Reverberação
1 Silêncio
Notas iniciais
A vida de Lisa era o silêncio.
O silêncio era sua vida.
O tempo todo as pessoas tiravam coisas dela. Eles tiravam quando estavam na escola, eles tiravam quando estavam em casa. Eles tiravam tudo dela, até que não lhe restasse mais nada.
Ela apenas lhes dava silêncio.
Quando eles zombavam dela, quando eles abusavam dela, ela não iria reagir, não iria protestar, não iria revidar.
O silêncio não machucava, apenas a anestesiava durante os seus dias monótonos.
Silêncio era tudo o que ela conhecia.
Silêncio era tudo o que havia.
Ela caminhava pelos corredores silenciosos, ruas silenciosas, escadas silenciosas. À noite ela iria se deitar em seu quarto silencioso com sua tristeza silenciosa. O silêncio não machucava, mas a solidão sim, e o silêncio não podia lhe ajudar com isso.
O silêncio a estava matando.
Ela nunca iria falar uma palavra durante sua rotina silenciosa e solitária. Ela iria beber seu silêncio e engoli-lo, deixá-lo pousar no fundo do seu estômago. Como um veneno, ela iria permitir que ele corresse por suas veias e contaminasse seu sistema. Ela iria segurar suas lágrimas e afundar no vazio, deixando-o consumi-la até que não restasse mais nada. Nada além do silêncio.
Silêncio era tudo o que havia.
E ela estava pronta para deixá-lo matá-la.
Pronta para afogar-se nele. Pronta para abrir mão de tudo e apenas flutuar para longe em silêncio.
Pronta para ser uma folha caindo, seguindo o vento silencioso.
◈
Mas naquele dia ela encontrou um sorriso como o Sol, e olhos como gelo.
E de alguma forma sua vida foi preenchida com música mais uma vez.
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