Return - Knight Of The Round

4 We're strangers till now.


Notas iniciais
No final ~

Um dos meus cotovelos foi tocado por mãos delicadas, mas por algum motivo, elas conseguiam me puxar com uma força sobre-humana. Essa mesma força me puxou penumbra a dentro, nós corremos juntos, não conseguia o identificar, mas pela estrutura física, parecia um homem, poderia ser outro ladrão querendo disputar meu dinheiro ou minhas joias falsas, não importava agora, esse acabara de salvar minha vida.

Nós corremos feitos delinquentes fugitivos da polícia, mas no caso, estávamos fugindo de outro delinquente, olhei para trás de relance e vi os olhos negros do homem nos olhar com rancor, ele corria atrás de nós com dificuldade. Corri mais a frente.

A mão guiava meu corpo para um lugar cada vez mais desprovido de luz, quando sem motivo aparente me vi atravessando uma parede de concreto, assustado, meu corpo que enrijeceu por completo, minhas pernas falharem, mas aquela mão continuava me puxando para longe sem ao mesmo ter tempo para pensar. Nós atravessamos outra parede.

Aquela mão desprendeu-se da minha com cuidado, deixando os dedos rasparem com leveza na palma da minha causando uma cocegas gostosa. Tudo está tão lento. Meu corpo parece levitar, gravidade parece não se importar nenhum pouco comigo. Enchi meus pulmões, inalei um ar puro com cheiro de mato molhado, confortou-me. Poderia morrer ali, estaria em paz.

“Reven, re, zux... Re. Por quê? Por que isto não funciona? Re Reven Xuz. Droga, esqueci as palavras. Estou cego! Ótimo, alguém vai passar por aqui certo? Abracadabra? Eu não estou sozinho, pelos Cavaleiros! Rentrer chez eux” – Uma voz estranha ecoou em minha cabeça. Claro, não estava sozinho.

Um clarão branco e incomodo apareceu. Minhas pupilas pediram ajuda, fechei meus olhos com foça e para ajudar levei meu antebraço para cobri-los. Nossos corpos foram arremessados em direção à luz. Tudo voltou com uma rapidez avassaladora.

Pelo impulso, nossos corpos foram arremessados contra uma parede consistente, houve um barulho estrondoso. A dor da parte de trás do meu corpo gritou, minha mochila amorteceu a queda, mas mesmo assim escutei meus ossos estalarem. Gemi baixo.

Olhei para lado e lá estava o semblante de outro “ser-humano”, não consegui ver seu rosto, ele mantinha suas mãos em seus joelhos e usava um capuz da blusa de frio azul com as estampas de estrelas brancas. Assim como eu, ofegava. Levei a mão ao torço para tentar acalmar o meu coração, que estrava em disparada. Como isso pode acontecer? Pisquei diversas vezes de forma pesada, olhei incrédulo para os lados. Estava em um quarto.

Havia uma cama de casal, atrás dela uma espécie de móvel de cor clara, nele com alguns portas-retratos, livros e uma pequena caixa. Olhei com atenção novamente e pude ver uma porta de vidro, com um provável banheiro ali. Pareci estar a salvo. Retirei minha mochila das costas, deixando-a em qualquer lugar. Tentei me acalmar.

– Me desculpe por isso. – Vi o semblante ao meu lado se ajeitar, retirando o capuz, revelando seus cabelos castanhos claros lisos. Seu perfil era delicado. Sua boca chamou minha atenção, lábios finos e rosados, em um formato diferenciado, talvez uma combinação perfeita com seus pequenos olhos. Ele soltou uma risada fraca. – Não costumo trazer qualquer um para meu quarto, mas foi o único lugar que consegui pensar na hora. Sou péssimo nesse negocio de “voltar para casa”

– Você salvou minha vida, mas co-como? — Ainda estava indignado com o que havia ocorrido a dois muitos atrás – On-onde nós...estamos?

– No meu quarto, já disse... – Ele indagou soltando uma nova risada abafada. Logo, desgrudou seu corpo da parede e caminhou em passos autoritários e elegantes para alguns metros distantes de mim, o vi desaparecer ao descer pequenos degraus e passar por uma porta. O segui.

Havia dois sofás pretos que formava uma espécie L na pequena sala, esses davam de frente a uma televisão grande. Ao centro, uma mesa que parecia quase que invisível se não fosse pela quantidade de papéis e a xícara com um café recém feito sobre ela, a fumaça era tão atrativa. Olhando para um lado oposto, pude ver a cozinha com moveis novos e modernos.

Ele se jogou no canto do sofá, o que me fez voltar a atenção a ele, seu tronco mantinha-se relaxado e fora do encosto, suas pernas abertas faziam contradição ao seu rosto delicado e agora, sereno. Olhou-me nos olhos, com uma provável percepção ao meu estado de choque. Algo naqueles olhos me hipnotizava por completo, não conseguia desgrudar nossos olhares.

Houve um silêncio entre nós.

– Você jura que não sabe o que aconteceu? – Disse, por fim. Sorriu e dessa vez tive oportunidade de ver seus dentes brilharem. Bateu algumas vezes no acento do sofá, para que eu sentasse ao seu lado. – Estou surpreso!

Contornei a pequena mesa de centro de vidro. Sentei relaxado ao lado do outro, respirei fundo. Meu abdômen pediu ajuda, mas minha curiosidade clamava. Deixei a dor de lado mais uma vez.

– Eu não sei de nada, mas imagino que você tenha as respostas para minhas perguntas. – Meus olhos se fixaram para aquele semblante, que apenas admirava um horizonte imaginável.

– Nós poderíamos começar do inicio, não? – Ele ergueu sua postura. Seus lábios pareciam clamar meu nome a cada palavra que soltava. A quentura subiu em meu corpo. Um sorriso caloroso apareceu da parte do outro e suas próximas palavras saíram com um orgulho. – HyunSeung, estudante de magia, prazer.

– Magia. – Repeti na tentativa codificar essa nova palavra em minha cabeça. — Ok, vamos lá, se magia realmente existe você sabe quem eu sou.

– Isso é verdade, eu sei muito bem quem você é, quem você foi e talvez quem você pode ser. – Vi um sorriso no canto de sua boca aparecer, ele se inclinou e arrastando os papéis de cima da mesa, me mostrando um diário com a capa de couro preta, amarrado por um tipo estranho de corda, arrastou para o meu lado da mesa – Abra, JunHyung.

Senti um frio arrebatador subir pela espinha ao escutar meu nome, uma mistura de receio com um pouco de medo se estabeleceu em meu corpo. Minha pulsação na garganta estava em evidencia. Abri o diário com cuidado, deixando tudo expostos alí. Havia uma foto minha no tamanho 10 x 15 logo na segunda página, fora retirada quando eu ainda estava cursava o colegial a alguns anos atrás, a retirei de lá, colocando-a sobre a mesa de vidro em cima dos papeis. HyunSeung passou a observar a foto entre suas mãos. Sua risada abafada preencheu meus ouvidos. O ignorei e passei a analisar os papeis. Todos os escritos estavam a caneta. Abri em uma página escrita e passei meu olho por cima, reconhecendo a letra de HongKi de imediato.

“Terça, 4:50 da manhã. JunHyung está tendo um pesadelo. Vejo uma provável lembrança de seu pai e de sua mãe.”

“Quinta, 5:28 da tarde. JunHyung desenvolveu sua visão psíquica. Consegue ver através da alma, assim como as sombras.”

“Sábado, 1:00 da tarde. Conheci sua mãe adotiva. Uma Mortal. Não tenho certeza se era a mulher certa”

Minha leitura fora interrompida pela voz de HyunSeung.

– Eu sei o que está pensando. – Sua voz saiu em um tom suave e sério.

O que é bem provável. Ele deve ler mentes. Sorri irônico para meu eu. Passei meus olhos para mais anotações. Meus sentimentos se misturaram, fazendo meu estômago suplicar. Minha garganta apertou e eu soltei aquilo. Minhas mãos tremiam. Mordi meu lábio inferior com força, levei os nós dos meus dedos as minha boca tentando esconder qualquer coisa.

Pela primeira vez, uma raiva por HongKi sobressaiu em meu sangue que pulsava com violência. Tudo estava bem claro, o pouco que li era o suficiente para entender o que se passava, o que os dois tiveram não foi um amor e sim um estudo. Por quê? Tudo estava rodando. Muita informação. Meu corpo estava fraco, minha visão não está funcionando muito bem.

– HongKi começou um estudo com você, de fato. – HyunSeung respirou fundo ao meu lado. – Por que talvez você não saiba, mas é filho de um homem importante em nossa história, bem... Quase ninguém fala sobre ele, por medo, mas talvez você entenda que...

– Isso não justifica nada. – O interrompi, não havia desculpas para aquilo. Balancei minha cabeça de forma negativa diversas vezes, coloquei o diário sob o colo de HyunSeung. – Cinco anos de mentiras.

– Escute o que eu tenho para falar. – A mão de HyunSeung surtiu em minhas costas em um toque leve e aconchegante. Sua mão preencheu-se com minha nuca, o que fez minha atenção voltar a ele. Seu corpo transpirava confiança. Suspirou. Seus olhos estavam diferentes. – HongKi estudou você por apenas dois meses. Talvez ele tenha começado o seu estudo do modo errado e acabou se envolvendo, cheguei a pensar o quão idiota ele conseguiu ser por se apaixonar por alguém feito você...

– Se você teve a intenção de me confortar, está indo pelo caminho certo. – Soltei uma ironia tosca. A dor em meu abdômen apertou.

– Eu não terminei. – Seu indicador encostou ao centro de meus lábios, na tentativa de calar minha boca, funcionou. Olhei para seu semblante com a visão embasada, pisquei várias vezes para tentar normalizá-la, nada feito. HyunSeung voltou com sua fala em um tom clamo e dogmático. – Não estou te ofendendo. O que eu quero dizer é que nós somos magos e não podemos nos envolver! A verdade... – Ele fez uma longa pausa retirando suas mãos de mim, voltando a sua posição inicial. – Você é o único que pode ajudar nosso povo e HongKi estragou tudo querendo te proteger das coisas que poderiam acontecer.

Abri minha boca para falar algo, mas a informações estavam tão frescas e confusas que nenhuma palavra saia de minha boca. Eu gemi baixo, a dor de meu abdômen suplicou. Passei a mão com leveza por cima de minha camiseta preta que agora estava colada em meu tronco. Minha mão estava manchada com meu próprio sangue.

Notas finais
Olá, como você está? Não, é sério, como você está? ~
Algumas pessoas estão lendo minha fanfic! Mesmo sem comentar, apenas de saber que vocês estão lendo, me deixa bem feliz. Obrigada. :D
Como eu disse, estou repostando essa fanfic devido ao problema que tive com meu outro perfil.
Então o próximo capítulo não irá demorar.
Hugs and Kissus marotos.