Revenge Of Love

7 7. - Não daria certo, não sou o cara certo para você se apaixonar. -


— Q-que? — Hana não conseguia acreditar que Tooru estava falando algo do tipo. O que lhe incomodava muito era saber que ele conseguia lhe ler daquela forma. — Não brinque com isso! — Afirmou, mordendo o lábio inferior, sentindo vergonha. Como eu poderia pensar nele agora? Tooru faz parte da minha vingança. Pensou consigo mesma, se sentindo culpada por cogitar essa possibilidade.

— É como dizem, para esquecer uma antiga paixão, tenha outra. — Tooru dava de ombros com relação aquilo, não sabia até que ponto era verdade, mas parecia coerente, além disso, não lhe agradava em nada ver a moça sofrer por um crápula, talvez fosse apenas simpatia, ou afeição, nada relacionado a um possível amor, entendia e compreendia seus próprios sentimentos, durante aquele tempo se moldou para entender e se proteger de uma inesperada paixão, até então tinha exito.

— Você faz parte da minha vingança! Não faz nenhum sentindo, além disso, Hikaru nunca foi minha paixão, só usei ele porque era bonito. — Hana não mentia ao todo, apesar de Tooru não acreditar naquelas palavras, já a tinha visto chorar, se fosse tão insensível sobre aquilo, não pensaria em dar o troco no outro.

— Ok. — O rapaz não iria discutir no momento. Ainda queria ver o álbum de fotos, contudo a moça havia escondido, nada poderia fazer sobre isso.

Não demorou a família de Hana estava toda reunida na sala. A menina estava bastante nervosa, começando a achar uma péssima ideia ter trazido Tooru até ali. O rapaz ao contrario dela, estava dando seu sorriso simpático, tentando ser agradável. A mãe de Hana era a única que não estava olhando o rapaz de forma inquisitorial.

— Então, quais suas intenções com minha filha?! — O pai coruja indagava de forma bastante obstinada, tentando ser o mais duro possível, apesar de ser mais mole que uma geléia.
— Oh. — Tooru se surpreendeu com a primeira abordagem. — As melhores possíveis, na verdade foi difícil conquistar a Hana-chan, tive que lutar muito até que finalmente ela me notou, foi um trabalho árduo e não pretendo de forma alguma fazer qualquer coisa que a decepcione. — O rapaz falava de forma verdadeira, até fechando os punhos com a veracidade. O próprio não sabia que conseguia atuar tão bem.
— Cuide da minha filha. — O homem estava quase chorando, emocionado pelas palavras do Tooru.
— Como assim pai?! — Kato não parecia nenhum pouco satisfeito com isso. Como a mãe já havia aceito de prontidão, não tinha porque discutir.
— Ah, senhor Shimizu, eu vi alguns dos seus trabalhos, são realmente incríveis. — Tooru dizia apenas para ressaltar. O homem ficou corado e começou a rir sem jeito, parecia realmente satisfeito com o rapaz naquele momento.
— Acho melhor irmos almoçar. — A mãe dizia mais aliviada. Indo na direção da cozinha. Kato ainda encarava Tooru como se fosse seu pior inimigo.

Hana se sentia mais tranquila, ao menos os pais pareciam aceitar bem a presença do seu namorado postiço. Como Tooru conseguia se manter tão calmo? Essa era sua maior dúvida. Ele não parecia abalado pela grosseria do seu irmão ou mesmo pelo ambiente, talvez por ser tudo uma mentira.
— Filha, você cozinha tão bem. — O pai dizia feliz, enquanto todos começavam a se servir.

Tooru concordou apenas com um aceno. Sorrindo, sabia o quanto a menina cozinhava bem, apesar de ainda duvidar vez ou outra. Hana se sentia muito bem com os elogios. Seu ego estava muito bem massageado.

Porém, seu irmão não ponderou em nenhum momento, sempre falando coisas desagradáveis. Contudo, Tooru parecia uma montanha inabalável, apenas sorria e respondia cordialmente. Kato estava ficando cada vez mais impaciente com essa atitude.
A sobremesa tirou um pouco a tensão, afinal suflê de morango sempre era bem vindo. Todos naquela casa eram fãs de morango.

— Que tal uma disputa amigável? — Kato indagou com um sorriso de canto, apontando para o console. Seus pais haviam ido descansar no quarto, então deixariam as crianças brincando na sala.

— Você não é obrigado Tooru. — Hana olhou de forma a reprovar essa insistência do irmão.
— Por mim tudo bem. — O rapaz se sentou no sofá. Hana soltou um suspiro frustrado, mas gostava bastante de jogar, apesar disso fazia tempo que não se dedicava a algum jogo...

A disputa era acirrada, Kato vencia algumas e se vangloriava por isso, era um péssimo ganhador, outras Tooru vencia, apenas sorria de leve como se fosse a coisa mais normal do mundo, o que irritada ainda mais o mais velho. Parecia que a vontade de Kato era tirar Tooru daquela compostura toda.

— Eu quero jogar. — Hana Dizia com um sorriso falso inocente, se sentando no meio dos dois.
— Não, nem pensar, você vai estragar tudo. — Kato revirou os olhos, relutante em entregar o controle a irmã.
— Como assim? — Tooru perguntou curioso, Hana não parecia o tipo de garota que curtia vídeo game, apesar de ter visto um console no quarto da moça.
— A Hana não serve pra jogar nada na verdade. — O irmão mais velho parecia convicto sobre isso.
— Para de chorar, vai ser divertido. — A moça ficou animada, talvez porque o seu pseudo namorado estivesse ali.

Quando recomeçaram as rodadas, Tooru notou o motivo do Kato ter dito aquilo, Hana não perdia nenhuma para os dois, parecia que havia sido feira para o vídeo game. Porém, aquilo em nada combinava com a menina, parecia que quanto mais a conhecia, mais se surpreendia, Hana tinha vários lados que fugiam da imagem que ela frequentemente passava na escola. Tooru se sentiu intrigado com isso... Quem era ela de verdade?

— Vocês são muito ruins. — Hana desistiu, largando o controle.
— Você é chata. — Kato desistia da mesma forma, como ela conseguia estragar algo tão divertido com essa mania de vitória excessiva?!
— Eu preciso ir. — Tooru comentou enquanto foi se levantando.
— Levo você até a estação e não, você não vem aniki. — Hana intimou Kato que parecia inconformada, contudo, acabou aceitando.

— Obrigada por ser tão paciente Tooru. — Hana dizia, um pouco tímida, enquanto andavam juntos, não havia em nada sido um dia ruim, pelo contrário. Se tivesse insistido para trazer o Hikaru quando estavam namorado teria sido bom?
— Sua família é adorável, um dia conquisto seu irmão. — O rapaz dizia rindo, divertido.
— Não precisa se esforçar muito pra isso. Ele é cabeça dura. — Hana bufava de impaciência. Mas estava mais calma agora que tudo tinha terminado.
— É melhor eles pensarem, mesmo o Hikaru, que quem pediu e se apaixonou primeiro fui eu... — Tooru havia pensando sobre isso e achou mais coerente ser dessa forma. Afinal, se Hana queria passar a imagem de que não era uma mentira, dessa forma era a mais fácil.
— Obrigada. — A menina dizia parando na estação. Tooru percebeu que o trem não demoraria a chegar.
— Disponha. — Ele sorriu de leve, virando com intenção de ir na direção do trem. Hana ficou encarando sem entender. Tooru era a criatura mais misteriosa que conhecia.

Ele parecia gentil, era inteligente, sociável. Porque não tinha amigos? Porque se afastava... Começou a se interessar em descobrir sobre ele. Era pura curiosidade, não iria mais sentir nenhum tipo de paixão por mais ninguém. Antes que Tooru fosse na direção do trem, Hana segurou a manga da sua camisa, mas foi por instinto, porque via Hikaru andando do outro lado, na rua, parecia distraído, havia uma menina ao seu lado, ela ria bastante, ele segurava em seu ombro bastante perto, enquanto sussurrava vez ou outra algo em seu ouvido, pareciam bastante íntimos.

Tooru olhava na direção que a menina parecia prestar muito atenção. O rapaz segurou a cabeça de Hana, levando-a até seu peitoral, encostando ali, envolvendo-a em um abraço. Não sabia porque agia tão protetor, mas de alguma forma se sentiu feliz por ter concordado em participar daquilo, se empenharia para a situação ficar mais verdadeira, além de provocar o ex dela sempre que tiver oportunidade.

Hana se segurou na camisa do maior, não estava chorando. Na verdade, se sentia injustiçada por aquele crápula. Então ele não mentira em nada quando lhe rechaçou daquela forma, simplesmente não tinha lógica, foi apenas pelo prazer de lhe humilhar. Se separou do braço.

— Já chega. Estou bem. — Hana dizia franzindo o cenho enraivecida.
— Não duvido disso. — Tooru sorriu ao perceber a determinação da garota. — Vamos fazer com que ele se arrependa de um dia ter pensando em terminar.
— Sim! — Hana estava mais disposta e animada, fechando os punhos olhando para cima, fazendo uma pose inusitada que fez Tooru rir baixo.
— Essa é a motivação. — O rapaz dizia.
— Porque não me apaixonei por você? — Hana suspirou, será que as coisas seriam diferentes?
— Não daria certo, não sou o cara certo para você se apaixonar. — Tooru falava um pouco mais sério. Hana não tinha o que responder, então o rapaz vai na direção do trem, deixando a menina sem saber o que se passava na cabeça dele.

Hana voltou pensando mais no que Tooru queria dizer com aquelas palavras e sobre seu ex namorado maldoso. Não chegaria a conclusão nenhuma com isso. O rapaz era misterioso, queria conhece-lo mais e ser a namorada de mentira dele lhe proporcionaria isso, então poderia ter um amigo, não é?