Revendo Conceitos
15 Será?
Hermione saiu da sala sorrindo. Entrou em seu quarto cheirando e beijando o livro. Não notara, mas certo ruivo a observava sentado em sua cama...
- Onde é que você estava, Hermione? – perguntou Ron sério.
Hermione soltou um grito e pôs a mão no peito.
- O que você está fazendo aqui? – perguntou assustada – Como entrou no meu quarto?
- A porta estava encostada, bati, você não respondeu, eu entrei.
- Estranho...Eu tinha certeza de que havia trancado a porta. – disse Hermione olhando para a porta à procura de algum arrombamento.
- Não mude de assunto! – Rony deu um passo à frente – Onde você estava?
Hermione despertou de seus devaneios. Olhou séria para Rony.
- Na sala comunal dos monitores-chefe, por que? – a castanha cruzou os braços.
- Com quem? – Ron bufou de ódio – Com o Malfoy?
- Sim, Rony – Hermione revirou os olhos, impaciente.
-Você foi correndo para falar com ele, não é? — Rony esbravejou, vermelho como seus cabelos.
- Você está tentando insinuar algo, Ronald? — Hermione perguntou calma, estreitando os olhos.
- Ahn? – o rapaz se desconcertou.
- Você está tentando insinuar alguma coisa? – Hermione repetiu a pergunta. No mesmo tom de voz. Já sabia onde Rony queria chegar com seu interrogatório. Não admitiria.
- Bem, errrr que...
- Veja muito bem, Rony – Hermione se aproximou lentamente com o dedo em riste – Quem você acha que eu sou? – a essa altura, a castanha já esbravejava – Você ou a sua ex- amante?
Rony abriu a boca assustado. Esperava nunca precisar tocar nesse assunto com Hermione.
- A-A-Amante? – gaguejou o ruivo.
- É Rony! Amante. – Hermione seguiu esbravejando – Ou você acha que eu não sei que aquela não foi a primeira vez que saíram juntos?
- O que aquele filh.. – Rony tentou falar, mas Hermione não deixou.
- Não tenta jogar isso nos outros, Ronald. E se você quer saber, ninguém me contou. Apenas liguei os fatos. Eu só espero que aquela tenha sido a última vez.
O ruivo apenas suspirou, não tinha o que responder. Balbuciou um pedido de desculpas, mas Hermione o cortou.
- Olha aqui, Rony – a castanha pôs ambas mãos nas têmporas e falou mais calma – Eu vou tomar um banho. E não quero você aqui quando eu voltar.
Hermione foi em direção ao banheiro deixando Ron completamente constrangido para trás.
*****
- Ué, Ron. Cadê a Mi? Ela não veio com você? — perguntou Gina enquanto acariciava o cabelo de Harry. — Você saiu dizendo que a buscaria...
- Não veio e acho que não vem mais.
- O que você fez de errado, seu cabeçudo? – perguntou Gina aborrecida.
- Ela implicou com besteira. Ficou chateada de eu ter entrado no quarto dela sem pedir. – Gina e Harry o olharam atônito, sabiam que era impossível Hermione se zangar por isso – E acabamos discutindo por conta do Malfoy.
- Pow, cara – disse Harry colocando a mão em seu ombro – esquece aquele pesadelo. Aquilo nunca vai acontecer.
Gina olhou pensativa para os dois. Preferia não ficar sabendo do teor do pesadelo, porque dependendo do que se tratava, já havia se transformado em realidade.
- Vou lá falar com a Mione. – disse a ruiva decidida e saiu do local, deixando os rapazes a sós.
Quando Gina chegou no quarto da amiga, percebeu que a garota ainda estava no banho. Decidiu esperá-la no corredor de acesso ao salão comunal da Grifinória. Deixou a porta aberta para que quando a amiga fosse fechá-la, pudesse vê-la.
- Grrrr, o idiota ainda deixou a porta aberta – disse Hermione ao sair do banho em direção à porta – Ei Ginny, o que está fazendo aí sentada no chão? – perguntou espantada
- Ahhh, oi Mi! Estava te esperando – a ruiva levantou limpando a calça – Vi que estava tomando banho e resolvi te esperar por aqui.
- Qual foi a versão que o Ronald contou para vocês, hein? – perguntou séria – Eu briguei com ele porque ele arrombou minha porta para me espionar. Mas você pode entrar a hora que quiser.
- Arrombou a porta do seu quarto? – perguntou assustada – Você tem certeza disso, Mi?
- Claro, Gina. Eu tenho certeza absoluta que tranquei a porta. Até porque vim na intenção de falar com o Malfoy. E não me olhe desse jeito Gi. Eu só precisava pedir desculpas.
Hermione passou a narrar a briga que ela e Draco tiveram no trem, o tapa que dera no loiro, a tentativa de pedir desculpas ainda no trem, na vinda à Hogwarts e como foi o pedido de desculpas.
- E ele aceitou numa boa, Mi?
- Sim! E você não vai acreditar. Ele me pediu desculpas também. Disse que não tinha o direito de se intrometer na minha vida.
- Nossa, Mi! Confesso que estou espantada. Mas por que brigou com o Ron?
- Ahhh Ginny...Como seu irmão me irrita! – respondeu Hermione brava – Além de ter arrombado a porta do meu quarto, ele insinuou que eu estava correndo atrás do Malfoy! Fiquei louca. Disse a ele que estava me confundindo com ele ou com a vagab... – Hermione parou – me confundindo com a Patil.
- Ahhh Mi, ela é uma vagabunda mesmo. Pode falar- Gina disse de forma simples. Hermione sorriu, Gina era impossível.
– Falei coisas que já estavam entaladas há tempos, sabe?
- Sei... Sabe, Mi. — Gina começou com cuidado. — Eu acho que, assim como você teve esse papo com o Malfoy para se acertarem, você deveria fazer o mesmo com o Ron.
- Não quero conversar com o Ron sobre isso, Gina. Eu sinto um ódio tão grande cada vez que penso que seu irmão me traiu debaixo do meu nariz!
- É, mas eu acho muito errado isso. Isso ainda não está resolvido e qualquer coisa vira motivo para vocês dois brigarem. Você se lembra do Natal?
Flash Back
- Então Sr. Weasley – disse Harry levantando-se da mesa, todos olharam para ele – não é segredo nenhum de vocês aqui presentes o quanto amo a Gina.
Olhou para a namorada e sorriu, Gina sorriu de volta.
- Desde o fim da guerra – continuou Harry – venho amadurecendo uma idéia e acho que o momento chegou.
Neste momento, retirou uma pequena caixa de seu bolso. Hermione e Gina sufocaram um soluço. Harry se aproximou da ruiva, pegou sua mão e olhou para o Sr. Weasley.
- Sr. Weasley, eu quero pedir a mão de sua filha em casamento. – ele olhou para a Gina, que tinha os olhos marejados – Você aceita se casar comigo, Ginevra Molly Weasley?
Gina agarrou no pescoço do rapaz e lhe deu um beijo rápido.
- É claro que aceito, Harry Tiago Potter!
***
- Vocês também poderiam ficar noivos – disse Gina para Hermione e Ron.
Os quatro amigos estavam sentados do lado de fora da casa.
- Já imaginaram? A gente casando juntos? Seria bem legal – sorriu Gina.
Hermione sorriu e balançou a cabeça negativamente, iria falar algo quando Rony começou a falar.
- Ficou maluca, Gina? – disse rindo debochado – Hermione e eu ainda temos muito que viver antes de assumir algo assim tão sério.
- Claro, Gina! – começou Hermione se levantando, seu tom era magoado — Seu irmão tem toda razão. Ou você acha que ele largaria a vida de adolescente famoso para assumir um compromisso assim tão sério? Bem, eu vou entrar. Amanhã meus pais e eu voltamos para Londres trouxa e como vamos sem magia, a viagem vai ser longa. – Hermione saiu andando sem esperar a resposta de Rony.
- Você só não é mais idiota, Ronald – falou Gina com raiva – por falta de espaço. Ei Mi, me espera!
Fim do Flash back
- Você não acha que precisam ter uma conversa séria?
- Você tem razão, Gina. Mas aquele ar de eterno culpado do Rony me tira do sério. Me dá vontade de pular no pescoço dele.
- Mi, nunca foi segredo para você que o Rony era um completo idiota – Gina riu – Mas você se apaixonou por ele mesmo assim. Vamos para o salão comunal ? – perguntou e antes que a amiga protestasse, completou – A gente vai ter pouquíssima possibilidade nesse semestre de ficar assim de bobeira.
- OK, Ginevra! — Hermione levantou as mãos, rendida — Você me convenceu, vamos!
Quando Hermione e Gina chegaram no salão comunal, Harry e Rony jogavam xadrez bruxo rodeados por vários alunos da Grifinória. Rony levantou ao vê-las entrar.
- Eu te amo, irmãzinha – disse baixinho no ouvido da irmã.
- Vê se não estraga tudo dessa vez – respondeu a ruiva no mesmo tom indo em direção ao noivo.
Rony ergueu um dos braços e pegou nas mãos de Hermione.
- Senta aqui para me ver jogar – disse puxando a menina para perto de si. – Você me dá sorte.
- Você não precisa de sorte nesse jogo, Rony – Hermione revirou os olhos com a cantada barata de seu namorado, mas sorriu e sentou ao seu lado.
Não demorou para que Rony desse o xeque-mate em Harry, fazendo seus colegas dispersarem, alguns dizendo “Ahh, eu sabia”. Rony aproveitou que a sala estava quase vazia e puxou Hermione para um canto.
- Desculpa. – disse de cabeça baixa – Eu sou um trasgo, não é? – perguntou envergonhado.
Hermione cruzou os braços antes de responder.
- Sim, você é.
- É, é que – gaguejou o rapaz — às vezes eu não sei lidar com as coisas, me afobo, meto os pés pelas mãos...
- Tudo bem, Ronald. – disse Hermione séria olhando para o rapaz, esperando que ele a olhasse nos olhos. — Olhe para mim, Ronald! – ela pediu e o rapaz obedeceu. – Já é um avanço que consiga perceber isso.
Hermione sorriu e Rony lhe devolveu o sorriso. Se aproximou e deu um selinho na namorada.
- Ué, cadê todo mundo? – perguntou Hermione olhando em volta do salão que estava praticamente vazio. – Cadê o Harry e a Gina?
- Sei lá! Depois que Harry e Gina ficaram noivos, ela não está mais sob minha responsabilidade. Se querem sumir, que sumam – disse o ruivo balançando os ombros.
- Acho que vou para o meu quarto.
- Ei, Mi, posso dormir com você em seu quarto hoje? – Rony perguntou, ficando completamente vermelho.
- Como é que é? – perguntou Hermione surpresa – Ahhh, Rony...
-Eu só quero ficar um pouco ao seu lado, Mione. Conversar, namorar. Tem tanto tempo que não fazemos isso, desde que... – o ruivo se calou e abaixou a cabeça.
Hermione suspirou, meio incomodada.
- Tá bom, Rony, vamos.
- Ótimo! – disse Rony levantando a varinha e convocando seu uniforme.
- O que é isso?
- Ué, Mione. Toda vez que eu durmo no seu quarto eu não saio por lá? Você até prefere isso do que eu voltar ao Salão Comunal de pijama, não é? Você mesma diz que sair de lá do seu quarto é muito mais discreto.
- É verdade – respondeu Hermione pensando – Vamos!
*****
- Ron, acorda – chamou Hermione sacudindo o ruivo – Já está na hora de levantar. Nós vamos perder o café da manhã.
- Ahhh, eu quero dormir mais, Mi! Não temos aula hoje pela manhã.
- Deixa de ser preguiçoso – ralhou Hermione divertida – Levanta, vai tomar um banho!
O rapaz resolveu, finalmente, abrir os olhos. Hermione já estava arrumada, penteando seus cabelos ainda molhados.
- OK, você me convenceu. E também estou morrendo de fome. Já volto – deu um selinho na castanha e foi em direção ao banheiro.
O casal saiu do quarto rindo de alguma piada que o ruivo acabara de contar. Ron ia na frente e viu quando a porta que dava para o corredor comum entre os monitores se abriu. Se virou para Hermione e deu um longo beijo apaixonado que mesmo sem entender, foi retribuído por ela. Quando terminaram, viram que Draco os olhava com cara de nojo.
Draco fechou a mandíbula com força, não conseguia aceitar o que via.
- Não sabia que podíamos trazer acompanhantes para o quarto, Granger – Draco disse com todo nojo que pôde colocar em seu tom de voz. Seu rosto demonstrava o mesmo asco – É muito bom saber sobre as novas regras. – continuou debochado.
- Cala a boca, Malfoy – disse Rony avançando em direção ao loiro – Eu não quero você importunando a MINHA namorada.
- Importunando essa aí? – Draco tinha os nódulos dos dedos inchados de tanto que fechava sua mão. Travava uma batalha interna. Embora uma parte de si gritava, implorando que ofendesse Hermione por estar sendo preterido, a outra parte lhe pedia para se controlar.- Não me dou o trabalho. – respondeu com desdém, olhando friamente para Hermione da cabeça aos pés. Girou os calcanhares e voltou para o seu quarto.
- Você acha que ele vai contar para a Mcgonagall, Mi? – perguntou o ruivo abraçando a castanha.
- Não sei – respondeu triste. Não sabia porque, mas a imagem de Draco a olhando com nojo a incomodava.
*****
Durante o café da manhã, a imagem de Draco a olhando com nojo não saía da cabeça de Hermione e, instintivamente, olhava a toda hora para a mesa da Sonserina. Sem êxito algum, pois o rapaz simplesmente não apareceu para tomar o café. Ainda pensava no que o loiro estava fazendo quando uma coruja pousou perto de si. Retirou o bilhete de sua pata e acariciou a coruja em forma de agradecimento. Deixou cair o garfo de sua mão quando leu quem era o remetente. Os amigos a olharam assustados.
- É da diretora, Rony — disse baixinho – Macgonagall quer falar comigo após o café.
- Filho da puta... – Rony deixou escapar.
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