eu já vou indo, Helena está vindo e vai querer te levar pra casa de qualquer jeito, mas eu tenho que voltar pra aula, a professora de geografia tá explicando sobre um trabalho, e você tá no meu grupo.
— Tchau! — disse mandando beijos.
— Vaquinha! Você quase me matou de susto! Nem pense em fazer isso de novo, hein? — Emma disse me abraçando e eu me desculpei sorrindo.
— Acho que eu que te devo desculpas... — Clary disse sem jeito.
— Não, de boa, eu quem deveria ter desviado da bola.
— Por favor, né, Bruna! Você sabe muito bem que eu estava implicando com você só por causa daquela história toda com o Mitchel. Sério, me desculpe.
— Claro, amigas então?
— Amigas! — ela respondeu me dando um abraço e saindo sorridente.
— Então sobramos nós... — Willian, que até então não falara nada, chegou perto de mim.
— Sobramos nós. — repeti olhando em seus olhos.
— Você me deu um baita susto sabia? — ele usava um tom baixo.
— Não, não sabia. Pra falar a verdade não sei nem onde estou. — falei realmente sem saber.
— Na enfermaria do colégio.
— Por quanto tempo eu dormi? Eu tenho que voltar pra aula! — disse levantando da cama.
Uma tontura me conteve e minha visão embaralhou. Senti que ia cair, mas fortes mãos me seguraram antes disso.
— Ei, sua nervosinha! Fica deitada aí! Já estamos quase no último tempo.
— No último? E vocês ficaram esse tempo todo aqui?
— As meninas só viam te visitar em meio às aulas e eu e Mitchel revezávamos para ficar aqui, não queríamos te deixar sozinha...
— Obrigada. — eu disse sem jeito.
— Já disse como pode agradecer, né? — disse dando uma piscadela pra mim e depois rimos juntos.
Eu sabia que ele me cantava, mas era só brincadeira e, talvez, ele e Clary até tivessem um caso, pelo menos é isso que eu acho, que ele gosta dela.
— Agora você já pode voltar pra aula, mocinho!
— Ah, não! — disse deitando em meu colo. — Mitchel está vendo a matéria para mim, mesmo que a contra gosto, mas a professora passou um trabalho em trio e nós três estamos na mesma sala, e nós dois a queríamos. Então entramos num acordo. — ele disse por fim, bocejando.
— E o Andrew? Não veio?
— Pra falar a verdade, não. Não quis ver sua cara feia, principalmente com esse nariz todo cheio de curativo.
— Sério? — perguntei alarmada, mais pelo nariz do que pelo Andrew.
— Não, ele teve um ataque de asma e a mãe dele teve que levá-lo ao hospital porque ele perdeu a bombinha. Mas seu nariz está realmente terrível!
— Não! — tentei me levantar, mas a cabeça de Willian fazia peso pra que eu não me mexesse.
— Daqui a pouco o último tempo começa, quando acabar ou se sua mãe chegar antes me avise. — ele disse bocejando.
— Pode deixar. — respondi e fiz cafuné em seus cabelos negros, lisos e macios.
Em menos de cinco minutos, ele dormia. Mesmo tendo ficado muito tempo desacordada minha cabeça doía e acabei por dormir também.
Acordei com o sinal batendo. Acabou a aula.
— Will, — chamei. Como ele não acordou com esse som horroroso? — ei! Acorda...
— Oi. — ele disse bocejando. — Eu gosto quando você me chama assim. — continuou, meio sonolento.
— Cala a boca. Bora, sai da cama. Daqui a pouco alguém entra aqui e vão achar outra coisa.
— Eu queria que fosse outra coisa. — ele respondeu chegando mais perto, como para me dar um selinho.
Desviei e ele me deu um beijinho na bochecha. Aspirei seu perfume e como é bom, um cheiro suave e reconfortante, sabonete, eu acho, e um perfume amadeirado de leve. Refrescante e aconchegante, perfeito.
— Nada disso, — disse meio a contragosto. — Mitchel não disse que a Helena vinha me buscar? Já acabou a aula e nada...
— Você só sabe falar do Mitchel, sua mãe já deve estar vindo.
— Ela não é minha mãe! — disse séria.
— Mas é minha. E A MINHA MÃE ligou e disse para eu te levar, vamos, Bruna. — Mitchel disse entrando tristonho.
Que droga! Ele tinha que entrar justo naquela hora? Quando eu acho que alguma coisa vai bem, bum!, Bruna vai lá e faz mais uma de suas idiotices...
— Vamos... — tentei levantar, mas a tontura me tomou novamente.
Senti o cheiro agradável de Will e minha cabeça melhorou um pouco.
— Ela ainda não tem forças, panaca!
— Cala essa boca! — rebateu Mitchel.
— Gente, por favor... — eu disse batendo um cansaço. — Agora não.
— Tá, deixa que eu te ajudo. — Willian disse e eu me apoiei nele.
— Deixa ela comigo.
— Ei! — repreendi Mitchel.
— Tá! Venham logo. — ele disse indo na frente passando a mão nos cabelos, estressado.
Willian foi me apoiando (carregando) até o carro e eu estava muito cansada. Que bolada foi essa? Parece que eu fui atropelada!
— Obrigada, — disse ofegante. — Will.
— Acho que você deve ir ao médico. São normais todos esses sintomas só por causa de uma bolada?
— Pela primeira vez concordo com ele, Bruna. — Mitchel disse me ajudando a entrar no carro.
— É só eu tomar um banho, tirar essa roupa horrenda e descansar um pouco que rapidinho eu melhoro.
— Tenho que ir logo, a Clary vai comigo e pode tá preocupada. Tchau, Collins. — Willian disse me dando um beijo na bochecha e um abraço apertado. — Melhoras.
— Tchau, Müller. — falei me desfazendo do abraço e parando de cheirá-lo, esse garoto ainda me mata!
Chegamos por volta das quatro horas e só aí percebi o quanto dormi.
— Bruna! Você está bem? O que aconteceu? Doeu muito? — Helena me encheu de perguntas assim que pisei em casa.
— Calma, eu tô bem!
— Tão bem que eu tive que vir te segurando. — Mitchel disse ao meu lado.
— Acho melhor irmos ao hospital. — Helena falou preocupada.
— Não precisa!
— Precisa sim! Mitchel ajude-a a entrar no carro.
Infelizmente, fomos. Mitchel também.
[...]
— Então, Doutor. Está tudo bem com ela?
— Sim, mas devo recomendar que ela fique em repouso e leve observação. E uma alimentação bem reforçada. — o médico, já idoso, de olhos escuros e cabelos, ou o que sobrou deles, totalmente brancos, magro e gentil, respondeu Helena. — Eu ia aplicar soro, pois você está muito fraca, porém, como foi dito que você só comeu pela manhã, com uma boa alimentação você fica boa logo. A pressão da bola machucou seu nariz, mas não chegou a quebrar, mas você bateu forte com a cabeça no chão, por isso as tonturas. Fique em repouso por hoje e se alimente muito bem, caso as tonturas continuem, voltem amanhã.
Helena, ainda preocupada, pegou o número do médico para qualquer imprevisto.
— Enfim, casa! — festejei — Estou morta de fome!
Mitchel me ajudou a ir para o quarto, mesmo eu dizendo que conseguia sozinha, pois Helena insistiu que eu deveria descansar e me mandou para o quarto enquanto Ana fazia uma sopa bem reforçada para mim, bléeeee!
Contrariada, fui para o quarto. Tomei um banho rápido e troquei aquela roupa horrível de educação física. Antes que a comida chegasse, dormi. O ar geladinho, a cama aconchegante e meu cansaço se juntaram e eu adormeci.
— Ei, Pandinha... — ouvi Mitchel me chamar. — Acorda um pouquinho, só pra comer, depois você volta a dormi.
Resmunguei um "tá" e comi. Diferente do que eu imaginava, a sopa estava maravilhosa, logo o prato estava vazio e Mitchel riu do quão rápido comi, ele tem covinhas engraçadas, percebi. Na verdade covinha, porque é só uma do lado direito de seu rosto.
— Pare de rir, lerdão! Já pode sair, me acorde quando for a hora da janta.
— Você ainda tá com fome? — ele gargalhou. — Até parece que a Helena vai deixar você não jantar com a gente.
Então é melhor eu dormir logo, descansar para o jantar e amanhã tenho que estar ótima para procurar uma academia, só como...
Acordo ainda sonolenta. Olho ao redor, meu quarto. Levanto e não sinto mais as tonturas, ainda bem!
Minha roupa está apresentável e minha barriga ronca de fome. Saí do quarto e fui para a sala. Ouço o tintilar de alguns talheres e a fome bate novamente.
— Certeza que não quer chamá-la, mãe? — Mike pergunta.
— É melhor deixá-la dormir, querido. — Helena responde.
E eu apareço dando o ar de minha graça como uma princesa. Ou não. Tropecei no último degrau da escada e quase caí no chão.
— Boa noite... — falei sem graça.
— A margarida resolveu aparecer? — Mitchel ri de mim.
— Estou com fome. — falo cabisbaixa me escondendo em meus cabelos.
Mitchel gargalha ainda mais e Helena me chama gentil:
— Venha comer com a gente, Bruna!
Ou o jantar estava estupendamente maravilhoso, ou eu estava com muita fome. Tomei uma ducha rápida e percebi que as persistentes tonturas desistiram de me incomodar.
Antes de dormir, chequei meu celular e vi alguns emails de Manoela, ignorei como os outros que ela havia mandado, conversei sobre coisas banais com a Ju e a Larissa que nem pensavam em dormir, seis horas de diferença é muita coisa... Mas eu? Logo adormeci.
— Me namora, pois quando eu saio eu sei que você chora e fica em casa só contando as horas...
Ouvi meu despertador e a primeira coisa que fiz ao acordar foi lembrar de Lucas... O que será que ele vem fazendo, será que ainda pensa em mim tanto quanto eu penso nele?
Apaguei tais pensamentos da mente e fiz minha higiene matinal, tomei um banho rápido porque estava levemente atrasada e tinha que lavar os cabelos, coloquei um vestidinho, sequei meu cabelos e fiz uma maquiagem básica, o de sempre. Não quis usar óculos, então coloquei minhas lentes.
Tomei um café da manhã reforçado porque Helena praticamente me obrigou.
— Alô? — atendi meu celular que tocava insuportavelmente enquanto eu escovava os dentes (de novo) após o café. — Quem é?
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