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1 Angelo - Reencontro indesejado
I. Ângelo
Acordei sem vontade de acordar, a manha era fria e ficar de baixo dos cobertores parecia para mim planos melhores do que ir para a igreja, era horrível pensar nisso, mas me parecia tão melhor.
Ajeitei-me na cama, me cobrindo mais com os cobertores me tampando completamente, estava pronto pra voltar a dormir. Mas alguém me descobriu, era Sra. Taylor, uma freira velha com expressão zangada, olhos verdes penetrantes, pele muito branca e cabelos grisalhos.
–Por que ainda esta na cama jovem?
–Eu... é que... eu ... eu ...
–Consegue pronunciar alguma palavra? Nem pra inventar desculpas você é bom, agora levante rápido que a missa já vai começar.
Fiz uma leve careta de raiva.
–Não faça careta pra mim mocinho, você sabe o que é melhor pra você- ela ficou parada na porta de costas pra mim- e não faça essa cara!.
Fiquei um tempo parado raciocinando comigo mesmo.
–Ela tem olhos na nuca?
Levantei totalmente sem vontade, fui ate o armário peguei uma camisa e uma calça e fui me trocar no banheiro. Me encarei por alguns segundos, tinha cara de ter uns 18 anos eu acho, não fazia ideia do dia ou ano que nasci, cabelos negros que me cobriam a testa e as orelhas, olhos azuis e a pele branca, muito branca.
Desci as escadas de pedra e fui parar no pátio do orfanato, um lugar ao ar livre que tinha mesas, um jardim e uma fonte de pedra de anjos.
Avistei parada olhando para o céu a Sra. Taylor segurando um crucifixo. Quando ela me viu sua expressão ficou mais seria que o normal.
–Não consegue chegar na hora a nada mesmo, não importa, venha!
Segui a mulher ate a igreja, passamos pelo jardim de rosas ate chegar a uma construção de pedra não muito grande, cercada por cercas de madeira, no topo da torre da igreja sinos dourados tocavam sem parar, havia uma enorme cruz de prata no topo da torre.
Parei na porta, Sra Taylor se virou pra me encarar.
–O que foi moleque? De novo a bendita dor de cabeça? Não acredito.
Encostei-me na cerca meio tonto.
–Vamos entrar – disse a velha.
–Não eu vou ouvir aqui de fora, ta?
–De novo isso- ela foi ate a porta da igreja- você e suas desculpas, a missa é melhor lá dentro sabia?
–Eu preciso de ar puro.
A Sra. Taylor entrou emburrada na igreja.
Fiquei lá parado escutando o que o padre dizia, as canções da igreja e os louvores.
Minha dor de cabeça só aumentava estava ficando insuportável.
Decidi sair dali quando a missa já estava acabando.
Sai do orfanato e fiquei andando na calçada chutando uma pedrinha, passei por sorveterias, um mercado, confeitarias, lojas de roupas e parei e fiquei olhando para a vitrine de uma livraria, lá havia um livro bonito, capa preta, a imagem de uma arvore estava estampada na capa, o titulo dizia “origem dos anjos...” e em uma letra bem menor do que o titulo estava escrito “... e demônios”, pela capa, o livro parecia interessante, mas não tinha dinheiro algum.
Estava andando quando chutei a pedra pra do outro lado da rua, olhei que ela tinha parado em frente a um bar estranho, de esquina, ele era pintado de preto, as janelas estavam tampadas com madeira, a porta era grande, havia janelas na porta que estavam tampadas por cortinas negras, em cima do bar havia uma enorme placa vermelha com detalhes em dourado estava escrito “Vampire Club”, ao lado das portas tinham luminárias meio estranhas que eram caveiras segurando lampiões com a boca.
Uma pessoa saiu do bar, ela era alto, era um homem, usando um sobretudo preto e um chapéu também preto, o homem era estranho, tinha cabelos longos e grisalhos, parecia uma figura de filme de terror.
Achei estranho alguém saindo de lá na luz do dia, normalmente esse bar só abre a noite, muitas vezes tive curiosidade de saber como era lá dentro, mas aquele lugar não parecia apropriado.
Continuei andando sem saber aonde iria, o que era estranho, não gostava de andar pela cidade, essa cidade é estranha e prefiro o conforto e segurança do orfanato Santa Barbara.
Aqui a muitos relatos de assassinatos misteriosos, alguns aparecem dilacerados, culpam os ursos ou outros animais grandes, alguns aparecem sem sangue e arranhados, alguns dizem que é chupa cabra, mas as autoridades insistem no ataque de animal, outras são mortas de maneiras diferenciadas, como queimadas, esfaqueadas, dilaceradas também, mas essas são consideradas suicídios, a igreja diz que são obras de demônios enfurecidos ou apenas muito maus.
Ultimamente as mortes andaram aumentando sem explicação, muito fieis da igreja morreram e também pessoas de bairros barra pesada também morreram, inclusive o filho de um homem rico aqui da cidade sumiu misteriosamente, a policia esta louca atrás dele e de um suspeito, mas ate agora nem sombra de um.
Andava pela calçada desviando das pessoas apressadas que passavam conversando no celular e andando as pressas, podia ate ser uma cidadezinha do interior, mas se via muito disso por aqui.
Vi uma placa eletrônica, que tinha uma foto de uma família feliz, um pai uma mãe e dois irmãos sorrindo, a placava mostrava 10Cº em seguida mostrou 09:23 e depois o dia e o mês 15 de Junho.
Continuei meu caminho sem rumo, olhando para baixo reparando nos buracos e rachaduras no chão, uma coisa super interessante sem duvida.
Mas de repente senti bater em alguém, a pessoa derrubou um livro no chão, me abaixei rápido para pegar o livro.
–Eu sinto muito- peguei o livro e me levantei para devolver- Desculpe, por favor... – quando olhei para o dono, alias dona do livro, me surpreendi, nunca tinha visto aquela garota antes, ela usava um casaco preto, uma camiseta branca com uma cruz preta no centro, uma calça jeans azul. Ela tinha cabelos ruivos, seus olhos eram azuis claro.
–Não... esta tudo bem... – sua voz falhou e ela olhava pra mim como se eu fosse um fantasma que apareceu de repente, estava de olhos arregalados.
Tentava desviar o olhar e não manter contado visual, não sei por que, sou tímido, talvez fosse isso.
–Você esta bem?- eu ainda segurava o livro.
Ela olhou fixamente para o livro por um tempo ate voltar em si.
–Estou sim, obrigada pela preocupação- ela pegou o livro e saiu andando, mas antes de virar a esquina ela olhou para mim meio surpresa, novamente parecendo que viu um fantasma e em seguida virou a esquina.
–Eu não perguntei o nome dela.
Me virei e continuei andando.
Estava pensando que, se a Sr. Taylor me encontrasse agora provavelmente iria me matar, a não isso é pecado, então me dar um sermão bem chato e cansativo, ela parece que me odeia.
Sentei em um banco de uma praça, observava as pessoas andando no caminho de cimento, aquele banco de madeira não era confortável, mas parecia muito bom pra quem tinha acordado as 06:00 da manhã.
Meus olhos pesaram, então eu os fechei e cai em um sono profundo.
Quando acordei havia jornais em cima de mim, como se alguém tivesse se preocupado em me cobrir, já era tarde, quase por do sol, estava bem frio há essa hora.
Sentei-me no banco com um movimento rápido, derrubei todos os jornais no chão, uma pomba que estava perto do banco voou assustada.
–Você estava com frio por isso coloquei os jornais...
Olhei para a direção de onde vinha a voz, uma garota estava parada ao lado do banco, era a garota que eu tinha esbarrado antes, ela estava apoiada no banco lendo o livro que eu vira na livraria “origem dos anjos... e demônios”. Ela fechou o livro e olhou para mim.
–E você ainda teve a consideração de jogar os jornais no chão- ela balançou a cabeça negativamente.
–Me descul...
–Não se desculpe, estava brincando- ela sorriu.
–Que horas são?
–Natalie.
–Hora estranha — olhei confuso pra ela.
–Não seu idiota – ela riu- eu disse meu nome, meu nome é Natalie- ela estendeu a mão.
–Oh! Meu nome é Ângelo- apertei a mão dela em seguida soltei.
–Apropriado.
–O que?- novamente estava confuso.
–Não é nada. — Natalie tentou disfarçar o que tinha dito- Alias... – ela se virou pra mim novamente- são quase seis horas.
–SEIS HORAS!- me levantei do banco e sai correndo.
–Ei! Espera ai!
–Me desculpe- continuei correndo- não dá.
Corri pelas ruas, quase fui atropelado duas vezes por homens que buzinaram pra mim e me disseram palavras ofensivas.
Vi que Natalie estava atrás de mim, por quê? Será que ela era uma sequestradora? Ou algo parecido talvez, não, só estava viajando mesmo.
Passei por um beco onde estava acontecendo uma briga feia, entre três garotos, pelo que eu podia ver eram dois contra um,obvio, a menos que fossem cada um por si, mas era dois contra um mesmo.
Fui lá para apartar a briga, peguei um dos garotos pela camisa e o joguei no chão, outro veio me dar um soco, mas eu desviei e ele bateu na parede e caiu no chão.
Os dois saíram correndo sem nem dizer uma palavra.
O garoto que estava em desvantagem estava de pé me olhando, seus cabelos eram lisos rebeldes castanhos claros, seus olhos eram verdes esmeralda, usava brincos prateados nas orelhas, uma jaqueta preta, calça jeans pretas também, seus sapados eram um all star preto de novo, usava anéis nos dedos e uma pulseira com spikes, sua expressão era raivosa, seu olhar era do mau, parecia que ele iria me matar apenas com o olhar.
–O que você pensa que esta fazendo?
–Te ajudando a não apanhar, alias, de nada.
Ele segurou a minha camisa e me puxou, ele era um pouco mais baixo que eu o que era estranho porque acho que a intenção era me levantar.
–Não se meta onde não foi chamado.
–Mas eu... – não consegui mais falar porque o garoto me deu um soco em cheio no rosto, o impacto foi grande, fui parar no chão.
Fiquei muito irritado, levantei e retribui a gentileza, dei um soco no olho dele e segurei sua camisa pra que ele não caísse.
–Seu desgraçado — ele gritou e me derrubou no chão.
Puxei ele, dei um soco em sua barriga e o joguei para longe quase do outro lado do beco, avancei a seu encontro, o garoto me passou uma rasteira e cai novamente no chão, a queda doeu bastante, ele tentou me dar um soco, mas desviei, fiquei em cima dele o segurando no chão, mas ele me jogou na calçada e eu quase derrubei uma mulher.
Ele veio andando ate mim, eu me levantei e fiquei olhando para ele, ele estava com um olho roxo, sua bochecha estava vermelha e seu rosto estava sujo assim como suas roupas, não sei como era a minha aparência, mas deveria estar parecida.
–Não é necessário violência.
–Falou o cara que me deixou com o olho roxo- ele ficou me encarando com uma cara estranha, não estava bravo, parecia confuso meio pensativo.
Olhei para ele novamente, seu rosto era familiar, como se já tivesse visto ele antes na vida, mas eu já o vira na vida, agora estava me lembrando.
–VOCÊ !!!
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