Return to Paradise

2 02. It Ain't Gonna Be Easy


"It Ain't Gonna Be Easy"

I

Jackie girou o volante estacionando o carro do outro lado da rua. Ela parou alguns segundos imaginando se entraria pela porta da frente ou a porta da cozinha. Fazia quase sete anos que ela não pisava em Point Place, e quase três anos que via os Forman, então escolher por qual porta entrar era realmente uma decisão difícil. Pegando a bolsa ela respirou fundo e optou pela da frente, isso mostraria que ela se sentia culpada por não ter dado notícias pelos últimos meses, mas que ela estava disposta a se redimir.

Ergueu a mão e bateu contra a madeira azul, esperou alguns segundos até que a porta se abriu revelando uma adolescente ruiva de olhos claros e cara de tédio, porém assim que a garota notou quem ela era, abriu um enorme sorriso.

—Oi Anne.

—Tia Jackie. — a garota a abraçou com força. Jackie a abraçou de volta sentindo o cheiro de chiclete de seu perfume. — Oh céus, finalmente alguém decente nesta casa.

—Onde está sua mãe e seu pai? — Jackie indagou já entrando na casa.

—No porão.

Jackie beijou rapidamente a sobrinha na bochecha e se apressou para a cozinha. Como não havia ninguém no cômodo ela desceu a escada para o porão, fazia algum tempo que ela não pisava naquele lugar, as lembranças ainda eram vividas em sua mente, principalmente seus momentos com Steven. Ela hesitou um momento antes virar a curva da escada, haviam pessoas lá embaixo, vozes agitadas e animadas, e ela rapidamente as reconheceu.

—Não é como se você tivesse fora por uma vida inteira, mas eu realmente senti falta de você. — Eric disse.

—Larga, Forman. — Steven resmungou porque provavelmente Eric tentava abraca-lo. — Donna, segure seu marido ou você ficará viúva em alguns segundos.

—Ele apenas está feliz por alguém está aqui para dividir o mal humor de Red. — Donna disse rindo.

Jackie desceu os degraus até ter uma boa vista do trio de costas para ela. Steven estava em sua cadeira habitual, já Eric e Donna estavam sentados no sofá, o braço dele envolta do ombro dela.

Steven foi o primeiro a notá-la. Seus olhos se fixaram por alguns segundos no dela antes de desviar o olhar.

—Parece que Red não mudou mesmo. — Jackie disse fazendo o casal Forman se virar para ela.

—Jackie! — Donna se levantou do sofá e caminhou até ela a envolvendo em um abraço apertado.

—Sua gigante, você está me sufocando. — Jackie disse batendo nas costas dela. Donna a soltou e ela pode finalmente respirar fundo.

—Também senti sua falta, Jackie. — Donna afirmou sorrindo para ela.

—Jackie, como foi o vôo? Eles deram uma cadeira especial para você não cansar seus cascos? — Eric indagou ironicamente. Jackie sorriu.

—Oh Eric, a piada do diabo? Que original.

—Na verdade estou lhe chamando de vaca, mas isso também serve.

Jackie revirou os olhos e se sentou ao lado de Donna, seu olhar se encontrou rapidamente com o de Steven.

—Hyde.

—Jackie.

—Climão. — Eric murmurou fingindo um ataque de tosse. Donna o socou no ombro. — Aí! Eu apenas expressei em palavras o que todos aqui pensam.

Donna revirou os olhos para a fala de Eric. Jackie desviou o olhar de Steven e focou no anel em sua mão, a pequena aliança de ouro rosa, não era algo tradicional como o uma aliança de ouro que ela sonhava em ter quando era mais nova, mas tinha o mesmo valor que uma aliança de ouro teria. Jackie havia aprendido que não era o valor financeiro que fazia a aliança valer mais, era seu valor sentimental, aquela aliança tinha uma história, tinham emoções e momentos gravados nela. E aquilo era algo que nenhum dinheiro do mundo podia comprar.

—Jackie, isso é uma aliança? — Donna indagou fazendo com que Jackie a encarasse em um sobressalto.

—Não! É apenas um anel da minha avó, sabe, depois que papai saiu da cadeia ele me mandou isso junto com outras jóias que ele tinha escondido em seu apartamento em Denver. Ele disse que isso deveria pagar por todos os anos em que ele esteve longe. — ela disse tentando manter a voz normal, mas toda vez que falava sobre seu pai, ela sentia como se mãos envolvessem seu pescoço. Ela se sentia sufocada.

Donna assentiu deixando o assunto de lado e focando em outra coisa. Jackie desviou levemente seu olhar para Steven, ele tinha as mãos no bolso e encarava a TV ligada à sua frente. Ela queria saber se ele percebeu sua mentira, se havia notado como tinha conseguido enrolar Donna, mas ele parcial atento demais ao programa que passava para prestar atenção nela.

Jackie suspirou levemente e assentiu para Donna que contava sobre a última brincadeira que Luke havia feito e que não havia dado certo.

—É claro que não deu, ele é filho do Eric. — ela afirmou recebendo um olhar irritado do marido de Donna. Eric abriu a boca para retrucar, porém parou quando a porta do porão se abriu deixando um Fez sorridente entrar, Jackie sorriu abertamente para o amigo antes de pular do sofá e o abraçar.

—Oh Fezzie, estava com saudades. — ela afirmou se afastando dele.

—Saudades do quê, minha deusa? Nós vimos semana passada. — Fez disse se afastando dela para abraçar Donna. Então ele subitamente colocou a mão em cima da barriga dela e indagou. — Está de quantos meses?

Donna abriu a boca indignada e bateu no pobre estrangeiro com suas mãos de raquete. Jackie riu feliz por ser como nos velhos tempos.

—Ok Donna. Acho que ele já aprendeu a lição. — Eric falou puxando a esposa para longe de Fez.

—Eu só perguntei! — ele resmungou se sentando na cadeira de praia. Jackie voltou para seu lugar no sofá ainda mantendo seu sorriso.

—E então, onde está Crazy Caroline? — Hyde indagou esticando as pernas e descansando as mãos sobre a fivela do seu cinto.

—Ela está com a mãe dela. Sua enorme barriga está lhe incomodando e ela não está disposta a encarar meus amigos idiotas. — Fez disse fazendo Jackie franzir a testa. — Palavras dela.

—Onde está o pequeno Tucker?

—Está com Luke lá em cima. — ele respondeu a Donna.

—É tão bom todo mundo reunido, só falta o….

—Fez! — Jackie nem precisou virar para saber que Michael já estava descendo a escada, Fez se levantou e então subitamente pulou por cima do sofá interceptando Michael no meio do caminho e o jogando no chão.

Jackie se virou rapidamente para ver o dois idiotas se enroscando no chão.

—Seu bastardo filho da mãe! Isso é por aquele dia no parque! — Fez gritou passando o braço pelo pescoço de Michael. Jackie observou seu ex ficar levemente roxo.

—Você é um policial treinado, Kelso! Revida! — Eric gritava enquanto agitava os braços para cima. Jackie se virou para ele, porém seus olhos se fixaram em Steven que mantinha um sorriso no rosto ao observar aquela situação ridículo.

—Já chega vocês dois. — Brooke disse finalmente se fazendo ser vista, ela então estendeu um borrifador em direção aos dois idiotas apertando várias vezes e jorrando água neles. Michael e Fez rapidamente se afastaram se colocado em lados opostos. — Fez, é hora de perdoar e esquecer.

—Esse infeliz me deixou sozinho naquele parque! — Fez protestou. Brooke suspirou.

—Fez, se eu batesse no Michael toda vez que ele me deixasse na mão, eu seria viúva.

Jackie riu assim como os outros. Brooke era realmente a aquisição mais valiosa do grupo. Jackie sempre se perguntava como diabos a inteligente bibliotecária havia se casado com o rei da estupidez, mas ela havia percebido que o amor era algo curioso. Brooke havia moldado Michael ao ponto dele ser um homem sério, algumas vezes, e um pai dedicado, já Michael havia despertado uma Brooke mais leve e feliz, uma que suportava as piadas do grupo e todas as loucuras que envolviam estar com eles. Eles se completavam e se amavam, e era isso que importava.

—Onde está Betsy? — Steven indagou fazendo Brooke se virar para ele e lhe borrifar água. — Ei! Que diabos, Brooke!

—Isso é por ter me feito entrar em um carro abarrotado de caixas e me fazer passar raiva. — ela resmungou, mas então sorriu para ele. — Como estamos?

—Fez sete anos semana passada. — Steven disse com indiferença, mas Jackie sabia que por baixo daqueles óculos escuros ele estava orgulhoso de si mesmo.

—Sete anos sem fumar ou beber. Hyde, estamos orgulhosos de você. — Donna afirmou sorrindo para ele.

—Isso definitivamente é uma coisa que ninguém esperava de você. Parabéns. — Eric disse com o mesmo orgulho de Donna.

Jackie se lembrava do momento em que Steven havia falado a todos que estava oficialmente parando beber, eles estavam na casa de Brooke e Kelso depois de uma apresentação na escola de Betsy, foi uma surpresa muito agradável para ela. Ninguém nunca soube muito bem o porquê daquilo, mas segundo Steven, estava na hora de mudar seu estilo de vida ou acabaria em um caixão antes dos quarenta e ele definitivamente não queria entrar em paleto de mogno que sua tia Celina escolheria. Jackie sabia Brooke e sra. Forman tinham um dedo nisso, Brooke porque vivia ameaçando Steven para que ele não bebesse ou fumasse perto de Betsy e a sra. Forman porque Steven apenas queria vê-la feliz. Ele era um manteiga derretida por dentro.

—Então vamos comemorar como? — Michael indagou brincando uma moeda que havia achado.

—Amanhã a gente comemora. Agora tenho que ir atrás de Betsy, temos assuntos a resolver. — Steven disse já ficando de pé.

—Os mesmo assuntos que o fizeram vir mais cedo? — Donna indagou, Jackie franziu a testa curiosa com os assuntos. — Você não vai mesmo nos dizer o que é?

—Amanhã vocês saberão. — Steven afirmou já subindo as escadas.

—Ele e Betsy estão armando alguma coisa. Eles ficaram no telefone por horas nas últimas semanas. — Brooke disse se sentando na cadeira de Steven. Todos no porão sabiam que apenas duas pessoas podiam se sentar lá, Brooke e Jackie. — E até agora eu não consigo imaginar nada.

—Talvez eles estejam criando um carro movido a água. — Eric sugeriu em brincadeira, mas rapidamente se arrependeu quando viu o sorriso de Michael. — Eu estou brincando, Kelso.

—Oh vamos lá! Betsy é inteligente, esta fazendo faculdade de física. É óbvio que ela consegue fazer isso.

Jackie revirou os olhos e se preparou para a sessão de argumentos que se seguiria. Ter amigos idiotas era uma merda.

II

Kitty observou com um sorriso quando Steven passou pela porta do porão em direção a garagem, ele parecia agitado e animado, o que era até um pouco estranho para alguém como Steven Hyde.

Ela caminhou até a porta observando Betsy, que estava descarregando as malas do carro de seus pais, abraçar o seu padrinho com um sorriso no rosto. Kitty sabia que Betsy era uma das únicas mulheres que Steven se permitiu amar, desde pequena ela era a favorita dele. Ela havia feito um bem sem irreal a ele, terminado o trabalho que ela própria havia começado e Jackie continuado.

—Por que está fazendo isso, Dolly? — Steven indagou ajudando a garota com as caixas.

—Mamãe apenas seguiu papai para dentro da casa e como eu tinha adormecido no carro ela me deixou esse trabalho, já que eu meio que trouxe isso tudo. — Betsy explicou sem parecer realmente se importar com em carregar as caixas para a varanda da cozinha. — Vovó Kitty, como você está?

—Estou bem, e você? — ela indagou abraçando a garota. — Está um pouco magra, não acha? Venha, eu fiz biscoitos.

Kitty levou Betsy para a mesa da cozinha e fez a garota se sentar ao lado de Red.

—Vovô Red, como foi o jogo ontem? Acabei perdendo por causa de um trabalho que tinha que fazer. — Betsy disse atraindo a atenção de Red. Kitty achava impressionante como a garota era a única que conseguia fazer com que Red largasse seu jornal sem ouvir resmungos ou reclamações. Enquanto os dois conversavam sobre o placar do jogo, Kitty preparou outra fornada de biscoito para ir ao forno.

—Mãe, você poderia me fazer um favor? — Steven indagou em voz baixa parando ao lado dela. Kitty não conseguiu evitar que um sorriso tomasse conta de seus lábios. Ela amava quando Steven a chamava de mãe.

—Claro, querido. — ela afirmou, Steven abriu a boca para falar o que queria dizer, porém ele parou quando a algazarra de vozes e passos adentraram a cozinha.

—Mãe, o Kelso machucou a mão. — Eric disse apontando para Michael que segurava a mão esquerda com a direita.

—O que o idiota fez desta vez? — Red indagou com desinteresse.

—Tentou pegar o queijo naquela ratoeira que tem no antigo quarto de Hyde porque Fez apostou que ele não conseguia. — Donna explicou olhando com pena para Brooke, Kitty também a olhava assim algumas vezes, ter Michael Kelso como marido, às vezes, era algo digno de pena.

—Ha! Ha! Idiota. — Fez riu, mas parou ao receber um tapa na nuca de Jackie.

—Está vendo, Kitty. Parece que nem mesmo o tempo os deixam menos idiotas. — Red apontou bufando para esconder o riso. Kitty revirou os olhos enquanto empurrava Michael para pia a fim de lavar seu ferimento.

—Red, lembra o que eu pedi a você? Nada de chamar as crianças de idiotas durante esse final de semana. — ela o lembrou, Red bufou novamente.

—Isso vai ser impossível, Kitty. Aquele idiota que nomeou o filho por causa de uma coisa idiota. — ele disse apontando para Eric. — A idiota ali deixou o idiota nomear o filho por causa da coisa idiota. — ele apontou para Donna. — O idiota se casou com a louca. — ele se virou para Fez e depois para Steven. — O idiota se mudou para o lado oposto do país que a outra idiota mora. — então para Jackie. — A idiota mora do lado oposto que o idiota mora. — e por fim ele voltou para Michael. — E idiota é o idiota mor.

—Mas ainda tem a Brooke. — Eric disse sem se importar com as palavras dela.

—Eu gosto dela. — Red disse dando de ombros. — Ela é a mais esperta de todos vocês.

—Hey! Isso é… Ok, é verdade. — Jackie falou ligando seu braço ou de Brooke. — Quem não gosta desta rata de biblioteca?

—A melhor coisa que aconteceu ao nosso grupo. — Donna afirmou.

—Kelso, Obrigada por engravidá-la. — Eric disse batendo nas costas dele, Kitty revirou os olhos enquanto Michael sorria abertamente.

—De nada.