Revenge!
2 Reencontro
Notas iniciais
POV SCORPIUS
A casa branca estava a poucos metros de mim, e eu não conseguia chegar até a porta e tocar a campainha.
Pelo que a Lexi me disse, aquela era a casa onde Rose tinha passado os últimos 6 anos.
Maldita a hora em que eu me voluntariei para vir cá, porque não deixei isto para Lexi ou Luke ou até mesmo o meu pai?! Eu sei porquê, porque eu precisava de a ver.
Precisava de ver com os meus próprios olhos que Rose tinha seguido com a sua vida, ignorando a guerra que acontecia á sua volta.
Suspirei e atravessei o jardim que me distanciava da porta.
Toquei á campainha e esperei. Momentos depois a porta foi aberta por uma menina.
Ela era pequena, talvez tivesse cinco anos, com cabelos loiros avermelhados, algumas sardas e os olhos cinzentos azulados. Era bonita, parecia uma boneca!
– Oh, desculpa, eu estava á procura de Rose Weasley – informei. – Mas devo-me ter enganado na casa.
A menina sorriu.
– É esta casa – disse. – A Rose é minha mãe!
O quê? A Rose é mãe? Quando é que isso aconteceu?
Ela tinha mesmo seguido com a sua vida!
– E então, vais querer falar com ela ou pretendes ficar só a olhar para mim? – Perguntou a menina ironicamente. Que idade é que ela tinha afinal?!
– Eh e-eu… Podias chama-la, por favor?
– Mãe – a menina gritou para dentro da casa – É para ti!
Eu não podia acreditar que Rose era mãe. Possivelmente, estava casada. E estas menina… Tão nova e já a responder desta maneira. Sorri. Tendo uma mãe como a Rose, quem não iria responder assim?!
Momentos depois, Rose apareceu á porta. Ela não tinha mudado nada! Quando me viu várias coisas passaram pela sua cara. Primeiro, choque, depois medo.
– Malfoy – disse ela.
– Malfoy? – Brinquei. – A sério?
– Olá, Scorpius – corrigiu-se.
– É bom ver-te Rose.
– Como chegaste até aqui?
– A Lexi deu-me a morada – expliquei. – Precisamos falar- disse e pude ver Rose arregalar os olhos. – Sobre a Parker! – Rose descontraiu.
– Entra – disse, dando-me espaço para passar. Depois virou-se para a filha. – Sophie, podes ir para o teu quarto, por favor?
– Mas, mãe, e o acordo? – Fiquei confuso. Que acordo?
– O acordo diz que eu só te conto aquilo que tu podes saber – afirmou Rose. – Depois de falar com Scorpius, eu vejo se podes ou não saber. Agora, quarto!
Sophie revirou os olhos e saiu da sala.
– A tua filha é… — procurei pela palavra certa.
– Curiosa? Irónica? Chantagista? – Propôs Rose a sorrir. – Eu sei, sai ao pai!
– E quem seria ele?
Rose fechou a cara.
– Vieste cá para falares da minha família ou da Parker? – Perguntou mudando de assunto.
– Da Parker- disse. – Ela…
– Espera – interrompeu-me. Mas que raio? Primeiro pede-me para falar e depois diz para esperar? – Sophie, eu disse para ires para o quarto! – Disse Rose por cima do ombro.
Olhei na direção em que ela falava, e vi Sophie subir as escadas emburrada.
– Podes continuar – afirmou Rose.
– Ela não vai ouvir mais?
– Não, a Sophie sabe as regras – informou Rose. – Estavas a dizer que a Parker…
– Ela continua a atacar!
– Vieste cá contar-me algo que eu já sei?
– Não, eu vim cá pedir-te para voltares – disse. – O Albus foi atacado e nós não sabemos como cura-lo. A Lexi e a tua mãe acham que tu nos podes ajudar. Eu, sinceramente, não sei como visto que fugiste da guerra.
Rose olhou para mim com raiva.
– Há 4 anos atrás, vocês apanharam um seguidor da Parker, certo? – Confirmei com a cabeça, não sabendo onde ela queria chegar. – Fui eu que informei o Albus sobre o paradeiro dele. Há 3 anos, preveniram um ataque a um acampamento muggle e conseguiram proteger o primeiro ministro bruxo de um ataque a sua casa. Há dois anos, o teu pai foi enfeitiçado, não foi? Quem é que conseguiu a poção para o curar? Eu dei-a á Lexi, que a deu ao Draco! O ano passado, quase conseguiram apanhar a Parker porque descobriram o seu esconderijo. Quem achas que deu essa informação ao Albus? Eu dei – informou Rose. – Eu estive sempre presente na guerra, apenas no plano de fundo e não na primeira fila. Por isso, nunca mais digas que eu fugi da guerra.
Eu estava de boca aberta.
Se ela não tinha fugido da guerra porque se escondia?
– Segue-me – ordenou. Eu quase afirmei que não seguia ordens dela, mas a curiosidade foi maior.
Rose levou-me para uma sala. Quando entrei vi que era uma biblioteca. Sorri, seis anos se passaram e Rose continua a gostar de livros! Há coisas que nunca mudam!
– O que estamos a fazer aqui? – Perguntei curioso.
Ela não me respondeu, seguiu para a parede mais afastada da biblioteca. Bateu com a varinha três vezes e afastou-se.
Eu esperei.
A parede começou a mexer-se. Os tijolos afastaram-se e apareceu uma passagem. Rose fez sinal para que a seguisse.
Descemos umas escadas e entramos numa sala escura.
Pensei em utilizar o Lumus, mas antes que tivesse tempo para fazer alguma coisa, Rose acendeu a luz.
Eu não pode acreditar no que via. Parecia a nossa sala de operações.
As paredes cheias de papeis afixados, com notas escritas por Rose. Um mapa com marcas dos lugares onde houveram ataques. Fotografias e recortes de jornais.
– Como podes ver eu estou bem ciente da guerra – disse Rose, quebrando o silêncio.
– Como?
– A minha mãe, Lexi, Al e o meu irmão mantêm me informada – explicou. – Outras coisas, sou que eu descubro sozinha.
– O Al e o Hugo sabem onde tu estás? – Perguntei.
– Claro que sabem – disse ela. – O Al é o padrinho da Sophie, e a Lexi a madrinha. Qual é o espanto?
– Nenhum!
Aqueles dois mentiram-me! Dizeram que não sabiam de Rose!
– Eles não te podiam contar – disse Rose, adivinhando o que eu estava a pensar. – A Lexi é a guardadora do meu segredo.
Fazia sentido. Eu sabia que Lexi deveria saber onde Rose estava, mas nunca lhe perguntei. Em vez disso, perguntei a Al e Hugo. Nenhum dos dois mo poderia ter dito.
– Agora – disse Rose para ela mesma, — onde é que está o que preciso?
– Do que estas á procura? – Eu estava curioso.
Rose andava pela sala, observando as paredes repletas de papéis.
– Ah, aqui está – pegou num papel amarelo e deu-mo.
Li-o.
“A Fúria pode morder, arranhar e até comer, mas nunca vencerá o sangue inocente.
E aquele por quem a tua confiança recai será vítima da Furia”
– O que quer isto dizer? – Perguntei confuso.
Rose suspirou.
– Quer dizer que uma das pessoas em quem eu confio será atacada por uma criatura chamada Furia – esclareceu. – E também diz como curar essa pessoa.
– Continuo sem perceber – admiti.
Rose bufou sem paciência.
– O Albus é uma das pessoas em quem eu confio – afirmou ela. – Ele foi atacado por uma criatura que vocês não sabem o que é, certo? Nem sabem como cura-lo, certo?
– Certo – concordei.
– Eu sei – disse ela. – Está ai escrito! Com sangue inocente!
– Vamos ter de matar alguém?
Rose revirou os olhos.
– Anda, vou arrumar as minhas coisas para ir para Londres. E chamar a Sophie – disse ela. – Eu explico-te no caminho. – Prometeu vendo a minha cara.
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