Em dois dias minha vida ganhou uma revira volta descobri que tenho um pai, antes eu era só um nome e agora ele tem um rosto.

Com tudo isso tirei minhas conclusões ele e Miranda se relacionaram dessa relação tiveram a mim, Erick é um homem que ao contrário do que eu pensava é rico e muito bonito, para Miranda é o melhor que já lhe aconteceu ele é o principal candidato a vaga de marido e ainda lhe deu uma filha, duvido que não o amasse, bom, com todos esses prós pelo menos era o dever dela saber fingir.

Os recibos que achei são provas, Erick sabe de minha existência e manteve contato com Miranda durante todos esses anos, enquanto ele tem uma vida plena e feliz sou obrigada a aturar e aceitar as sandices da minha mãe além ser sua fonte de renda extra, de acordo com as datas o próximo deposito não esta longe Miranda vai continuar recebendo a minha pensão até que eu complete dezoito anos, meu pai é chance que tenho para me livrar dela e ele a mudança de vida que preciso.

Peguei papel e uma caneta escrevi as informações que tinha conseguido, em seguida comecei a guardar os papeis no buraco do assoalho quando um ouvi um barulho lá embaixo, saí do quarto e olhei pelo vão da escada para meu azar Miranda havia chegado mais cedo, vi que tinha guardado da mesma maneira que ela deixou coloquei o tapete no lugar, sai do quarto, fechei a porta cuidadosamente olhei por cima da escada e ela continuava lá embaixo. Fui para o meu quarto entrei e tranquei a porta, Miranda subiu pude ouvir os passos dela na escada, passou pelo corredor e entrou no quarto a minha chance de sair era no momento em que ela fosse tomar banho.

Esperei durante alguns minutos abri a porta o corredor estava vazio, pelo jeito ela já tinha entrado para tomar banho e não tinha maneira de sair de casa, desci as escadas e fui em direção a porta da cozinha, mas como nada na minha vida é fácil, claro que a porta da cozinha estava trancada então não poderia sair pelos fundos, tirei os sapatos e corri em direção a sala para minha felicidade a porta estava aberta.

Esse medo que sente por sua mãe, sempre esteve presente na sua vida ?, pergunta o psicólogo.

Medo?, questionei, se o senhor tivesse tido uma mãe como Miranda entenderia que esse sentimento é o primeiro da lista a sentir por ela.

O quê de tão grave ela pode ter feito? Para te afetar desse jeito.

Confesso que Miranda aprontou poucas e boas comigo, mas nada se compara ao que vou te contar agora, um pouco antes de começar a sondar sobre a vida do meu pai conheci um rapaz bem mais velho do que eu, ele tinha vinte e dois anos não era nada sério até que um dia ele me perguntou se teria coragem de sumir no mundo só nos dois e respondi que sim. Entre linhas era um pedido de casamento não oficial, combinamos que sairmos da cidade em três dias comecei a arrumar minhas malas aos poucos aproveitando sempre que Miranda não estava em casa, no dia programado ela chegou completamente bêbada e transtornada porque havia levado um fora o homem com quem ela saia descobriu que Miranda era mãe e acabou com o relacionamento, e ai estava a combinação perfeita bebida, raiva e frustração, ela entrou no meu quarto me culpando e ao mesmo tempo me agradecendo por estragar a vida dela de novo nós discutimos, ela viu a porta do meu guarda roupa aberta e que as minhas roupas não estavam lá nem as malas.

Perguntou aonde eu iria e contei verdade que Marcos havia me pedido em casamento que aceitei e estava de partida, Miranda ficou furiosa nunca a tinha visto tão transtornada, eu, saí em direção ao corredor.

Desci as escadas e quando cheguei no meu dela, Miranda gritou :- Estamos juntas até o fim da vida se não estiver comigo não estará com ninguém.

Tente me impedir, chega das loucuras eu cansei de ser seu saco de pancadas, respondi.

Quando dei as costas ela me agarrou por trás e me empurrou, desci rolando as escadas quando finalmente cheguei ao chão Miranda subiu em cima de mim me, esbofeteou- me de novo, de novo e novo ate que ela cansou.

Consegui sair debaixo dela e devolvi o tapa, uma, duas, três vezes e me afastei não satisfeita ela pegou o cinzeiro que ficava em cima da escrivaninha e veio em minha direção eu a chutei, ela bateu contra a parede e apagou, fiquei tão assustada que saí correndo, foi a primeira vez que a agredi e o senhor pode pensar que carrego comigo um sentimento de culpa mas não se tivesse outra oportunidade faria de novo.

Têm razão, respondeu o psicólogo, não vejo culpa ou remorso o que enxergo é uma mulher com a grande necessidade de continuar odiando a sua mãe, e se questionando o quão parecida com ela é, quando você era uma garotinha a sua mãe lhe negou amor e o sentimento maternal.

Ela me roubou o direito de ter uma mãe assim como me roubou o de ter um pai, respondi, por isso precisava me livrar dela ou iria enlouquecer já estava farta de viver embaixo do mesmo teto que ela, o fato de não conhecer meu pai de saber como era sua personalidade não me importava igual a Miranda não conheci ninguém .

E sabendo de tudo isso, com as dúvidas em relação ao seu pai e como seria essa aproximação a senhora o procurou? , perguntou o psicólogo.

Quando procuramos escapar, qualquer carona serve

Depois de consegui sair de casa sem que Miranda notasse voltei para a casa da minha tia Amanda, a procurei mas pelo que tudo indica havia saído, comecei a pensar no meu plano futuro de encontrar meu pai e me livrar do meu pior pesadelo foi ai que a idéia me veio, ambos se falavam porque não ligar para ele fazendo me passar por Miranda, marcaria um encontro e apareceria de repente no lugar dela.

Mas precisaria de um álibi caso digam que armei a situação toda e a pessoa indicada é Amanda

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.