Revelada
2 Capítulo 2 Aprendendo.
Notas iniciais
Capitulo dedicado a Lari *-*
Meu sobressalto me jogou no chão, meu coração ainda batia freneticamente, a sensação do sonho ainda estava em mim, podia sentir o frio, as folhas secas sobre meus pés. A vibração de meu celular junto com o toque estridente que eu havia posto nele, ecoavam pelo quarto, ainda no chão estiquei minha mão para pega-lo da mesinha de cabeceira, no display a palavra Mamãe brilhava, com a foto de minha mãe sorrindo abaixo. Uma onde de alivio se abateu sobre mim, deslizei o flip o atendendo. _Filha? _Oi mãe, desculpa a demora, peguei no sono.- abri minha mochila e tirei de lá um maço de cigarro, o meu favorito de canela, mesmo que vivia falando que largaria para Sofie e Liam. _Tudo bem ? _Tudo, tudo tranqüilo.- falei me levantando do chão e abrindo as portas que davam para sacada, me apoiei e acendi meu veneno particular. _ Recebi seu e-mail amor, sei que foi erro meu, mais realmente estou tentada em aceitar.- disse minha mãe e eu ri antes de soltar um funda tragada que havia dado. _Mãe, como havia lhe dito pelo e-mail, se tem certeza por que não?Só acho que deveria ir com calma, pensar direito sobre isso, sei lá, está mesmo pedindo conselho amoroso para mim?Logo pra mim?.- perguntei deprimida, em meus dezenove anos só havia namorado serio um garoto. Mamãe riu. _Quando pensa em voltar querida?.- perguntou ela e eu estanquei. Aquela era uma das perguntas da qual eu estava fugindo, com esse pensamento uma lembrança me veio a mente, Perseu, perseguindo alguma coisa, o homem atrás de mim, o clarão. _Sa!Sara! .- A voz de minha mãe vinha do celular, que só agora tinha me dado noção de ter tirado da orelha. _Assim que resolver tudo por aqui mãe.- falei apagando meu cigarro e saindo pela porta do quarto._ Daqui a pouco ligo para você.- olhei para o relógio que me diziam que eram quase duas da manhã.-Ou melhor amanha, tem uma segunda linha entrando. _Não ligue querida, vou sai com Henrique ligo para você ,tudo bem?. _Ótimo, te amo mãezinha, até amanha. Deslizei o flip de meu celular o desligando, o décimo degrau da escada rangeu quando meus pés tocaram nele, na sala eu conseguia ouvir uma voz forte falando com Anette. _Estão determinados em sua busca, você viu do que são capazes!- a voz de Anette era nervosa. _Não irão machuca-la, eles precisam dela.- a outra voz respondeu. Apareci na entrada, na sala estavam Anette e um homem de profundo olhos azuis, não desses olhos azuis comuns, mais um azul quase transparente, com longos cabelos negros amarrados para trás, seu rosto era sério, sua postura era ereta e firme, e o jeito como ele me olhou um frio correu por toda minha espinha, aquele azul, por que aquele me parecia familiar? _Boa noite .- falei debilmente. _Anne...- Anette começou mais o homem a interrompeu. _Sara Belasco.- o jeito com que ele pronunciou meu nome, foi quase uma reverencia. _Sou eu.- falei e ele me encarou, a expressão séria no rosto. _Sei que é você. _Anette posso falar com você?.- olhei para Anette que parecia desconfortável sentada ali. _Antes de vocês se ausentarem, não há nenhuma pergunta que você queria me fazer menina?.- estremeci com a pergunta dele. Sim, pensei comigo, tinhas varias perguntas rondando a minha cabeça, como eu havia ido para em meu quarto, sendo que algumas horas antes eu estava desmaiada, quem era ele, quem era o homem do sorriso macabro, se tudo aquilo foi um sonho, porque Anette parecia desconfortável, por que eu estava inquieta, porque ele me parecia familiar e mais bizarra de todas porque ele me olhava daquela forma, como se eu fosse uma espécie de Ídolo que ele sempre imaginou encontrar. A sobrancelha negra do homem se levantou, como se ele tivesse escutado tudo que eu havia pensado. _São muitas perguntas não são criança?.-ele me falou.- Então vou pô-las em ordem se permitir.- ele gesticulou para mim e eu maneie a cabeça._ Primeiramente me chamo Miguel, lhe pareço familiar porque já nos encontramos outras vezes, você estava em seu quarto porque eu mesmo a coloquei lá, a Sra. Vontinelli se sente desconfortável por que ela está com medo, você não está inquieta são apenas seus sentidos fluindo, aquele homem que a atacou em algumas horas trás era um Elemental, não, aquilo não foi um sonho e meu olhar perante você e como costumo olhar a todas as pessoas que sou designado a proteger, e todas elas merecem o olhar que ele lhes dou.
Meus olhos se arregalaram, dei um passo para trás, mais não era por vontade própria era apenas meu instinto de defesa agindo outro vez. Ele tinha respondido todas as minhas perguntas, todas elas, como seu eu tivesse perguntado a ele, Ok Sara, é apenas um sonho mulher, daqui alguns segundos o celular irá começar tocar. _Sempre a mesma reação.- murmurou Miguel entediado._ Você não está sonhando criança e não eu não li seus pensamentos. E lá vão meus olhos pular fora de órbita outra vez. _Se não leu como sabe que pensei isso?!. _Não ouvi suas perguntas, mais as senti! .-disse ele serio._ Sempre acontece da mesma forma, pode se sentar um segundo por favor? Olhei do estranho para Anette, aquilo estava um verdadeiro caleidoscópio de confusão, Anette olhou para mim sorrindo fraco, percebi que ela estava de alguma forma preocupada. Fui para o sofá onde ela estava sentada a vendo sorrir encorajadora, os olhos do homem a nossa frente eram azuis, azuis como os de Perseu. _Deve estar confusa.-disse Miguel. _Estou. _Não tenho o que lhe explicar criança, na verdade, quanto menos souber melhor. Olhei para o homem, meu desejo era de dar uma gargalhada, mais algo no sério e frio olhar dele me parou. _Olhe, não vou mentir, enquanto vinha para cá ouvi a conversa de vocês quero saber quem está atrás de mim, ou o que?. Anette se mexeu desconfortável ao meu lado,olhei para ela que sorriu disfarçando algo, tentei ler as entrelinhas, encarei o homem a minha frente, não havia nada de espetacular nele, a não ser os olhos, aqueles olhos eram capazes de para qualquer um, não por medo, mais por respeito, eles transmitiam autoridade. Suas roupas eram simples, uma calça jeans desbotada e uma camisa de algodão preta, que mostrava a largura de dos ombros, ao que me parecia, ou ele malhava muito ou era um nadador, ele tinha quase o mesmo porte físico de Liam,os cabelos negros e lanzudos estavam amarrados na nuca , ele me encarou os olhos azuis focando nos meus e aquilo foi como um tapa na cara. Eu conhecia aquele homem, e Meu Deus ! Levantei-me num salto e Miguel se levantou junto comigo, era mesma altura, os mesmo olhos, as mesmas roupas. _O que é você?!.- sufoquei apavorada. _Fique calma criança. A mesma voz!Senhor como pude demorar tanto para reconhecer?! _Sonhei com você!.- falei. _Eu sei. Meu corpo tremeu por inteiro, quase pulei para trás do sofá, ou corri para cozinha para procurar a maior faca que tivesse lá. _Sara, se acalme!Ele não vai lhe fazer mal!. _Eu sonhei com ele Anette!Foi ele que fez tudo voltar! Foi depois daquela droga de sonho! Tudo voltou!. _Nada voltou menina! Esse nada que você se refere nunca sumiu, apenas se acalmou!.- disse ele voltado a se sentar.- _Você não sabe! Nunca esteve na minha pele para saber!. _Nunca em sua pele, mais sempre a seu lado, a quem intercedia?A quem pedia para faze-los sumir?. Meu coração sambou em meu peito, minha boca abria e fechava debilmente, tentei dar uma resposta mais não a encontrava. _Eu pedia a Deus!Não a você! _Claro, e Deus tem todo o tempo do mundo para ficar sua disposição.- Disse Miguel._ Não é apenas você que os enxerga menina!Não é apenas você que os ouve e que os sente! Milhares através do mundo, bilhões. _Eu, apenas uma criança!Como Deus não percebia que aquilo era muito para mim?. _Já se perguntou por quê?Por que o senhor lhe deu tudo isso?.- desafiou o homem. _Quem ou o que é você?!.- pedi e ele bufou alto. _Lá vamos nós outra vez.- murmurou._Me chamo Miguel, general da guarda Celestial, ou como me chamam aqui, Arcanjo Miguel. Eu ri, bem não ri, eu gargalhei, caí em uma crise de riso. Olhei para o homem a minha frente, como ele era Arcanjo Miguel, pelo amor de Deus, isso era até pecado, é eu devo ter batido a cabeça com muita força no chão. _Ok, você é Miguel.-disse me recompondo._Bem, agora se me dêem licença, preciso ir para cama. Me virei e caminhei para porta da sala. _Faz exatos dois meses, que se deu conta de que não se lembra do rosto dele não é?.- a voz de Miguel ecoou atrás de mim. Estanquei, senti um estranho frio correr por todos os meus ossos, eles pareciam congelados, o aperto que aconteceu em meu peito foi tão forte que doeu. _ Alicia teria o que?Cinco anos?.- perguntou ele. Olhei para ele, e quando encontrei seu rosto ele estava embaçado, as lagrimas começavam a fazer meus olhos arderem, mais eu não iria chorar. _Como?.- perguntei o encarando. _Ela seria uma bela criança, mais o senhor não permitiu não foi?Seria uma parte dele viva, e você o perdeu pela segun... _CALE ESSA BOCA!.- berrei com o coração apertado. Anette olhava de mim para Miguel, mais não parecia perdida, e sim apreensiva . _Por favor senhor.-disse Anette._De um tempo a ela. _Com que direito você fala neles?Se você é realmente quem diz ser, sabe o que esse assunto me trás e não gostaria de me ver sofrer! Deus não quer que seus filhos sofram!. _Não sou Deus. _É bom que saiba disso, por que é apenas nele que eu acredito.- falei seca, saindo definitivamente da sala. Era um misto de raiva, dor, ultraje. Como aquele homem aparecia do nada,como tocava naquele assunto como se fosse conhecedor? Peguei meu maço de cigarros e me virei para sacada,vi a paisagem escura a minha frente ficar nebulosa, devido a pequena fumaça que era expulsa de minhas vias, encarei as planícies cobertas de capins outra vez, querendo pensar em qualquer coisa que não fosse aquilo, talvez o tabaco que corresse pelas minhas veias fosse parar direto em meu sistema e atingisse alguma parte da memória fazendo aquilo se apagar. Mesmo com toda esperança e força de vontade, meu esforço foi em vão, minha mente pareceu trabalhar exatamente naquele assunto, era como se nosso cérebro trabalhasse na linha do contrário, não, eu não vou pensar sobre isso, e era exatamente com o assunto que se evita que nossos pensamentos chegam recheados. Meu coração acelerando e a dor típica em meu nariz, me avisavam que eu tinha perdido a luta, tanto com as lágrimas quanto com as lembranças. Então eu sucumbi. Minhas pernas perderam as forças, assim como meus braços, meus dedos largaram o cigarro quase que por inteiro, me encolhi junto a sacada sentindo o vento frio passar por mim, os flash de memórias cortavam, exatamente como pequenas navalhas passando por mim, eram pesados e frios. Então algo quente e peludo encostou em mim, levantei meu rosto encontrando um par de olhos azuis preocupados me encarando. Perseu se encolheu a meu lado, e num ato quase que involuntário eu o abracei pelo pescoço, como uma menina com medo de escuro, abraçaria seu ursinho de pelúcia, para minha surpresa o pequeno descansou o focinho em meu ombro e ficou. Cada uma, cada lembrança, foi passada como um capitulo de filme, misturadas, em ordem, de todas as maneiras. Pude sentir Alicia se mexer, pude sentir o cheiro dele outra vez, pude lembrar do desespero, da dor, do medo e principalmente da saudade, a muito tempo, havia prometido a mim que não lembraria deles com dor ou tristeza, mais a forma com que eles me foram lembrados, não me deixava de outra forma a não ser magoada. Eu sabia que isso não era saudável nem para mim, nem para eles, pareceu ser a milhões de anos atrás, mais eram quatro anos, de certa forma também não era novo, mas, ainda muito presente, ou havia voltado a ser presente, pelo menos até esse momento. Duas leves batidas fizeram-me erguer do chão, Perseu me estudou com seus olhos azuis e eu cocei sua cabeça. _Obrigada menino. Quando estiquei minha mão para maçaneta a porta se abriu, Anette colocou a cabeça pela fresta e me encarou, sorrindo sem graça. _Posso entrar?. Sorri e assenti para ela, me sentei na cama e Anette me copiou, seus olhos estavam quase gritando. ‘ O que foi aquilo? ’ _Desculpe pelo o que aconteceu lá embaixo.- falei para ela. _Tudo bem, ele não costuma ser muito amigável. _É verdade?.-perguntei sem olhá-la. _ Tudo que ele disse?. _É.- ela assentiu._ Para muitos isso é uma loucura,mais para a pessoas certas e a mais pura realidade.- Anette se mexeu desconfortável em seu lugar._ Sua mãe lhe falou como sua avó morreu? Eu assenti. _Infarto, não foi?Vi o laudo do atestado de óbito no testamento.
_Sim, foi, mais o que acometeu esse infarto não foi um aborrecimento ou algo do gênero.- Anette hesitava e aquilo fez algo em mim apitar. Meu coração palpitou, eu sabia que ela falaria algo, que eu não gostaria de saber, mais que mesmo assim teria que saber. _ Shakespeare disse, existem mais coisas entre o céu e a terra que suspeita nossa vã filosofia.- falou ela e eu assenti, metade do mundo ou o mundo inteiro conhecia essa frase._ Não faz idéia de como ele estava certo. _Sei que há ‘coisas’ que não podemos enxergar ou sentir... _Alguns.- Anette me interrompeu._Alguns não pode enxergar, e sei que você não é um deles. Eu a encarei, não tinha o que dizer, como havia previsto antes, ela não esteve em nenhum momento perdida em minha breve discussão com um suposto anjo. _Sara, sua avó sempre falou sobre você, nunca a tirou da cabeça, quando não estava caída sobre os livros ou na livraria, estava falando sobre você.- as maçãs do rosto de Anette se ruborizaram.- Sei das coisas que aconteceram com você ou parte delas por isso não vou pedir que me conte nada, vou perguntar se deseja me falar, no momento de hoje e desses novos tempos não é bom você explodir. Minhas unhas por algum motivo se tornaram interessantíssimas, meus olhos não queriam se desviar delas em nenhum momento, suspirei baixo antes de criar coragem para dizer tudo que pretendia. Aquilo era como trazer lembranças a tona, torna-las um filme em minha mente. _Quando tinha quatorze para quinze anos eu conheci um rapaz, através de uma amiga,na verdade a irmã dele, nos conhecemos um dia depois do dias dos namorados, foi um sentimento realmente forte, não posso dizer que foi amor a primeira vista, porque o que acontecia com a gente não era amor, era algo muito mais forte.- eu sorri com a lembrança._ Enfim, algumas semanas depois começamos a namorar, e assim ficamos durante quatro anos,quando iríamos completar cinco — uma semana antes para ser mais precisa, ele sofreu um acidente e faleceu.- Olhei para Anette que tinha os olhos arregalados._ Minha vida acabou ali, pelo menos eu achava, não fui ao enterro dele por que estava internada, a depressão começava a fazer efeito em mim, eu costumo ver a vida como um buraco, que a gente vai caindo e torcendo para que o fundo quando chegue, não nos machuque muito, mais o meu fundo quando chegou,tanto me apavorou quanto me alegrou._Anette me olhava atentamente e sorriu para que eu prosseguisse._ Aos dezessete anos, eu me vi grávida, com o pai de meu bebê morto, graças a Deus minha mãe compreendeu, assim como minha sogra que até hoje liga para mim, mesmo assim não escapei de horas e horas de lições de moral e uns bons sermões das duas._Anette e eu sorrimos juntas._ Mas, por algum motivo, minha filha não sobreviveu, a perdi quando estava em meu sétimo mês de gestação, todos ficaram arrasados e outra vez a depressão tomou conta de mim, passei um ano afastada de tudo e de todos, no ano seguinte voltei e terminei meu ultimo ano, para tentar esquecer tudo, foquei em meus estudos e passei a viver de livros e folhas de papel, foi então que ganhei a bolsa para estudar em Londres.- terminei e vi que Anette ao meu lado me olhava como se eu fosse algo muito interessante. _ Você carrega nos ombros um fardo grande Sara, e os tempos estão mudados.- A governanta falou. _O que quer dizer com isso?. _Nada Sara, só que nada é mais como antes, tudo se recicla não?.- ela sorriu. _É. Anette se levantava quando me lembrei da voz de Miguel falando com ela, sobre querem algo de mim, mais quando perguntei ela foi totalmente evasiva e vaga. _Não precisa se preocupar com isso agora criança, volte a dormir, está tarde. _Anette como não preciso?Tem algo ou alguém atrás de mim, eu nem ai menos sei o que ou quem é, se me conhece bem como diz sabe que não desistir tão fácil assim.- reclamei. Anette suspirou baixo e me olhou cansada por um segundo quase decidi deixar o assunto para outra hora. _Tem certeza que quer discutir isso agora?E um assunto longo Sara, assunto esse que nem sei se vou saber passar para você, talvez devesse esperar a próxima visita de Miguel e perguntar a ele mesmo.- propôs ela. _Prefiro ouvir de você do que dele, não acho que vou ser educada quando estiver na presença dele, mesmo isso indo contra meus princípios, por favor Anette!. A mulher riu cansada. _Muito bem,vamos então para sua biblioteca e me faça um favor, me chame de Nette,como todos me chamam. Eu sorriu e segurei seu braço a puxando para biblioteca. Anette me puxou para sacada, falando que eu gostaria da vista, quando ela abriu as portas eu sorri, a lua estava em seu ponto alto na noite, uma grande bola luminosa na escuridão, tão perto que fiquei tentada em esticar a mão para ver se conseguiria tocá-la. De todos os astros do nosso universo era ela que me encantava, os planetas o sol, nenhum deles pareciam o bastante para mim, começando pela minha preferência pela noite e ao contrario de muitos brasileiros eu a amava o frio, principalmente os cariocas,que estavam dia sim dia não nas praias ensolaradas e azuis. Minha felicidade era quando chovia, quando a ventania tomava conta do lugar, levantando aquele maravilho cheiro de terra molhada que só o interior e a serra tinham. Encarei Nette e ela me olhava terna. _O que foi?.- sorri envergonhada. _Você é a cópia de sua avó, não conheço seu pai ou sua mãe, mais tenho certeza que se parece muito com ela. _Vó Lena não era ruiva... _Não digo a aparência Sara, falo sua personalidade, seu jeito...Deve ser por isso...- ela então parou. _Deve ser por isso? _Olhe eu não sei como lhe explicar isso,nem sei se tenho permissão para isso, santo Deus, onde fui amarrar meu jegue?.- choramingou ela. _Para com o drama Nette, vamos, por onde tem que começar?.-pensei um pouco._Quem sabe pela morte de Vó Lena?Você disse que não foi um infarto do jeito tradicional.- Falei com a garganta um tanto apertada. Olhei para as estantes a minha volta tentando fugir do aperto,comecei a andar olhando as prateleiras, nelas tinham desde Diva de Machado de Assis a O morro dos ventos uivantes de Emily Brontë, eu sorri quando encontrei inúmeros exemplares de Dan Brown ,Clarisse Lispector, Paulo Coelho entre muitos outros. Na minha concepção aquela era sim a minha biblioteca, estavam ali os meus preferidos tanto nacionais quanto internacionais. _Em que acredita ?. _Em Deus.- falei sucinta. _E no Diabo?.-perguntou Anette. _Na minha opinião, não há como acreditar em um sem crer no outro.-eu falei e Anette sorriu. _Sempre soube que era esperta, o que conhece da história dele?. _Não muito, apenas que era o anjo preferido do senhor, mais quis ser melhor que o próprio por isso perdeu suas asas, ou como usam o verdadeiro termo, caiu. — falei me apoiando no piano. _Também sabe que com ele vieram outros certo?. _A famosa legião?. _A própria.- disse ela._ Sete mil demônios,que ele rege e tem controle em suas mãos.-Anette pareceu desconfortável eu também não estava a vontade de tocar nesse assunto. Procurei um relógio por perto e quando encarei o visor de meu celular empalideci. _Nette, são dez para as três.- falei. _Conhece isso a respeito também?.- Anette sorriu. _Sim, e costumo respeitar, como lhe falei não dá para acreditar em um sem crer no outro, tudo tem seu oposto. _Não tenho mais duvidas, você será uma grande mulher.- disse ela beijando minha testa._ Vamos para cama querida, estarei em meu quarto se precisar de algo. Assim que Anette se calou Perseu passou pela porta, roçou nas pernas dela como um gato e ela coçou sua cabeça. _Fez uma ótima escolha garoto.- disse ela a ele._Bem tenho certeza que estará muito bem protegida. Perseu veio para mim e se sentou a meu lado. _Ele faz parte da minha proteção não faz?.- perguntei brincando com o lobo, enquanto encarava seus olhos azuis._Ele tem o mesmo olhar e o tom de azul. _Todos temos aliados de todas as formas,que escolhem por sua própria conta a nos ajudar,e isso acontece nos dois lados. _Lobos? _Os progenitores do melhor amigo do homem.-disse ela._ Quer proteção melhor?. _Não.-disse me levantando._Essa está ótima. _Está indo bem,mais ainda tem muito o que aprender.- sorriu Nette para mim._Todos temos. Caminhei em direção ao meu quarto com Perseu ao meu lado. Nunca acreditei em céu e inferno, e sim em bem e mal,coisas que não enxergamos mais que estão ali, que vivem conosco. Certas coisas foram feitas para não ser compreendidas ou vistas, mais algo em meu instinto de defesa me dizia que eu estava a ponto de descobrir que eu me encontrava bem no meio do olho do furacão. Que isso não era nada, nada bom.
Notas finais
Então?
Me mato, paro, continuo ;)
Me mato, paro, continuo ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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