Revelações
1 Capítulo único
Notas iniciais
Há quanto tempo isso acontecia?
Há quanto tempo era usado dessa forma?
Sabia que não era ele quem Mello queria, então por que ainda continuava com isso? Por que, toda vez que Mello voltava nervoso por encontrar Near, Matt ainda ia tentar acalmá-lo, mesmo que depois daqueles momentos de prazer o que o esperava era nada mais do que sofrimento?
A verdade era que, por mais que doesse, não conseguia viver sem tocar o corpo de Mello, mesmo que não fosse seu nome que ele chamasse nessas horas...
... Quando se tornou alguém tão fraco assim?
— Near... — Mello chamou.
Matt tentou ignorar, como sempre.
Queria tanto que fosse o seu nome sendo chamado. Queria tanto, que esse desejo aos poucos o corroía por dentro.
Não sabia por mais quanto tempo conseguiria aguentar...
- x —
Quando Mello acordou, Matt ainda estava dormindo ao seu lado. Estavam cobertos apenas por um lençol, e dava para ver as marcas deixadas no corpo de ambos; sentia uma culpa imensa ao olhar para as marcas vermelhas no corpo de Matt.
Tinha plena cosciência do que estava fazendo com o ruivo, mas era egoísta demais para parar, orgulhoso demais para se desculpar e solitário demais para arriscar ser abandonado.
Prescisava de Matt, e mesmo que o ruivo não soubesse, odiava e se culpava por usá-lo dessa forma.
Odiava Near, odiava sentir algo por Near, odiava Matt por se deixar ser usado, e acima de tudo, odiava a si mesmo por fazer seu melhor, seu único amigo, sofrer.
Levantou da cama, com cuidado para não acordar Matt, e foi para o banheiro tomar um banho.
O que poderia fazer? O que sentia por Near era diferente do que sentia por Matt, era óbvio, e o que sentia por Matt era de certa forma mais caloroso, mais como... Uma parte dele.
O que sentia por Near era mais intenso, quase que forçado, e ao mesmo tempo instável e... Frágil.
Chegou a pensar, mais de uma vez, que amava Matt, mas então o que sentia por Near?
Era tudo tão confuso...
Ao voltar para o quarto, Mello já tinha uma idéia do que fazer para tentar resolver isso tudo, e iria pô-la em prática imediatamente.
Matt continuava dormindo, então Mello deixou um bilhete avisando que voltava logo, e saiu.
Tinha ido lá mais cedo, e agora voltava, para encontrar Near e acabar com tudo aquilo de uma vez por todas.
Por que não pensara nisso antes?
— Mello? Esqueceu algo? — Near perguntou sem parecer surpreso por ele ter voltado tão rápido.
— Saiam — Mello ordenou aos companheiros de Near.
Eles não fizeram menção de se retirar. Obviamente sabiam que não era seguro deixar aqueles dois sozinhos, mas Near disse — Tudo bem, podem ir — e eles saíram hesitantes da sala.
— O que quer, Mello? — Near perguntou enrolando uma mecha de cabelo com o dedo.
— Testar uma coisa — Mello se aproximou do menor e o segurou pela gola da camisa.
Near estava imaginando se Mello ia bater nele, mas o que ele fez foi algo bem diferente; Near ficou completamente surpreso quando Mello o beijou, um beijo repentino e feroz.
— É diferente — comentou baixo Mello ao soltar Near, deixando-o cair no chão.
Simplesmente virou as costas para o menor e foi embora, mas antes de sair disse um — Obrigado, Near — sem olhar para ele. Nunca achou que algum dia agradeceria a Near, ainda mais de forma tão sincera, mas estava profundamente aliviado.
Chegando no apartamento, Matt já estava acordado e jogando video-game.
— Você parece bem-humorado — Matt forçou um sorriso, bem convincente até, mas Mello o conhecia bem o suficiente para perceber que era falso.
Mello se aproximou do ruivo e tirou o PSP de suas mãos, segurando-as entre as suas — Matt, me desculpe.
Agradeceu a Near e se desculpu com Matt? Essa era realmente uma data memorável.
— M-Mello? — Matt estranhou, e muito; em todo o tempo que conhecia Mello, essa era a primeria vez que o ouvia se desculpar.
— Desculpe. Por todo esse tempo — Mello disse em voz baixa — E obrigado por ficar ao meu lado por todo esse tempo.
Matt não resistiu; beijou Mello. queria algumas respostas para àquele comportamento repentino dele, mas seu corpo não o obedecia mais.
Ia acontecer de novo, em menos de 24h. Não aprendia nunca?
— Matt... — Mello chamou.
A surpresa foi tanta, que Matt parou na hora o que estava fazendo e largou os braços, sem força, ao lado do corpo.
— O... O que você disse?
— " Matt ". É o seu nome, não é? Bom, nome falso, mas você entendeu — Mello fingiu irritação.
— Mas... Mas você... Near... — Matt não conseguia nem falar com coerência mais.
— É, mas eu pensei muito e cheguei a uma conclusão. Já fiz o teste também.
— T-Teste? — Matt estava cada vez mais perdido.
— Eu fui me encontrar com Near e... E eu o beijei — Matt sentiu algo afiado dentro de si. Sempre soube que era questão de tempo até que... " Mas espera um pouco! Isso não explica o que está acontecendo aqui! " — E é diferente — Mello continuou — É diferente de quando eu beijo você.
" Vai comparar agora?! "
— O que eu sinto por você também é diferente do que eu sinto pelo Near. Isso porque eu... Amo... — Mello corou.
Matt sentiu seus olhos arderem, mas tentou manter a voz firme — Faz tempo, mas você nunca quis admitir.
Mello balançou a cabeça — Não, idiota. Eu amo você!
— ... — agora Matt perdeu a voz de vez, e seu único pensamento foi: o que tinha fumado para estar ouvindo isso?
— Deixa eu explicar! Há anos que eu sinto... Algo por Near, mas não era amor. Talvez fosse, no começo, mas conforme o tempo passava, conforme eu ficava ao seu lado, até mesmo esse suposto " amor " foi sumindo. Mas como eu nunca me permitia pensar sobre o que eu sentia pelo Near, eu acabei não me dando conta.
— E você descobriu tudo isso com um beijo?? — perguntou rouco.
— Foi o bastante.
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Matt. Ele a limpou rapidamente e sorriu; o maior e mais sincero sorriso que deu em toda sua vida.
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