Revenge!
23 Vingança!
Notas iniciais
POV SCORPIUS
Se me perguntassem como as coisas tinham acabado deste modo, eu não saberia responder.
Num segundo, eu estou a brincar com Sophie no baloiço de Rose, no segundo a seguir, estou de joelhos a contorcer-me de dores. O pior é que a minha filha desapareceu do meu campo de visão.
Alguém tinha-me lançado uma das maldiçoes imperdoáveis. Mas quem?
Levantei-me e vi-a, arfei.
Outra vez não! Foi tudo o que eu consegui pensar.
A cinco metros de mim, Parker agarrava Sophie, que desta vez se mantinha calma. A sensação de déjà-vu ultrapassou-me. A minha filha em perigo, nas mãos de Jéssica, outra vez!
Desta vez eu não iria ficar atrás. Eu iria ajudar Sophie!
Depois paralisei. Se Parker estava ali, onde estaria Rose?
Onde está a minha ruiva?
Ela não podia estar… podia? Não! Rose não podia! Eu não iria suportar se isso acontecesse.
– Scorpius – falou Parker com voz doce, só me deu nojo.
– Larga a minha filha – ordenei e retirei a varinha do bolso.
A nossa pequena troca de palavras chamou a atenção das pessoas que estavam em casa. Todos saíram e colocaram-se perto de mim.
A meu lado vi Lexi e Luke, do outro lado, Albus.
– Ora ora o grupinho está completo – afirmou Jéssica apontando para nós os quatro. – Bem, quase completo! Falta a Weasley, certo? – Questionou. – Pena que ela já não se possa juntar á festa!
A reação foi instantânea. Todos arfaram.
– O que queres dizer? – Perguntei com medo da resposta. Rose não podia…
Vi Sophie começar a chorar quando percebeu a mensagem de Parker. O meu coração apertou. Rose, possivelmente, morta e, agora, Sophie em perigo.
– Nada, Scorp – disse ela. – Quero falar contigo.
– Larga a minha filha, Parker – afirmei. – E talvez possamos falar.
– Parker? – Perguntou incrédula. – Antes era Jess.
– Antes eu não te odiava – admiti. – Ou, pelo menos, não tanto como agora!
– A culpa é toda dela – acusou. – Daquela filha de sangue-de-lama!
Rose!
Senti Hermione encolher-se com o insulto e vi o meu pai abraça-la. Dei três passos em frente ficando mais perto da minha filha.
– Scorpius – chamou o meu pai alarmado.
– Ela não me vai fazer mal- garanti de costas para ele.
Parker gargalhou. – E como sabes?
Engoli em seco. Eu não sabia o que lhe responder, apenas contava com isso.
– Porque tu ainda o amas – afirmou Lexi atrás de mim. – Eu vi! Eu ouvi tu dizeres isso a Rose – informou, e todos olhamos chocados para as duas loiras. – Tu admitiste isso para Rose, e é por isso que tu estás a fazer tudo isto. Tu ainda achas que tens alguma hipótese com o Scorpius se afastares Rose do seu caminho – supos Lexi. – Tu achas mesmo que ele vai querer alguma coisa contigo depois de ameaçares a filha dele?! Lamento, querida, mas a tua oportunidade já foi!
Luke sorria orgulhoso da namorada. Uma das coisas que aprendi com Lexi: ela usava sarcasmo quando estava irritada ou tentava esconder algo. Vou apostar na primeira opção!
Vi Sophie sobressaltar-se com algo, mas não liguei. A situação já era suficiente má sem ter outras preocupações.
– Como é que tu sabes disso? – Jéssica não podia acreditar que Lexi soubesse daquilo.
A minha amiga sorriu irónica.
– Não és a única com truques na manga – afirmou sarcástica. – Acontece, que Rose e eu, temos um pequeno feitiço que faz com que comuniquemos á distancia.
– Ora suas… — começou Jessica.
POV ROSE
Aparatei perto da Mansão Weasley, atrás de um arbusto, longe do campo de visão de todos.
Vi a minha família e amigos reunidos no jardim. Scorpius, Parker e Sophie um pouco mais afastados.
O ódio multiplicou-se! Como eu a odiava! Aquela loira oxigenada e sebosa!
Ouvi um estalo ao meu lado, e Alison apareceu.
– O que fazes aqui? – Perguntei a sussurrar.
– Rose, eu quero ajudar – afirmou ela.
Levantei a sobrancelha.
– E como sei que posso confiar em ti? – Questionei.
– Rose, ela é minha irmã – começou. – O nosso pai usava a cruciatos em nós quando eramos mais pequenas, e a Jéssica sempre me protegeu, acabando ela por sofrer – informou. Franzi a testa. Onde ela queria chegar com aquilo? – Eu devo-lhe muito por todas as vezes que ela não foi torturada por mim.
– Essa não é uma boa maneira de me convenceres a deixar-te ajudar-me – disse sarcástica.
– O que eu quero dizer é que, tudo o que eu fiz foi por pensar que lhe devia algo – admitiu. – Mas quando eu vi o que ela te estava a fazer, eu percebi que não podia ajuda-la a fazer aquilo. Não podia deixa-la te torturar, quando eu mesma já tinha sido – disse. – A Jéssica não é má pessoa, apenas foi criada mal! Eu quero ajudá-la, mas a única maneira que posso é ajudar a para-la. Não importa o que custe!
Olhei para Alison, ela pareceu-me sincera! Não importa o que custe?!
– Eu quero mata-la – admiti.
Alison baixou o olhar para depois voltar a olhar nos meus olhos.
– Não importa – afirmou. – Temos de parar a minha irmã!
– O plano é o seguinte – comecei. – Em primeiro lugar, temos de tirar Sophie dali – indiquei. – Depois eu trato da Parker.
– Como queres tirá-la dali?
Olhei para a cena á procura de alguma ideia até que me lembrei de um feitiço que aprendi em Beauxbatons.
Sorri. Comunicar á distância!
Peguei numa pedra afiada e cortei a palma da minha mão apenas o suficiente para obter sangue. Deixei cair algumas gostas no chão e peguei na varinha.
– Sanguine Communicatio – disse. Basicamente, este feitiço fazia com que Sophie que partilhava o mesmo sangue que eu, me ouvisse na sua cabeça durante alguns segundos. Quando senti o feitiço fazer efeito suspirei. – Sophie, é a mamã. Tens de confiar na Alison. A mãe vai criar uma distração e tu foges para os arbustos. Confia na Alison.
Vi Sophie sobressaltar-se quando me ouviu, e arregalar os olhos. No entanto, ninguém lhe deu importância, o que era ótimo para o meu plano.
– Como é que tu sabes disso? – Ouvi Jéssica perguntar, sem acreditar.
Vi Lexi sorrir irónica.
– Não és a única com truques na manga – afirmou sarcástica. – Acontece, que Rose e eu, temos um pequeno feitiço que faz com que comuniquemos á distancia.
– Está na hora Alison – afirmei. – Se tudo correr como quero, a Sophie vem nesta direção. Por favor, protege-a. Eu estou a confiar em ti – implorei. Alison assentiu segura de si.
Transformei-me no tigre branco, o que foi difícil de fazer pois encontrava-me com o corpo esgotado.
E lancei-me em direção a Jéssica.
– Ora suas… — começou ela, mas foi interrompida com o meu rugido.
Toda a minha raiva e odio estavam presentes naquele som, e eu vi Jéssica encolher-se. Olhei para Sophie, ela sorriu e aproveitou a distração de Parker para fugir. Vi a minha filha correr em direção aos arbustos de onde eu sai, só me restava esperar que Alison cumprisse o que disse.
– Como é que vocês têm um tigre? – Jéssica perguntou incrédula e assustada.
Com passos lentos avancei sobre ela a rosnar. Vi-a apontar a varinha para mim e por segundos fiquei com medo do feitiço que dali sairia.
– Expelliarmus – ouvi Scorpius dizer, e a varinha de Jéssica caiu a uns metros dela, perto de mim.
Sorri mentalmente, e continuei a avançar. Ela recuava assustada. Eu sabia que ser Animagus me iria ser útil algum dia!
Odio! Raiva! Odio!
Scar! Pai! Sophie!
Todas as lágrimas que eu soltei por causa dela vieram me á memoria. Todos os gritos que eu proferi pelas dores. Todas as angustias com a minha filha!
Tudo o que Jéssica Parker me fez sofrer me atingiu como uma bomba!
Saltei sobre Jéssica. Eu podia dizer que foi uma cena bonita mas não foi!
Ela caiu sob mim e gritou quando as minhas garras lhe rasgaram a pele.
Por um lado, eu queria prolongar todo o seu sofrimento, por outro só queria vê-la morta de uma vez.
Senti algo frio tocar na minha barriga e logo senti uma pontada de dor. Aquela vadia tinha-me espetado com uma faca vinda sabe merlin de onde. Gani instintivamente.
Aquilo foi a última gota. Voltei á minha forma humana. Queria que a última imagem dela fosse eu.
Com esforço retirei a faca que estava na minha barriga e sorri.
Senti Jéssica debater-se por baixo de mim.
O meu sorriso alargou-se. Só espera que Sophie não estivesse a ver isto, não queria que ela guarda-se esta imagem de mim.
– Primeira e ultima regra, querida – comecei. – Nunca, NUNCA te mentas com uma Weasley, ainda mais se ela for mãe! – E espetei a faca no seu peito.
Jéssica arfou e arregalou os olhos.
Aos poucos o seu corpo perdeu o ar, e os seus olhos tornaram-se baços. Sem vida.
Eu cai para o lado, sem forças.
A minha cabeça doía-me. O meu corpo gritava de dores. A minha barriga sangrava.
Estava acabado! Nunca mais iria ter de olhar para a sua cara!
Nunca mais teria de ver a minha filha nas mãos dela.
Nunca mais iria pensar que Jéssica Parker me devia a minha vingança!
Tentei-me sentar, mas a única coisa que aconteceu foi tudo a minha volta ficar negro.
– ROSE – ouvi uma voz rouca chamar e desmaiei.
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