Revenge!
3 Terá sido um erro?
Notas iniciais
Pov Scorpius
Rose conduziu-me pela casa enquanto arrumava as suas malas. Entramos no seu quarto.
A cama com a colcha roxa fazia conjunto com os tapetes e os cortinados, o resto da mobília era branca. Na mesa-de-cabeceira, havia uma foto de Rose e Sophie num aprque infantil. Rose empurrava Soph, e esta ria-se.
Olhei á minha volta e vi mais fotografias. Rose e Sophie sorriam diversas vezes, nas paredes do quarto. Mas não vi nenhuma fotografia com um homem. Para falar a verdade, nada naquela casa transmitia uma presença masculina. O que era estranho, pois Sophie tinha um pai, certo?
– Onde está o pai da Sophie? – Perguntei curioso.
Rose desviou a atenção da mala aberta, em cima da cama, e olhou para mim.
– Tu não tens noção de quantas vezes me perguntaram isso – disse. – E de todas as vezes eu não respondi. Não me parece que te vá responder.
Não respondi, embora estivesse curioso por saber quem era o homem na vida de Rose.
– Eu também não sei onde ele está – disse alguém atrás de mim.
Quando me virei, vi Sophie encostada á porta do quarto, de braços cruzados. Rose suspirou.
– Já falamos sobre isso, Soph! — Disse Rose, cansada.
– Eu sei, mamã, mas eu gostava de saber – argumentou Sophie.
– Sophie Jean Weasley! Não vamos ter esta conversa agora – afirmou a ruiva, colocando um ponto final á conversa. – Querida, preciso que arrumes as tuas coisas, nós vamos para Londres!
A menina arregalou os olhos e deu dois passos em frente.
– Para Londre?! E a Parker?!
Fiquei surpreso por Rose ter contado á filha sobre a Jéssica, quer dizer ela tinha 5 anos. No entanto, conhecendo a Rose como conheço diria que ela tentava não esconder nada á filha. Afinal, para Rose, conhecimento é poder.
– Temos de ajudar o tio Al – explicou.
– Ele está bem? Quem o magoou? – Perguntou a menina preocupada.
– Não sei, Soph! – Admitiu a ruiva. — E é por isso que precisamos de ir.
– Mas ela vai fazer-te mal, mamã — constatou a menina aproximando-se da mãe.
Rose suspirou.
– Anda cá – puxou Sophie e, as duas, sentaram-se na cama, frente-a-frente. – Eu já te disse que não tenho medo dela, por mim.
– Mas ela vai fazer-te mal – repetiu Sophie.
– Sophie, ela não me vai fazer mal – assegurou Rose. – Eu tenho medo é por ti, mas eu nunca deixaria que ela te tocasse.
– Prometes? – Sophie levantou a mão, com o seu dedo mindinho esticado.
– Prometo! – Disse Rose entrelaçando o seu dedo com o da filha.
Neste momento eu senti-me a mais. Como se aquela cena fosse demasiado intima para ser observada por um estranho. Aquele era um momento de mãe e filha, eu não devia estar a presenciá-lo.
Horas mais tarde, estávamos no carro de Rose, a meio da viagem para Londres.
– Explica-me outra vez porque é que não podemos aparatar – pediu Rose, que conduzia. Sophie dormia no banco detrás.
– As aparações estão a ser vigiadas pela Parker – informei. – Ela ainda anda á tua procura!
Rose suspirou e olhou para mim.
– Eu temia por isso – admitiu.
Fiquei confuso.
– Pensei que tinhas dito que não tinhas medo dela!
– E não tenho – assegurou Rose. – Se fosse por mim, eu iria direita a ela, neste mesmo momento. Mas, agora, eu tenho que pensar na Sophie também, não só em mim. – Olhei para trás. A menina ainda dormia. Parecia um anjo adormecido.
– Achas que foi boa ideia engravidares nestes tempos? – Perguntei. Depois vi a cara de Rose. – Hey, calma! Só quero saber o que pensas, não desejo mal nenhum á Sophie.
Rose olhou para a filha, pelo espelho retrovisor, e depois para a estrada.
– Sabes, Scorpius, eu cometi muitos erros quando era mais nova – começou Rose. – Muitos deles, tu presencias-te. – Olhou para mim e depois, de novo, para a estrada. – Mas ter a Sophie foi a melhor coisa da minha vida. – Rose sorriu, e os seus olhos brilharam. – Ela ilumina os meus dias de uma maneira totalmente abrasadora.
– Mas é perigoso para ela – disse eu. – Não tens medo que algo lhe aconteça?
– Eu penso nisso todos os dias, Malfoy – assegurou. Boa, agora voltamos aos apelidos. – Mas eu acho que ser mãe é isso mesmo. É viver com o medo que algo aconteça aos nossos filhos. Quando tu tens um filho, tu sabes que tens alguém que depende totalmente de ti para viver. Essa é uma grande responsabilidade! – Rose desviou os olhos da estrada para mim durante alguns segundos. – Teres filhos é teres o teu coração dividido em dois. Por um lado, tens a maior alegria que tu podias experimentar, por outro, tens o maior medo da tua vida.
– Mas não precisas de viver isso tudo sozinha – afirmei.
Ela sorriu de lado.
– Tens razão – admitiu. – Eu podia ir a correr ter com o pai da Sophie e pedir-lhe para tomar conta dela, mas acontece que ele está numa situação pior que a minha.
– Pior que a tua? – Perguntei confuso. – Queres dizer, que ele está a viver algo pior do que ter uma lunática atrás dele?!
Rose riu-se.
– Sim, pode-se dizer que sim – afirmou ela, a rir. – Ele não tem uma lunática atrás dele, mas está na primeira linha de combate a essa lunática.
– Como assim?
– Esquece, Scorpius – pediu Rose. – Eu não te posso dizer quem ele é, e se tentar explicar a situação dele tu, provavelmente, vais perceber quem é e eu não quero isso.
– Porque não queres que se saiba quem ele é?
Ele suspirou.
– Porque ele magoou-me bastante da última vez que falei com ele – informou ela. – E eu não acho que ele se importasse em saber.
Eu duvidava disso, mas a decisão era de Rose, afinal, ela era a mãe, não eu.
O resto da viagem foi feita em silêncio, e passadas duas horas, Rose estacionou em frente da Mansão Weasley, utilizada como quartel da Ordem.
Sai do carro, enquanto Rose acordava Sophie.
– Vamos, querida, já chegamos – ela chamou a menina. Sophie reclamou sonolenta. – Anda lá, Sophie! Vais conhecer várias pessoas hoje e estão todos á tua espera.
– Quem mamã? – Perguntou a menina curiosa.
– Vais ver a avó, o tio Hugo, a tia Lexi e vais conhecer o resto da família – informei.
– Vamos, mamã! – Sophie saiu do carro, entusiasmada e correu em direção á porta.
Rose riu-se da alegria da filha, e eu fiz-lhe companhia.
– Vamos? – Perguntei.
– Vamos.
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