Revenge Of Love

5 5. - Não, Eu Sempre Soube Que Era Você.


— O que você pensa que estava fazendo aniki?! — Hana dizia exasperada, não acreditava que ele havia intimado seu pseudo namorado a comparecer no sábado, o que falaria para seus pais? Aquilo estava soando pior e mais sério do que achou, contudo, só de pensar no rosto retorcido de raiva do Hikaru já parecia valer a pena. Mesmo que acreditasse que ele não lhe amava de verdade ou se quer estava apaixonado por si, ainda havia aquele sentimento de orgulho masculino e usaria isso pelo seu bem, mesmo assim... Quando parava e se lembrava de várias situação, do romance, do cinema, de como ele pegava na sua mão, ou já lhe protegeu da chuva. Ainda não conseguia entender porque aquele idiota conseguia ser tão cruel.

— Você arruma um namorado do nada e acha que eu ficaria calado e sem fazer nada? Vamos ver como ele lida com a situação então, pode ter certeza que não vou facilitar para ele. — Kato era ciumento de fato e não entregaria sua irmãzinha para qualquer um que ousasse se declarar para ela.

— Você.... Não ouse sabotar meu relacionamento com o Tooru. — Hana estava ficando impaciente com isso, foi entrando em casa e tomou um susto quando se deparou com o pai na porta, pulando para trás, esbarrando no irmão que vinha a seguir. Ele segurou seu ombro para a menina não desabar no chão.

— Que relacionamento com Tooru? — O pai da moça indagava enquanto tomava uma xicara de chá, pensando no próximo projeto.

— O namorado da Hana vem almoçar aqui no sábado papai. — Kato dizia apenas de maldade enquanto o pai dela parecia um pouco surpreso.

— Minha Hana esta namorando?! — Uma lagrima escorria do rosto do homem que parecia mesmo ver a moça como se fosse uma criança. Hana estava começando a ficar impaciente, passando pelos dois e indo na direção do próprio quarto.

— Parem de encher minha paciência, namoro e vou continuar namorando com ele independente do jeito que vocês o tratem no sábado, entenderam? — Afinal Tooru era deveras importante para seus planos futuros, então não iria terminar com ele nem que descobrisse que ele era assassino de aluguel. Se sentia cansada daquela discussão desnecessária, porque tinha que passar por isso? Se jogou na cama, olhando para o tento.

Hana não sabia qual seria seu próximo passo, entendia que tinha que tomar uma atitude com o Hikaru, mas por enquanto deixaria que ele visse o quanto seu relacionamento era forte e apaixonado, que ele não passou de um erro em sua vida. Novamente sentia seus olhos marejarem, estava inconformada por ele ter lhe tratado pior que lixo, como ele descartou todos os bons momentos assim? Respirou fundo e limpou seus olhos, não iria chorar por um fracassado!

— Hana meu amor. — Durante a noite sua mãe adentrou o quarto, claro que bateu na porta. Era uma mulher bonita e nova, aparentava ter menos idade. Trajava um terno feminino indicando que havia acabado de chegar do trabalho. — Ouvi dizer que seu namorado vem almoçar conosco no sábado.

— Até a senhora? — Hana estava enfadada com a situação. Ainda bem que não havia falado do Hikaru, teria que justificar toda a história e o motivo de ter arranjando um novo namorado, além do fato de que não sabia que o ex aguentaria a pressão da família.

— Calma. Não tenho problema que você namore, além disso, vou adorar conhece-lo. — Ela sorria de forma genuína. Apenas afagando de leve sua filha vaidosa, sua mãe queria muito que ela voltasse a treinar karatê , mas não pediria isso a ela, não agora ao menos.

— Finalmente alguém sensato. Obrigada mãe. — Hana ficou feliz que sua mãe lhe apoiasse, ao menos poderia se sentir mais segura em trazer o Tooru. Mesmo que fosse um namoro de mentira, ainda se sentia envergonhada por toda aquela situação. Estava mais real do que esperava.

No dia seguinte, quando a garota chegou na escola, notou com esplendor que a noticia havia se espalhado e isso lhe dava um prazer inexplicável, gostava da sensação de ser notada, isso inflava ainda mais seu lindo ego, não que necessariamente precisasse de tanta atenção para isso ocorrer.

Sabia que acabaria sendo intimidada por algumas garotas que odiavam perder. Quando adentrou a escola sem dar atenção para algumas falácias que ouviu pelo caminho, Hana abriu o armário e notou que havia garrafas, papéis sujos e alguns escritos vulgares, eram tão previsíveis.

— Oi. — A voz vinha um pouco mais de baixo, a esquerda da garota. Watanuke Miki era assistente do time de basquete, era uma moça baixa, cabelos claros, grandes e vistosos, sorriso fofo, jeito de garotas frágeis a serem protegidas. Hana não gostava dela, sabia que Miki sempre gostou do Hikaru, não só por isso, ela parecia ser uma verdadeira mentira, com aquele jeito gentil e fofo.

— Oi Watanuke. — Hana falava indiferente. Deixando o lixo ali mesmo, trocando os sapatos, mas deixando o seu na sua própria pasta. Não iria limpar algo que outras pessoas sujaram de pirraça.

— Pode chamar a Miki de Miki. — A menina usava uma blusa de manga comprida que cobria as mãos, colocando as mesmas próximos do rosto sorrindo bobamente.
— O que você quer aqui? — Hana revirou os olhos e foi andando na direção da sala. Porque tinha que aturar aquela garota?
— Miki está preocupada com a Hana-chan, as pessoas estão chamando você de vadia por estar namorando o Hanataro-kun. — A menina fazia cara de preocupação, a qual Hana definitivamente não acreditou.
— Miki, me deixe em paz, pode ser?! — Hana entrou na própria sala, naquele momento agradeceu pela menina não estudar em sua turma.

Analisou sua carteira e até então não tinha nada que pudesse lhe ferir ou sujar seu uniforme impecável. Esperava que continuasse assim. Não havia visto Tooru, esperava que ele não tivesse enfrentando nenhum problema por sua causa. Olhava para o lanche que novamente havia acordado cedo para fazer... Não era nenhum pouco ruim ter alguém que gostava da sua comida. Ficou imaginando que tipo de vida o outro levava, sua família, como era sua rotina... Não queria se envolver tanto, mas estava particularmente curiosa.

Hana teria aula de educação física, ao menos era no último horário. Respirou fundo e enfrentou as aulas como uma verdadeira guerreira, até perceber que tinha dormido, só acordou quando a campa soou.
Tooru gentilmente foi lhe buscar na turma, era tão empenhado em seu papel de pseudo namorado. Estava segurando outro livro dessa vez.

Hana ainda estava irritada com Miki, por isso quase não falou quando chegaram ao terraço.
— Está ótimo novamente. — O rapaz dizia com um leve sorriso. Hana estava olhando a comida e suspirando.
— O que houve? — Tooru indagou curioso.
— Nada... — Hana não sabia se deveria contar suas dúvidas e preocupações a alguém que mal conhecia, talvez por isso não tivesse amigos. Suspirou e encarou o Rapaz. — Tem uma garota que se chama Watanuke Mika, gostava muito do meu ex, então ela não gosta de mim, apesar de fingir que gosta. Acho que ela inventou os boatos de que sou uma vadia.

— Ela é uma típica garota falsa. — Tooru não gostava de julgar as pessoas a partir do ponto de vista de outra, mas levaria em consideração o que Hana falaria, a garota não parecia do tipo mentirosa. — Não se preocupe com ela, se você e o Tsugumi — kun não estão mais junto, não tem nada com que se preocupar, não é?

— Não sei. Ela possivelmente ainda me acha uma ameaça, não entendo essa garota. — Hana mordia o lábio inferior com um pouco de força, foi surpreendida com um toque suave na sua cabeça.

— Não se deixe abalar, ainda falta muito pra completar sua vingança, não é? Se foque nisso. — Tooru comentou, voltando a dar atenção para o lanche que por sinal estava muito gostoso. Sempre gostou de uma boa comida, apesar de não poder se da o luxo de ter continuamente no momento. Uma pessoa que fazia algo tão bom, tinha que ser uma boa pessoa. Sua lógica era simples.

Voltaram para sala. Tooru fez questão de deixa-lá ali, despertando os olhares curiosos e reprovadores. Hana ainda se deliciava com isso.

Não queria fazer educação física, particularmente gostava, contudo, para manter suas belas unhas tinha que tomar cuidado com o tipo de esporte que lhe cairia melhor, se fosse corrida seria satisfatório. Porém, quando chegou na quadra com a turma, percebeu que seria vôlei... Definitivamente não iria dar seu melhor.

Se posicionou no time, as garotas inimigas faziam questão de virar em sua direção, acabou desviando de todas as bolas e seu time estava perdendo feio.
— Ao menos tente recepcionar uma vez Shimizu. — A professora lhe chamou atenção quando notou que a menina fazia de propósito.
— Olha, o Tsugumi — kun está jogando. — Uma das meninas que esperava no banco comentou. Hana se virou na direção quase por reflexo, sempre gostou de ver como o garoto jogava bem.

Isso teve um péssimo resultado, pois a bola veio forte na direção da sua cabeça, acertando a sua testa, fazendo ela bater com a nuca no chão da quadra, apagando por longos minutos, sem nem saber o que poderia estar acontecendo. Hana se sentiu ser carregada, ainda estava tonta e sentia uma forte dor na nuca. Abriu os olhos aos poucos e de fato estava sendo segurada no colo.

— Hikaru....?! — Falou baixo, por alguns momentos achou que todas aquelas palavras cruéis que ele havia dito não passaram de um pesadelo irreal e que poderiam estar namorando normalmente, por alguns milésimos de segundo poderia crer que ele lhe carregava preocupado e levando-a para a enfermaria. Foi quando percebeu que os braços fortes que lhe segurava não era do Hikaru. Tooru lhe segurava firme, a levando até a enfermaria.

— Pensou que fosse outra pessoa? — O rapaz indagou. Hana afundou a cabeça no peito do garoto. Odiava demonstrar fraqueza, mas sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

— Não, Eu Sempre Soube Que Era Você. — Sim, queria acreditar nisso. Tinha que acreditar nisso.

Notas finais
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