Havia um mês desde o inicio do treinamento de Ichigo para recuperar seus poderes e voltar a ser o shinigami substituto de Karakura. Os desafios de Ginjou iam ficando cada vez mais difíceis, então criou uma rotina para sua atual vida: treinar com os Fullbringers depois do colégio, ir para casa, jantar com a família, fingir estar dormindo, voltar para o treino até o dia raiar e dormir durante as aulas. Nos finais de semana, pegava o caderno de Chad ou Inoue, os únicos que estavam cientes da situação.

Porém naquela aula de sexta-feira ele não estava cansado, havia atingido seu objetivo. A cena daquele incrível momento passava como um filme em sua mente.


– Isso é tudo? Um mês de treinamento contínuo e o máximo que você consegue fazer é quebrar meu braço esquerdo e perfurar minha barriga algumas vezes com a Zangetsu? – disse Ginjou cuspindo o sangue de sua boca

– Não é nem metade – respondeu o ruivo limpando uma das várias feridas que tinha no corpo e segurando com ainda mais força a recém conquistada zampakutou. Ambos estavam mentindo, na verdade estavam acabados.


Vamos, falta pouco!

Logo poderei proteger a todos novamente

Logo poderei ser shinigami substituto

Logo poderei reencontra-la

Uma explosão de reiatsu saiu do emblema preso a calça de Ichigo e empurrou seu corpo para o chão, fazendo com que apenas sua alma corresse para atacar o oponente, que saiu voado com o impacto do ataque. Quando o moreno levantou-se, olho para Ichigo com orgulho:

– Sou um homem de palavra, não? Meus poderes indo embora e o seus vindo.


O garoto mal prestava atenção na aula, estava perdido em seus pensamentos, sonhando com os olhos abertos. Porém algo que a professora dizia lhe chamou a atenção e interrompeu suas lembranças.

– ... aluna transferida! A maioria já deve conhece-la, porque ela já estudo aqui no primeiro ano. Por favor, entre, Kuc...

Não precisou ouvir o resto do nome para reconhece-la. Quando a pequena garota transferida adentrou a sala, o tempo parecia desacelerar-se. Ele conseguia ver todos os detalhes dela mais uma vez, como em um de seus sonhos: o cabelo preto repicado na altura dos ombros balançando suavemente junto ao uniforme de inverno que lhe caia muito bem, os olhos púrpuros brilhando de felicidade, a pequena mecha no meio do rosto aumentando-lhe o charme e incontáveis outros que ocupariam mais que uma página para descrevê-la perfeitamente. Vê-la tão de perto fazia com que suas memórias parecessem infiéis a real beleza. Ao aproximar-se da professora, virou para a classe com um sorriso estampado.

– Bom-dia, eu sou Kuchuki Rukia, é um prazer conhece-los. – disse levantando levemente a saia como se fosse do século passado

A shinigami dirigia-se ao antigo assento, que por coincidência, estava vago. Os alunos não sabiam se olhavam para o Ichigo pasmo, o que é raro, ou para a linda estudante. A breve caminhada dela até a carteira foi interrompida pelo rebelde menino de cabelos ruivos que a ferozmente puxou pelo braço e saiu correndo até o terraço. Muitos pensamentos e sentimentos rodiavam o fugitivo da aula

O que a Rukia faz aqui?

Droga, logo quando ia fazer um surpresa e aparecer em Soul Society

Ela não tem nada a tratar aqui

Então, qual é o motivo de vir ao colégio?

Será que algo aconteceu em Soul Society ou até com Aizen?

Ao pisar finalmente no mais alto ponto da escola, ainda a segurando, penetrou no roxo céu da noite que eram seus olhos e tentou ler o que se passava na mente da menina. Tudo que descobriu foi apenas o punho furioso dela no meio de seu rosto.

– VOCÊ É IDIOTA? NÃO FAZEM MAIS DE 5 MINUTOS QUE ENTRO NO COLÉGIO E VOU LEVAR UMA ADVERTÊNCIA PORQUE UM LOUCO TEVE UM ATAQUE E SAIU CORRENDO ME ARRASTANDO JUNTO!

– LOUCO? NÃO SOU EU A ANÃ DA MORTE QUE RESOLVE APARECER DO NADA NO MUNDO DOS VIVOS, SEM AO MENOS SER A REPONSÁVEL PELA ÁREA!

– ANÃ? POIS FIQUE SABENDO QUE EU CRESCI 2 CENTÍMETROS E NÃO TENHO QUE TE DAR NENHUMA SATISFAÇÃO SOBRE O QUE EU FAÇO OU DEIXO DE FAZER! – gritou a baixinha, porém o alto gaiato não a ouvia mais e apenas fazia caretas. – É ASSIM QUE VOCÊ ME AGRADECE POR GASTAR MINHAS HUMILDES ECONOMIAS EM UM GIGAI PARA TE VER?

– E VOCÊ PRECISA GUARDAR ALGUM DINHEIRO? NÃO CABE MAIS DINHEIRO NA MANSÃO DO BYAKUYA PORQUE É UMA SÓ! – então refletiu sobre o que ela falou e mudou seu tom de voz – Você... Comprou um gigai para poder me ver?

– Eu gaguejei por acaso? – disse Rukia virando para o lado oposto, cruzando os braços, disfarçando seu rubor – Nii-sama nunca iria me emprestar dinheiro para comprar tal coisa. Apenas ficar observando você é entediante. Eu estava com saudades de conversar com você e morar no seu armário

Subitamente Ichigo lembrou que ela o havia prometido visitas mesmo que não pudessem interagir. Ela estava sofrendo pela incapacidade de comunicarem-se. Como ele era babaca. Não havia acontecido nada em Soul Society ou muito menos Aizen, a morena queria apenas vê-lo.

– Jogou dinheiro fora, boba. – disse o menino tocando no seu emblema antes da irritada resposta de Rukia que estava se desvirando. Ao simples toque, transformou-se em shinigami – Eu – coçou levemente a cabeça para esconder o embaraço – também me esforcei para poder ter a chance de te rever.

A garota congelou. Pequenas lágrimas de alegria brotaram de seus. Tantas emoções, tudo tão nostálgico. Ela não precisou esconder as lágrimas porque o alto rapaz a envolveu em um apertado abraço.

– Bem vinda, Shinigami. Obrigado por vir, já não podia acompanhar a velocidade do mundo sem você – declarou beijando o alto da cabeça de sua amada como um sinal de que iria protegê-la de agora em diante – Prometo que nunca mais a deixarei ir embora com a possibilidade de nunca mais te ver.

– Não ouviu na classe? Meu Nome é Kuchiki Rukia. E espero que não volte atrás de sua promessa – disse a shinigami libertando seus braços e puxando o rosto dele para próximo do seu e selando o compromisso com um beijo nos lábios.


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