Reviravoltas
24 A Festa
Notas iniciais
— Obrigada por vir, querida! – Meg sorriu falsamente. – Por que você convidou essa vaca sem me consultar, mesmo? – A garota murmurou entredentes para o irmão assim que a “vaca” passou.
— Porque ela é popular e gostosa, oras! – O garoto ao seu lado respondeu indiferente.
— Gregory, isso não é uma desculpa! Você sabe que eu odeio a Lacey! – Megan o fuzilou com o olhar.
— Ah, fala sério, Meg! Quanto mais gente melhor, né? E outra, — Ele continuou antes que ela pudesse retrucar. – já cansei de ficar aqui na entrada enquanto o pessoal aproveita a minha festa. Asta lá vista, baby!— ele finalizou lhe dando as costas com mais um de seus sorrisos horríveis que ela tanto odiava.
— Qualidade antes de quantidade, Greg! – ela gritou mesmo sem ser ouvida e mais um casal chegou lhe tirando de seus devaneios.
A festa realmente “bombava” lá dentro, a música alta denegria os tímpanos da minoria, o resto já estava habituado a tanta barulheira. As luzes coloridas iluminavam parcialmente o local que já lotado de adolescentes. Alguns já bêbados, outros bebendo, outros se ‘pegando’ e alguns, poucos, conversavam animadamente. Garçons atravessavam o mar de gente, ou melhor, tentavam atravessar…
Na porta de entrada Megan esperava ansiosamente os calouros da University of California, com os nervos à flor da pele, mal conseguia conter sua animação. Agradeceu mentalmente à Evans, novamente. Graças à garota com que raramente falava, a UC daria a honra de sua presença. Era fato que os calouros, e até mesmo alguns veteranos, chegariam um pouco depois dos outros convidados, queriam que sua presença fosse notada e, também por isso, fizeram questão de colocarem máscaras que cobrissem o rosto por completo, não queriam ser reconhecidos, essa foi uma das ‘exigências’, mas ela estava na expectativa de que eles chegassem a qualquer momento, já que quase todos os convidados já estavam presentes.
— Meg! Parabéns, você está linda! – Emma Evans, que ali há pouco visitara seus pensamentos chegou ‘causando’.
Em suas roupas quase tão magníficas quanto a da própria aniversariante, Emma chegou com Clary e Bruna, as duas tão belas quanto a amiga. Mas o que prendeu a atenção de Megan foram os dois príncipes atrás das duas.
Willian Müller e Andrew Smith.
Ela não lembrava dos dois serem tão bonitos.
— Obrigada por terem vindo, meninas! Vocês que estão arrasando! Quase me ultrapassaram! – Meg sorriu sincera para as três.
Gostava daquelas, diferente da loira azeda que chegara pouco tempo antes.
— Não foi nossa intenção. – Clary disse timidamente. – Você tem que brilhar, a festa é sua e nem vem que você realmente está maravilhosa!
— Parem de paparicá-la, meninas, ela sabem o quão poderosa está!
Era fato que Bruna Collins mal chegara à Califórnia, mas Meg realmente gostava da garota. Depois do convite aceito, ela e a pseudoloira conversaram um pouco e ela pôde ver seu jeito descontraído. Rapidamente as duas se “apegaram”.
— Obrigada, Bú! Você também está arrasando, pseudoloira! Mas, — Megan disse empurrando as meninas para uma maior visão dos galãs ali escondidos. – não pude deixar de notar seus amigos maravilhosamente LIN-DOS! – a garota levantou uma das sobrancelhas dando um gritinho estridente.
— Você também está LIN-DA! – Willian disse imitando sua voz, o que lhe deu um ar, digamos… Menos masculino.
— Assim você me decepciona, Will…
Os cinco riram e Megan os acompanhou feliz, gostava daquele grupo. Sempre gostara. E agora, com a chegada de Bruna, se afeiçoara ainda mais a todos. Conhecia Emma desde a sétima série, quando os meninos começaram a beijar algumas meninas, não cuspir nelas. As duas até ficaram amigas, “a dupla castanha”, ela lembrara do apelido, as duas eram famosas por serem as únicas garotas com os olhos castanhos, diferente da grande maioria de olhos azuis. Faziam uma boa dupla.
— Nós vamos indo, Meg. Nos acompanha? – Andrew perguntou gentil enquanto os outros já saiam na frente.
— Não, obrigada, — respondeu dando-lhe um de seus sorrisos perfeitos. – vou ficar mais um pouquinho aqui na entrada. Obrigada por vir, pessoal.
E então eles adentraram a festa, deixando Megan Adams sozinha com seus pensamentos de novo.
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— Desencana, Matthew, eu não vou ficar com você, larga do meu pé, ‘tá espantando os bofes.
— É exatamente essa a intenção. – Matt disse carrancudo arrancando um sorriso disfarçado de Emma.
Emma andava na frente do garoto sorrindo e provocando todos ao seu alcance, deixando Matthew ainda mais estressado.
— Fala sério, Emma, precisava disso tudo?
— Isso tudo o que, Matt?
— Essa roupa provocante, essa maquiagem exagerada, isso tudo! – ele disse se exaltando.
A garota revirou os olhos e virou-se para ele.
— Matthew, — Emma disse agora de frente pra ele. – a gente não ‘tá mais junto, tem como essa sua cabecinha oca processar isso? Eu. – ela disse calmamente. – Não. Te. Quero. Mais!
Ele ficou perplexo com a intensidade das palavras da garota, piscou os olhos duas vezes mas não se deixou abater, resolveu partir para o ataque.
— Você tem certeza disso? – ele a pegou de surpresa enlaçando sua cintura com seus braços fortes.
Assim, cara a cara, com os narizes quase se tocando, Emma já não tinha certeza de nada. Olhando de tão perto conseguia ver os pequenos pontinhos âmbar salpicados nos olhos escuros de Matthew, não lembrava de gostar tanto daqueles olhos. Se perdeu nos traços bem marcados de seu rosto, no nariz pontiagudo, na pele branca, nos cabelos tão escuros quanto o breu – segurou o impulso de passar a mão dentre o cabelo curto e macio.
— Vai, Emma, — ele disse com a voz macia tirando uma das mãos da cintura da garota e pondo-a no rosto da mesma. – eu sei que você quer, pra que isso?
Ele estava quase convencendo-a. Aproximou-se devagar da boca manchada de uva da garota, hipnotizado por seus lábios carnudos roxeados.
Por um momento eram só os dois ali, mesmo com tantos ao redor, a música alta, as conversas, bebidas, luzes… Naquele momento, eram só eles dois.
Ela estava quase se deixando levar por seus lábios aconchegantes dos quais sentia tanta falta. O coração já batia acelerado, quase saltando do peito. A já conhecida, e quase esquecida, sensação de borboletas lhe revirando o estômago a deixou ainda mais nervosa e tentada a capturar os lábios do moreno para si.
Mas recobrou a consciência a tempo.
— Não. – disse se afastando bruscamente. – Me deixa em paz, praga. – o empurrou com força e lhe deu as costas saindo rebolando.
Suspirou fundo pondo os pensamentos em ordem. ‘Matthew, eu não te quero mais’, ‘Matthew, eu não te quero mais’, ‘Matthew, eu não te quero mais’, repetiu como um mantra em sua cabeça. Precisava se distrair.
Matthew foi pego de surpresa, deixou a garota escapar.
—Emma! Não me deixa assim! – ele disse em choque com a reação da garota.
Logo a frente Emma já se engraçava com um loiro de olhos azuis. Assim que o garoto viu Matthew vindo em sua direção perguntou:
— Namorado, gata?
— ‘Tá amarrado! – disse com uma careta. — Cala a boca e beija, loirinho.
O beijo do loiro não despertou nenhuma das reações no corpo de Emma e ela quase suspirou desanimada. O coração não perdeu nenhum compasso, os lábios não eram de longe tão macios e nem ao menos se encaixavam nos dela, as borboletas não davam nem sinal de vida.
Mesmo sem querer, prolongou o beijo pois sabia que Matthew apareceria a qualquer momento para tirá-la dos braços do loiro. Bem, demorou mais do que o esperado.
Se desvencilhou dos braços do loiro e disse para ele não procurá-la. Olhou pra trás e não viu Matthew ao redor, mas não fez questão de procurá-lo, não queria que ele a visse “desesperada” por ele.
Saiu da pista para o bar, precisava de uma distração maior que aquele loiro que nem ao menos sabia beijar.
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Mitchel saiu de casa exasperado, como aquela garota tão pequena, tão frágil podia mexer tanto com ele?
— É, Blue, a vida ‘tá difícil, hein? — ele perguntou ao volvo azul. — O que eu faço? — apoiou os braços no volante e deitou a cabeça ali.
Sua cabeça estava confusa, quando achava que tinha superado a ruivinha, ela aparecia, sem mais nem menos, só para atormentar seus pensamentos. E agora ainda tinha a Thami, realmente acreditava que estava gostando dela, realmente acreditava que ela o faria não pensar mais na ruiva, bem, estava errado.
— A gente tem que ir agora, né, Blue? — Mitchel disse ainda confuso. — Não posso deixar a Thami na mão.
Deu partida no carro e seguiu em direção à casa da garota.
A casa era longe e em quarenta minutos, sem trânsito, ele chegou. ‘Já tô aqui :)’ , mandou uma mensagem para ela. Não esperou muito e logo ela apareceu, estava linda.
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— Eu não te disse? Ela só ficou com ele pra te provocar.
— E pelo visto conseguiu. – Matthew respondeu rangendo os dentes.
— Fica frio, cara. Ela ainda gosta de você e se você parasse de correr atrás dela e se fizesse, pelo menos um pouquinho assim, – Mitchel juntou os dedos demonstrando o tanto. — de difícil, talvez ela viesse atrás de você.
Mitchel e Matthew observavam de longe Emma ir em direção ao bar. Assim que Mitchel chegou se deparou com o amigo quase partindo pra cima do loiro agarrado com Emma. Teve sorte de conseguir pará-lo a tempo, não queria que uma briga idiota acabasse com a festa.
— Pelo visto isso não deu certo com você, né? — Matt perguntou zangado, se referindo a Clary.
— Epa, epa, epa! Vamos com calma, né? Achava que você estava com raiva da Emma, não de mim! — Mitchel disse chateado.
— Foi mal, cara... Mas você sabe, — o outro disse arrependido passando a mão na nuca. — a Emma me tira do sério.
— ‘Tá de boa, eu vou lá encontrar com a Thami, ela disse que ia ao banheiro e já voltava, fica na tua, hein?
— Pode deixar.
Mesmo com a recomendação do amigo Matthew foi atrás da Emma de novo.
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Matthew atravessou a pista e chegou ao bar.
Nenhum dos dois disse nada, se encararam por breve segundos até Emma seguir seu caminho. Ele foi atrás
Ela revirou os olhos ao perceber que agora tinha um segurança particular.
Emma agarrou o primeiro que vinha pela frente e este não reclamou. Matthew se segurou tremendamente, não podia dar um vexame. Para revidar, começou a dançar com uma ruiva alta e não demorou muito para agarrá-la também.
Emma ficou levemente chocada ao vê-lo com outra, apertou a mão com força, as unhas perfurando a pele, precisava se controlar, não se deixaria levar por tão pouco.
Matt conversou entediado com a garota e logo fugiu dela, procurando Emma. Achou-a conversando com dois garotos.
— Ei, saíam de perto dela. — ele disse firme, não conseguindo mais aguentar.
— Tchau, garotos, — Emma disse ao perceber que eles ficaram receosos à presença de Matthew. — depois a gente se fala. — acenou piscando um dos olhos para os dois.
— O que foi agora, Matthew?
— O que foi?! O que foi pergunto eu, Emma! Você acha que pode ficar se esfregando em qualquer um?
Emma abriu um pequeno sorriso e arqueou uma das sobrancelhas desafiadora.
—Não acho, não. Tenho certeza. – ela alargou o sorriso e deu-lhe as costas rebolando.
Mas a paciência que ele tinha já tinha acabado há muito tempo! Foi atrás dela e a pegou pelo braço, com cuidado para não machucá-la.
— Não mais, Emma. Acabou, ouviu? – ele perguntou alternando o olhar dos olhos dela para sua boca.
— Matt, — eles se encontravam no centro da pista, por isso ela disse perto de seu ouvindo fazendo-o sentir calafrios. – a gente já acabou faz tempo, tem quase um ano, você quer parar de palhaça e me deixar em paz? – ela falou e se afastou.
— Acabou essa sua palhaçada, isso sim, Emma. – ele disse sério.
Ela o olhou nos olhos procurando um resquício de brincadeira, ele não podia estar falando sério. Ah, mas ele estava, e como estava!
Ele a puxou pela cintura e a olhou fundo nos olhos.
— Você é minha, Emma Evans.
Ela não teve tempo de formular uma resposta boa o bastante, ele já selara seus lábios em um beijo feroz. Suas línguas travavam uma batalha interna, o coração dele batia rápido, como nunca antes e o dela tanto quanto. Matthew passou a mão direita por trás de sua cabeça, segurando-a pela nuca e ela aproveitou para imitá-lo.
As duas mãos dela se entrelaçavam na nuca dele, puxando aqueles fios macios já quase esquecidos, seu coração parecia estar derretido e suas pernas bambas. A mão esquerda dele em sua cintura acariciando-a com a ponta dos dedos, a outra ora estava em sua nuca, ora estava em seu rosto. Ele não lembrava da boca dela ser tão macia, tão perfeita, tão beijável... Eles poderiam ficar ali, se beijando, por horas, mas precisavam respirar.
Ele finalizou o beijo com um selinho e os dois suspiraram ofegantes.
— Uau. – ela disse ainda aturdida, presa aos olhos dele.
Ele sorriu de leve e ela o imitou, então os dois caíram na gargalhada.
— Ei, — Emma perguntou com um sorriso que chegava aos olhos. – pode me dizer o que, exatamente foi isso?
Ele ruborizou levemente, mas ela não percebeu por causa da escuridão, e passou uma das mãos na nuca.
— Ah, Emma,não vai dizer que não gostou.
— Eu não disse isso. – ela respondeu rapidamente.
—Então fica quietinha e vem cá. – ele disse sorrindo.
A abraçou pela cintura e lhe beijou de novo, dessa vez um beijo lento, um beijo pra matar a saudade, um beijo quase apaixonado.
— Vamos lá pro canto, esses caras não param de olhar pra sua bunda. – ele disse meio emburrado.
Ela riu alto e o seguiu.
— Eu estava com saudade.
Ele lhe seu um selinho longo.
— Eu senti um pouquinho só. – ela respondeu sorrindo.
— Aham, sei.
Eles conversavam abraçados, escorados em uma parede.
— Então vai lá, — ele continuou. – já que não ‘tá com saudade volta pros seus amiguinhos.
Ele deixou os braços caírem ao seu lado e esperou ela sair.
Emma deu meia volta e deu dois passos em direção à pista.
— Fala sério, gata, volta aqui! – ele pediu a puxando pela mão.
— Eu só ‘tava brincando! – ela sorriu e lhe deu um beijo.
Ele apertou sua cintura pra ela não “fugir” de novo e aprofundou o beijo, quando precisou de ar finalizou o beijo mordendo seu lábio inferior e o puxando para si, mordeu o lóbulo da orelha dela e distribuiu beijinhos por seu pescoço fazendo-a se arrepiar, em um dos beijos tentou dar chupão, mas ela recuou.
— Não vai me marcar não, Matt, eu não sou de ninguém.
— Ai, Emma…
Eles ficaram juntos por volta de meia hora até ele não aguentar mais.
— Por favor, Emma, vamos pra outro lugar? – ele falou pidão.
— Só dessa vez! – ela respondeu sorrindo e o seguiu até a saída.
Antes que chegassem à saída Matthew e um universitário distraído que ia na direção do bar.
— Ei, olha por onde anda! – Matt reclamou.
— E eu bati na parede, né? Presta atenção também, Mané. – o garoto ia continuar o caminho quando viu a garota atrás de Matthew. – Emma?
— Nag? – Emma se soltou e o abraçou. – Chegou agora, foi?
— Aham, acabei de entrar e ia no bar pra animar as coisas. – ele disse dando um lindo sorriso.
Matt não estava gostando nada da situação e segurou Emma pela cintura firmemente.
— A gente já tava de saída... – ele tentou lembrá-la.
— Sério? Tão cedo?
— Cala a boca, Nag, tchau. – ela disse brincalhona.
Matt rapidamente atirou dali a passos largos.
— Devagar, Matt, calma! – ela parou ficando de frente para ele em frente à porta de saída.
Ele a encarou sério.
— Matt, você sabe que ele é meu primo, né? E se eu tô indo com você, você não precisa ficar com ciuminho bobo, mesmo que eu ache você uma gracinha assim bravinho... – ela sorriu quebrando o clima tenso.
Ele sorriu de volta e lhe deu um beijo casto.
— Vamos então. –sentenciou mais leve.
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— Andrew! Onde você ‘tava? Eu te procurei a festa inteira!
Ele se virou sério e encarou a pequena ruiva a sua frente. Céus, ela tinha que ser tão bonita?
— Por aí. – ele disse seco.
—É… Eu acho que a gente precisa conversar.
— Não, Clary, a gente não precisa. – ele se controlou para ficar bravo e não ceder ao rosto angelical da ruiva.
— Por favor, And, me deixa explicar…
— Você não precisa explicar nada, o que aconteceu no cinema não foi nada, eu já entendi.
— Não, você não entendeu. – ela disse séria segurando-o pela mão, para que ele não fosse embora.
Ela estava nervosa, O que raios tinha acontecido na casa da Bruna?, Mitchel era passado e ponto. Mas quando ela o viu, o coração perdeu uma batida, a cabeça virou um mar de confusões. Não! Ela não podia pensar nele agora, não ali, quando Andrew esperava uma resposta dela.
Ele a encarava com aqueles olhos caramelo, antes, no cinema, tão doces, agora pareciam acabados.
E fora ela que fizera isso, ela sabia.
— Por favor, me ouve. Eu só me assustei por ver o Mitchel de repente, — ele tentou interrompê-la mas ela não deixou. – é claro, fui tonta por não lembrar que ele mora exatamente naquela casa, mas… Foi inevitável, não me lembrar de tudo que já aconteceu é impossível.
— Eu já saquei, Clary, não quero confundir sua cabeça mais do que ela já aparenta estar. – ela arregalou os olhos, Como ele podia saber que ela estava tão confusa?
— Não, And, por favor, não faz assim. Hoje foi tão legal e…
— Foi legal porque eu não tentei nada, se eu tivesse tentado você hesitaria. – ele fez uma pausa para ver se ela contradizia, mas a ruiva só abaixou a cabeça. – Hoje foi ótimo, mas só enquanto eu fui seu amigo, sempre é legal quando eu ‘tô ali pra quando você precisar, eu não me importo, juro. Eu sempre vou ficar do seu lado, até quando ele te machucar, você sabe disso. Mas, da próxima vez, não me dê falsas esperanças, por favor…
Ele se soltou e saiu de perto dela.
— Não foram falsas, Andrew! Por favor, espera… — mas ele já não podia ouví-la mais.
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Willian estava aproveitando a festa, ele sabia que a Meg não faria por menos, é claro, mas ele inconscientemente subestimou a festa e na verdade estava se divertindo muito. Não ficou muito com os amigos, pois logo que entrou na festa encontrou Alexa, uma amiga que não via há muito tempo.
— Lex, é você? – ele chamou sem ter certeza.
A garota virou-se para ele e o encarou com suas grandes orbes azuis, aos poucos sus olhos se arregalaram.
— Will?! – ela gritou dentre a multidão. – Oh meu Deus, quanto tempo! Você tá lindo!
— E você? Caraca, você cresceu muito, tá linda! – a garota sempre fora bonita, com cabelos castanhos em um tom claro e grandes e redondos olhos azuis claros, mas ela não tinha as curvas que agora esbanjava nem a confiança que agora passava ao andar. — Por que não avisou que estava na América?
— Eu cheguei hoje e encontrei uns amigos que me empurraram pra cá, nem pude avisar a ninguém, vou embora daqui a dois dias, só vim para passar o aniversário com o papai, amanhã.
Os pais de Alexa se separam quando ela tinha doze anos, na época ela e Willian eram melhores amigos, mas, com a separação, a mãe foi para Inglaterra e a menina foi com ela, só o pai ficou.
Durante a festa Alexa e Will ficaram juntos, relembrando os velhos tempos e colocando o papo em dia, eles passaram a festa dançando e se divertindo como amigos e foi assim até o fim.
— Que beber alguma coisa, Lex? – Willian perguntou e ela assentiu que sim.
O garoto andava despreocupado pensando na coincidência que era encontrar Alexa logo ali quando parou repentinamente com os olhos arregalados.
— Oh meu Deus! Bruna?! – ele gritou mesmo sabendo que ela não podia ouvi-lo.
Que péssimo amigo ele era, deixou a amiga sozinha e quando a encontra a vê desmaiar no colo de um estranho. Ele correu assim que a viu cair nos braços do estranho e na pressa acabou esbarrando em um ruivo, os dois quase caíram no chão com a força do impacto.
— Willian? Você viu isso? – Andrew perguntou afobado. – Conhece esse cara?
— Não faço ideia, — ele respondeu indo para mais perto da menina. — o que aconteceu com ela? – perguntou sério para o garoto que segurava Bruna.
— Eu não sei quem ela é, só vi que ela parecia mal e de repente desmaiou.
— Então pode ir embora, eu cuido dela. – Willian resmungou tentando tirá-la dos braços do universitário.
— E por que eu faria isso? Quem me prova que você é confiável? Já que é amigo, por que não estava aqui quando ela precisou?
Willian encarou os olhos chocolate do garoto pensando em uma resposta boa o suficiente.
— Me deixa jogar um pouco de águia nela. – Andrew pediu preocupado e o universitário pego de surpresa não impediu. – Bruna? – o ruivo chamou jogando um pouco de água em seu rosto.
— Ai, — ela abriu os olhos devagar. – minha cabeça...
Com cuidado o garoto a colocou sentada em um dos bancos do bar, mas continuou apoiando suas costas.
— Bruna, você quer ir embora? Eu posso te levar. – Will disse baixo.
— Eu não quero atrapalhar a festa de vocês. – ela resmungou fazendo uma careta de dor.
— Eu te levo então, já estava indo pra casa mesmo. – Andrew sugeriu.
— Não precisa, And, eu posso pedir pro Mitchel...
O universitário percebeu que a garota realmente os conhecia e saiu um pouco de perto para pegar água pra ela.
— Aqui, bebe um pouco.
— E você é? — a loira perguntou incerta, aqueles olhos chocolate não lhe eram estranhos.
— Não importa, bebe um pouco e é bom mesmo você ir pra casa. – o garoto disse simplesmente e saiu sem dar mais explicações se misturando na pista.
— Vem, Bruna, eu te levo. Você não precisa incomodar seu irmão. – o ruivo fez uma leve careta tentando se acostumar com o fato.
Ainda atônita com o garoto de olhos de chocolate, Bruna foi levada para fora da festa sem se despedir de ninguém e sem olhar para o garoto de olhos acinzentados que se preocupou com ela e não ganhou atenção.
Willian viu a loira ir embora sem se despedir, mas ele era amigo e não precisava ganhar nada em troca. Internamente, porém, ele ficou mexido com a atitude da loira para com o garoto estranho. Pegou a bebida e voltou para a pista para encontrar Alexa.
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