Notas iniciais
Nada do que eu havia dito pareceu mudar o que ele sentia, embora não fosse amor, ainda assim era forte. Tudo o que eu queria era que ele fosse feliz, mas ele parecia querer o contrário, pois a única coisa que ele desejava de mim eu jamais o daria.

Eram três da manhã. Aquela teria sido uma madrugada como todas as outras se não estivesses a olhar-me da janela encarando-me profundamente, de novo teus olhos diziam tudo, mas desta vez era diferente, paixão e ódio se enfrentavam numa batalha muda.

Estava tão frio lá fora, por que estavas ali? E por que olhava-me daquela forma? Acaso eu teria sido tão verdadeira a ponto de ferir-te como os que mentem? Sempre acreditei que apenas a mentira feria, talvez eu estivesse errada, mas a verdade já havia sido dita e ainda que eu pudesse voltar o tempo nada seria diferente, não importa o quanto à verdade pudesse doer.

Por muitas vezes senti-me culpada por te fazer sentir tudo aquilo, cheguei a pensar que a minha existência não valesse tanto assim, embora eu não te amasse não queria que sofresses, eu queria apenas que enxergasses um palmo além de teu nariz, verias que não havia motivo para tanto.

Naquele momento o silêncio valia mais que mil palavras. Eu podia ver nos teus olhos o conflito que era estar ali, não devias, mas querias, sempre agias por impulso. Era tão nítido, eu podia ver o ódio avançar aos poucos, recuando à medida que meus olhos decifravam os teus sem muito esforço, as palavras não pareciam ter grande importância em nossas conversas (...).

De repente eu vi... Não, eu não podia permitir aquilo, não era justo, não merecíamos , eu não suportaria dizer-te tudo novamente e não suportarias ouvir. Naquele momento eu desejei que o ódio vencesse para sempre. Como não podias ver a diferença entre amar e querer?! Se ao menos eu te quisesse...

E então eu acordei, não estavas mais ali.... O vento frio que entrava pela janela bagunçava meus cabelos fazendo-me sentir um leve arrepio, era quase um carinho em minha pele quente, fiquei aliviada ao perceber que era apenas um sonho. O céu estava tão negro que as estrelas não pareciam fazer parte dele.

Eu não me permitiria dormir novamente naquela noite. Dirigi-me até o computador, que ficava a poucos metros da cama, procurando algo que pudesse distrair-me até amanhecer, mas ao invés disso, encontrei aquilo que tentara evitar por toda a noite, teus olhos me olhavam fixamente como se houvesse vida na imagem e, então percebi que nada do que fosses capaz de fazer mudaria o que eu sentia, ainda que eu pudesse voltar o tempo nada seria diferente, não importa o quanto à verdade pudesse doer.

Um dia entenderás que não sinto-me sozinha, nunca me senti. A cada dia que passa sinto-me mais perto do meu amor...é como se houvesse um dia determinado, é tão difícil assim entender?

Notas finais
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