Revenge Of Love

6 6. - Você Poderia Pensar Em Mim.


— Vai ficar apenas inchado. — A enfermeira dizia enquanto colocava um pequeno curativo na região da testa. Hana ainda não acreditava que havia levado uma bolada, acreditava menos ainda que havia pensando que Hikaru poderia ter se comovido consigo. Porque ainda tinha alguma esperança, depois de tudo que ele fez? Era uma idiota, mas nem que ele implorasse de joelhos reataria.

— Está melhor agora? — Tooru foi trazendo a pasta da menina e a sua, Hana já havia trocado de roupa.
— Obrigada por me carregar. — Hana sentia as bochechas esquentarem de leve, era constragedor imaginar o maior lhe levando nos braços, porém, tinha que se resignar que havia realmente acontecido.
— Sou seu namorado. — O garoto sorriu divertido, piscando para ela. Ainda estava achando interessante aquela história, obviamente Hana ainda não havia esquecido o ex namorado, a compreendia muito bem, apesar de ainda achar que aquele relacionamento parecia superficial. Não poderia crítica-lá.
— Tem razão, vou tratar como sua obrigação. — Ela empinou o nariz e se sentou na cama, ainda sentia a cabeça doer, mas ignoraria isso por enquanto, queria apenas voltar para casa.
— O almoço no sábado ainda está de pé? — O rapaz indagou interessado. Aquela situação mesmo ficando seria ainda estava divertida.
— É... Sim, não tem como evitar agora. — Fez uma careta. Notou que com Tooru poderia relaxar, talvez porque fosse seu namorado de mentira, não precisava ser tão feminina e arrumada, até passava menos tempo se maquiando, apesar de que não deixaria essa mania de lado, ao menos com o outro poderia agir mais naturalmente.
— Não tem problema, pode ser interessante, ao menos não vou sentir a pressão que um namorado de verdade sentiria. — O rapaz sorriu divertido e Hana suspirou, achando bastante coerente o que ele dizia.

Tooru fez a gentileza de lhe levar até em casa, não quis nem encarar o próprio armário da escola, não estava nenhum pouco disposta a se estressar vendo todo aquele lixo. Então preferiu ir direto para casa. Hana pensaria em uma solução depois, faltava apenas dois dias para o fatídico almoço, tinha que se preparar.

— Até amanhã. — Tooru acenou e foi saindo.
— Então é pra ele que você tem feito os obentos e acordado mais cedo? — Seu irmão vinha chegando em casa, teve a impressão de ver alguém o seguindo. A garota estreitou o olhar.
— Ele é meu namorado, porque não faria essa gentileza? — Foi adentrando a casa com passos pesados e irritados.
— Porque... Eu, o que foi isso na sua cabeça?! — Kato, andou mais rápido e antes que a menina subisse a escada, o rapaz segurou seu rosto de leve, olhando para o curativo em sua testa.
— Eu caí no treino de vôlei, acabei me distraindo e recebi uma bolada. — Hana estava sem jeito por isso, não queria despertar nenhuma comoção a cerca da situação, mesmo porque se lembrasse o motivo da distração, se sentiria ainda mais culpada.
— Tenha cuidado. — Kato franziu o cenho, se preocupava muito com ela, a última coisa que queria a era ver sua irmã machucada. — Vou comprar sorvete de morango então... Assim talvez você se sinta melhor.
— Ah. — Hana adorava sorvete de morango, adorava qualquer coisa com morango, ela abriu um sorriso enorme. — Obrigada aniki.
— Vai descansar. — Ele soltou a irmã e saiu.

Hana apenas tomou um banho, colocou uma roupa leve e não sentiu vontade de se arrumar toda, não iria sair, então ficaria um pouco "jogada", poderia se dar esse luxo, não é?

Esperou seu sorvete de morango. Acabou dividindo com seu irmão que lhe contou que ultimamente se sentia observado e não sabia dizer o motivo. Talvez alguém o stalkeando? Não tinha como saber. Seu pai quando chegou, apesar de preocupado com o machucado da filha, também se juntou ao sorvete de morango.

As coisas pareciam mais calmas durante o jantar, apesar de que ainda se preocupava com o dito almoço.

Durante aquela manhã já não sentia dor de cabeça, contudo estava levemente roxo onde a bola lhe acertou, decidiu continuar com o curativo, porém colocou uma faixa estilosa no cabelo, fez sua corrida matinal, preparou o obento do Tooru, depois o próprio e foi para a escola.
Aquele dia foi particularmente normal para Hana, não teve a infelicidade de encontrar Hikaru, aproveitou as primeiras aulas para descansar, evitou olhar o armário que deveria está deteriorado pela depredação do patrimônio escolar feito por meninas invejosas.

— Vou levar algo doce. Talvez um bolo? — Tooru pensava enquanto novamente comia o almoço feito pela moça, não se cansava do sabor apesar de ser difícil acreditar que aquelas mãos bem cuidadas com unha impecável faziam algo tão incrível.
— Bolo de morango, pudim de morango, qualquer coisa com morango. — Hana afirmou.
— Já percebi que alguém gosta de morango. — Tooru achou engraçado, porque de fato combinava com ela.
— Sempre gostei. — Hana suspirou, o sorvete de morango do dia anterior não teve a menor chance.
— Já pensou no próximo passo? — Tooru indagava com relação ao ex namorado dela.
— Não tanto, mas quero que ele perceba o quanto nosso relacionamento é sólido. Depois vejo outras formas de mostrar o quanto sou feliz... Hikaru é orgulhoso, por mais que ele nunca tenha gostado de mim... — Hana parou, ainda não gostava de falar sobre aquilo.

Tooru a observava enquanto levava o hashi até a boca, pensando se contaria a moça, mas preferia fazer isso em outro momento. O rosto mais sério dela não era ruim.

O problema naquele momento, não era apenas Hikaru perceber a intimidade do casal, eram as fãs de Tooru que não poderiam acreditar que Hana conseguiu a atenção do rapaz tão facilmente. Ele não falava praticamente com ninguém, a não ser que fosse necessário. Isso despertava a inveja das que desejavam ao menos um bom dia amigável. Afinal, porque uma garota que nem a Hana e não qualquer outra que gostasse dele dês do início?

Elas pretendiam fazer Hana se arrepender de ter invadindo o espaço do rapaz. De pensar em namorar com ele. Iriam colocar o plano em prática, não demoraria muito.

Hana fez compras bastante cedo no sábado. Pretendia fazer o almoço, o que surpreendeu seus pais. Sua mãe sairá para trabalhar, mas voltaria durante o almoço, como seu pai trabalhava em casa, não tinha muito o que fazer. Kato estava fazendo trabalhos na faculdade, mas fazia questão de vim mais cedo.

Antes do almoço a campainha tocou. Hana deixou tudo pronto, caprichou bastante, por mais que Tooru fosse seu pseudo namorado, ainda tinha aquele senso com relação a comida, já que parecia que o rapaz adorava comer.
A garota abriu a porta afobada, alinhou seu vestido curto e bonito, com cores claras entre branco e azul, além da sapatilha que combinava, os cabelos pretos em tranças, além do cordão delicado. A maquiagem leve, unhas bem feitas, tinha caprichado. Tooru estava a sua frente, segurando um embrulho que tinha cheiro de morango, o rapaz estava diferente, sem o uniforme da escola, era ainda mais bonito, apesar dos cabelos arrepiados.

— Oi. — Ele sorriu esperando a menina dar passagem, ficou sem jeito por notar a forma que ela lhe olhava. — Hana-chan?
— Q-que? — Ela deu espaço para ele passar. Como alguém tão bonito quanto o outro poderia topar em participar de um plano tão louco por obentos?! Se ele quisesse tirar uma casquinha sua até entenderia. Não se importaria de beijar alguém tão bonito. Hana sacudiu a cabeça com o pensamento que lhe surgiu.
— Meu pai está no escritório, meu irmão e minha mãe vão demorar um pouco. Vamos pro meu quarto. — Ela pegou a embalagem da mão dele e colocou sob a mesa, guiando o rapaz até seu quarto.

— Imaginava tudo rosa. — Tooru realmente pensou que seria um quarto extremamente feminino. Tinha uma cama grande com estampa branca e azul. — Sua cor favorita não seria azul, não é?

— Ah... — Ela acenou positivamente com a cabeça. O quarto prevalecia o azul, além de algumas almofadas grandes no chão para sentar e uma mesinha. Algumas pelúcias, um postar de bandas descoladas. Vídeo game não tão usado em um canto.

— Podemos esperar um pouco. Por favor, só não peça para ver meu álbum de fotos. — Hana se sentou em uma das almofadas, Tooru fez o mesmo.
— Porque eu faria isso? — Tooru já estava procurando um possível álbum, queria rir um pouco. Imaginando como a menina seria quando era criança.
— Não seja idiota! — Hana o escondeu bem, era vergonhoso. Nunca xingararia o outro se ele fosse seu namorado de verdade. Se sentia bem a vontade perto do Tooru. Ele já tinha lhe visto sem maquiagem, com ela toda borrada também, não tinha muito o que temer.

— Hana-chan, queria te contar uma coisa... — Tooru não sabia se era o momento certo, se aproximou mais um pouco da menina.
— O-o que?! — Será que o garoto tinha se apaixonado por si? Agora se dava conta disso?! Queria se aproveitar que estavam sozinhos no quarto para tentar uma investida mais profunda? Hana começou a ficar nervosa, ainda bem que escolheu um conjunto lindo de lingerie, era azul com flor no meio, então não tinha com que se preocupar. Claro que se depilou em caso de emergência. Seu coração parecia que iria sair do peito de tão nervosa. O rosto queimava em vermelho vivo.
— Você está pensando em bobagem de novo, não está? — Tooru achava bem fácil ler a menina, possivelmente ela estava lhe assediando mentalmente. — Sua pervertida.
— N-não! Eu nunca... — Hana levou ambas as mãos ao rosto tentando se acalmar. — Fale logo o que você quer.
— Quando você desmaiou na quadra, o Hikaru correu na sua direção. Ele parecia preocupado com você, mas eu impedi que ele te levasse pra enfermaria. Não achei que ele merecia fazer isso. — Tooru viu toda a cena, estava chegando na quadra para esperar Hana terminar e irem juntos. Viu o rapaz correr e se antecipou, achou doentio depois de tudo o que ele fez, não permitiria que ele a carregasse.

Hana estava digerindo aquela informação. Porque ele ficaria tão preocupado com alguém que tinha humilhado daquela forma? Hikaru não fazia nenhum sentindo. Então, ele se importando faria sua vingança ser mais fácil, pois mexeria com ele de forma mais efetiva... Mesmo assim, pensando naquilo, não sabia o que fazer, se sentia meio euforia por ele ainda gostar de si.
— Você ainda pensa nele, não é? Ainda está apaixonada por ele. — Tooru entendia esses sentimentos, era injusto com a garota, ela fazia um enorme esforço para demonstrar o contrário.
— Eu... Não... — Hana sabia que ainda nutria alguma coisa, mas era envolvida por rancor. — Não vou mais pensar nele. Vou esquecer de tudo...
— Pra isso... — Tooru segurou o queixo dela e apontou na própria direção, fazendo ela olha-lo. — Você Poderia Pensar em mim.