Reverse Mirrors

2 Acordo Interdimensional


Notas iniciais
Olá, caros leitores!

Dessa vez pude atualizar mais cedo.

Se para vocês tiver muito diálogo e o texto precisar de mais descrição ou vice versa, por favor avisem (quando escrevo muito diálogo, acho que explicar cada uma das falas tira parte da naturalidade do texto, mas também... parece que fica meio solto >.>).

Bem, espero que gostem.

Boa leitura.

Uma pequena toalha molhada pendia de suas mãos enquanto seus dedos finos trabalhavam em torcê-la, despejando seu conteúdo líquido dentro da bacia sob seu colo.

Depois de conferir a temperatura da garota mais uma vez, descansou o tecido úmido em sua testa e observou a dificuldade com que respirava; seu peito subindo e descendo , expirando o ar quase como se abandonasse um fardo.

Ergueu o recipiente e postou-o aos pés da cama; pôs no chão os pés até então suspensos e ergueu-se, indo em direção à estante onde guardava seu diário.

Mas antes que pudesse alcançá-lo ruídos vieram da direção oposta, acompanhados por sentenças indistinguíveis e uma série de grunhidos.

Juvia mal teve tempo de se virar e algo atingiu-a e empurrou-a para trás, fazendo-a despencar no chão com o peso de algo por cima dela.

Mal teve tempo de processar a informação recente, e sua agressora, que mais parecia seu próprio reflexo, já lhe enchia de perguntas.

— Onde está a Juvia? Por que você é igual a ela?! — uma de suas mãos apoiadas no chão moveu-se para seu pescoço, enquanto a outra pressionou o ombro contra o piso arroxeado — E por que... — tomou um grande susto ao erguer a cabeça, se deparando diretamente com um quadro da personificação de sua grande dor de cabeça — Por que você tem um quadro desse idiota?! — abandonou a posição inicial e sacudiu-a com veemência.

— A... a Juvia... — tentava responde-la em meio as estocadas cada vez mais violentas, mas a própria voz de seu clone se sobrepunha à sua.

— Responda a Juvia! — urrou em sua voz fina, de alguma forma parecendo tão ameaçadora quanto Erza.

— A Juvia já tentou... mas você... — começou, se surpreendendo quando os sacodes repentinamente cederam; e percebeu a face rubra de sua réplica, enquanto os olhos passaram a vagar sem rumo com uma expressão abobada incrustada num sorriso alienado.

Então, como o previsto, ela desmaiou.

Empurrou seu corpo inerte para cima, observando-o despencar a seu lado. Com resquícios de suspeita, cutucou-a uma vez mais , aguardando algum sinal de consciência.

Sem resposta.

Usou a ponta do dedo para cutucar sua bochecha novamente, e não se surpreendeu quando um braço impetuoso tentou atacá-la novamente. Ainda sentada no chão, cambaleou para trás e evitou o golpe, erguendo um sobrancelha para a garota a sua frente, que lutava para se levantar.

— A Juvia... você está ardendo em febre, é melhor descansar.

Edo-Juvia olhou-a em descrença.

— Onde estou? — murmurou meio grogue.

—Bem... a Juvia deduziu que você é de Edolas, certo? — endireitou sua postura e apoiou os joelhos contra o chão.

— Sou, mas o quê... — ela arregalou os olhos — Não me diga que... essa é a Terra?!

Juvia assentiu, satisfeita com a progressão do diálogo.

— Sim, aqui é a Terra — assentiu e chegou um pouco mais perto — é verdade que o Gray-sama de Edolas gosta da Juvia? — perguntou-a em um sussurrou corada, quase como se fosse um segredo confidenciado entre duas amigas, algo que ninguém de fora pudesse conceber.

Mesmo que, aparentemente, fossem as únicas pessoas no quarto.

Algo clicou em sua mente e Edo-Juvia fitou-a com horror, fazendo menção à sua fala anterior.

— Ei... espera... o que você quer dizer com "Gray-sama"?! — disse em voz trêmula, e gritaria se não fosse pela garganta enrouquecida. — O Gray que tira a roupa?! V-você... — apontou-a com o dedo tremuloso, erguendo-se lentamente do chão. — Não pode ser! Aquele idiota?! — deduziu em choque, com um misto de horror e negligência.

Juvia recuou e abriu à boca para protestar ao ouvir o fim da frase.

— Idiota? O Gray-sama não é um idiota! — se pôs de joelhos em frente a ela e desceu o rosto até ficar de frente ao seu.

Edo-Juvia se assustou, mas, já recuperada de parte do choque, ergueu a sobrancelha e olhou-a desafiadora.

— Claro que é! — afirmou em negação, não mais atordoada com a idéia; respondendo-a quase de forma automática, com a voz levemente mais feminina e estabilizada, da mesma forma que conversava com seus colegas de guilda em Edolas.

— Não se atreva a falar mal do Gray-sama! — se atirou conta ela e começou a balbuciar uma série de declarações direcionadas ao rapaz do quadro, com olhos em forma de coração.

— Acho que vou ficar doente — murmurou Edo-Juvia, de olhos arregalados e expressão enojada — Acho que vou vomitar... – disse em tom enfermo, virando o rosto para o lado.

A mulher da chuva levantou-se num sobressalto e deixou seu "outro eu" caído no chão.

Seus olhos se fixaram nela por incontáveis segundos.

— O que você quer? — esbravejou — Pare de olhar pra Juvia assim!

— A Juvia não pode pegar sua doença... se não ela pode passar pro Gray-sama... — reflexionou em voz baixa.

— Você è doida? Quem se importa com o idiota do Gray?

—Se o Gray-sama ficar doente, talvez... talvez — seus olhos assumiram a expressão de pânico.

— O quê?

Edo-Juvia esperou por algo de relevante importância, mas quando sua resposta veio, se arrependeu de ter mesmo perguntado.

— Talvez o Gray-sama não tire mais a roupa! — assumiu com as bochechas coradas.

A mulher caída sentiu vontade de esbofetear a si mesma.

"Quando a Juvia imaginou à si mesma em outra dimensão, ela pensou que seria de outro jeito... menos doida, talvez." pensou observando a dama da chuva remexer a cabeça de um lado ao outro com vapor saindo de seus ouvidos, dizendo coisas como "Sim, Gray-sama... trinta bebês ou mais...".

Inesperadamente, sua ilusão cedeu e os olhares da maga se voltaram novamente para ela.

— Então... talvez Juvia deva falar com o Jellal-san para te mandar de volta, certo?

A mulher se remexeu um pouco no chão.

— Não.

— Por que? Você não quer voltar? — perguntou com curiosidade.

— A Juvia... quer — retrucou com certa dúvida — Mas... pelo que ouvi dizer, nesse mundo existe magia... magos, monstros , objetos mágicos encontrados mais facilmente... —refletiu até chegar no ponto principal — e... aventura.

Juvia compreendeu, e chegou mais perto para ajudá-la a se erguer outra vez. Ofereceu a mão e sorriu agradavelmente.

— Então... a Juvia de Edolas quer passar algum tempo aqui? — segurou suas mãos e se levantou lentamente, de forma que sua visitante fosse capaz de se manter de pé.

— Sim — veio a resposta, sem sombra de hesitação ou dúvida.

Seu sorriso acolhedor se ampliou ainda mais, e junto com ele vieram palavras roucas e impacientes.

— Se você se esforçar em mostrar pra Juvia tudo o que esse mundo tem de bom... a Juvia pode te ajudar com o esse Gray. — um pequeno sorriso brincou em seus lábios quando a mulher quase a soltou. Usou os ombros como apoio e voltou a falar. — Então... aceita?

A azulada suprimiu o iminente ataque de energia que ameaçava deixá-la, e assentiu vigorosamente.

— A... a Juvia aceita! — declarou com emoção — Pelo amor do Gray-sama!

Ignorou o revirar de olhos que recebeu e correu para sua cama, buscando sua inseparável pelúcia de Gray, enquanto a outra mulher presente observava a cena incrédula.

Apesar de toda a loucura, algo a dizia que tal experiência valeria à pena.

Notas finais
O próximo capítulo não deve demorar muito, mas... como também tenho outras fics que preciso atualizar (graças à brilhante idéia que tive de escrever tudo ao mesmo tempo), talvez não saia em uma semana ou pouco mais que isso.

Talvez.

Bem... alguma sugestão, crítica, comentário... ficarei mais que feliz em receber.

E quanto a paranoia da Juvia em relação as "rivais"... aparecerá em breve (>:3)

Espero que estejam gostando.

Até a próxima o/