Notas iniciais
E trago mais um capítulo do conto. Enjoy!

Passei a noite no apartamento do Edu. É sábado de manhã e de como de costume, um de nossos programas é ir à padaria próxima para tomar café.

Acordo e escuto o barulho do chuveiro ligado. O sol está a pino, mesmo sendo apenas 8 horas da manhã. Viro-me o corpo para esquerda, tentando dar uma cochilada, mas o enjoo vem muito forte desta vez. Tão forte que quando tento levantar da cama, a cabeça rodopia e aí me encontro amparada pelo Edu. Com os cabelos molhados, uma cara assustada e de roupão, me pergunta:

— Você está bem?

— Preciso ir ao banheiro... Tô muito enjoada. – o aviso afastando. Preciso ir rapidamente antes que suje o carpete.

Ele vem atrás e ainda me ampara enquanto coloco todo o jantar da noite anterior. Muitos homens iriam achar que era apenas um mal-estar, mas Edu é diferente.

Enquanto lavo o meu rosto e minha boca, o vejo me encarando pelo espelho. Me pergunta à queima-roupa:

— Você acha que está grávida?

Não sei o porquê, mas a minha primeira reação é chorar. Medo, receio e surpresa, tudo misturado. Ele se aproxima e me abraça.

— Calma, Cathe, tudo vai acabar bem. Você fez algum exame?

— Ainda não, mas os sintomas...

— Faz tempo?

— Um pouco, mas tenho medo do que vou encontrar...

— Bem, só existe um meio de saber... e você sabe qual é!

— Não sei se estou preparada. No fundo, sempre quis, mas se isso for verdade? – indago em meio às lágrimas.

— Vou estar com você. E onde mais eu poderia estar? Poxa, Cathe, você sabe o quanto te amo. Acha que numa hora dessas iria ficar indiferente?

— Mas você quer?

— Não sou eu quem decide. É você, Cathe! É seu corpo, é sua vida. Mas tenha certeza que, o que você for decidir, será a minha decisão.

É tranquilizador ouvir isso, mas, e o meu medo?

E em vez da padaria, o nosso destino é a farmácia. Compro um teste de gravidez e voltamos ao apartamento.

No banheiro, sentada olho para o pequeno pacote com apreensão. Respiro fundo e realizei o teste.

A resposta? Sim.

Mas para ter realmente certeza, marco uma consulta com a ginecologista. Faço um exame laboratorial e mais uma vez a resposta é positiva.

Eduardo comemora, enquanto que fico perplexa com a novidade, mas no fundo, contente. Dá um pânico, sem dúvida, mas é um desafio a ser enfrentado.

Na mesma semana, vou morar com Edu e, consequentemente, já começamos a estudar uma reforma no apartamento para a chegada do bebê.

No trabalho, o susto e a surpresa são gerais.

Patrícia me cumprimenta com:

— Bem-vinda ao clube!

É divertido ver a reação das pessoas. O jeito que cada um encara a novidade. Os parentes, pais e amigos também são bem receptivos. Se por um lado, isso me acalma, por outro, me deixa com expectativa, ansiosa pelo que está por vir.

****

Estamos voltando de um passeio, não passam das três horas da tarde. Tudo que quero é descansar porque a semana promete ser puxada.

Edu estaciona o carro na garagem do prédio, descemos e vamos em direção ao elevador. Um dos porteiros aparece e nos avisa que uma moça nos espera com um assunto muito importante.

— Quem será? – me indaga Eduardo enquanto caminhamos em direção à sala de estar do prédio.

Quando chegamos, vejo uma moça alta, magra e com cabelos castanho-claros. Apresenta o nariz saliente e aparenta estar abatida. Reparo que está agitada e nervosa.

No momento em que chego perto, me pergunta diretamente:

— Você é a Catarina?

— Sim, sou eu.

— Boa-tarde, desculpe chegar assim tão de repente, mas não tive alternativa. Sou a Rita, irmã do Giovanni. – disse estendendo a mão.

Olho para Eduardo que só levanta uma das sobrancelhas. E retribuo o cumprimento. Pergunto a mim mesma: “O que a traz até aqui?"

Como se adivinhasse os meus pensamentos, pronuncia:

— Bem, estou aqui porque... – dá uma pausa na fala, suspira, leva a mão ao peito como segurasse o choro e continua: — Bem...Porque o Giovanni morreu.

Prendo a respiração e dou dois passos para trás. Não sabia o que dizer para aquela moça. Mas numa situação como essa, peço para que nos acompanhe até o apartamento.

Subimos em silêncio, eu com a cabeça baixa e Eduardo com uma expressão séria. Primeiro penso que estivesse com ciúmes, mas reparo que a sua grande preocupação é o meu bem-estar e do bebê.

Chegamos ao apartamento e lhe ofereço um chá e alguns biscoitos. Tento ser amigável com Rita, mas não sei como me comportar com situação. Afinal, o objeto do assunto não está mais entre nós e... O que se diz em um momento como esse?

Eduardo assiste tudo em silêncio e de longe, mas com olhar sempre preocupado e como quem dissesse: "Se precisar de mim, me chame!".

Não sei se é a minha curiosidade mórbida que me move a perguntar:

— Rita, desculpe perguntar... Mas o que o vitimou? Alguma doença?

— Não, um acidente... Um acidente de carro...

Minha cabeça dá voltas. Meio tonta lembrei-me que tinha conversado com Marta assim que tinha voltado de viagem e mais tarde sobre a gravidez. Mas, ela não me contou nada... Deu para sentir que ela queria esconder algo, mas... Será que percebeu que cheguei a gostar muito dele?

— Um acidente... Que coisa terrível! – falo como estivesse sonhando.

— É, realmente terrível. Sei que ele estava num período negro... De repente começou a beber bastante. Aliás, os amigos... bem, se é possível, chamá-los de amigos, queriam-no por perto só quando estava bêbado. Não sei se porque ficava muito mão aberta ou falava muitas besteiras. Ele largou de Berenice que, para piorar, fez várias chantagens. E não acredito que foi apenas a bebida que os separou...

— Berenice... Berenice está bem? — indago trêmula.

— Está! Mas, superabalada.

Recordei também que Marta chegou a comentar que ele sempre foi boêmio e que exagerava na bebida quando estava com algum problema. Ou também porque era forma de esconder a profunda timidez ou um complexo de inferioridade que o acompanhava constantemente.

Uma coisa que tinha percebido. Eram quase normais suas viagens em momentos de crise. Não eram simples viagens, como se fosse daqui ao interior de São Paulo, não! Elas incluíam roteiros europeus, festas exóticas que poucas pessoas sabiam.

— Desculpe, Rita, mas quando foi?

— Foi há um mês e meio atrás. Ele voltava completamente bêbado de uma festa pelo que contaram. Os amigos pediram para que ele não dirigisse, mas ele quis escutar? — Nesta hora, Rita para um pouco para retomar o fôlego porque o choro quase a sufoca – Bem, ele não quis saber e voltava de um aniversário. Foi da festa de Larissa, você a conhece?

Larissa... A moça que pensava que era a sua namorada na época...Um misto de raiva e ciúmes vem à tona...

— Sei quem é, mas não a conheço pessoalmente. Apenas que ela era amiga dele no Facebook, não é?

— Ela é um amor, mas desmiolada, coitada! Está desolada também...

"Imagino como esteja desolada", penso. Mas o que me interessa? Por que mesmo depois de morto Giovanni quer me assombrar? E aí a resposta estava na minha frente, ou melhor, nas mãos de Rita.

Quando me toco, nesse meio tempo, Rita tira uma carta da bolsa e a estende.

— Catarina, acredito que isto seja para você.

Sem pensar muito, pego a carta que está amarrotada, um pouco suja. Sim, a letra é dele, inconfundível, bonita, mesmo que as palavras se apresentam apertadas umas contra as outras.

Notas finais
Bem, estamos chegando ao final do conto. Vejo que há pessoas que favoritaram e acompanham, mesmo que não tenha tornado público este, porém... não comentam. Poxa, não gostaria de escrever para o vento, compreende? Deixem o que vocês acharam. Caso tenham vergonha, aproveitem e usem a MP. Afinal, o próximo capítulo será o último e chegará por aqui na próxima sexta-feira. Então, até lá!