Retalhos
4 Capítulo IV
Notas iniciais
RETALHOS
Escrita por Coffee
Onde posso encontrar um coração sem uma única cicatriz? Aqua Timez
CAPÍTULO IV
Quando chegou ao seu consultório no hospital, Karin estava de pé, olhando sua estante.
– Vocês pareciam felizes, embora os dois tenham a cara emburrada.
Ela comentou, se referindo à foto do time sete na sua estante.
– Eu... Acho que éramos.
Porque mesmo deixava aquela foto ali? A sim para se machucar ainda mais.
– Vocês... Tinham uma boa relação? – Viu a ruiva perguntar.
– Eu... Eu não sei... Sasuke e Naruto brigavam o tempo todo, mas no fim tudo ficava bem... Eu acho que era a forma deles demonstrarem que gostavam um do outro como amigos. Eu brigava às vezes com Naruto também, mas isso passava logo. Sasuke sempre foi o mais difícil, ele não aceitava criar laços, nem fazer amizades.
– Então... Você não era amiga de Sasuke?
– Eu... Eu... Acho que... Sim... Ou não. Eu o considerava meu amigo, mas não sei se ele fazia o mesmo...
Conversar sobre aquilo com Karin era embaraçoso.
– No começo foi difícil pra gente também. – A ruiva lhe disse. – Suigetsu queria a todo custo trapacear de alguma forma, eu e ele brigávamos o todo tempo, e Sasuke apenas ficava bravo. Mas com o passar do tempo, aprendemos a respeitar uns aos outros, apesar de eu ainda brigar com Suigetsu. – Viu que a ruiva deu um sorriso fraco. – Nós melhoramos bastante com o passar do tempo.
Gostaria de ter tido esse tempo para que nós melhorássemos também.
Quis dizer, mas ficou em silencio, sabia que isso não era culpa da ruiva.
– É difícil ser uma garota sozinha em meio de três homens. Você deve saber como é.
A ruiva lhe disse.
Não sabia ao certo por que estavam tendo aquela conversa.
Olhou para ruiva, ela lhe parecia solitária apesar de tudo. Era aquilo que significava ser uma mulher em meio aos homens, só podiam parar quando eles achavam que era certo, só podia tomar banho depois que todos eles tomassem, tinham que cozinhar nas missões, e nunca tinham ninguém com quem falar sobre sentimentos ou algo mais profundo.
Observou à ruiva. Ela passava muito tempo com eles...
Ela também havia passado bastante tempo em missões com homens. Mas sempre que voltava a Konoha, tinha suas amigas, como Ino e Hinata, com quem podia conversar, e dar uma pausa em falar sobre armas com homens.
Já Karin...
Ela não tinha ninguém, vivia inteiramente com os três.
Sempre.
O que isso queria dizer? O que isso lhe mostrava sobre Karin?
Viu a ruiva olhar para ela, incerta e envergonhada. E entendeu.
Karin havia conversado com ela porque ela era uma mulher. Não porque ela era Sakura, ou porque ela queria jogar na sua cara que ela tinha uma boa relação com seus companheiros.
Ela havia apenas... Desabafado.
E agora parecia pensar que não deveria tê-lo feito.
E envergonhada, e sem jeito, a viu dar um leve sorriso amarelo e sair de frente a estante.
– Eu já vou indo, obrigada por ir ver Juugo.
Ela disse incerta. E antes que pudesse responder, viu a ruiva saindo da sala e batendo a porta em um baque surdo.
O que acabara de acontecer ali?
[...]
A outra visita a Juugo fora ainda mais estranha que a primeira. Sasuke não estava presente, e o gigante com o garoto-água pouco se pronunciavam.
Ele estava bem, se recuperando.
E foi após sair de lá, que o mensageiro apareceu em sua frente, pedindo que fosse até o escritório da Hogake, e em seguida sumiu, tão rápido como veio.
No começo foi difícil entender, porque Tsunade os colocara para vigiar – ainda dentro da vila – a chegada de um chefe de estado.
Afinal, qual a necessidade de coloca-los juntos?
Não teve tempo de perguntar, antes que elas os expulsasse, sala a fora.
E no fim sobraram os três, Sasuke, Naruto e ela, descendo as escadas do prédio escuro. Cada um com o seu fantasma, assombrando seus interiores.
Eles eram pó – ela sabia -, fagulha.
O loiro mantinha um relacionamento difícil com Hinata, não tinham nada sério apenas supriam a necessidade um do outro, — ela sabia que para a morena não era apenas isso, mas Naruto também dormia com outras mulheres.
Nunca teve coragem de perguntá-lo por que. Nem de contar a Hyuuga, embora tivesse praticamente certeza que ela sabia.
Já Sasuke, ele tinha muitos fantasmas lhe assombrando. Mas ela não mais tinha intimidade o suficiente para saber quais. Nunca tivera.
E por fim havia ela.
Que-
– Sakura-chan?
– Sim?
– Vamos ao meu apartamento, podemos acertar os detalhes.
Acenou positivamente com a cabeça, seguindo os dois homens a sua frente.
O apartamento de Naruto era incrivelmente pequeno. Quando ele abriu a porta e acendeu a luz, o cheiro os atingiu.
– Porra Naruto! – Sasuke reclamou.
O apartamento estava incrivelmente bagunçado, fedia a rato morto, e um forte cheiro de sexo.
– O que diabos estava fazendo antes de ir pro escritório?
– Acho que isso é fácil de imaginar, Sakura. – O moreno lhe respondeu.
Naruto parecia constrangido, ele colocou a mão atrás da cabeça, com um sorriso amarelo, enquanto ela se aventurou pelo seu apartamento fétido, abrindo as janelas, elas pareciam emperradas – sinal que não eram abertas.
– Puta que pariu. – Sasuke xingou novamente.
Mesmo assim ele entrou, após o vento entrar pelas janelas. O cheiro foi se esvaindo aos poucos. Em cima da mesa, na qual ela ia colocar o mapa da vila que fora dado por Tsunade, havia camisinhas, e uma calcinha vermelha.
Naruto pareceu perceber a sua expressão, e rindo sem graça pegou a calcinha e as camisinhas, sumindo com elas pelo corredor.
– Eu não lembrava que estava assim!
Ele gritou.
Observou, Sasuke estava silencioso como sempre. Sentou-se em uma das cadeiras dispostas em volta da mesa, e assim como ela parecia horrorizado com aquele apartamento.
Desenrolou o mapa, colocando-o sobre a mesa. Sasuke pôs a observa-lo no mesmo instante, embora cada um deles soubesse a exata localização de cada parte do mapa.
– Para o que o cara vem mesmo?
Naruto gritara novamente, em seguida ouviu a descarga.
Fez uma careta antes de responder.
– Para o festival de verão, Naruto.
– Festival de verão?
O loiro apareceu novamente confuso.
– Sim, temos isso todo o ano Naruto...
– Esse cheiro de porra deve ter afetado ainda mais o que restava do seu cérebro.
Naruto fez menção de avançar em Sasuke.
Chamou a atenção dele, antes que ele o fizesse.
– E eu nunca consigo aproveita-lo. Sempre de vigia. – O loiro reclamou.
– Quer aproveita-lo como? Trazendo ainda mais mulheres pra sua cama?
O loiro não devolveu seu olhar feroz.
A culpa atingiu a si. Não deveria ter dito aquilo. Só queria combinar logo aquilo e sumir o mais rápido possível. Estar no mesmo cômodo com Sasuke, passando por aquelas cenas vergonhosas que Naruto a proporcionara era horrível.
Sasuke fazia seu coração bater descompassado, e seu estomago revirar.
O time sete era uma sombra.
Uma sombra do que fora um dia. Os integrantes deles não tinham mais todos os componentes para formar uma célula tripla.
Estavam desfalcados.
Destruídos.
Quebrados.
Não, não estavam.
Não ela.
Repetiu para si mesma algumas vezes.
Eu não vou quebrar, eu não quebro.
Não estou quebrada.
Droga, só queria entender porque eles.
Porque não um time normal, como o 8, ou como o Taka.
Porque justo eles?
Porque reviver o time adormecido?
Com seus integrantes despedaçados?
Não ela.
Não ela...
Fale com o autor