Retrato de Família
1 One Shot
Notas iniciais
A carruagem nos esperava na porta do palácio. Mamãe abraçava Brad carinhosamente, e eu esperava. Após vários tapinhas em suas bochechas, mamãe se dirigiu a mim. Felicidades, volte logo, sentiremos saudades. Não tive tempo para chorar por papai, já era a nossa partida para a lua-de-mel.
Entramos na carruagem que nos levaria até o porto. Uma viagem romântica num transatlântico. Uma semana em alto mar. Depois disso, de volta aos compromissos reais. Olhei pela janela aberta e ouvi – acho que todo mundo ouviu – mamãe gritar a plenos pulmões “É bom você voltar grávida!”. Eu desviei o olhar rápido, e Brad estava corado.
Já dentro do navio, em nossa cabine suuper luxuosa, Brad iniciou uma conversa enquanto sentava na cama, me convidando para sentar ao seu lado.
– Quando a sua mãe disse para você voltar grávida, ela não estava falando sério, não é? Quer dizer, nós nos casamos ontem.
– Suponho que ela estivesse falando sério. Parece óbvio.
– Explique.
– Você precisa provar ser digno. Se você me der um filho, aos dezoito anos ele deverá te matar para ser o novo rei. Se for uma menina, aos dezoito, assim como eu, ela deverá arranjar um homem que seja capaz de te matar e ser o novo rei. Achei que você soubesse.
– Eu sei de tudo isso. Mas, por que a pressa? Eu esperava ter bastante tempo com você, minha querida – Ele disse isso tentando ser sedutor (e conseguiu), passando a mão em meu rosto. Eu me levantei, virando de costas, tentando quebrar o clima.
– Como eu disse, você precisa se provar apropriado. Se eu não engravidar ainda esta semana mamãe irá te julgar incapaz. Seu fuzilamento será um espetáculo e eu deverei arranjar outro esposo – Virei para ele – Então é melhor, para você, claro, que eu esteja esperando uma criança quando voltarmos.
Bati o cabelo e dei dois passos, saindo do quarto, mas Brad segurou o meu braço, me impedindo de continuar.
– Nesse caso, acho melhor começarmos agora – Ele me puxou para perto e, bem, acho que você pode imaginar o que aconteceu depois.
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Na semana seguinte, estávamos no palácio. Brad estava na outra sala, ele estava nervoso. Eu estava sentada numa cama, mamãe em pé, apreensiva, e uma médica verificando meus exames.
– Parabéns vossa majestade, rainha Caroço. Você está grávida.
Eu sorri, mas não sabia se estava realmente feliz. Mamãe me abraçou, chorando.
– Eu vou contar para Brad – Mamãe saiu do quarto e voltou com o meu marido. Ele se esforçou muito para sorrir. Ele parecia estar cheio de ódio.
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Meses se passaram e eu estava terrivelmente redonda e dolorida. Estava deitada na cama, falando com a Tartaruga pelo telefone. Brad estava do meu lado, olhando na direção da janela. Comecei a sentir dores agudas no abdômen e gritei. Um líquido escorreu pela cama.
– Brad. Acho que está na hora.
A dor ficava cada vez mais forte e respirar era difícil. Brad saiu do quarto e voltou com mamãe e com uma médica. Eu urrava de dor e parecia estar sento rasgada ao meio, por dentro. Brad ficou na porta, olhando. Mamãe tentava me acalmar e a médica realizava seu trabalho. Depois de quase uma hora, sem anestesia e com muito sangue, o bebê saiu. O cordão foi cortado.
– Oh querida, é um menino – Mamãe disse sorrindo, pegando-o no colo e estendendo-o para mim.
Mas antes que eu pudesse segura-lo, Brad apareceu como um urso raivoso e fincou uma espada no peito do meu pequeno. Mamãe caiu no chão. Eu gritei. A dor parecia ainda maior agora.
– Eu não vou permitir que ninguém tire a maldita coroa de mim – Ele me beijou na testa e saiu do quarto.
Mamãe estava sem ar e eu não conseguia me mexer. Apenas podia olhar para o bebê caído na cama com um buraco negro em nossos peitos. Nós três ficamos observando aquela cena triste, sem nenhuma reação, talvez durante minutos de mais. Finalmente a médica tirou o pequeno da cama e me guiou para o banho. Talvez ficar submersa pudesse ajudar a tirar isso da cabeça.
– Afinal, ele se provou digno de ser rei.
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