Return

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Hey hey ~
Bom, fiquei um tempo sumida do site, e nada melhor para voltar do que postando uma one shot velha bem curtinha (e trágica) do meu lindo otp, YunJae. Esse foi o primeiro yaoi que eu postei aqui e lá no Spirit, por isso pode ser que algumas coisas estejam esquisitas, mas eu, particularmente, acho que está tudo certinho.
Eu escrevi ela toda ouvindo a música Return do Lee Seung Gi (link nas notas finais), e por isso a história acabou com esse nome. Mas, na verdade, a letra não tem muito a ver com os acontecimentos da one.
Sem mais falatórios, aproveitem ~

Yunho estava atordoado. Não deveria estar lá. Não deveria estar segurando aquilo. Não deveria estar fazendo coisas estúpidas.

Já fazia tanto tempo... Por que continuava a se lembrar?

Yunho, vamos para a macieira!

Aquela voz soou em sua mente. Como poderia esquecer aquela voz? Mesmo que mil anos se passassem, ele nunca a esqueceria. Fora ela que por tanto tempo o ajudara a esquecer os problemas que o cercavam.

Quem diria que ela se tornaria seu maior problema um dia?

Yunnie, você é um verdadeiro idiota, mas eu gosto de você mesmo assim.

É verdade. Ele era um idiota. Um idiota por viver no passado, por chorar como uma criança todos os dias, e principalmente por não conseguir esquecer aquela pessoa.

Mesmo com a visão embaçada pelas lágrimas que caíam descontroladamente, Yunho não conseguia parar, seu corpo se movia sozinho. Ele já conhecia o lugar para onde estava indo, conhecia tão bem que poderia encontrá-lo até mesmo de olhos fechados.

Eu sempre estarei aqui com você, Yunho, eu prometo.

— Mentiroso! – O homem gritou, parando bruscamente e fitando a grama sob seus pés, com as lágrimas ainda escorrendo em seu rosto. – Kim Jaejoong, você é um grande mentiroso...

Eu te amo Yunnie!

Aquelas palavras ecoando em sua mente fizeram Yunho apertar os olhos e agarrar com ainda mais força o pequeno objeto em suas mãos. Ela sabia que já tinha chego ao lugar que procurava, mas também sabia que se olhasse para frente, se encontraria com seu doloroso passado novamente.

Mas mesmo assim o homem levantou o olhar. Ele não conseguiu fitar aquela árvore por mais de dois segundos, antes que sua mente fosse preenchida pelas memórias que por tanto tempo havia tentado apagar.

Era verão e o dia estava quente, exatamente do jeito que o garoto de dezesseis anos gostava.

Finalmente tinha conseguido escapar da aula de violino que seus pais o obrigavam a fazer, o que era um milagre, já que sempre que tentava fugir para ver seu melhor amigo durante as tardes de sábado, algum dos empregados o pegava de surpresa e seus pais acabavam por deixá-lo de castigo dentro de casa.

— Yah, você veio mesmo, Yunnie! – A voz doce e melodiosa de Jaejoong se fez presente atrás de Yunho quando o maior chegou na bela árvore qual ambos involuntariamente sempre usavam de ponto de encontro. – Não sabe como eu me senti na última semana quando você não apareceu. Eu realmente fiquei preocupado!

Yunho não pôde evitar sorrir ao se virar para Jaejoong, que o fitava com os braços cruzados e um adorável bico insatisfeito no rosto. O maior sabia que o garoto de pele clara sempre ficava extremamente preocupado quando ele não aparecia, e definitivamente achava aquilo muito fofo.

— Aigoo, como esperado do nosso Joongie. – Apertou as bochechas do amigo. – Sempre tão preocupado comigo...

— Yah, para com isso, quem vê pensa que você está falando com uma criança. – Jaejoong reclamou, com o rosto corado, e Yunho riu. – Como fugiu do seu professor bundão hoje?

— Pedi para ir ao banheiro e escapei pela janela. Acho que dessa vez eu dei sorte em não ter ninguém nos fundos da casa. – O maior respondeu e sentou-se sob a sombra da grande árvore.

— Finalmente você deu sorte, né? – Jaejoong sentou-se ao lado do amigo. – É sério, se você me deixasse mais um dia esperando aqui, eu te daria como morto e nunca mais apareceria perto desse lugar.

— Bom, aí eu iria atrás de você, nem que eu tivesse que sair por aí gritando seu nome na rua como um louco até você aparecer.

— Você não é nem doido de fazer isso.

— Duvida? – Perguntou e o menor assentiu. – Tente desaparecer da minha vida pra você ver.

Yunho riu friamente com aquelas lembranças e sentiu seu coração, ou pelo menos o resto dele, se despedaçar ainda mais. Como lembranças tão simples poderiam doer tanto?

A passos lentos, Yunho andou em direção à árvore, agora sem folhas devido ao outono que chegara, e fitou seu tronco. Ainda segurava com força o pequeno objeto, sem ousar olha para ele, mesmo que soubesse perfeitamente o que tinha em mãos.

— O que tem na bolsa hoje? – Yunho perguntou, apontando para o objeto nas costas do amigo, qual ele sempre trazia consigo em todos os encontros de ambos naquela árvore.

— Ah, isso? Bom... – O menor tirou a mochila das costas e a abriu. – Tem uns livros, comida, um baralho e... ah, é mesmo! – Ele enfiou a mão dentro da bolsa com pressa. – Tchãrãn!

De lá tirou duas pedrinhas avermelhadas e estendeu a Yunho, que observou os objetos atentamente, antes de perguntar:

— O que é isso?

— Não sei, achei hoje quando vinha pra cá. São lindas, né?

— São incríveis. – Disse, sem tirar os olhos das pedras. – Será que é alguma coisa valiosa?

— Se não eram valiosas, agora são. – Jaejoong deu uma das pedras a Yunho. – Essa é sua e essa é minha. Isso é um presente e o símbolo da nossa amizade, nem pense em perder!

— Yah, você acha que eu perderia um presente seu? – Yunho fez um bico descontente.

— Não sei, me diga você, Sr. Jung só-não-perco-a-cabeça-porque-é-grudada Yunho.

— Tudo bem, tudo bem, vou tomar muito cuidado com o precioso presente do meu Boojae. – O maior abraçou o amigo e lhe deu um beijo no rosto.

— É bom mesmo. – Jaejoong disse fitando o chão, com o rosto corado.

A doce lembrança fez uma lágrima escapar dos olhos do moreno, que tinha sua testa encostada no tronco da macieira e agora fitava a pequena pedra avermelhada em suas mãos.

Ele definitivamente tinha cuidado bem do presente de seu amado.

— Yunnie! – Jaejoong exclamou em tom de advertência, fitando o melhor amigo com um olhar incrédulo após ter seus lábios selados pelo mesmo no meio de uma brincadeira.

— Ué, não estava sem falar comigo?

— Yah, Jung Yunho! – Empurrou o maior de seu lado. – Você vive me roubando beijos, eu vou te denunciar por assédio um dia desses!

— Assédio? Foi só um selinho, seu chato. – Yunho mostrou a língua, se ajeitando para o lado do amigo novamente.

— Dessa vez foi só um selinho, mas e das outras? – O menor disse num tom acusador.

— Tudo bem, tudo bem, eu sou um assediador de quinta então, mas você não fica muito atrás de mim. Quem foi que praticamente pulou no meu pescoço da última vez, hem, Sr. Kim Jaejoong?

— Eu não pulei no seu pescoço! – Jaejoong se defendeu.

— Pulou sim! Inclusive quase me derrubou no chão e por pouco nós não começamos a fazer...

— YAH! – Jaejoong exclamou antes que Yunho terminasse a frase, escondendo o rosto corado no peito do amigo.

— Mas é verdade. – Yunho disse risonho. – Ou vai me dizer que não?

O menor não respondeu, apenas continuou deitado no peito do outro. Yunho já tinha se acostumado com aquele jeito do amigo, ele sempre deixava suas perguntas no ar quando estava envergonhado ou com raiva.

— Yunnie? – Jaejoong finalmente se pronunciou depois de um tempo em silêncio.

— Hm?

— Ahn... ah, não é nada, esquece.

— Fala logo, Jaejoong.

— Posso te beijar de novo?

Aquela pergunta pegou Yunho de surpresa e o deixou boquiaberto, com um sorriso no rosto. Eram raras as vezes que o menor tomava alguma atitude, mas sempre que tomava, valia muito a pena.

— Aish, sabia que não deveria ter falado nada. – Jaejoong murmurou e se encolheu ainda mais no peito do outro.

— É claro que pode, seu bobo. – Yunho respondeu, puxando o rosto de Jaejoong para cima e o fitando.

— Posso mesmo? – Os olhos do garoto de pele pálida brilharam.

— Pode.

Jaejoong então se aproximou timidamente e colou seus lábios. Yunho segurou na nuca do menor, o trazendo para mais perto, até dar-se início a um beijo lento, doce e apaixonado. Os dois adolescentes adoravam aquela sensação de quando estavam juntos ali, debaixo naquela macieira. A sensação de poderem ser o que quisessem e fazer o que quisessem, sem um mundo adulto os olhando de forma reprovadora e os condenando como abomináveis. Juntos, eram apenas Yunho e Jaejoong.

Quando o beijo foi cessado, Yunho colou suas testas e sorriu, fitando um Jaejoong corado, que logo se pronunciou:

— Se você ficar jogando esse beijo na minha cara depois, eu juro que te mato!

Saindo de seu transe, Yunho deixou-se cair ajoelhado na grama molhada. Aquela dor... ela era insuportável.

O homem se odiava por sentir-se assim, e se odiava ainda mais quando se via incapaz de acabar com a própria vida. Era um verdadeiro covarde, sempre foi.

Ainda no chão úmido, o moreno viu-se fazendo a mesma pergunta que por tantos anos se repetia em sua cabeça.

“Como seria se ele ainda estivesse comigo?”

E pela enésima vez se imaginou crescendo ao lado de Jaejoong. As coisas que poderiam ter estudado juntos, brincadeiras que poderiam ter inventado, sonhos que poderiam ter sido realizados...

— Yunnie, qual é o seu maior sonho? – A voz doce de Jaejoong disse ao lado do amigo, enquanto ambos observavam as nuvens no céu azul de verão.

— Maior sonho?

— É. Algo que você queira muito muito muito de todo coração.

— Hum, vejamos... – Yunho parou pensativo e fitou o amigo por alguns segundos. – Você!

As bochechas do menor ruborizaram automaticamente e ele afundou o rosto entre as mãos.

— Yah... eu disse ‘algo’, não ‘alguém’.

— Isso não te tira da posição de meu maior sonho. – O maior disse, brincalhão, e abraçou o melhor amigo. – E o seu, Joongie?

— Bom, o meu é... hum... fugir pra Seul com você!

— Fugir pra Seul?

— É! Aí nós arrumaríamos um bom trabalho lá e dividiríamos um apartamento. Já pensou, Yunnie? Ia ser tão legal! – Jaejoong pegou a mão de Yunho e entrelaçou seus dedos.

— Uou, eu adorei isso. É meu novo sonho agora! – Disse, sorridente.

— Mas Yunnie...

— Oi?

— Eu também tenho outro sonho.

— E qual é, Boojae? – Yunho perguntou, curioso.

— Quero estar ao seu lado para sempre! – Jaejoong respondeu, deixando um selinho nos lábios do maior.

Seria tão bom se lembranças boas fossem apenas lembranças boas... seria muito bom.

Mas aquela não era a realidade de Yunho. Boas lembranças nunca seriam apenas boas lembranças. Tudo doía.

E nem mesmo o rosto angelical de Jaejoong em sua memória poderia ser algo bom e caloroso como antes.

O homem fitou o céu acinzentado por incontáveis minutos. O tempo também estava assim naquele dia, a última vez em que o vira.

Era outubro, e Yunho estava doente.

Fazia quanto tempo que ele não via seu Jaejoongie? Duas semanas? Ah, ele definitivamente precisava ver o garoto, a essas horas ele estaria morrendo de preocupação por seu sumiço repentino.

E foi com esse pensamento que, escondido dos pais, saiu de casa.

Mesmo que estivesse frio e Yunho não estivesse bem, ele não poderia ficar mais um dia sequer dentro de casa sem ver seu anjo de pele de porcelana. Não enquanto soubesse que ele estaria angustiado à sua espera.

Isso se ele não tivesse desistido de ir vê-lo.

A passos rápidos o moreno se dirigiu até o morro que ficava depois da mansão de sua família, não tendo dificuldade em encontrar a grande macieira, agora com folhas alaranjadas, que ficava ali.

— Joongie? – Yunho chamou enquanto se aproximava da árvore. – Me diz que você está aí e não desistiu de mim, por favor.

Porém, não obteve resposta, e aquilo o deixou aflito.

Quando finalmente chegou em seu ponto de encontro com o amigo, deu uma volta na árvore e, ao olhar para baixo, deu um longo suspiro de alívio.

Jaejoong estava cochilando no chão, encostado a uma pilha de folhas secas.

— Hey, Boojae... – cochichou no ouvido do menor, o vendo despertar lentamente.

— Yunnie? – Perguntou, sonolento. – Oh droga, se for mais um daqueles sonhos, eu juro que...

— Yah, está tendo sonhos eróticos comigo, Jaejoongie?

Ao ouvir a voz do moreno novamente, Jaejoong abriu os olhos e acordou, surpreso.

— Yunnie! – Pulou no amigo que estava ajoelhado à sua frente e o abraçou. – Espera, por que eu estou te abraçando? Eu deveria te dar uns tabefes! Por que você sumiu todos esses dias? Você me deixou super preocupado!

— Desculpa, Joongie, eu fiquei doente. – Deu um beijo na bochecha do amigo e sentou-se, colocando o menor em seu colo, de frente para si. – Juro que tentei vir, mas você sabe como meus pais são...

— Eu entendo. Mas mesmo assim você quase me matou de preocupação!

— E eu quase morri de saudade de você. – Yunho disse, selando os lábios do outro.

— Yah, Yunnie... – Jaejoong corou, afundando o rosto no pescoço do amigo. – Nunca mais me deixe preocupado assim, hum? Nesses dias eu pensei tanta coisa e...

— Hey... – Colocou o dedo na boca do menor, em sinal para que ele parasse de falar. – Eu estou bem e prometo não te deixar preocupado assim de novo.

Jaejoong então levantou a cabeça novamente e aproximando seu rosto do de Yunho e roçando seus lábios. Logo o menor avançou no melhor amigo e deu início a um beijo repleto de carinho e saudade. Era aquilo que os dois mais precisavam no momento.

— Eu te amo, Yunnie. – Jaejoong disse ao findar o contato.

— Eu te amo ainda mais, Joongie. – Yunho colou suas testas e sorriu. – Quer ser meu namorado?

A pergunta pegou Jaejoong de surpresa, que corou mais do que já estava corado, porém, não conseguiu desgrudar seus olhos dos do maior. Há quanto tempo esperava aquela pergunta?

— Quero. – Respondeu, ainda que encabulado.

Com um sorriso ainda maior, Yunho iniciou outro beijo, porém dessa vez bem mais eufórico e cheio de desejo.

Doía saber que a última vez em que vira seu anjo fora o dia em que o amor de ambos finalmente se consolidara. Naquele mesmo dia foi quando começaram a planejar a viagem para Seul, e também toda a vida futura que teriam.

Ah, doía tanto...

Só não mais do que quando Yunho recebera aquela notícia. A pior notícia de sua vida.

E talvez aquele também tenha sido o pior dia de sua vida.

Um mês. Estava completando um mês que Jaejoong não aparecia na árvore.

Um mês desde que aquele vazio e angústia se instalaram no peito do moreno.

Yunho não aguentava mais, ele precisava ver seu namorado. Definitivamente precisava, ou então morreria aos poucos. Estava cansado de esperar.

O caminho até a casa dos Kim era curto, porém, enquanto Yunho caminhava, pareceu uma eternidade toda. Nunca tinha ido naquele lugar antes, nunca nem sequer tinha visto o rosto da família de seu namorado, e também duvidava que os progenitores de Jaejoong soubessem de sua existência, mas não seria isso que o desmotivaria de ir atrás de seu amado.

Finalmente chegou em frente à grande casa onde, de acordo com Jaejoong, viviam ele, seus pais e mais oito irmãs. Bateu na porta e esperou por um tempo, mas nada de alguém abrí-la. Novamente bateu na porta, porém, dessa vez, ouviu o barulho da chave do lado de dentro e uma onda de alívio percorreu seu peito.

Quando a porta foi aberta, Yunho se viu em frente a uma senhora de cabelos curtos e olhos inchados, que disse:

— Pois não?

— O Jaejoong está? – O maior foi direto. – Eu sou um amigo dele e precisava vê-lo...

A mulher ficou paralisada por alguns segundos, com um olhar triste, até Yunho chamar:

— Senhora?

— Eu não sei quem você é, mas pelo visto ainda não sabe... – Ela começou a dizer, com a voz embargada. – ... faz um mês desde que o mestre Jaejoong... ele morreu, meu caro.

E naquele mesmo momento, seu mundo desabou.

Era estranho como a morte poderia levar as pessoas de uma hora para outra.

Ela apagava todas as lembranças, as promessas, os momentos vividos... e a dor restava para quem quer que ficasse.

Se lembrava vagamente de, naquele mesmo dia, ver em sua frente uma matéria no jornal sobre a trágica morte do único filho dos Kim num acidente de carro, quando chegara em casa chorando.

Yunho não entendia como o céu poderia ser tão cruel consigo.

Jaejoong era seu anjo, era o motivo pelo qual acordava todas as manhãs e também o motivo pelo qual dormia bem todas as noites. Tirar seu anjo de sua vida fora como jogar o moreno em um buraco escuro sem volta.

Não havia volta para a morte.

E mesmo assim há quem diga que tudo acontece por um propósito.

Qual era o propósito da vida tirando Jaejoong dela? Fazer Yunho sofrer por longos dez anos, para descobrir qual era o seu limite?

Bom, se era isso que a vida queria saber, agora ela sabia: aquele era o seu limite.

Não poderia mais aguentar um dia sequer vivendo uma vida triste e vazia.

O moreno então fitou aquela bela árvore, portadora das melhores e também das piores lembranças se sua vida, e desatou em choro. Um choro alto e desesperado, como nunca dera em toda a sua vida, nem mesmo nos longos anos em que estivera em depressão pela morte do amado. Naquele momento não havia mais nada. Nem sua vida em Seul, nem a grande empresa qual era herdeiro, nem sua esposa arranjada pelos pais, nem a grande e luxuosa casa em que vivia...

Era hora de sua dor acabar.

— Joongie... eu estou indo atrás de você... – Disse, em meio a soluços. – Me desculpe a demora...

Recostando-se à macieira, tirou de dentro do bolso da calça um pequeno frasco de vidro, com um líquido esverdeado arranjado num de seus dias de desespero.

“Apenas um gole basta pra morrer.” Dissera o homem que o vendera aquilo. “Sem dor, sem nada.”

Yunho suspirou. Não sabia o que havia depois dali, se era bom ou se era ruim, mas pouco importava naquele momento. Só queria acabar com aquela dor de uma vez por todas, e quem sabe encontrar seu anjo de pele clara do outro lado.

Arrancou a rolha que tampava o vidrinho e a colocou em qualquer lugar, fitando o líquido ali dentro.

Era a sua hora, finalmente tinha chego a sua hora.

Bebeu tudo de uma vez, sem se preocupar com mais nada e demorou-se olhando para a árvore a sua frente.

— Eu estou indo Jaejoong. Eu te amo.

Foram as suas últimas palavras antes de, com um sorriso, fraquejar as pernas e cair na grama úmida sob a árvore que antes fora seu refúgio do mundo em que se encontrava. Agora ela passara a ser seu novo leito de morte.

Se o sangue ainda corresse por suas veias e seu coração ainda pulsasse, poderia contar sobre ter ouvido, antes que sua mente se apagasse completamente, os ventos sussurrando-lhe numa voz já conhecida:

“Eu também te amo, meu Yunnie”

Notas finais
Espero que tenham gostado /cry e não me matem por esse final vago, essa era a intenção dele mesmo.
Qualquer dúvida, xingamento, pedras, declaração de amor, receita de bolo, ou afins, podem deixar nos comentários que eu respondo tudo com muito carinho. ♥
Ah, o link da música do Lee Seung Gi: https://www.youtube.com/watch?v=Xw0URnMrFV8

Kissus e até mais ~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!