Reviravolta com sêxtuplos
2 Dia 1 Investigação (Parte 1)
Notas iniciais
31 de dezembro, 14:40
Centro de detenção
Parlatório
A senhora Matsuno nos contou tudo que havia acontecido no dia anterior. Ela estava na cozinha, preparando o jantar, quando escutou a campainha tocar, diz ela que não tem o costume de atender à porta e delega a função aos filhos, por isso continuou em sua tarefa habitual até uma voz autoritária, vinda da sala, a despertar suspeitas.
“Eu limpei as mãos no avental e fui até a entrada. Lembro que cheguei até a ajeitar os óculos. Era um policial, vários deles, levando meu filho algemado até o carro com uma escolta o cercando por todos os lados. O que foi dessa vez? Eu perguntei ao meu outro filho. Parece, ele começou, que o mano Osomatsu matou o velhote dentuço. Mas não tinha como ter sido ele, e eu digo ao senhor, senhor advogado, que se fosse, eu nem estaria aqui. Mas não foi. E então, cá estou eu, pedindo para que acredite em minhas palavras. E se dúvida, vá falar com ele.”
Eu e a Maya, logo após os termos serem assinados, nos dirigimos para o centro de detenção provisório. Para nossa sorte ainda estávamos dentro do horário de visitas e o meu cliente tinha acabado de ser liberado do interrogatório. Verdade seja dita, em todos os casos que peguei havia sempre algo de peculiar, mas o que me espantou em meu cliente não eram os trejeitos, sua aparência era de alguém que se encontra em qualquer lugar no meio da multidão, a primeira coisa que notei foi que a pessoa atrás da janela de proteção de vidro era um homem em torno de seus vinte anos.
Ele entrou na sala com uma cara fechada, sentou-se na cadeira de frente para mim, me encarou de cima a baixo, parando brevemente o olhar na lapela do meu terno, depois abriu um sorriso.
— Já era hora, eu achei que a minha mãe ia vir primeiro, mas pelo jeito ela mandou alguém no seu lugar. Prazer, sou Osomatsu, estou em seus cuidados.
— Você sabe quem eu sou?
— O advogado, não? — Ele disse, indiferente.
Não sei por que, mas tenho a impressão de que esse vai ser um tipo difícil de lidar.
— Sua mãe pediu que o defendesse no processo que ocorrerá amanhã, peço que confie em mim e responda a algumas perguntas.
— Pode mandar, eu não tenho nada a esconder, eu não matei o velhote.
Eu percebi a Maya olhando para mim com uma expressão ansiosa, e discretamente neguei com a cabeça. Não, a magatama não tinha reagido, ele estava falando a verdade.
— Senhor Matsuno, poderia nos dizer a sua rotina no dia trinta deste mês?
— Hmm... Vejamos... Ontem estava frio para cacete, e eu fiquei a maior parte do tempo em casa, nem vi o velhote.
Estava bom demais para ser verdade, três cadeados-psíquicos! E tão cedo assim...
— O que houve, Nick? – A Maya cochicha ao meu lado, a preocupação aparente no seu tom de voz.
— Ele está escondendo algo, mas o quê?
— Ei! Vocês dois, que conluio é esse? Eu pensei que não houvesse segredos entre um advogado e seu cliente.
Olha quem fala, você tem muita moral para dizer isso, senhor Usomatsu.
— Então, não se importaria de continuarmos. O senhor conhecia a vítima?
— Desde pequeno. Ele morava em algum canto da vizinhança, costumava importunar a gente, as coisas são diferentes agora.
— Diferentes?
— Ah! Eu e ele saímos bastante para beber, haha. – Disse, esfregando o dedo embaixo do nariz com ar despreocupado. – Posso até dizer que ele era o meu melhor amigo, pobre Iyami.
— Onde exatamente vocês costumavam beber?
— Na barraca de comidas do Chibita, o engraçado é que foi lá que me disseram terem achado o corpo.
Uma vez mais sinto a Maya me olhando aflita, acho que o senhor Matsuno ainda não entendeu a gravidade da situação.
— Onde fica essa barraca?
— Não muito longe de casa...
Osomatsu nos deu as direções para se chegar lá a partir de onde morava, nosso próximo passo era dar um pulo no Hybrid Oden e verificar por nós mesmos a cena do crime, e pelo que o relógio indicava, não tínhamos muito tempo antes de escurecer por completo.
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