Reviravoltas

3 Casa nova?


Notas iniciais
Não disse que tinha mais pra hoje? Fantasminhas, apareçam! Boa leitura, até lá em baixo!

Dei tchau para cada um e disse que não os abandonaria, mas que eles também deveriam me visitar. Foram tantas lágrimas que eu já estava desidratada. Voltei pro carro e o motorista me levou até o aeroporto. Com a passagem em mãos e com o check-in feito ele me disse que, quando chegasse lá, teria alguém com uma plaquinha escrito o meu nome pra me buscar e que era para dizer a “senha” que era jacaré e esperar ele responder jabuticaba. Tipo assim “O quê?? Pra que isso?”, é eu perguntei isso e ele disse:

— Segurança em primeiro lugar, qualquer um pode falar que foi te buscar e te sequestrar, depois fale em inglês normalmente, porque ele só sabe o que lhe foi passado sobre português. Ele vai te levar até sua mãe, Helena. Tchau e… Boa sorte. – Helena? Então esse era o nome da minha mãe? Sorte? É eu tava precisando!

Pelo menos inglês eu sabia. Comprei uma coca e entrei no avião, peguei meus fones e coloquei a música The Monster – Eminem Feat. Rihanna, pra falar a verdade eu nem ouvia a música, ouvia os meus próprios monstros, minha cabeça girava com tantas perguntas, “E agora? O que vai acontecer?”, sem nem mesmo perceber as lágrimas já vinham à tona enquanto eu olhava pela janela. Logo que o avião decolou uma senhora que sentou ao meu lado perguntou se estava tudo bem e eu simplesmente fiz que sim com a cabeça. Minhas dúvidas estavam me sufocando e minhas lágrimas não paravam de cair. “Eu quero voltar pra casa!”, “Eu tenho que acordar desse pesadelo e, quando eu acordar, Lucas vai estar fazendo cafuné na minha cabeça enquanto víamos um filme e eu cochilei.” Com esses pensamentos, adormeci.

Quando acordei ainda faltavam cinco horas para chegar na Califórnia, saí do Brasil cinco horas da tarde e o voo estava previsto para chegar oito da manhã, ou seja, ainda eram três da madrugada. Pedi um lanche, porque já estava há mais de seis horas sem comer, ou seja, faminta! Bebi um suco de laranja e comi um hambúrguer, uma barra de chocolate (inteira, sim eu sou uma gorda) e um Fandangos. Depois voltei a dormir, mas dessa vez ouvindo Simplesmente – Skank. Quando acordei todo mundo já estava em pé saindo do avião, sim eu durmo muito. Saí do avião e fui buscar minhas malas, eu decidi que seria melhor afastar os pensamentos por enquanto. Depois de meia hora para conseguir pegar todas as malas, sai à procura de alguém com a minha plaquinha, em menos de cinco minutos vi um homem ENORME de terno preto, cabelos pretos e pele morena.

— Jacaré? – Perguntei.

— Jabatiqueiba…? – Ele respondeu.

Dei uma risada e fiz que sim. Ele me levou até o carro e fomos conversando.

— Quantos anos a senhorita tem? – Ele perguntou.

— Não me chame de senhorita, só Bruna mesmo. – Pedi – Mas eu tenho dezesseis.

— Ah, claro… Bruna.

Durante todo o percurso eu e Douglas (o motorista) ficamos jogando conversa fora e consegui me distraí. Depois de duas horas chegamos, já eram duas da tarde, pois o voo atrasou três horas e a bagagem demorou muito. Douglas parou em frente a uma casa de dois andares, gigante. Meu coração ficou apertado e não consegui me mexer. Ele abriu a porta para mim e foi tirar as malas do carro. Saí em câmera lenta do carro e fiquei parada de frente para a casa, olhando-a. As lágrimas vieram com toda a velocidade e eu simplesmente não sabia o que eu estava fazendo ali. De repente me vi correndo, correndo como eu nunca corri. Corri sem destino, literalmente. Cheguei à uma praia e mesmo sendo duas da tarde estava bem vazia, acho que por ser sexta-feira.

Andei a esmo durante o que pareceram horas até chegar em uma área realmente isolada, sem nem pensar tirei o casaco que usava por cima de uma regata justinha, joguei minha bolsa na areia, tirei meu tênis e entrei na água. Afundei e minhas lágrimas se misturavam à água salgada, minha cabeça girava com tantos pensamentos e com tantas perguntas. Um vento bateu quando emergi e resolvi sair da água. Só um pensamento prevaleceu.

“Deixa a vida me levar, vida leva eu…”

Avistei um garoto mexendo em minhas coisas e gritei:

— Ei! O que você pensa que tá fazendo? – Perguntei saindo da água.

— Uou! – disse ele me olhando.

Nem processei a face do indivíduo, olhei pra mim mesma e percebi que minha blusinha branca ficou só um pouco (TOTALMENTE) transparente e meu sutiã azul caneta não ajudou em nada. Quando olhei de novo para cima, a peste já tinha sumido e eu só vi um pontinho preto (ele estava usando uma blusa preta) se movendo beeem devagar na linha do horizonte. “Tem maluco pra tudo, viu?”, pensei.

Olhei ao redor e parecia que eu realmente estava perdida, decidi andar sem rumo à procura da minha nova casa, resolvi meus problemas: iria deixar as coisas seguirem do jeito que quiserem, eu somente obedeceria e seguiria o meu destino sem reclamar, mas também sabia que só um sentimento ainda permanecia, a tristeza e a dor passaram... E deram lugar à raiva.

Antes de ir, admirei a paisagem da praia, suas árvores balançantes, a areia branca sujando meus pés, “as ondas do mar tem um ritmo acelerado, como se seguissem uma cadência. E cada passo na areia é uma batida que meu coração dá e uma onda que se choca entres as rochas rígidas. Esse barulho, barulho não, som... Agora vejo a diferença. Entre o som e o barulho, o dia e a manhã, o coração e o miocárdio, a grama e a mata, a dor e o sofrimento, a alegria e a felicidade, a bondade e a pena, o vento e o sopro de ar...

A brisa movimenta meus cabelos que fazem cócegas em meu pescoço. O sol se põe enquanto guardo meus bagulhos jogados na areia da praia deserta, e, quando termino, o sol já se foi e sinto agora meu corpo se arrepiar com a primeira lufada da noite. Caminho sem pressa observando a noite avançar pelo céu e as nuvens dando lugar às estrelas.

Finalmente, chego em meu ponto final. Relutante, aperto o botão da campainha e, quando a porta se abre, me deparo com o par de olhos mais perfeitos que já vi. O azul céu mais lindo do mundo, com o sorriso mais travesso do século.”

Notas finais
Hehehe! Quem será? Comentem!! O próximo sai amanhã, quanto mais comentários, mais cedo eu posto! Espero vocês nos comentários!