Revenge!
15 Orgulho!
Notas iniciais
POV ROSE
O copo de água desenrolou-se de maneira suave. Os convidados dançaram e petiscaram ao longo da tarde.
Todas as tradições foram respeitadas. As luzes dos flashes das camaras encadearam-me quando Al e Rachel cortaram o bolo, juntos. Rachel lançou o ramo de flores na direção de todas as solteiras. Al obrigou-me a ir para o meio das outras mulheres, mesmo eu tendo afirmado que não queria. No final, foi Lexi que apanhou o ramo.
Na hora dos discursos, Albus insistiu para que eu falasse. Não perdi a oportunidade para deixar Rachel corada. Falei de quando gostava dos dois e desejava que fossem mais felizes do que já são e comentei sobre quando descobri que eles namoravam escondidos. Rachel corou quando mencionei a "procura de livros" que os dois faziam na biblioteca.
Luke, Lexi, Scorpius e eu rimos alto ao ver a noiva corada, enquanto Al arrancava a liga que eu tinha dado a Rachel e que ela tinha deixado escorregar até quase ao tornozelo, com os dentes.
E quando a musica começou a tocar, os noivos encaminharam-se para a pista de dança, para a primeira dança convencional. Eles estavam lindos! E Felizes!
Ao fim de um tempo, a música mudou e Luke pediu para dançar com a irmã. Albus dançou com tia Ginny. Alguns casais se começaram a formar na pista.
– Queres dançar? – Scorpius surgiu ao meu lado de repente.
– Com quem? – Perguntei confusa.
Scorp rolou os olhos.
– Comigo, obviamente!
– Ah… eu…eu não sei se devo – admiti.
– Oh, vamos lá Rose – pediu ele. – A última, e única, vez que dançamos foi no baile de finalistas.
E olha onde isso nos levou?
Suspirei e acabei por aceitar. Pegando na minha mão, Scorp levou-me até á pista de dança. Luke e Lexi sorriram para nós e piscaram o olho, em simultâneo.
Serio, estes dois são perfeitos um para o outro, até já fazem as coisas ao mesmo tempo.
A música começou lenta. Scorpius puxou-me em direção ao seu corpo, e colocou uma mão na minha cintura. Aquilo era extremamente desnorteante.
– Um galeão pelos teus pensamentos – disse ele a sorrir. Olhei para ele.
– Estava só a pensar em como isso é parecido com o baile – afirmei.
Ele assentiu.
– Sim, tens razão – admitiu. – Muito parecido!
– E depois tudo mudou- suspirei.
– Sim, depois as coisas mudaram – concordou. – Mas exatamente o que? O que mudou para ti?
Olhei para ele, a centímetros de distância.
Tudo tinha mudado depois daquela noite. Foi aquela noite que me levou até agora, foi aquela noite que me trouxe Sophie.
Diz-lhe Rose! Diz-lhe que ele é pai!
Mas eu não conseguia. Não conseguia saber que depois ele me iria odiar. Não suportava a ideia de vê-lo de novo daquela maneira.
– Para começar, eu tive a minha primeira vez. – Tentei disfarçar o meu nervosismo.
Scorpius parou um segundo, e depois voltou a dançar.
– Primeira vez? – Perguntou incrédulo. – Tu tiveste a tua primeira vez comigo?
– Sim! – E única também, mas não lhe diria isso. – Qual é o problema? – Questionei quando reparei na cara de Scorpius.
– É que … -calou-se.
– Sim?
– Rose, tu és rapariga – afirmou ele. Eu rolei os olhos. A sério que ele só reparou agora?! – Ainda por cima, eras toda certinha. Ainda és!
– E o que tem isso? – Fiquei confusa.
Ele suspirou.
– Eu só acho que a tua primeira vez devia ter sido com alguém diferente – anunciou.
– Alguém diferente? Como assim?
De novo, cinza no azul.
– Com alguém tu gostasses Rose – admitiu ele. – Alguém com quem tu quisesses fazê-lo! E não comigo, quando estavas bêbeda!
Ao dizer isso, Scorpius deixou-me sozinha, saindo do jardim e entrando em casa.
Fiquei confusa! Alguém de quem eu gostasse?!
Ah, Scorpius! Tu ainda não percebeste que é de ti que eu gosto?!

POV SCORPIUS
Primeira vez?!
Ela estava mesmo a falar a sério?
Isto não podia estar a acontecer!
– Scorpius? – A voz de Luke apareceu do outro lado da porta. – Posso entrar?
– Força!
Luke entrou no meu quarto com uma expressão confusa.
– Porque te vieste embora? – Perguntou. – Estavas a dançar com a Rose. Qual o problema?
Suspirei sentado na cama.
– Eu fiz uma coisa que não devia, Luke – admiti.
Zabine sentou-se na cadeira á minha frente.
– Queres contar? – Ele estava realmente preocupado com a minha forma de agir.
– Lembraste quando eu desapareci no baile de finalistas?
Ele franziu a testa.
– No baile… — Calou-se. – Espera, o que tem o baile a ver com isto?
– Lembras-te ou não? – Ele acenou. – Bem, eu não desapareci por ter discutido com a Rose, como te contei.
– Mentiste? – Acenei. – Então porque desapareceste? – Questionou. – A Rose também desapareceu, e foi por isso que eu acreditei em ti. Provavelmente, ela estava chateada em algum canto.
Suspirei de novo.
– Ela estava comigo – admiti. E esperei que ele tirasse conclusões.
– Sim, e? Ela tinha bebido, eu lembro-me disso – afirmou ele. – Estavas a ajuda-la?
Aparentemente, ele ou achava a ideia de Rose e eu na cama impossível, ou nem sequer se lembrava disso.
Mandei-lhe um olhar significativo.
Ele arregalou os olhos e eu soube que eu tinha percebido.
– Tu e a Rose? – Ele estava chocado. – No baile?
– Sim – confirmei.
– Oh meu merlin! – Luke levantou-se. – Foi por isso que vocês estavam tão estranhos na manha seguinte?
– Sim, foi.
– Eu nunca pensei dizer isto mas, tu e a Rose fizeram sexo! – Luke inclinou a cabeça para trás e riu-se às gargalhadas.
– Luke – chamei. – LUKE?
– Ah? Sim? – Perguntou ele, depois de se acalmar.
– O problema não está ai – informei.
– Imagino que não – sorriu malicioso. Revirei os olhos.
– Para com isso – pedi. – Isto é sério!
– Ok, ok – concordou. – Qual o problema?
– Foi a primeira vez dela – afirmei.
– Vocês estavam bêbedos, não te podes culpar – disse ele. Claramente a seguir o mesmo raciocínio que eu. Rose deveria ter tido uma primeira vez como ela queria!
– Luke, só a Rose estava bêbeda – admiti.
Zabine arregalou tanto os olhos que eu achei que eles iam saltar.
– TU FOSTE PARA A CAMA COM A ROSE BEBEDA? – Gritou ele.
– Fala baixo – pedi. – Eu sei que foi errado! Mas ela também não facilitou…
– Scorpius, ela estava bêbeda!
– Eu sei disso – revirei os olhos. – Mas tu sabes que eu gostava dela, e na altura não pensei. Eu simplesmente não consegui parar!
Luke suspirou.
– O que se passou já passou. Já não há modo de mudar – afirmou ele. – Mas porque revolves-te contar agora?
– Porque estou a sentir-me mal com isso – confessei. – Eu não pensei que fosse a primeira vez dela!
– Contínuo confuso!
– Luke, eu aproveitei-me dela, percebes? – Questionei. – Ela deveria ter tido a primeira vez dela com alguém que ela gostasse, não comigo! E deveria ter sido nos termos dela, não nos meus!
– Mas ela não te disse que gostava de ti nessa altura? – Perguntou Luke. Acenei. Ele estava a falar da ultima conversa sobre sentimentos que tive com Rose. Ela confessar que gostava de mim na adolescência. – Então pronto, ela teve a primeira vez dela com quem gostava! Tu não te aproveitaste dela…
– Na realidade, ele aproveitou-se sim! – Uma voz disse.
Olhei para a porta e vi Rose. O desgraçado do Zabine não tinha fechado a porta. Eu iria matá-lo.
– Luke, achas …
– Não te preocupes – interrompeu-a. Luke levantou-se. – Eu vou procurar a Lexi – e saiu, fechando a porta.
AGORA FECHAS A PORTA???
Rose continuou a olhar para mim em silêncio. Eu baixei a cabeça.
– Então…
– Quando pensavas contar? – Interrompeu-me.
Engoli em seco.
– Não pensava – admiti. Ela levantou uma sobrancelha. – Mas, isso não quer dizer que não lamente o que se passou.
– Eu não – confessou ela. Olhei-a espantado. – Luke tem razão. Eu gostava de ti.
– Mas Rose…
– Admito que não foi como eu algum dia tinha imaginado a minha primeira vez – interrompeu-me ela de novo. – Mas também não foi a pior coisa que podia ter acontecido! – Eu estava chocado. – Apenas acho que podia ter sido de outra maneira! Tu podias ter-me dito o que sentias. Podíamos ter falado sobre isso e quem sabe ter uma relação normal, para variar!
– Eramos crianças Rose! – Anunciei. – E alem do mais eu tentei falar contigo depois disso, caso não te lembres! E tu fugiste!
– Eu lembro-me – afirmou. – Mas esperavas o quê? Eu estava confusa! Não sabia o que dizer, eu nem conseguia olhar para a tua cara depois disso – confessou. – Mas quando tentei tu não quiseste ouvir. E se bem me recordo, até me insultaste indiretamente.
– Nessa altura, estava chateado – admiti. – Tinha tentado falar contigo durante 2 semanas e tu sempre me ignoraste. Eu também tenho orgulho!
– Sim, e esse orgulho levou-nos até aqui – disse ela. – O problema esta ai, não ves?
– Como assim? Agora a culpa é minha?
– É dos dois – afirmou. – Nós dois sempre fomos orgulhosos! Desde que nos conhecemos que sempre fomos assim um com o outro! – Levantei-me. – E isso levou-nos até aqui! Nada vai mudar enquanto formos os dois orgulhosos! Eu tenho o meu orgulho, admito. E é bem grande – sorriu. – Mas tu também tens o teu, que não perde nada comparado com o meu.
– Rose – dei dois passos. – Eu vou perder o meu!
Sem esperar pela resposta agarrei-a.
Coloquei uma mão na sua cintura fina e outra na sua nuca. E então colei os nossos lábios.
Como eu tinha sentido falta disto! Dos lábios quentes e vermelhos de Rose colados aos meus, do seu perfume embriagante, das minhas mãos na sua cintura. E é claro, da tentativa falhada dela se libertar de mim!
No inico, Rose lutou contra mim. Depois finalmente cedeu ao beijo e correspondendo.
POV ROSE
Eu estava a beijar o Malfoy!
OMM, por quantos anos eu esperei que isto voltasse a acontecer? Quantas noites sonhei acordada com este momento? Quantos sonhos já tive?
E ali estava eu. As minhas mãos foram em direção ao seu cabelo loiro de que eu tanto tinha saudades.
Quando Scorpius percebeu que eu não ia fugir, desceu a sua mão até á minha cintura.
Ambos correspondíamos ao beijo apaixonadamente. Mas depressa ficamos sem ar.
– Rose – disse ele ofegante. – Perde o orgulho.
– Se eu perder alguém vai se magoar – afirmei e sai do quarto.
Corri para o meu quarto com lágrimas nos olhos.
Eu sou tão burra! Scorpius gostava de mim, eu sabia que ele gostava. Scorp nunca teria tido aquela atitude se não gostasse. Ele rebaixou-se ao ponto de me pedir para perder o meu orgulho. Mas eu não consegui!
Isso significava contar-lhe sobre Sophie e , embora eu soubesse que ele devia saber, eu não estava preparada para o olhar de ódio.
Fale com o autor