Revendo Conceitos
4 O Julgamento
A chegada de Rony, Hermione e Harry causou um grande frisson no Ministério da Magia. Fotógrafos tiravam diversas fotos do trio e jornalistas de todo mundo bruxo tentavam alcançá-los para alguma entrevista. Com ajuda dos aurores, eles foram encaminhados para o tribunal.
A manhã passou rápido com julgamentos que ninguém acreditava que teria condenação. Na verdade, o Ministro parecia mais interessado em mostrar à sociedade bruxa os meios que Harry Potter e seus amigos utilizaram para chegar até Voldemort e derrotá-lo, do que em julgar o caso.
Após o momento de depoimentos individuais, o Ministro assumiu a sessão mostrando à plenária alguns fatos recolhidos diretamente da memória do trio. Fatos como os que aconteceram na mansão dos Malfoys, como Draco não reconhecê-los, na Sala Precisa e de quando Harry foi tido como morto e a forma como Narcisa o salvou não informando que ele estava vivo, foram vistos por toda plenária. Com a entrega das memórias de Severo Snape ao Ministério, o professor assassinado foi inocentado de todas as acusações que haviam sido feitas contra ele.
No início da tarde a sentença final foi proferida: Hermione Granger, Ronald Weasley e Harry Potter foram absolvidos do roubo a Gringotes. Após o julgamento, o trio resolveu almoçar no Beco Diagonal, e foram seguidos por vários colegas de Hogwarts que acompanhavam o julgamento.
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- Mione, eu acho que você precisa desculpar sua mãe. Eu acho que ela falou aquilo só porque estava muito nervosa – Gina conversava com Hermione no balcão do Caldeirão Furado enquanto tomavam um suco de abóbora. Rony, Harry e os demais colegas estavam sentados em uma longa mesa posta pra eles.
- Ah não sei Gina... Às vezes eu acho que ela não gosta mais de mim – respondeu Hermione triste.
- Ah Mione, pára de bobeira, sua mãe não tem motivo para ... – Gina parou de falar e ficou olhando séria na direção onde Harry estava sentado. Hermione percebeu o olhar de Gina antes mesmo de entender o motivo e se virou para tentar ver quem chamou a atenção da ruiva – Hum...Olha quem tá ali...
– Ai Gina, não acredito nisso!!! Pára com isso, você tá com uma implicância com ela!- Hermione disse rindo.
-Eu? De implicância com ela? Acho que ela tem tentado reviver o baile do Torneio Tribuxo. – respondeu Gina irritada.
- Não viaja, Gina- Hermione ainda ria.
– Veja a forma que ela olha pro Harry, e se eu fosse você tomava cuidado, porque ela tá olhando da mesma maneira para o Rony! Eu vou lá.
Chegando à mesa onde estavam todos, Gina viu Padma Patil sentada entre Harry e Rony. Padma falava animada com os dois e nem percebeu a chegada da ruiva.
- Obrigada por guardar meu lugar, Patil – Gina estava com o sorriso mais cínico que conseguiu pôr no rosto – Mas agora você pode me dar licença para eu almoçar ao lado do meu namorado?
Patil lhe sorriu meio sem graça, a garota sabia que ali era o lugar da ruiva, uma vez que Harry havia lhe avisado assim que sentou. Mas ao ver Gina e Hermione conversarem tão animadamente acreditou que não teria problemas em permanecer sentada ao lado de Harry.
- Obrigada querida, você é muito gentil – disse Gina cinicamente – E ah esse lugar aí é da Mione, que logicamente irá sentar ao lado do Rony!
Patil permaneceu em pé durante alguns segundos até alguém do outro lado da mesa chamá-la. Alguns colegas da escola comentaram a atitude de Gina, mas foi logo abafado assim que a comida chegou. Após o almoço voltaram para o tribunal. O julgamento seguinte foi o de Hermione, por ter obliviado os pais sem a permissão do Ministério. Depois de vários blá blá blás, o julgamento foi finalizado e Hermione absolvida.
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No dia seguinte o tribunal parecia mais cheio. Os julgamentos do dia seriam os de homicídio realizados por bruxos aliados à Ordem. Praticamente todos os condenados foram absolvidos, pois o júri entendeu que eles agiram em legítima defesa. Harry Potter também foi ouvido em relação à morte do Lorde Voldemort. No terceiro dia de julgamento, Comensais da Morte começaram a ser julgados. O Ministro da Magia optou por iniciar o julgamento pelos os que ele sabia que seria condenação no ato. No fim do terceiro dia, vários de Comensais como Aleto e Amico Carrow, Dolohov, Roockwood, Avery, Fenrir "Lobo" Greyback, Mulciber foram condenados à prisão perpétua em Azkaban.
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Finalmente no quarto dia iniciou o julgamento que muitos bruxos aguardavam: o Julgamento dos Malfoys. Por serem de uma família muito influente no mundo bruxo, eles sempre se davam bem nos julgamentos. Mas dessa vez, Shacklebolt iria garantir que houvesse justiça.
O primeiro a ser julgado foi Draco Malfoy. Ele precisou contar sobre sua participação na entrada de Comensais da Morte em Hogwarts. No início, o rapaz parecia assustado, mas depois foi recobrando sua postura e sua voz foi saindo mais fria, pois ele se lembrara do que seu pai freqüentemente lhe falava: ”Só os fracos demonstram suas emoções“. Ele repetia isso para si mesmo a cada momento como uma forma de defesa. Informou ao júri que havia sido obrigado por Voldemort a tomar aquela atitude. E que, no fim das contas, não havia sido ele a matar Dumbledore. Foi também interrogado pelas torturas que haviam acontecido na mansão e sua participação na Grande Guerra que aconteceu em Hogwarts.
- Sr. Malfoy, porque o senhor não quis reconhecer os senhores Harry Potter, Ronald Weasley e a senhorita Hermione Granger quando foram levados por Greyback até a sua residência?
Malfoy levou um susto com aquela pergunta, não sabia o que responder. Não queria demonstrar que sentira, acima de tudo, medo naquela noite. Mas ao mesmo tempo, queria se safar de Azkaban.
- Eu não os reconheci. – respondeu simplesmente com sua voz arrastada– Eu não queria me responsabilizar com a morte de mais pessoas inocentes, caso não fossem eles.
- Hum, entendo... – respondeu o conselheiro – Vou chamar uma testemunha para falar o que aconteceu na Mansão. – Malfoy revirou os olhos. Não acreditava que teria que encontrar com o “Santo Potter” ali no tribunal. Embora soubesse que provavelmente ele estaria vendo, não queria encontrá-lo ali. Frente à frente. Ainda estava divagando quando ouviu a voz do Conselheiro:
- Entre, senhorita. Luna Lovegood.
Luna entrou com seu olhar sonhador de sempre admirando tudo e a todos como se estivesse em um grande parque de diversões.
- Sente-se senhorita. Lovegood. A senhorita esteve presa na Mansão Malfoy, certo?. A menina loira afirmou em voz alta.
- E a senhora viu o Sr. Draco Lucius Malfoy enquanto esteve presa e sendo torturada dentro da Mansão?
- Sim, vi diversas vezes!!! Ele sempre levava chocolate pra mim e para o Sr. Olivaras. – Neste momento a plenária começou a murmurar se questionando o motivo de Draco Malfoy ter sido bom para Luna Lovegood. Draco apenas revirava os olhos e contemplava a plenária com uma cara que beirava ao desdém. – E ah, ele levava para o Dino também. Como todos sabem, chocolate é um ótimo antídoto para as artes das trevas.
- Sr Malfoy, porque esta ação com os que estavam presos em sua casa?
- Como eu disse, Conselheiro. Não me agrada pessoas inocentes serem mortas ou torturadas.
- Entendo, aguarde um instante que o júri vai decidir.
Dentre o júri estava à professora McGonagall que lembrou a todos da preocupação que Dumbledore tinha por Draco Malfoy. Ela argumentava que ainda havia uma possibilidade de “resgatá-lo” e que não seria o levando para Azkaban que essa possibilidade se concretizaria.
Ao fim de meia hora de discussões, o Conselho, o Júri e o Ministro voltaram ao tribunal. Já haviam escolhido a sentença, entretanto a guardaram para ser proferida após o julgamento dos três Malfoy.
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Após o julgamento da família inteira, o Conselho reuniu o Júri e o Ministro proferiu as sentenças: Lucius Malfoy foi condenado e Narcisa e Draco Malfoy foram absolvidos. No entanto, mãe e filho ainda seriam monitorados durante algum tempo e teriam algumas obrigações como forma de desculpas à comunidade bruxa.
Lentamente a sociedade bruxa voltou ao normal, principalmente após os julgamentos onde, todos os comensais que estavam presos foram condenados. As vielas bruxas que foram destruídas durante o período de terror estavam praticamente reconstruídas. A sociedade bruxa estava exultante, pois Hogwarts, ícone da sociedade bruxa inglesa, estava reconstruída e pronta para ser reinaugurada.
Logo após a semana de julgamentos, Hermione voltou à Austrália para ajudar seus pais a organizar a volta para a Grã-Bretanha. Rony protestou um pouco, não queria que a castanha se afastasse dele, alegava não querer ficar “segurando vela” de seu melhor amigo e de sua irmã. Entretanto, também não queria ir com Hermione uma vez que, o trio maravilha estava sendo convidado para todas as festas do circuito bruxo e Rony não queria perdê-las de jeito algum.
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Era um sábado, quando todos os alunos de Hogwarts receberam suas cartas.
Hermione, que estava já estava há cinco dias na Austrália, ficou eufórica ao ver uma coruja entrar pela janela da sala e largar uma carta com o brasão de Hogwarts. A castanha soltou um grito de felicidade ao ler que não apenas estava sendo convidada para concluir seus estudos em Hogwarts, como também junto a um distintivo, a informava que era a nova de monitora – chefe de Hogwarts. Foi correndo mostrar aos pais a carta e seu novo distintivo. Com tamanha euforia, só percebeu mais tarde que junto com a carta que lhe informava de sua nova posição, havia também uma carta da nova diretora de Hogwarts, Minerva McGonagall, comunicando que precisava conversar com a castanha o mais rápido possível e que esperaria a visita dela dentro de uma semana.
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Harry, Rony, Gina também ficaram muito contentes ao ver as corujas chegarem com suas respectivas cartas; Harry e Rony, em especial, pois receberam além de suas cartas comunicando que deveriam regressar à Hogwarts, Harry recebeu se distintivo de capitão de Grifinória e Rony recebeu um distintivo de monitor.
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-Veja filho, chegou uma coruja para você! – disse Narcisa examinando o lacre das cartas que acabara de receber — Tome, é de Hogwarts- disse entregando a carta à Draco e abrindo uma que havia chegado pra ela.
-Eu não vou. Tome- respondeu Draco entregando a carta à sua mãe para que ela mesma lesse.
-Mas porque não, Draco? É uma ótima oportunidade para rever seus amigos!
- Não tenho motivos para voltar àquela escola.
-Você não tem escolhas Draco – Respondeu Narcisa mostrando a carta que recebera – O Conselho do Ministério da magia exige a sua volta à Hogwarts. Logo, você voltará àquela escola, querendo ou não. Estou saindo – Narcisa completou – quer que eu passe no Beco Diagonal para comprar seu material deste ano, ou prefere ir até lá?
-Aonde vai?- perguntou sorrindo.
-Vou visitar Andrômeda e seu neto. Minha irmã deve estar arrasada com a morte da filha e do genro – respondeu Narcisa de forma natural
-O que disse que vai fazer? O que pensa que vai fazer na casa daquela traidora de sangue, mãe? Enlouqueceu?– Gritou Draco apontando o dedo para sua mãe – É assim que você age? Espera meu pai ir preso pra se juntar a traidores de sangue? – Draco estava furioso.
-Draco, escute bem o que vou lhe dizer – começou Narcisa, havia um sutil toque de ameaça em sua voz – pois eu vou lhe dizer apenas uma vez. Você é meu filho e eu te amo mais do que a minha própria vida. E você sabe muito bem disso. Mas eu nunca mais – Narcisa se aproximou de Draco e lhe encarou — Nunca mais permitirei que você fale dessa forma comigo. Você entendeu?
Draco olhou assustado, sua mãe nunca havia falado desta forma com ele, e ele percebeu que havia passado dos limites. Narcisa ao perceber o olhar assustado continuou menos rude:
-Eu não lhe devo um pingo de explicação e eu tenho total ciência disso. Mas mesmo assim vou lhe falar: eu nunca deixei de visitar minha irmã. –A voz de Narcisa ainda continuava fria — É óbvio que o seu pai e a Bella não sabiam. Mas eu nunca fui contra a minha irmã, pois ela fez o que eu sempre desejei e não pude: ela seguiu o caminho de seu coração. Casou com o homem que amava. E que a fez muito feliz! -Finalizou Narcisa com um suspiro.
Draco não sabia o que falar. Aquela revelação havia mexido com sua cabeça. Sempre achara que a mãe, tal como sua tia, odiavam a irmã que fugiu da tradição da família e envergonhou os Black. Além disso, se perguntava o que sua mãe queria dizer com “o que eu sempre desejei e não pude”. Draco sabia que o casamento de sua mãe fora arranjado e que seus pais não eram uma referência de um casal de apaixonados, mas daí ela falar que sempre desejou seguir o caminho do coração, mas não pode, significava que ela havia tido um amor interrompido? Quem seria esse amor? Porque ela não pode ficar com ele?
Milhões de perguntas passavam pela cabeça de Draco que ele não percebeu que sua mãe se aproximava mais ainda dele. Narcisa, por sua vez, sabia que o cérebro de seu filho estava trabalhando furiosamente processando as informações que ela havia lhe passado. Encostou o braço no ombro de seu filho e lhe disse delicadamente:
-Não se atormente com o que não há necessidade de se atormentar. Em seu tempo certo, suas dúvidas serão esclarecidas. Por enquanto apenas me responda se prefere que eu compre seu material ou você mesmo quer ir?
Draco levou um susto com a voz de sua mãe, havia esquecido completamente que ela estava com ele naquele cômodo.
-Eu mesmo vou – respondeu Draco, seu olhar lembrava Luna Lovegood – Vou enviar uma coruja para Zabini e verificar se ele quer ir comigo. Mas não irei hoje. De qualquer forma, muito obrigado.
-Que bom que tenha escolhido essa opção. Acho que precisava sair mesmo. Você já estava há muito tempo dentro dessa mansão. — disse Narcisa indo em direção à porta – Não demoro, nos vemos mais tarde.
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