Revenge
6 Yuruga
Notas iniciais
Beijo, sua linda ;*
Mas agora vamos ao capítulo. Será que o caderno é real? O.O
–É... é real... É real!– Não consegui me conter. Disse em voz alta. Alta não, quase gritando.
Segurei o caderno. Li novamente o nome Hitomiro Yusumura. Esse nome escrito há quarenta segundos atrás é a prova de que o caderno é real! É real!
Naquele momento eu não sabia se deveria ficar triste ou feliz. Mas achei melhor ficar feliz. Tudo bem, eu era uma assassina agora, afinal já tinha matado duas pessoas. Mas isso não interessa agora, o caderno é real! Eu tenho um caderno que me faz poder matar as pessoas apenas com o nome e o rosto dela! Isso é incrível!
Bom, pelo menos eu não rasguei minha mão atoa. É. Ela ainda estava doendo. Mas isso não importava. Que se dane as mãos rasgadas e os curativos mal feitos. Eu tenho o poder do Kira! Oh droga, tinha me esquecido desse detalhe.
Então... isso era a prova de que o Kira tinha um caderno como esse, certo? Não conheço nenhum outro artigo que faça as pessoas matarem apenas com nome e rosto das pessoas, então suponho que sim.
Por que diabos está tão feliz? Você não está pensando em matar mais ninguém, está? É claro que estou! Eu posso matar as pessoas agora sem ir pra cadeia. E caso as mortes se tornem constantes a culpa fica no Kira, simples assim. Isso é bom! Isso é muito bom!
–Eu posso... matar sem deixar rastros... – não me satisfiz só com meus pensamentos.
–E por que tamanha surpresa? Você já fez isso uma vez – ouvi uma voz rouca, baixa e sombria vindo de traz de mim.
Arrepiei completamente e me virei muito rápido, ficando de joelhos no sofá. Confesso, naquele momento eu estava com medo. Vi uma criatura alta, devia ter uns quatro metros de altura. Os olhos completamente vermelhos. Os dedos finos e imensos. Pontudos como garras. A barriga – ou o lugar onde ela deveria ficar – não tinha nada, nem pele, apenas ossos.
–Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!!!!!!! – gritei, fugindo o mais rápido possível. Entrei no quarto e me tranquei.
–Não adianta fugir de mim – disse a criatura... atravessando a parede e entrando no quarto.
–Se afasta de mim! – joguei a primeira coisa que vi na frente nele. Minha mochila. Ela simplesmente o atravessou – o... o que é você? – eu não fazia ideia do que era, mas eu sabia que não era humano.
–Eu sou um shingami. Acalme-se um pouco, não precisa ter medo de mim. Eu não vou te fazer mal.
–U-um... um shinigami?
–Sim. Meu nome é Yuruga.
–E-eu sou...
–Ychizuno Kaori. Eu sei. Fique calma, eu não vou te machucar, tá bom? – sua voz calma me convenceu a finalmente me acalmar. O que diabos estava acontecendo ali?
–O-o que você quer?
–Agora? Nada. Só vim ver o que tinha acontecido com o meu caderno.
–Seu caderno?
–Esse ai, na sua mão agora.
Nossa! Subi tão apressada as escadas que nem notei que ainda segurava o caderno.
–Toma, se é isso pode levar – disse estendendo o caderno para que ele o pegasse.
–Não vou pegar o caderno. Ele é seu agora.
–M-meu?
–É. Ele é seu. Quando um shinigami deixa o caderno cair no mundo dos humanos, ele se torna propriedade do primeiro humano que o encontrar.
–B-bom... obrigada então, Yuruga.
–Disponha.
Abri a porta do quarto. Saí e fui até a cozinha. Quando abri o armário ouvi novamente a voz do shinigami.
–O que tem de bom pra se comer aqui no mundo humano?
–Vai ficar me seguindo agora?
–Me desculpe. Esse é o meu dever.
–Seu dever?
–Como eu disse, eu vim ver o que acontecia com meu caderno.
–Já viu. Então vai embora e me deixa em paz.
–Eu não vim simplesmente olhar pro meu caderno. Eu vim ver o que vai fazer com ele. Vim ver sua forma de vida. Sabia que é a primeira vez que meu caderno cai do mundo Shinigami? Você é a primeira humana a tocá-lo.
–Espera, então vai ficar aqui me bisbilhotando?
–Não diria bisbilhotar, mas estou te assistindo. Sou um expectador agora.
–Olha... senhor shinigami... eu não sei o que espera do meu modo de vida, mas não tem nada de interessante nele. Eu sou apenas uma órfã de 17 anos que perdeu os pais recentemente. Passo metade do dia na faculdade como uma jovem normal. Não tem nada de extraordinário que eu possa fazer quando estou em casa.
–E quem disse que vou ficar aqui na sua casa?
–Espera, você pretende ir na faculdade comigo?
–É claro. O que eu ia ficar fazendo nesse amontoado de cômodos vazios?
–Você não pode ir na faculdade! O que as pessoas pensariam de ver uma... nada pessoal... uma criatura estranha de quatro metros de altura atrás de mim?
–Bela tentativa, mas as outras pessoas não podem me ver. Só as que tem contato com o caderno.
–Espera ai, isso é sério? Ninguém que não tenha tido contato com o caderno pode te ver?
–Exato.
–Então isso significa que podem existir outros shinigamis por ai?
–Claro que podem.
–E eu ia morrer sem saber disso...
–Bom, senhorita Ychizuno...
–Kaori, por favor.
–Kaori. Eu vou continuar seguindo você, não importa o que diga.
Suspirei. Essa coisa ia mesmo me seguir pra todo canto? Peguei um pacote de biscoitos. Meus favoritos, com pedaços de chocolate.
–O que é isso?
–Biscoito.
–É de comer?
–É, Yuruga. É de comer. Quer experimentar? – entreguei um a ele. Ele segurou com a ponta das garras enormes e colocou bem devagar dentro da boca.
–Hm... isso é bom.
–É sim. É ótimo. É meio que meu vício. Afinal, o que os shinigamis comem?
–Ah não, nós shinigamis não precisamos nos alimentar. Temos o corpo evoluído o suficiente pra nos manter vivos sem precisar de uma fonte de energia. No entanto não é proibida a comida humana.
–Eu entendi. Isso significa que você quer mais um biscoito.
–Se não lhe incomodar...
Entreguei mais um biscoito a ele. Em pouco tempo devoramos todos eles.
–Eu gostei da comida humana. Eu nunca tinha comido nada disso, afinal é a primeira vez que saio do mundo shinigami.
–Tem mais comida gostosa no mundo dos humanos. Claro, nada se compara aos biscoitos – fazer o quê? Era meu vício – mas tem mais tipos de comida. Doces, salgadas, apimentadas, azedas, amargas, quentes, geladas... ah, já sei! Tem chocolate na geladeira, quer um pedaço?
–Chocolate?
–É. É um doce feito a base de cacau. É marrom e delicioso. Vou te dar um pedaço.
Abri a geladeira e peguei uma barra. Parti ela e entreguei um pedaço ao shinigami, que segurou com a ponta das garras. Colocou o chocolate na boca. Eu me diverti vendo a expressão maravilhada que ele fez ao sentir o sabor doce do chocolate.
–Isso é bom!
–É ótimo. Eu gosto. Mas ainda sim prefiro meus biscoitos.
Deixei o shinigami lá e subi para o meu quarto. Mas como eu já esperava, ele me seguiu.
–Yuruga. A primeira frase que me disse foi que eu já tinha matado uma vez, não foi?
–Foi sim.
–Como sabia disso?
–Eu ando te seguindo.
–Há quanto tempo? – me espantei
–Desde o dia em que encontrou o caderno.
–E por que não se apresentou naquele dia?
–Queria ver o que ia fazer com ele sem interferência minha.
–Suponho que tenha me seguido na faculdade também.
–Segui sim. Mas tive cuidado para que você não percebesse isso.
–Então você viu meus amigos, não é?
–É. Mas não se preocupe. Como eu disse, eles não podem me ver. Afinal, a senhorita Kyoko é meio nervosa, não é?
–É sim – eu ri – ela é sempre assim. Ei, espera! Como sabe o sobrenome da Hideko?
–Eu posso ver o nome e sobrenome de todos. Também posso ver a data da morte deles. São habilidades devidas aos olhos de shinigami. Certamente reparou na cor deles, não é?
Sim. Olhos vermelhos. Mas isso não era importante pra mim, afinal ele era todo esquisito. E o Beyond também tem olhos dessa cor.
–Olhos... de shinigami? Nossa, isso facilitaria muito na hora de matar as pessoas, já que não dá pra saber o nome de todo mundo.
–Você pode ter olhos como esses. É só fazer um trato comigo.
–É claro. Você ia querer algo em troca. Pois bem, o que é?
–Metade da sua vida.
–O QUÊ?!
–Metade do tempo da sua vida.
–Tá falando sério?
–Eu acho que vale a pena. Você vai poder matar qualquer pessoa apenas olhando no rosto dela.
–Metade da minha vida... se não se importa, quanto tempo ainda tenho?
–Não sei.
–Como não sabe? Use seus olhos.
–Não dá pra ver o tempo de vida de alguém que tem o caderno. Só o nome. E quando cheguei aqui no mundo dos humanos você já tinha o caderno.
–É uma pena. Eu realmente gostaria de saber quanto tempo ainda tenho. Pra saber se posso cortar pela metade sem reduzir minha vida à uma semana.
Ele suspirou.
–Que pena. Eu queria ganhar mais vida.
–Como assim?
–A metade que você perde do tempo de vida é transferida pra mim. É uma troca justa pelos olhos de shinigami.
–Eu aceito.
–Aceita?
–Aceito os olhos de shinigami. Assim, se o Kira tem um caderno desses eu vou saber quem ele é porque não posso ver seu tempo de vida. Eu quero ter olhos de shinigami. Aceito sua proposta.
Ouvi o shinigami dar uma risada maligna, antes de me olhar no fundo dos olhos. Eu pisquei algumas vezes. Quando abri os olhos novamente, estava tudo vermelho. Será efeito dos olhos de shinigami?
Olhei pra Yuruga. Vi letras sobre sua cabeça. Formavam seu nome. Então esse era o poder dos olhos.
–Vai ficar tudo vermelho assim mesmo? – perguntei. Seria realmente muito chato nunca mais ver o verde dos olhos da nervosinha de cabelos castanhos, ou o cinza dos olhos da ruiva.
–Não. Claro que não. Você pode usar seus olhos humanos quando quiser.
Pisquei forte. Abri os olhos. Tudo estava das cores normais. Porém eu não podia ver mais o nome do shinigami.
–Foi um prazer fazer o trato com você, Yuruga.
–O prazer é todo meu.
Olhei no espelho e vi meus olhos castanhos. Pisquei e olhei novamente. Estavam escarlate. Isso facilitaria muito na hora de matar pessoas.
Notas finais
Em breve ela vai descobrir que o Kira está mais próximo do que ela imagina...
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