Revenge
4 Capítulo 3 - Unexpected Meeting
Notas iniciais

– Ty...Tyler! — Empurrei-lhe os ombros e saltei para fora da cama, baralhada.
Isto não podia ter acontecido, era absurdamente errado! Eu sempre pensei que não devia amar... O amor torna-nos fracos... E agora...
Ignorando a voz dele a chamar-me, saí do quarto.
Foi errado, tão errado. Nunca deveria sequer ter ido para a beira dele... Conhecia-o demasiado bem para saber que isto iria acontecer de uma maneira ou de outra...
Atirei o casaco do meu pai para cima do sofá e corri para a floresta.
Lá eu sentia-me segura e lá ninguém me iria encontrar... Especialmente ele...
Quando já estava suficientemente longe de casa, saltei para uma árvore e refugiei-me num ramo alto, entre a densa folhagem e adormeci, olhando as estrelas e pensando em tudo o que tinha acontecido hoje e nas coisas que podia ter feito para as impedir.
“Olhos vermelhos aproximavam-se de mim, porque não me conseguia mexer? Lutei contra as forças invisíveis, debatendo-me para me soltar.”
Era o mesmo pesadelo de sempre mas desta vez continha mais "cenas" de coisas que se tinham passado hoje, como as mortes ou o beijo. Limpei a cara húmida com a manga da camisola e saltei da árvore.
O Sol já brilhava no céu, o que era raro em Fork. Tinha de voltar, ele devia estar preocupado e, apesar de tudo, tinha de cuidar dele... Não esquecendo o facto de ter uma vingança para planear....E um possivel resgate...
Sem vontade nenhuma comecei a correr para casa, muito mais devagar do que todo o meu potencial.
Assim que avisto a casa, longe no meio da vegetação não deixo de reparar na porta aberta...
Não! E se alguém entrou?
O meu coração acelerou e eu entrei a toda a velocidade dentro de casa.
– Tyler?!
Ninguém respondeu. Não, por favor, não!
– Tyler?! — Voltei a gritar mais alto subindo as escadas.
Sou mesmo estúpida! Nunca o devia ter deixado sozinho!
– Ty! Por favor responde! – Pedi, quase numa súplica para que nada lhe tivesse acontecido.
Revistei todos os quartos da casa e desci novamente.
Imediatamente pensei em transformar-me e procurar pela a mente dele, fazendo-o no minuto seguinte.
Mais uma vez nao senti nada. Era como se ninguém estivesse ali.
"Tyler!" chamei mentalmente.
Ao não receber nenhuma resposta voltei a minha forma humana.
– Sim. — disse ele aparecendo com por magia atrás de mim.
Eu saltei e corri para me vestir.
– Não olhes. — disse apressadamente.
Enfiei a camisola por cima da cabeça e vesti-me em velocidade supersónica. Assim que acabei de me vestir olhei para ele. Estava todo sujo e as suas olheiras estavam maiores que nunca. Avancei para ele pegando-lhe no rosto com cuidado.
– O que aconteceu? Apareceu alguém? Tocaram-te?
– Nada, só passei uma noite inteira na floresta à tua procura. A pensar que tinhas ido embora e que não ias voltar ou que te tinha acontecido alguma coisa e não podia deixar que isso te acontecesse. Não podia perder mais ninguém e desta vez tinha a certeza que a culpa era minha. E tive medo que tivesse feito algo que te tivesse magoado...
Ele não acabou a frase e ficou apenas a olhar para mim como se fosse dizer mais alguma coisa mas apenas não conseguisse.
Eu analisei-o com muita atenção, tentando manter uma postura inexpressiva e sem quaisquer sinais de emoção.
– Estava na árvore... — Deixei as mãos cairem ao lado do corpo. — É melhor ires tomar um banho.
– Não achas que deviamos falar sobre o que aconteceu?
– Não, não deviamos. — Afastei-me. — Vou buscar roupa, já volto. — Anunciei.
Dito isto, afastei-me como se nada tivesse acontecido.
– Sophie! — Chamou, agarrando-me no braço.
– Que foi?
Virei-me para ele incomodada com o seu toque no meu braço.
– Não podes ir assim...por favor. Desculpa. — Disse. — Mas não podes continuar a agir como se nada se tivesse passado.
– A única coisa que aconteceu foi um erro, um erro enorme. — Disse firmemente.
– Tenho muita pena que aches isso. — disse ele, subindo as escadas.
Fiquei parada a olhar para ele. Era mesmo isso que achava? Ou só me estava a proteger, magoando-o ainda mais?
Provavelmente é pior assim, mas eu apenas preciso de algum tempo para por as ideias em ordem e pensar no que haveria de fazer agora que tanta gente morreu... Não posso distrair-me do meu objectivo nem da promessa que fiz ao Sam.
– Mantem-te vivo enquanto eu não estou, Ok? — Murmurei baixo.
Mas ele ja tinha entrado num quarto qualquer e se tinha trancado lá dentro.
Antes de sair parei e fui em direção a cozinha e preparei mais um pedaço de veado e arroz para o Ty comer mais tarde.
Deixei-o em cima da mesa da cozinha e caminhei para a saída, agarrando o casaco do meu pai pelo caminho.
Caminhei calmamente pela floresta, em direção ao centro da cidade, pensando em como haveria de encontrar aquela pessoa e de resgatar a mãe do Ty. Se é que ela está viva, pensei.
Olhei em todas as direções à procura de um banco. Avistei um e olhei a volta antes de me sentar. Depois de sentada pousei o rosto nas mãos e tentei organizar os pensamentos.
O Tyler, filho da pessoa que me salvou e estava morta, beijou-me. Ou eu beijei-o a ele? Estava muito confusa e não percebia muito bem o que se tinha passado ou acontecido ... Como se ainda estivesse a sonhar. Estava a magoa-lo o que me matava por dentro, mas porquê? Eu não me devia de importar tanto com ele! Será apenas culpa? Ou será que sinto algo mais...?
Suspirei e levantei-me, preciso de dinheiro.
Mas como o ia obter? Trabalhar? Não sei... Podia sempre convencer alguém a dar-me...
Caminhei até um Banco mentalmente preparada para "receber" dinheiro. Mas mesmo antes de chegar à senhora que lá estava sentada, ouço uma voz atrás de mim.
– Sophie? — A voz feminina e extremamente aguda, da única pessoa no mundo que eu gostaria de ver morta, Rachel. -Há quanto tempo que não te via, Soph. Foi como se tivesses desaparecido. -disse ela com o mesmo sorriso que tem sempre estampado na cara.
Ela afastou a repa de cabelo loiro oxigenado do rosto mostrando os olhos azuis escuros.
– Ahhn...oi? — Murmurei.
–Oi? É só isso que me dizes depois de tanto tempo?! Anda cá...-Disse ela vindo na minha direção com os braços abertos.-Dá-me um abraço!
– Ahn...não. — Disse afastando-me, a última coisa que precisava era de um abraço de um saco de sangue.
– Pronto, ok...-disse olhando-me como se fosse a criatura mais estranha a face da terra...
Respirei fundo e virei-lhe costas ignorando-a completamente, nunca fui com a cara da moça, porque tinha de a encontrar, justamente, agora?
–Onde vais?
A sério? Não acredito que ela me está a seguir...
– Levantar dinheiro. — Resmunguei.
– Para quê?
– Não te interessa.
–E como está o Ty?-Disse com um grande sorriso e um brilhozinho no olhar.
–E porque é que eu haveria de saber?-Respondi mais secamente do que o costume.
– É teu irmão! Quem mais haveria de saber?
–Meu... Ah, pois... Está normal...
Ela chamou-lhe Ty não chamou? Só eu é que lhe chamo assim!
Repentinamente surgiu-me uma enorme vontade de lhe arrancar as entranhas.
–Mas porque queres saber?-Perguntei.
– Tu sabes ele é tão giro com aquele bronzeado e tatuagem... — Começou.
Ok, Soph, segura-te... Não lhe partas o pescoço.
– O TYLER tem namorada. — Menti frisando bem que o nome dele não era Ty.
–Tem?-Disse como se fosse rebentar em lágrimas a qualquer momento.
– Sim. — Disse e arranquei rapidamente para o balcão, deixando-a para trás.
–Desde quando? Como?- disse ela já com uma lágrima no olho. Esta rapariga parecia um bebé!!! E já tem idade para ter juizo...
– Desde de ontem. — Disse antes que me pudesse impedir. Estúpida!
–Mas eu... — Gaguejou ela.
– Tu o quê? — Perguntei irritada.
Ela não me respondeu. Em vez disso sentou-se no banco mais próximo a chorar compulsivamente.
Simplesmente ignorei-a e tratei da questão do dinheiro.
Quando voltei ela ainda la estava, sentada a chorar. Tive pena da rapariga e fui falar com ela.
– Hey, tu. — Murmurei. — Não chores...
Não percebi o que me respondeu mas sentei-me ao lado dela.
– Não vale apena chorar pelo Tyler.
–Mas tu não sabes o que aconteceu...
Dei por mim aos berros enquanto falava.
– Aconteceu alguma coisa entre vocês?! — Não sei se por raiva ou medo o meu coração acelerou..
Ela olhou-me um pouco assustada e limpou os seus grandes olhos azuis.
– Ele beijou-me no último dia de aulas!
–Como assim?
– Beijou-me...o que não estendeste?
Mostrei-me subitamente interessada no assunto.
–Porque não me contaste? -Perguntei embora não me interessasse minimamente.
– Hello? Nunco fomos assim tão próximas.
–Não? Tu eras quase como uma irmã para mim.
Que mentira Sophie! Repreendi-me mentalmente.
Mas que podia fazer? Tinha de saber o que aconteceu... Principalmente depois da noite passada... E ainda por cima com a vaca da Rachel...
– Era? Que fofinha. — Ela abraçou-me e começou a contar-me todos os detalhes e mais alguns. -No ultimo dia de aulas eu fui ter com o ty pois ele precisava de saber que eu gostava dele. — Disse sorrindo. — Ele encontrou-se comigo à entrada de La Push e eu falei com ele, disse-lhe tudo...
–E ele? -Perguntei eu.
– Ele sorriu, aquele sorriso lindo e fofi que ele tem e beijou-me! — Disse contente.
Não podia acreditar. Aquele ... O meu sangue ferveu com ódio e raiva, uma mistura perigosa na minha pessoa.
Só me apetecia partir-lhe o seu pequeno e delicado pescoço.
– Ignora-o. — Foi a única coisa que disse antes de virar costas e sair.
–Onde vais?-Perguntou ela.
– Embora.
–Para onde?
– Não interessa.
–Vais para casa?
– Vou.
– Posso ir?
– Não.
–Porquê? Pelo menos eu merecia saber o que se passou! Ele prometeu que esperava! -Disse voltando a chorar.
– Não me interessa o que ele prometeu.
–Mas...
– Tchau Rachel. — Disse e apressei o passo.
Ela começou a correr atras de mim. Respirei fundo para me acalmar e virei-me para ela:
–Pára de me seguir!!!
– Mas...
–Mas nada!!! ELE BEIJOU-TE UMA VEZ!!! Claramente não teve grande significado para ele e ele já seguiu em frente. É A VIDA! Foi só um beijo! Nada de especial. Ele é mesmo assim. Beija qualquer uma e deixa-a com esperanças para nunca mais querer nada com ela. Por isso segue em frente com a tua vida que ele já seguiu com a dele.
Virei costas e segui irritada o meu caminho.
Já me tinha afastado o suficiente dela para ela não vir atrás de mim.
Entrei na floresta e canalizei toda a minha raiva para os meus membros, obrigadando-os a mexerem-se cada vez mais depressa enquanto corria.
Parei de repente. Tinha-me esquecido completamente de fazer o que tinha ido fazer à cidade em primeiro lugar- comprar roupa...
Voltei para trás rapidamente e comprei calças e camisolas pretas para ambos, assim como um novo stock de isqueiros para mim.
Em seguida voltei a embrenhar-me na floresta, em direção a minha casa. Enquanto corria por entre as árvores, a única coisa que conseguia pensar era de que lado é que haveria de lhe bater... Aquele traidor reles que não merecia o ar que respirava!
Se calhar devia seguir o conselho que dei à Rachel... Mas ela está apaixonada, eu não. Só estou encarregue de cuidar dele e com tudo o que aconteceu fiquei muito confusa.
Mas eramos amigos há tanto tempo... Apesar de não ter muitos amigos, ele era a coisa mais próxima de um melhor amigo que eu alguma vez tivera. A grande casa castanha começava a ficar cada vez mais próxima.
Entrei de rompante dentro de casa e escutei o som do coração do Tyler, seguindo-o em silêncio.
Subi as escadas e encontrei-o no quarto onde se tinha fechado anteriormente. Abri a porta devagar cada vez com mais raiva.
–Oi, Soph.-Disse com um sorriso.
– Oi. — Disse friamente e atirei-lhe a roupa para cima da cama.
–Que se passa boneca? Vieste para outro beijo, foi?
– Não me chames boneca! — Rosnei. — Nem sequer fales para mim.
–Pronto, esqueci-me. Não falar do beijo...
– Estive com uma amiga tua. — Falei observando-lhe o rosto atentamente.
–Quem?
– Estive com a Rachel, lembraste dela? Loira, alta, olhos azuis, irritante?
–Sim, tenho uma vaga ideia de quem seja.
– Deves lembrar-te dela no último dia de aulas. — Disse baixo com os olhos a arderem de raiva. — Ela estava muito triste contigo hoje.
–Porquê?
– Então beijaste a rapariga e depois abandonaste-a?
–Ah, tu sabes disso.-Disse ele olhando para baixo.
– É, eu sei disso.
Ele limitava-se a olhar para baixo, evitanto os meus olhares reprovadores.
Aproximei-me dele e agarrei-lhe no rosto com uma mão, levantando-o com força.
–Como pudeste fazer isto?!-olhei-o no olhos uma ultima vez, antes de lhe dar um estalo tão grande que ecoou por toda a casa.
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