Revenge!
19 Troca!
Notas iniciais
POV ROSE
Eu sabia que estava a chover! Mas mesmo com a janela a um metro de distância, eu não via a chuva. Na realidade, eu não via nada!
A raiva chegava-me!
Tinham-se passado 53 horas, depois de eu descobrir que a minha filha tinha sido raptada. E eu sentia-me completamente inútil! Eu não sabia onde ela estava nem tinha a mínima pista, pelo que não podia ir atrás dela!
Eu não chorei mias nenhuma lágrima depois de ter jurado matá-la! Ao contrário da minha mãe e de Rachel que andavam sempre de lágrimas nos olhos, nestes dois dias.
Eu estava cansada, as poucas horas que dormi na noite passada não foram o suficiente para acabar com o meu cansaço, mas tinham de ser o suficiente por agora!
Tinham de ser o suficiente até eu descobrir onde estava Sophie!
Porque será que as visões não funcionam agora?! Elas eram a minha única esperança! Eu era inútil sem elas!
Al, Scorpius, Luke e Lexi por outro lado tentavam procurar pistas do paradeiro da minha filha, tendo em conta as coordenadas de ataques de Jéssica. O que eu achava totalmente desnecessário, mas neste momento, eu sabia que fingir que se estava a trabalhar era melhor do que ficar parada.
– Rose? – O meu primo chamou-me receoso.
– Diz – disse, sem desviar os olhos da janela.
Ele suspirou aliviado quando percebeu que eu não o iria enfeitiçar.
– Tu não choraste – afirmou.
– Eu já chorei lágrimas suficientes na minha vida – conclui. Senti os olhos de Scorpius nas minhas costas. Não tínhamos trocado mais nenhuma palavra sobre o seu parentesco com Soph.
– Eu gostava mais quando tu choravas – admitiu Al.
Olhei para ele, surpresa.
– Gostavas quando eu era fraca?
– Tu não eras fraca – defendeu-se ele. – Tu estavas magoada! E demonstrar dor sempre é melhor do que o ódio que tu transmites agora!
Voltei a minha atenção para a janela.
– Lamento – disse. – Mas ódio é a única coisa que eu me permito sentir agora!
Era verdade. Se eu deixasse o muro cair, eu desabaria em lágrimas. Lágrimas por medo que a minha filha estivesse magoada! Lágrimas por medo de morrer! Lágrimas por Scorpius odiar-me neste momento! Lágrimas por não ser forte o suficiente, para aguentar tudo sozinha!
Então, sentir ódio era o melhor neste momento.
– Rose – Lexi chamou.
– Que foi? – Perguntei áspera.
– Senta-te aqui connosco – pediu. – Estamos todos preocupados com a Sophie, tu não estás sozinha!
Eu não estava sozinha! Não podia isolar-me…
E exatamente no momento em que iria deixar o ódio de lado durante algum tempo, a dor começou.
Rápida e forte! A minha cabeça parecia que ia explodir.
Gritei e coloquei as mãos nas têmporas.
Ouvi o meu nome a ser chamado por uma voz rouca que eu conhecia bem demais, e depois deixei de estar naquela sala.
Eu via! Parker! E o mais irónico de tudo, é que ela estava no meu jardim! No jardim da casa onde me escondi por seis anos!
Pude ver a seu lado um vulto loiro arruivado, e sorri mentalmente. A minha princesa estava bem! No entanto, tinha uma varinha apontada á garganta e o meu coração apertou-se.
Sophie chorava enquanto que Jéssica sorria.
A dor passou e eu voltei á realidade.
Vi Lexi e Scorpius ajoelhados á minha frente, preocupados.
– Rose? O que viste?
– Lexi, eu… — não conclui. Levantei-me e respirei fundo. – Tio Harry! – Chamei.
Uma hora depois, ali estava eu, Lexi, Luke, Al, Scorpius e Harry. Preparados para aparatar na cidade onde me escondi durante anos.
– Entao, ninguém ataca até a Sophie estar do nosso lado – informou Harry, e eu revirei os olhos. Vi Scorpius imitar-me. – Vamos!
– Esperem –pedi. Todos olharam para mim sem entender. Aproximei-me de Lexi. – Lembraste como nós comunicávamos em Beauxbatons, quando ficávamos em detenções separadas? – Ela acenou. – Boa, porque vamos fazer o mesmo!
– Porquê? – Ela ficou confusa, juntamente com os outros.
– Algo me diz que vamos precisar disso – assegurei.
Peguei na minha varinha e murmurei o feitiço que ligava as nossas mentes. Sim, era magia negra! Mais uma das nossas aulas particulares no entanto era preciso muita prática para não se ficar maluco. Coisa que Lexi e eu tínhamos.
– Mas Rose, nós só aguentamos algumas horas – ela disse.
– Então vamos rezar para que não seja preciso – brinquei.
Depois todos aparatamos.
Logo apareci no jardim traseiro da minha antiga casa. Continuava tudo igual, exceto o comprimento da relva que estava ligeiramente maior, mesmo com feitiços contra o crescimento.
No meio do jardim, vi Parker com a minha filha!
A raiva voltou a fazer-me ver tudo em vermelho.
– Ora ora – disse Parker. – Que bom que nos vemos outra vez Weasley!
– Mamã – choramingou Sophie.
– Larga a minha filha! – Ordenei com raiva.
–Oh, mas nós estamos a divertirmo-nos tanto – afirmou Jéssica.
– Jéssica, larga a Sophie – repetiu Scorpius, irritando.
Parker apenas se riu.
– Oh tão fofos – ironizou. – O casal maravilha voltou!
– Parker…
– Oh poupa-me Potter – interrompeu o Harry. – Todos nós sabemos porque eu estou aqui, não é assim Weasley?
– Larga a minha filha – ordenei. – Eu não vou repetir!
– E vais fazer o quê? – Perguntou sarcasticamente. Todos a minha volta se mantiveram calados. Todos estavam com medo da reação de Jéssica, a ultima coisa que queríamos era magoar Sophie. – Tu sabias que eu me ia vingar! E aqui estou eu!
Odio! Raiva! Medo! Mais ódio!
– Diz-me o que queres – pedi. Eu precisava de colocar a minha filha a salvo, não me importa quanto isso me custasse.
– Vingança! – Afirmou, e eu rolei os olhos. Sério? Ainda não tinha percebido. – E que tal para começar, eu revelasse á nossa Sophie quem é o pai dela?!
Não consegui impedir o sorriso que se colou na minha cara.
– Força, Parker – disse. – Ele já sabe da verdade! Não irias vingar-te em nada com isso.
Jéssica olhou para Scorpius á espera da sua reação mas ele nada fez.
– Tudo bem – ela disse. – Então eu vou simplesmente matá-la!
Instintivamente, dei um passo á frente.
– ESPERA –gritei assustada. Olhei para a minha filha a chorar com a varinha encostada ao pescoço. Um simples feitiço e a minha vida nunca mais seria a mesma! – Tu queres vingar-te de mim, seja lá pelo eu for! Mas de mim! Deixa a criança em paz!
Jéssica ponderou a minha proposta e sorriu. Aceitei isso como um sim, e avancei na sua direção. Ouvi Lexi e Al chamarem-me.
– Não se preocupem, ela não me vai matar – garanti.
– E como sabes isso? – Perguntou Parker. Olhei para ela.
– Porque isso seria uma morte muito rápida para mim – assegurei e ela sorriu.
Continuei a caminhar na sua direção e quando já estava á distância de um braço, ela soltou Sophie e apontou a varinha na minha direção. Nenhum dos meus amigos se mexeu.
Sophie agarrou-se ás minhas pernas e eu ajoelhei-me e abracei-a.
Era tão bom ter a minha filha nos meus braços, sã e salva. Ela chorava e tremia, agarrada a mim.
– Shiii – tentei acalma-la. Tinha pouco tempo. – Sophie – chamei-a e ela olhou para mim com lágrimas nos olhos. – A mamã vai ter de ir embora, mas tu vais ficar bem, ok? – Ela ia dizer alguma coisa, mas eu cortei-a. – Sophie, tu és forte, não quero que te preocupes comigo, ok? Lembraste da tua musica preferida? – Ela acenou. – Eu quero que tu sejas titânio! Estamos entendidas?
Ela respirou fundo.
– Sim, mamã – garantiu.
Abracei-a novamente tentando reter o seu calor e o seu cheiro. E rápido de mais, tive de a deixar ir.
Levantei-me e apenas tive tempo de olhar para Scorpius, num pedido silencioso para que ele proteja a nossa filha. Ele acenou com a cabeça!
Eu permiti-me um pequeno sorriso antes de sentir Parker agarrar o meu braço, e aparatarmos, sabe merlin para onde!
Fale com o autor