Retalhos de uma mente insana
11 Um minuto de silêncio
Notas iniciais

Um minuto de silêncio para a infância perdida.
Os desenhos abstratos de giz de cera que só você visualizava sua família e seu cachorro na folha de papel. As grandes cabanas de lençóis penduradas em cima dos móveis, criando um mundo só seu lá dentro. A velha regra de não pisar no risco do chão. Sério, não pisem. Os desenhos que não passam mais na televisão, quando você levantava cedinho só para assistir. Sua mãe brava porque você resolveu se enrolar no cobertor e passear pela casa.
Um minuto de silêncio para os palitinhos com gostinho que você ganhava quando ia ao dentista. E quando você descobriu que nasceu de um beijo dos seus pais? Foi um dia tão estranho aquele.
A velha mania de subir em cima do sofá e ficar pulando de um lugar para o outro sem encostar o pé no chão, os riscos de ser comido por um jacaré gigante eram grandes.
Antes de serem monstrinhos fofinhos (quase todos) que ficam entrando e saindo em portas, os bichos papões realmente assustavam. Infelizmente, nem todos tinham um armário na parede, mas os que tinham sofriam.
Era a época onde matemática ainda era interessante, onde física não existia nem em seus piores pesadelos, e onde escrever errado e grande demais em letras de forma ainda era considerado fofo. O sonho de ser arquiteto, ator, modelo e astronauta ao mesmo tempo, uma profissão para cada dia da semana. Quando se irritava por ainda ser criança e ouvir sempre o mesmo ''Crescer não é tão legal quanto parece'', mas quem liga para isso? É claro que crescer é legal, certo?
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